Permitir o adiantamento é concordar com a desordem administrativa-financeira

Leia o post original por diego simao

O Figueirense pode ir bem dentro das quatro linhas, mas como é usual depois da entrada da Alliance e Wilfredo, o clube viu sua dívida crescer rapidamente. Dividas cresceram e o descontrole financeiro é algo cotidiano.

Mais um sinal desse problema apareceu ontem. Os conselheiros receberam convocação para um reunião nesta quinta-feira (4).

O assunto é o adiantamento de receita do patrocínio master do Figueirense, ou seja, da Caixa Econômica Federal. Em disputa, dois pagamentos que serão feitos em janeiro e fevereiro referentes ao acordo da Caixa assinado em março deste ano (o GE tratou deste assunto). Desde março se sabia que este dinheiro não entraria em 2014.

O problema é mais complicado do que parece. Não se trata de mais um sinal de falta de responsabilidade fiscal e de planejamento. Querem adiantar dinheiro pelo simples fato de que, com toda certeza, o planejamento 2014 já foi pro espaço. Gastaram mais do que poderiam. Uai, o presidente não foi eleito por ser milionário? Garantidor financeiro do clube? Bote dinheiro do seu bolso, ué.

É sob essa toada que o clube chegou ao ponto que chegou. Deve dezenas de milhões de reais e provavelmente essa dívida está crescendo.

Ainda no início do ano o presidente Wilfredo Brillinger correu aos meios de comunicação alardear que neste exercício de 2014 chegaria a diminuir a dívida em 3 milhões. Pelo jeito não vai ocorrer. Quando se busca dinheiro adiantado é pelo simples fato que o que tinha não vai dar para tapar o rombo,

Para variar, o clube já mostra sinais que anda devendo. Alguns dias atrás a notícia que a base não recebia já a alguns dias correu a imprensa. E sim, é verdade.

Agora que você, caro leitor, acha que isso é tudo, estás enganado.

As eleições

O adiantamento terá desdobramentos na eleição. Sim, existe uma chapa de oposição se articulando. Algo que já adiantei a algum tempo. Ou seja, Wilfredo que com toda certeza do mundo irá concorrer nas eleições para ficar, vai enfrentar concorrência.

A manobra de adiantar recurso, no fim, impacta diretamente sobre quem se eleger. No caso de uma nova administração, chega com déficit financeiro.

Quinta, ou provavelmente já neste exato momento, uma guerra de bastidores deve estar ocorrendo para convencer os conselheiros a aceitar o adiantamento.

A tática do “se não adiantar, cai” vai ser a tônica. Algo muito previsível, afinal, é um argumento plausível aos ouvidos. Neste ponto, se imputa a culpa sobre quem não adiantar, e acaba-se tentando se inverter a culpabilidade de um eventual descenso para conta dos conselheiros, caso não aprovem o adiantamento.

Em suma, está na mão do Conselho uma decisão delicada sobre um problema que não é dele. Problema que, na realidade, o Conselho Administrativo atual criou, afinal, não teve competência de se manter no orçamento previsto.

Nem por isso o Conselho acaba deixando ter responsabilidade nessa hora. A aprovação do pedido apenas posterga o problema para o próximo ano, onde, um outro grupo poderia contar com esse recurso para, quem sabe, colocar o clube nos trilhos. Seja na série A, seja na série B.

Vale lembrar que o adiantamento do recurso não é garantia de permanência na série A. Estamos somente no meio do maior campeonato e tem muita água para rolar por baixo da Hercílio Luz (ponte que curiosamente também sofre com falta de recurso).

Esse dinheiro não é desta administração

Para resumir. Sob a sombra de uma eleição e da possibilidade de mudança administrativa, não é correto ingerir sobre o recurso de 2015. Um problema criado por essa administração não pode ser transferido para frente.

O medo de cair também não pode suprimir um dos maiores avanços deste novo estatuto que trata com tanto cuidado do assunto finanças. Não podem agora os conselheiros deixar de defender os avanços obtidos e criados por eles por conta de mais um problema financeiro. Permitir o adiantamento é concordar com a desordem administrativa-financeira.

Abraço do Tainha