Sob o comando de Dunga, Neymar será craque no jogo coletivo

Leia o post original por blogdoboleiro

Neymar é craque. E é também um fenômeno midiático, com mais de 10 patrocinadores pessoais, uma atividade fora de campo recheada de gravações, sessões de fotos e compromissos. O atacante do Barcelona é a estrela da seleção brasileira. Mas precisa ser mais. Ele terá que dar prioridade ao time do Brasil quando se apresentar para trabalhar com Dunga.

É neste sentido que o treinador do time do Brasil disse à revista Época que Neymar é craque, só que não.

“Ele é o melhor jogador brasileiro. Para ter o carimbo de craque tem que ter o carimbo de campeão do mundo nas costas. Mas vamos trabalhar na seleção para que ele jogue acima de média que define um craque”, afirmou Dunga.

É preciso lembrar o que disse Gilmar Rinaldi, quando apresentou Dunga como o sucessor de Luiz Felipe Scolari? O coordenador de seleções da CBF deixou claro que vai buscar  “novas relações com os patrocinadores”, diferentes daquelas que permitiram ações institucionais na Granja Comary, durante o período de preparação para a última Copa do Mundo.

Patrocinador deixa de ser parceiro quando atrapalha. E atrapalha quando faz a imagem da seleção e de suas estrelas ficar muito melhor do que é na realidade. Isso vale para a mídia jornalística, que busca os melhores como personagens. É o papel dela, assim como é a cobrança depois de fracassos. Luiz Felipe Scolari sabe bem o que é  virar vidraça depois de um vexame.

Neymar é craque. Dunga gosta de craques. Disse na primeira entrevista para a TV Globo, no programa Fantástico, que um nome estava garantido na convocação desta terça-feira: Neymar.

Aí entra a segunda pista, dada por Rinaldi e também pelo treinador do Brasil: “Na seleção queremos o interesse coletivo sobre o individual”, disse o ex-goleiro. “Acabou o tempo em que o craque não participava do jogo. Veja nesta Copa como jogaram Robben e Müller? Eles marcaram, participaram do todo”.

Dunga acha que jogador de seleção é o cara que mostra desde a primeira convocação personalidade, vontade e entrega ao grupo. Entre 2006 e 2010, quando esteve no comando do Brasil, ele chamou jogadores que eram citados como “craques” e não mostraram a que vieram. Três exemplos: Ronaldinhio Gaúcho, o meia Diego e o atacante Alexandre Pato.

Este último participou da Copa das Confederações em 2009. Saiu de lá sem chances disputar a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Até hoje, não se firmou no Milan, Corinthians e São Paulo. Várias lesões atrapalharam a passagem de Pato pela Europa. No futebol brasileiro, ainda não conseguiu ritmo de jogo.

Há mais de quatro anos, Dunga disse ao Blog do Boleiro que Pato precisava “encontrar o eixo”, depois de ser tratado como craque depois de alguns jogos pelo Internacional. Pelo jeito, a fama e o conceito atrapalharam a vontade e entrega do jovem atleta que é considerado craque pelos companheiros.

Mas na seleção, ser craque não é suficiente. É preciso participar. Focado o tempo todo. Disposto a brilhar no coletivo.