A bola

Leia o post original por Garambone

A bola.

Sempre ela. Vai, vem, quica e nos acerta em cheio. Muito mais que punir, a bola nos presenteia com histórias maravilhosas. E não precisa estar em quadra ou no gramado.

Uma bola no oceano emocionou gente do mundo todo nesta semana. Para quem não viu ou não leu, eis o resumo: David Baxter, um morador de uma ilha no Alasca, olhou para o mar e viu uma bola boiando solitária. Molhou os pés, pegou a redonda e levou um susto. Havia muita coisa escrita nos gomos, em japonês. David procurou as autoridades e, juntos, descobriram que o dono era Misaki Murakami, um menino de 16 anos com cara de mangá. Já se falaram por telefone e combinaram de se encontrar em breve.

A bola de Misaki é prima de Wilson, a bola de vôlei que virou a melhor amiga de Tom Hanks no filme “O Náufrago”. Uma errante navegante. Durante um ano, enfrentou cinco mil quilômetros de distância entre a estante do quarto de um adolescente, carregada impiedosamente por um tsunami, deixou-se levar pela correnteza, viu a cidade de Rikuzentakata chorar suas perdas e rumou ao redor do globo.

Desde que a natureza se enfureceu, alagando terras japonesas, milhares de objetos, fragmentos e pedaços de casas, prédios, mobílias e lembranças chegam ao litoral do noroeste americano. Nenhum virou notícia.

Só a bola de Misaki.

Assim como Wilson devia ter ganho um Oscar como melhor ator coadjuvante, a bola de Misaki merece voltar ao Japão e ir para um museu. Como um símbolo. Uma imagem fortíssima. Uma lição para a nossa prepotência. Tudo que você guarda, com tanta posse e poder, pode parar a cinco mil quilômetros de distância do seu quarto. E nem sempre vão achar e te devolver.

A bola.