No meu Palmeiras tem terra

Leia o post original por Mauro Beting

 

Palestra que nos ensina, Palmeiras que é nossa sina.

Tem quem acha que é chaga. Maldição. Amaldiçoa o Nonno que fez o Babbo palestrino. Impreca contra o tio que fez o sobrinho palmeirense. É assim na fase ruim – e a atual é das piores em 100 anos do clube que foi campeão do século XX. Da época em que o Palmeiras era “ano sim, ano não, era campeão”. E não precisava dizer em que divisão. Até por que o Palmeiras um amor sem divisão. Incondicional.

O Palestra centenário, o Palmeiras de 72 anos, não é maior e nem menor. É o alviverde inteiro. Basta! Não precisa contar os canecos na galeria – embora ninguém tenha mais títulos no Brasil. Não precisa contar quantos passam pelas catracas nos estádios que não têm cabimento para tanta paixão.

Basta o Palmeiras numa paixão que, vez e outra, embesta e empesteia com as cornetas do apocalipse. Para o palmeirense, todo craque é um bagre. Todo Ademir da Guia é um Darinta. É de todos nós esse espirito corneteiro do palmeirense empanturrado de amendoins e títulos: se está 9 a 0, por que não 10 a 0? E se está ruim, tem de ficar pior.

É mezzo italiano, mezzo palestrino. Não adianta explicar. Como disse meu pai Joelmir, em uma frase escrita no vestiário do Palestra: “explicar a emoção de ser palmeirenses, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!” Deveria parar o texto por aqui. Quem é, meus parabéns. Quem não é, nossos pêsames.

Sei que tem quem não é e que não gosta, aliás, detesta o Palmeiras. Não tolera Palestra. Não suportava Itália. E é mesmo insuportável o palmeirense quando ganha – e como venceu! – e quando perde – e como tem se perdido… Mas o intolerável para o palmeirense é um sentimento que vem crescendo à medida em que, no campo, o time se apequena: a sensação de impotência e desimportância. A raiva de cada vez mais gente ter mais dó pela marcha ré no gramado que a raiva pelos tons e cantos em todos os campos.

O Palmeiras tem inspirado mais cuidados que receios. Mais respeito que temor. Mais muitos menos do que os tantos mais de um passado que tem história. Tem glória. Tem de tudo. Tem para todos. Não tinha para ninguém. E, hoje, tem tido pouco Palestra em cada Palmeiras. Estão desmatando o verde em nossos campos.

Mas ainda há o espírito de porco, a alma de periquito. Vai ter uma nova belíssima casa. De futebol e de espetáculos. Algo que a Academia que vencia Pelé e todos os Santos sabia. Lições que o time que mais venceu no Brasil na época em que o Brasil mais venceu no mundo dava de cor. De coração. Com os pés e mãos que construíram em cem anos e o que os anos recentes e reticentes não apagam.

A chama que nos toca. A chama que acalenta um clube que nos acolhe mais que a gente que o escolhe. Chama que a gente atende. Chama que não queima, ilumina. Chama com dois nomes para chamar – Palestra Italia e Palmeiras. Nomes próprios de uma paixão incomum.

Centenária.

Eterna.

Praça da Sé, sábado, festa popular do centenário palestrino

Praça da Sé, sábado, festa popular do centenário palestrino

Palestra!

 

E hoje, há exatos 30 anos e 7 meses, eu estava com meu pai e meu irmão no comício das diretas. Muito próximo do Marco Zero da cidade, na Sé. Ainda mais próximo do Marco Zero dos 100 anos do Palestra, perto de onde era o salão Alhambra. 


Sábado, eu era mais um entre milhares que celebrávamos o centenário. A honra de ser um dos apresentadores da festa, com Gabriela Pasqualin.

A alegria de estar com meus amores Silvana e Luca, e sempre perto dos outros palmeirenses que viajavam – Gabriel e Manoela.

A emoção de por seis horas estar com gente que só tinha um ponto em comum. O definitivo.

Como 30 anos antes, eram muitas pessoas com a mesma vontade e interesses distintos.

Desta vez, eram menos. Menos importante o fato para a nação.

Mas para a nossa noção de gente, somos gente por ser essa paixão centenária.

Dividir o palco com Ademir da Guia, Dudu, Marcos e Evair. Com Simoninha, FalaMansa Bateria da Mancha e Roda de Samba. Com a filha de Luigi Cervo. Com tantos filhos palestrinos. 


É para abrir os braços e agradecer pela honra. 


É para abrir o peito e soltar a voz.


Como em 12 de junho. Como em todo 26 de agosto.

Como todo dia é dia de abraçar os amigos de credo e de fé.

Da Sé fizemos a procissão para o Pacaembu.


Hoje, 19h, na Academia Store, Augusta 2078

Lançamento do livro dos primeiros 100 anos de nossa vida eterna.