Giovanni Bruno, a soma do Anarello

Leia o post original por Mauro Beting

Giovanni Bruno nasceu em Salerno. Terra da minha bisavó. Menino saiu da Itália despedaçada da segunda Guerra para descascar batatas no Gigetto, tradicional cantina da São Paulo da minha Mamma.

Depois mediu azeite, fez de tudo até virar garçom do restaurante de estrelas e aspirantes, boêmios e todo tipo de liberais. Dos profissionais aos amadores. Dos amantes aos da várzea.

Lá começou a inventar receitas. Molhos. Toques. Pratos. Pedidos. O menu era ele. Ela era o prato principal.

De tanto anotar ou criar pedidos, de tanto dar gosto aos clientes que viraram amigos, virou dono. Embora a casa onde ele trabalhasse mais parecesse de todos.

Assim se fez o sonho. Il Sogno di Anarello. Na Vila Mariana virou restaurante. Virou o nome da rua. E referência de comida boa e hospitalidade.

Do menino que descascava batatas e ajudava a cidade a descasar abacaxis e pepinos.

Tão simpático que um dia foi chamado a comentar futebol como convidado na Bandeirantes. Italiano, claro. Calcio. E por um tempo achava qualquer Pistoiese x Catanzaro um Derbi della Madonina.

Uma simpatia. Não tinha jogo e tempo ruim. Era Giovanni Bruno que fechava a casa no sábado e domIngo. Já alimentara São Paulo na semana. Guardava os dias para descansar. De tanto cuidar de tudo na casa dele que era nossa. Sonho que soma amigos.

Eu acabara de chegar ao Allianz Parque quando recebi a notícia. No dia dos 100 anos do Palestra Italia dele, do país de berço e do clube que adotou, Giovanni nos deixou.

Bem ele.

Quando era para a cidade chorar, a gente não chorava tanto por ter um amigo como ele.

Ele partiu quando soube que São Paulo ficaria menos triste pela festa do Palestra que nos ensina. Ele partiu em dia de alegria. Por todo dia da vida dele ser festivo.

É assim que se vive. É assim que se parte.

Obrigado, Giovanni Bruno. Você nos ensinou o que é amar o que faz. O que é fazer festa. O que é ser feliz sempre. O que deve ser torcer. O que é o nosso time.