Rildo escreve com bic. Vitória 0x1 Coritiba

Leia o post original por Mauro Beting

Escreve Gustavo Roman

Três jogos sem marcar. Duzentos  e setenta minutos sem balançar as redes. Esse é o saldo ofensivo do Vitória do gerente de futebol e treinador Petkovic. Hoje, armado em um 4-2-3-1, com William Farias e Uillian Corrêa como volantes. Paulinho, na direita. Cleiton Xavier por dentro e David na esquerda. Além do retorno do artilheiro Kieza no comando do ataque. o rubro-negro até tinha mais a bola, mas não sabia o que fazer com ela. Pouco ameaçou. Praticamente nada criou.

Por outro lado, o Coritiba foi sempre mais perigoso. Armado no 4-4-2 por Pachequinho, ex jogador e ídolo do clube, o time paranaense mostra em três rodadas que não deve sofrer tanto como nos últimos anos. Alan Santos é o volante que fica mais preso a marcação. Tomas Bastos joga pela extrema direita. Mateus Galdezani arma por dentro. Neto Berola, quem diria, virou meia pela esquerda. Na frente, Kléber e Henrique Almeida. Foram três oportunidades claras de abrir o marcador na primeira etapa. Nenhuma balançou as redes baianas.

O panorama se manteve o mesmo no segundo tempo. Em um só lance, aos nove minutos, o Coritiba teve três chances claras. Fernando Miguel e o pé de Paulinho sobre a linha fatal não deixaram. Aos 27, não teve jeito. Jogada de ex jogadores do Vitória e que vieram do banco. Mérito de Pachequinho. Tiago Real cruzou rasteiro. Rildo, de letra, fez um GOLAÇO. Assim mesmo. Com letras garrafais.

No desespero, Pet repaginou sua equipe num 4-3-3, com Uillian Corrêa, Pisculini e David no meio. Rafaelson, Kieza e Pineda na frente. O Coxa espertamente segurou mais seu time. Até mesmo os bons laterais Dodô e William Mateus ficaram mais. E seguraram mais um triunfo desse bom Coritiba.

Para os baianos, fica a pergunta. Será que o gerente de futebol Pet irá ter peito para demitir o treinador Pet? Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

Escreveu Gustavo Roman

Veja a análise de Gustavo Roman 

 

Vitória para acreditar

Leia o post original por gazeta

Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

Por melhor que seja um treinador, ele precisa da confiança dos jogadores para impor suas ideias. Rogério Ceni sofreu muita contestação. A forma como ele pensa futebol difere um pouco da maioria no Brasil. E isso gera mais dificuldades para a realização de um bom trabalho. A vitória contra o Palmeiras pode ser um passo fundamental para Ceni andar mais com suas convicções. A escalação para pegar o campeão brasileiro não foi convencional. Três zagueiros, apenas um marcador e dois atacantes pelos lados com liberdade de movimentação para Lucas Pratto.

Deu certo. Se Jean tivesse marcado o pênalti que sofreu, talvez a história fosse outra. Se Fernando Prass não tivesse falhado de maneira anormal, talvez a história fosse outra. Mas como se fala na bola, o SE não joga. 2 a 0 foi indiscutível. O São Paulo mostrou boas variações táticas. Rogério Ceni gosta disso. Eu também. Cuca tentou fazer também um terceiro zagueiro com Felipe Melo. Se dificultou o ataque são paulino, deixou-o também muito longe da armação. E o Palmeiras criou pouco.

Momento muito bom para o São Paulo especialmente depois de tantas dificuldades recentes. E da mesma forma pode ser a hora de melhor aprimoramento dos palmeirenses, pois afinal sempre serão mais exigidos. Todos querem ganhar do melhor elenco, do atual campeão. Isso dá moral para o eventual vencedor. Coisas que terão que ser assimiladas e resolvidas por Cuca. E ele pode e sabe fazer. Então fica muito claro que esse jogo, como sempre, valeu mais que os 3 pontos.

São Paulo e Palmeiras mostrarão reflexos do clássico nos próximos dias e nas próximas jornadas. Ganhar ou perder um Choque Rei nunca é indiferente. A semana do Palmeiras será tensa. E o São Paulo terá uma semana de paz. Até os números do Ceni e alguma eventual prancheta deixarão de ser notícia.

Tricolor é rei, Verdão em choque. São Paulo 2 x 0 Palmeiras. 

Leia o post original por Mauro Beting

No Choque-Rei, historicamente, o Palmeiras fica em choque. O São Paulo é rei. Nos últimos 15 anos no Morumbi, nunca o Verdão chegou tão mais forte que o rival, e o Tricolor, tão instável. O clássico, mais uma vez, igualou os desiguais. Na última vitória verde, a dos chapéus, em 2002, o São Paulo vinha de uma sequência de goleadas de quatro gols até levar quatro. Agora, se o Palmeiras não vinha dando show, vinha melhor que o rival. Deve ter um 2017 melhor. Desde que jogue o que não jogou no Morumbi.
Se historicamente o tabu segue e pesou para o Palmeiras, o clássico do sábado era mais importante para o São Paulo. E assim foi.

Rogério surpreendeu com o 3-4-1-2, com Lucão de volta em mais um clássico, Marcinho improvisado como ala pela direita, Cícero rmais preso por dentro ao lado de Jucilei, e Cueva (mal de novo) tentando articular com Luiz Araújo correndo pela esquerda, e Pratto errando mais do que o normal no primeiro tempo de poucas chances. Cuca resolveu espelhar taticamente a mudança de Ceni. Plantou Felipe Melo entre Mina (que saiu bastante e, também por isso, ficou exposto) e Juninho; abriu o estreante Maike pela ala direita e deixou Michel Bastos bem pelo outro lado, mesmo marcado por toda a torcida tricolor. Guerra muito bem articulando. Mas ninguém jogando o que pode e o que sabe tecnicamente. Culpa dos treinadores?
Apenas duas chances pro mandante no primeiro tempo, uma boa chegada do Palmeiras num bom duelo tático, mas chato de emoção. Vão dizer que eram os 3 na zaga. Só não disseram mais porque Felipe Melo, como se sabe, é volante. E pra muitos não foi zagueiro – mesmo tendo sido. Mas não faltaram os que reclamaram dos três “volantes verdes”…
Segundo tempo. O Palmeiras tentou atacar mais. Não acertava o pé. Até Prass falhar pela segunda vez seguida em dois jogos e Pratto abrir o placar, aos 16. Keno já estava pronto para entrar. E até entrou bem. Ajudou a criar o lance do pênalti que Jean sofreu e ele fez sofrer o palmeirense ao chutar longe, aos 22. Cuca foi empilhando atacantes, o São Paulo foi se encolhendo, até Pratto encontrar Luiz Araújo para bater cruzado e Prass falhar pela terceira vez, aos 38. Algo raro na carreira de um atleta exemplar. Raríssimo para um goleiro do nível dele falhar três vezes seguida. Mas não é raro um cara como ele assumir os erros. Palmas pra Prass.
Não é normal. Como não é o Palmeiras estar há 15 anos sem vencer o Tricolor no Morumbi. Como não era o São Paulo jogar tão pouco nas últimas partidas. Desta vez acertou o pé e aproveitou as falhas de um Palmeiras que por vezes parece achar que vai vencer quando quer. Algo que não consegue desde 2002 no Morumbi. Algo que, antes mesmo de Jean bater o pênalti longe, parecia que o Palmeiras não ganharia.

Veja a análise de Gustavo Roman 

Sem fazer muita força, São Paulo atropela o travado Palmeiras!

Leia o post original por Milton Neves

São Paulo 2 x 0 Palmeiras

O primeiro tempo foi horroroso.

Os dois times, amedrontados, só tocavam bola de lado e não se agrediam.

Mas, na etapa final, o duelo pegou fogo!

O São Paulo, do então ameaçado Rogério Ceni, foi com tudo para cima do milionário Palmeiras de Cuca.

E, graças ao ótimo Lucas Pratto, o time do Morumbi conseguiu a vitória e também manter o tabu de 15 anos sem perder para o rival em seu estádio.

Primeiro, o argentino marcou um golaço para abrir o placar; depois, fez belíssima jogada e serviu Luiz Araújo, que ampliou para o Tricolor.

O Palmeiras ainda perdeu um pênalti com Jean, quando o São Paulo vencia por 1 a 0.

Mas a verdade é que o Verdão, que estava completamente travado com Eduardo Baptista, segue travado com Cuca.

Se pegar um time “mais ou menos” nas oitavas da Libertadores, é bem provável que a coisa fique bem complicada para o Alviverde.

E, pelo tanto que foi investido, o Palmeiras tem que chegar “no mínimo” na final da competição continental, não é mesmo?

Já o São Paulo, do agora aliviado Rogério Ceni, começou a embalar.

Será que agora vai?

Tomara!

Vasco 3 x 2 Fluminense

No Rio, um clássico para lá de emocionante!

Vasco e Fluminense fizeram um verdadeiro jogaço, que só foi decidido nos acréscimos, com gol do interminável Nenê.

E aí, será que o Cruzmaltino de Milton Mendes embalará e fará bonito no Brasileirão deste ano?

E o Fluminense, vai brigar na parte de cima da tabela de classificação?

Paysandu 1 x 0 Internacional

E a coisa não anda boa lá pelo lado do Beira-Rio.

Em Belém, o Internacional não conseguiu segurar o Paysandu, e acabou perdendo a primeira partida nesta Série B.

E os repórteres gaúchos garantem que Zago não permanecerá no comando técnico da equipe.

Roth vem aí?

Ou Luxa?

Opine!

Tudo pode quando é “só futebol”

Leia o post original por Rica Perrone

Veja você, torcedor do futebol não caramelizado e sem flocos crocantes, como ainda é fácil reviver uma legítima tarde de futebol. Mesmo que longe do meio a meio do Maraca, que é meu cenário ideal para clássicos, os dois times se enfrentaram sob a dignidade mínima exigida do bom futebol que é permitir a entrada …

Time da virada. Vasco 3 x 2 Fluminense. 

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Vitória justa de um Vasco tido e detonado como provável rebaixado. Um primeiro tempo em que os times mais se preocuparam em marcar do que em jogar. Marcação dobrada do lado direito vascaíno. Pikachu e Gilberto não dando espaços para a velocidade de Richarlison, o meia aberto pela esquerda no 4-3-3 tricolor. Apenas uma oportunidade para cada lado. Luís Fabiano colocou nas redes a bola que Nogueira acertou no travessão de Martim Silva.

Na etapa final, o tricolor saiu mais pro jogo. Passando a atuar num 4-4-2, com Gustavo Scarpa tendo liberdade para encostar em Henrique Dourado. Deu certo, o time voltou melhor e conseguiu a virada em dois pênaltis. O primeiro, discutível. O segundo, inquestionável. Deixou a impressão que poderia ter conseguido um resultado melhor se tivesse sido mais ousado.

Mas o Vasco não é mais aquele time sem movimentação e que pregava no fim dos jogos. Nenê entrou para fazer encostar em Fabuloso no repaginado 4-4-2 do bom Milton Mendes. E Manga Escobar teve sua tarde de gala em São Januário. Aos 29, driblou Douglas e empatou com um tiro cruzado. Já nos acréscimos, fez a jogada que Nenê finalizou para dar números finais ao jogo.

Para o torcedor cruzmaltino, um alento. Mesmo atrás no marcador o time agora tem pernas para buscar o resultado. E num campeonato brasileiro equilibrado como esse, a juventude pode ser um fator primordial para uma competição sem sofrimento.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a analise de Gustavo Roman 

Primeira vez inesquecível

Leia o post original por Odir Cunha

Creio que nenhum torcedor se esqueça de seu primeiro dia em um estádio de futebol. O meu ocorreu em 13 de outubro de 1968, aos 16 anos, ao lado de meu irmão Marcos, então com 12. Afortunados, vimos o Santos de Pelé enfrentar o Cruzeiro de Tostão, dois dos melhores times do mundo na época. Difícil descrever o impacto que aquela tarde de domingo, no Morumbi, exerceu sobre nós. A arte e a emoção do futebol se miscigenam em um sonho eterno na mente e no coração de quem é tocado por ele.

Nosso Santos, do técnico Antoninho, jogou com Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho, Douglas (Edu), Pelé e Abel. O Cruzeiro foi escalado por Orlando Fantoni com Fazano, Pedro Paulo, Procópio, Darci e Murilo; Zé Carlos (Piazza) e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Rodrigues (Hilton Oliveira).

Naquela partida a bola correu de pé em pé, macia e seduzida. O primeiro gol que vimos foi o de Pelé, após sensacional jogada de Douglas. O segundo, de Toninho Guerreiro, um dos mais notáveis artilheiros que já passaram pelo Alvinegro Praiano. Como nesse domingo teremos novamente, na Vila Belmiro, esse encontro memorável, faço questão de reproduzir o texto que ocupa parte das páginas 188 e 189 do livro Time dos Sonhos, em oferta na livraria deste blog:.

O Santos ia bem, com vitórias sobre Flamengo (2 a 0), Fluminense (2 a 1), Corinthians (2 a 1) e uma goleada estrepitosa sobre o Bahia, no Pacaembu, por 9 a 2. Algo nos dizia – a mim e ao meu irmão Marcos, tão ou mais fanático do que eu –, que os bons tempos tinham voltado. O jogo com o Bahia foi numa quinta-feira à noite. No domingo, 13 de outubro, à tarde, jogariam Santos e Cruzeiro, no Morumbi. Julgamos que era o momento ideal para irmos assistir nossa primeira partida em um estádio. Eu tinha 16 anos completados dia 17 de setembro, Marcos faria 13 em 15 de dezembro.

Até ali nossa paixão pelo futebol era alimentada pelo matraquear dos locutores de rádio, ou das imagens em preto e branco da tevê. Nunca tínhamos visto um jogo de perto, ouvido a torcida com seus urros que parecem brotar do concreto, percebido o contraste entra a roupa muito branca do Santos e a grama verde.

Descemos no Brooklin e fomos a pé até o Morumbi. Comprei os ingressos da geral de um cambista, que parecia muito preocupado em não nos ver perdendo tempo na fila. O anel das arquibancadas do Morumbi não tinha sido completado. A geral ficava exposta ao sol, mas era possível sentar nos degraus largos. A primeira visão de quem vai ao estádio pela primeira vez é um sonho. Principalmente se dali a instantes você vai ver o Santos de Pelé enfrentando o Cruzeiro de Tostão. Chegamos cedo e ficamos ali embaixo, apreciando as arquibancadas se encherem.

Os times entraram em campo, posaram para as fotos e logo os jogadores se dispersaram pelo gramado, correndo, petecando a bola, aquecendo-se para o jogo. O Cruzeiro tinha um lindo uniforme azul-escuro, mas os santistas se destacavam, pareciam maiores com a roupa branca refletida pelo sol da primavera. Era como se flutuassem pelo gramado, tocando a bola com uma maciez que nunca tínhamos visto antes.

A impressão continuou com o início do jogo. Ficamos admirados com a categoria dos jogadores, que não erravam passes e tinham um controle invejável. Como eram dois times clássicos; como não corriam, desenfreados, e nem davam pontapés, era difícil alguém roubar a bola, que invariavelmente prosseguia de pé em pé até a conclusão do ataque.

Ao nosso lado, dois irmãos mais novos conversavam. A certa altura o mais velho, protetor, perguntou ao menor, mirradinho, que não deveria ter mais do que 10 anos: “Ainda tá com fome?”. O garoto, olhos vivos abertos para o campo, respondeu sem piscar: “Estava, mas já passou. Ver o Santos jogar me tirou a fome”.

Comentei isso com o Marcos. Engraçado, nós entendemos perfeitamente o que aquele garotinho dizia. Sentíamos o mesmo deslumbramento. Ainda fico imaginando, hoje, se já existiu uma paixão mais pura pelo futebol do que aquele garotinho demonstrou aquele tarde, com aquela frase. Não se tratava, simplesmente, de amor por um time, mas pela beleza, pelo encantamento do futebol.

Emoção que virou arrebatamento quando Douglas entrou driblando em zigue-zague pela meia-esquerda, passou por dois ou três jogadores e a bola sobrou para Pelé chutar quase embaixo do gol. Faltando uns quinze minutos para acabar o jogo, do outro lado de onde estávamos, o Santos atacou pela esquerda, a bola foi cruzada e Toninho entrou para fazer o segundo e definir a vitória. Percebemos que a jogada seria perigosa não só por vê-la – pois do outro lado do campo se perde a noção da distância -, mas pelo barulho crescente da torcida, que acabou explodindo no gol. Voltamos para casa felizes, de alma lavada.

E você, qual foi seu primeiro jogo em estádio?

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Bastaram algumas reclamações de santistas que queriam comprar o livro Time dos Sonhos pelo preço antigo e decidi voltar a promoção para todos os livros da Livraria do Odir até o final do estoque. Agora, tanto o Dossiê Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959 como o Time dos Sonhos voltam a custar 39 reais o exemplar e apenas 69 reais dois exemplares. Também dá para comprar um exemplar de cada um por 69 reais a dupla. Os PDFs também estão quase de graça.

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Clássico importante para ambos

Leia o post original por Flavio Prado

(Fotos: Sergio Barzaghi e Djalma Vassão/Gazeta Press)

O clássico de sábado no Morumbi é importante para as duas equipes.

O São Paulo vem de 3 eliminações no ano. Apesar do trabalho de Rogério Ceni estar no início e dos últimos anos ruins do clube, a cobrança é sempre grande. Do outro lado, o Palmeiras campeão brasileiro do ano passado segue sendo cobrado para ganhar tudo, investiu pesado sim, mas essa obrigação colocada em cima do time é pesada e irreal.

O elenco do Palmeiras de fato apresenta mais opções que a maioria das equipes do país, mas não é uma diferença absurda. Em um confronto direto, o São Paulo pode fazer um bom jogo e derrotar o rival, se pegarmos os times titulares não temos uma disparidade. O elenco é uma arma que será útil para o Palmeiras ao longo do campeonato.

O resultado é importante no futebol, mas não é tudo. O desempenho deveria ser levado mais em consideração, mas no Brasil não é assim. A cobrança é pela vitória em todo jogo, mesmo que não jogue tão bem, isso prejudica a qualidade do futebol apresentado.

Cuca e Rogério Ceni tem moral para tentar buscar um desempenho melhor, eles também são cobrados por resultado, Rogério está sentindo na pele, mas não serão demitidos com qualquer tropeço. Espero um bom clássico e torço para que as equipes se preocupem em jogar futebol e não apenas em evitar crises.

Paraíso

Leia o post original por André Kfouri

Quem acompanha futebol com atenção sempre soube que a Seleção Brasileira era a caixa registradora da CBF. Há muito tempo a exploração mercadológica da camisa, dos jogadores que a vestem e, em certo ponto, do jogo que se pratica no país parece exagerada, com o distanciamento do público brasileiro em nome de uma agenda semelhante à de estrelas pop adolescentes: pouco importa onde se apresentarão, desde que o cachê seja depositado e todos os intermediários estejam satisfeitos.

Não deveria causar surpresa, portanto, que, no país dos esquemas, as aparições da Seleção tenham servido para enriquecer cartolas. Mesmo porque os indícios de que a coisa funcionava assim já tinham sido publicados, e com fartura de detalhes, pelos setores da imprensa esportiva nacional que não acham que futebol é apenas entretenimento. A ação de autoridades espanholas e americanas que colocou Sandro Rosell na cadeia apenas expôs a extensão da “operação”.

Rosell, ex-presidente do Barcelona, ajudou Ricardo Teixeira a fazer a Seleção Brasileira trabalhar para eles, gerando desvios de milhões de euros que os beneficiaram. Isso significa que os jogadores que atuaram pelo time nacional, por anos, remuneraram os espertos que se aproximaram fazendo negócios na CBF. O mesmo se pode dizer do enorme aparato midiático que sempre acompanhou os amistosos da equipe, colaborando para o sucesso do caixa 2 do Dr. Ricarrrrrdo e do amigo que ele chama de “Sandrinho”.

Rosell foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro, após uma investigação que começou com um pedido de colaboração do FBI à justiça espanhola. A polícia federal dos Estados Unidos, responsável pelo famoso “caso Fifa”, encontrou movimentações bancárias suspeitas relacionadas a dirigentes de futebol de diversos países. O ex-presidente do Barcelona era um deles, e sua ligação com a CBF fez parte da “Operação Rimet”, em alusão ao dirigente francês que comandou a Fifa por trinta e três anos. Rosell e Teixeira negociaram e lucraram com os direitos de imagem da Seleção.

A questão agora se apresenta às autoridades brasileiras, que não podem simplesmente acompanhar o noticiário e erguer sobrancelhas como se o conteúdo fosse surpreendente, ou, ainda pior, fazer de conta que não têm providências a tomar. O repórter Martín Fernandez, do globoesporte.com, revelou ontem que o Ministério Público Federal solicitará acesso aos documentos e provas sobre dirigentes brasileiros que constam da investigação espanhola. Mas a falta de uma cooperação produtiva com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos – que mantém José Maria Marin em prisão domiciliar desde novembro de 2015 – não é um sinal animador.

A CBF também deveria estar entre os principais interessados no esclarecimento dos casos. Dirigentes embolsaram recursos de contratos que deveriam beneficiá-la, essencialmente desviando dinheiro do futebol brasileiro. Ou será que o argumento da entidade privada converte em assunto interno o que as justiças da Espanha e dos Estados Unidos chamam de “comissões ilegais”? A prisão de Sandro Rosell em Madri sugere que o Brasil é o paraíso da cartolagem corrupta do futebol mundial.

APITO ELETRÔNICO

A utilização do árbitro assistente de vídeo a partir das quartas de final da Copa Libertadores da América é uma excelente notícia, mas é preciso fazer uma ressalva. Embora a tecnologia para esse tipo de auxílio à arbitragem esteja disponível há muito tempo, os testes para sua correta aplicação ainda não foram concluídos. É preciso minimizar o impacto da tomada de decisões no fluxo do jogo, e nada indica que a Conmebol tenha aperfeiçoado esse aspecto. A pior coisa que pode acontecer para a arbitragem eletrônica, um recurso necessário para a credibilidade do futebol, é a demonstração de que ela mais atrapalha do que ajuda. Como se dá em tantas atividades, fazer direito é mais importante do que fazer primeiro.

O post Paraíso apareceu primeiro em Blog André Kfouri.