Goleiro

Leia o post original por carlos cereto

Não há dúvidas sobre as falhas de Julio César no jogo da eliminação do Corinthians para a Ponte Preta. Também não havia dúvidas, pelo menos pra mim, que Tite “bancaria” o goleiro corinthiano, apesar das críticas da imprensa e da torcida. Já não tenho a mesma certeza. Na entrevista coletiva após o jogo Tite defendeu Julio César, mas na reapresentação pós-ressaca o treinador mudou o discurso e disse que “ninguém é absoluto”. Em 48 horas Tite deve ter refletido sobre os riscos de manter Julio como titular. Julio César é querido no grupo. Boa gente, pessoa querida. É “filho do terrão”, o que contribui para a titularidade e prestígio no clube. Na campanha do título do campeonato brasileiro deu demonstrações de amor à camisa quando terminou um jogo contra o Botafogo em São Januário mesmo com o dedo quebrado. Os defensores da permanência de Júlio argumentam que todo goleiro falha, mesmo os grandes goleiros. É verdade, mas o problema é que o camisa 1 corinthiano tem falhado em momentos decisivos. Falhou contra o Goiás em 2010, jogo que derrubou o Corinthians para a pré-libertadores, contra o Santos na final do campeonato paulista de 2011, e contra o América de Natal, em Uberlândia, na reta final do campeonato brasileiro. Lances que merecem uma reflexão. Resta saber se os reservas têm qualidade técnica suficiente para dar conta do recado e personalidade para assumirem a responsabilidade de entrar no time na fase decisiva da Libertadores. Danilo Fernandes, reserva imediato, atuou em algumas partidas no ano passado, não comprometeu, mas não foi suficientemente testado. Cássio, o terceiro goleiro, contratado recentemente, é um ponto de interrogação. Jogou apenas uma partida, mas causou boa impressão. Imagino que a decisão de Tite passe mais pelo aspecto emocional do que técnico. O treinador corinthiano terá tempo para observar como Julio reagirá às cobranças e a pressão de não ter mais o direito de errar em jogos decisivos.