Palestras extremos

Leia o post original por Mauricio Noriega

O Brasileirão 2014 expõe duas realidades dramaticamente opostas no grupo dos times históricos.

Dois irmãos de origem, que nasceram das colônias italianas para capturar paixões pelo País e se transformar na preferência de milhões de torcedores.
Construíram belas histórias cultivando uma tradição comum: o gosto pelo bom futebol e a formação de grandes times.
As semelhanças entres os Palestras, que há alguns anos eram muitas, atualmente ficam por aí. 
O que virou Palmeiras e foi seguramente o grande time do País entre o final dos anos 60 e início dos anos 70 do século passado entrou numa espiral de decadência que soa irreversível. O que adotou o Cruzeiro e deixou um pouco de lado as raízes italianas ensaia um domínio que pode sinalizar a ocupação do espaço em termos de repercussão nacional que já foi do antigo xará. Sempre fiel ao seu estilo de futebol bem jogado.
Os números atuais gritam.
O Palestra mineiro desfila superioridade. Vem da conquista com facilidade do Nacional de 2013 e já soma 33 pontos em 2014, com 32 gols marcados, 13 sofridos, dez vitórias em 15 jogos, sendo três triunfos e dois empates nas cinco partidas mais recentes.
O Palestra paulista veio da Série B e soma esquálidos 14 pontos em 15 jogos, tomou 21 gols e fez apenas 12, tendo vencido somente 4 jogos em 15. Nas últimas cinco partidas perdeu quatro e empatou uma.
A questão macro parece ainda mais promissora para os mineiros e desesperadora para os paulistas.
O Cruzeiro é um clube politicamente moderno, apaziguado, com um programa de sócio-torcedor que cresce diariamente, um patrimônio modernizado, centros de treinamento de excelência e um trabalho de base que abastece frequentemente e com qualidade o time principal. Fora isso, estabeleceu-se como clube poliesportivo, com um grande time de vôlei e equipes de corrida de rua e de pista competitivas.
O Palmeiras vive uma confusão política perene, com uma orquestra de corneteiros, divisões políticas históricas. Nunca soube trabalhar a base, acumula dívidas, comlra mal e vende pior, fez uma parceria para reformar seu velho e ultrapassado estádio mas vive  às turras com o parceiro. Até suas jovens lideranças manifestam pensamentos mofados e ultrapassados pelo passar do tempo. A tradição poliesportiva tenta ser retomada por um time de basquete que apenas luta na parte do meio das tabelas.
O Palestra paulsta recita de cor e salteado aquele velho mantra popular do Pai Rico, Filho Nobre e Neto Pobre.
O Palestra mineiro não vive dos devaneios do passado como o irmão de sangue italiano, que vive lutando por reconhecimento de títulos que a história já havia reconhecido, apenas por questão de nomenclatura.
O Cruzeiro, sete anos mais jovem, vislumbra o futuro no horizonte.
O Palmeiras centenário olha para o passado e nele fica, nostálgico, letárgico.
Pouca coisa sugere que este cenário seja alterado em curto prazo. Parece mais provável que num prazo de dez anos o Cruzeiro esteja ocupando o lugar que hoje é do Palmeiras no G-4 dos times mais populares do Brasil.
A conferir.