Deixe-nos acreditar, Portuguesa!

Leia o post original por Luiz Nascimento

O torcedor lusitano praticamente não lembrava como era a sensação de comemorar uma vitória. Citar que se passaram oito partidas acumulando empates e derrotas em um mesmo campeonato não traduz a agonia rubro-verde. A angústia de ver as rodadas passarem, os três pontos se distanciarem e as últimas colocações do campeonato se aproximarem durou 83 dias. Oitenta e três. Cruzou toda a recessão de junho, toda a seca de julho e quase completou o sempre malfadado agosto. Quatro dias antes do término do mês de aniversário veio o pequeno alívio: vitória sobre o Vila Nova por 2 a 1.

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Pequeno que se tornou gigante. Afinal, a vibração no segundo gol de Gabriel Xavier escancarou a carência. O torcedor luso talvez tenha percebido que, ao menos desde o início do ano, ainda não havia gritado gol de verdade. Um gol de euforia, de esperança e de… vitória! E o principal: no estilo rubro-verde. Lanterna na mão, fim de turno, confiança desgastada, torcedor desmotivado, confronto direto, estádio cheio e adversário embalado. Abre o placar com um golaço, torcida empolga, sofre o empate ao estilo que tem marcado a campanha, torcida desanima.

Gol no último minuto? A favor da Lusa? Está aí algo raro e que nunca acontece a toa. As viradas do clube são sempre iniciadas a partir de viradas dentro das quatro linhas. Algumas são aproveitadas, outras descartadas. Cabe agora à direção, à comissão técnica e ao elenco aproveitarem. Uma vitória parece pouco. Matematicamente, ainda mais nas atuais circunstâncias, realmente é. Contudo, em meio a uma péssima fase de jejum e de desilusões, um resultado como esse precisa ser valorizado. E tomado como um divisor de postura dentro da competição.

Os três pontos não significam que as fragilidades técnicas, as dificuldades táticas e as carências básicas foram todas sanadas. Não significam que o treinador alcançou o ponto ideal, o elenco enfim se encontrou ou a fase definitivamente mudou. Nada disso. Muito se precisa avançar dentro e fora das quatro linhas. Porém, que a excelente atuação de Gabriel Xavier, as boas alterações de Silas e a vontade demonstrada pelos atletas persistam daqui até o término do campeonato. Que seja o pequeno impulso que tanto sonhávamos e se torne o início de uma grande arrancada de que tanto precisamos.

Que a evolução do futebol de Gabriel Xavier ao longo da temporada reflita em uma nova fase da Portuguesa no campeonato. O garoto fez a parte dele. Recuperou-se, voltou a campo, acreditou até o último minuto, arriscou e deu ao torcedor pelo menos uma semana de mais alegria e esperança em uma virada. Deixe-nos crer que nem tudo está perdido, Rubro-Verde! Permita-nos acreditar, Lusa!