Futebol tem jeito. Não pode ter jeitinho

Leia o post original por Mauro Beting

Os clubes só pensam no futuro e só chegam até ele quando antecipam cotas de televisão e dos parceiros que ainda restaram. Muitos clubes chegam até 2018 por já ter usado esse dinheiro que os atrela aos interesses de quem paga. Nem sempre interessantes ao futebol e às suas estrelas e nebulosas.

Do passado, muitas vezes, sobram apenas as dívidas que não foram pagas. Os tributos que deveriam ser atributos de quem é sério. Mas que viram virtudes em um meio cada vez menos inteiro e íntegro.

Falta dinheiro por faltar austeridade. Só não falta ainda mais grana sobre a grama pela paixão que vai mover mundos e fundos ainda que muitos afundem instituições centenárias. Associações que podem não ser bicentenárias se mais gente seguir trocando os pés tolos pelas mãos bobas. Se continuar gerindo com o fígado, cotovelos e orelhas o coração de milhões.

O futebol brasileiro tem jeito. Não pode ter mais jeitinho. Jeton. Jênios. Jegues. E nem Janios com vassourinha de bruxa. Tem gente boa estudando para arrumar a casa. Tem gente preparada para assumir o que despreparados afugentam pelas presepadas que fazem, pelas igrejinhas que enganam fiéis, pelas panelinhas que cozinham inteligências.

Para ficar no gramado das novas arenas com velhos gladiadores e digladiadores, não pode ser mais normal um treinador demitido por rodada no Brasileirão. Ou que se demite. Ou que se troca como quem troca de camisa e de clube.

Os jogadores já não são tudo isso. Os times são ainda menos. E vão ficar ainda menores com mudanças de filosofia e trabalho. Com mexidas abruptas em times que, de fato, não estão ganhando. Mas vão se perder ainda mais perdendo o comando. Ou o delegando a atletas desarrumados em campo. Ou apenas arrumados quando armam esquemas e panelas para derrubar treinadores que não gostam.

Não gosto de feitores. São mais malfeitores que gente que faz certo. Mas, no futebol, para não dizer em nossas casas e firmas, é dever ser mais duro. Exigente. Até inflexível no comando. Não deixar tudo sobre ombros e pranchetas de treinadores. É dever responsabilizar atletas pelos fracassos do mesmo modo que são eles os principais responsáveis pelos sucessos.

Ainda são os jogadores que passam, driblam, pensam, atacam, marcam, defendem, fazem e evitam gols. Ainda são eles que definem jogos. Ganham e perdem. Empatam.

E não são devidamente cobrados por tudo isso. Ou, quando cobrados, são ameaçados. Chargeados. Chantagedos. Cooptados.

Não é assim.

Não é pela violência de intolerantes de todas as ruas, não é pela virulência de ignorantes de todas as tribunas, que as coisas se acertam. Elas só pioram.

Mas quando os donos do pedaço trocam sob qualquer pressão os chefes, as tripas da tribo ficam expostas.

Carniça para a carnificina nossa de cada rodada.