Racistas que feriram Aranha torcem para os negros do Grêmio?

Leia o post original por blogdoboleiro

O Blog do Boleiro pergunta:

– Os torcedores do Grêmio que gritaram “Macaco” ou imitaram toscamente símios, enquanto berravam “Uh! Uh! Uh!, torcem mesmo para o Grêmio e seus jogadores de origem africana? Se torcem, eles reproduzem o que fazendeiros do sul dos Estados Unidos diziam durante a escravidão: “Ele é negro, mas é meu negro” (“He is nigger, but he is my nigger”)?

– Como eles acham que atletas como Zé Roberto que, no alto dos 40 anos, nunca sofreu este tipo de discriminação jogando em outras equipes do Brasil e do exterior, devem se sentir ao verem Aranha passar pelo que passou?

– O que eles esperam dos amigos, colegas de trabalho, balconistas de bar, motoristas de ônibus ou outros serviços  no dia seguinte em que apareceram e vão ser mostrados várias vezes na televisão, nos sites e nas redes sociais?

– O que a mocinha identificada como Patrícia Moreira tem a dizer para os pais, irmãos, amigos que agora lembram da linda imagem dela aos berros dividindo as três sílabas de ma-ca-co. Deve estar orgulhosa? Será que acordou nesta sexta-feira e foi às ruas curtir a fama nacional e internacional?

– O que os clubes podem fazer efetivamente para evitar que estes torcedores entrem de novo nos jogos? Não dá para dizer que o Grêmio é culpado e merece ser punido, mas será culpado e merecerá uma punição pesada se qualquer um destes fãs da discriminação racial aparecer de novo fazendo estas coisas feias. Ou não?

– Que nação é esta que teve e tem Lupicínio Rodrigues, Daiane dos Santos, Ronaldinho Gaúcho, Everaldo e outros grandes nomes que representaram as cores do Brasil, mas que correm o risco de serem chamados de “Macacos” na própria casa?

– E o que fazer com a memória de Elis Regina que um dia cantou “Black is Beautiful”?

As respostas não precisam ser ditas. Um país que quer ser justo, solidário e rico na fraternidade, precisa começar a ser menos preconceituoso, social, econômica e etnicamente.

E, pensando bem, quanta bobagem este torcedores racistas pensam e têm na cabeça.

Boleiro que é boleiro, sabe a importância desta mistura de cores no campo da bola. Não fomos os melhores do mundo à toa.

Os: no início do século 20, em 1914,quando o time inglês do Exeter City chegou ao Rio de Janeiro de navio, os jogadores olharam para o cais do porto e viram estivadores jogando futebol. Ficaram espantados com a habilidade e controle de bola dos atletas amadores que largaram o batente para uma pelada. Eram todos negros.