Punição por preconceito de raça e por raiva

Leia o post original por Mauro Beting

Não sei se o clube deve ser punido em casos de racismo quando o clube age antes e depois do crime inafiançável.

É responsabilidade objetiva. A responsabilidade sem culpa. Sei. Mas, neste caso, não sei se é o caso de o Grêmio pagar também pelo inominável ato.

Mais parece dupla punição quando se pega quem praticou o delito e quando o clube quase tudo faz para evitar e quase tudo fez para recriminar os inomináveis irracionais animais que foram preconceituosos por raça e por raiva.

Escrevo “quase tudo” por conta do vice tricolor Adalberto Preis, que seguiu a ótica e a escuta enviesada e enraivecida de responsabilizar o goleiro do Santos pelas atitudes vis na Arena.

Preis disse que Aranha fazia antijogo. Encenou os gritos racistas para ganhar tempo.

Aranha fez cera, disse Preis.

Amigo, cera faz Abelha. Aliás, bom goleiro do Grêmio, Ferroviária e Flamengo nos anos 1980.

E nada neste mundo animal justifica o que a pobre menina paupérrima gritou. O que outros de outro lado relincharam – com todo o respeito aos equinos. Não aos energúmenos. E que, infelizmente, são inúmeros. E merecem mais que 720 dias fora de estádio. Merecem banimento de bandidos amorais. Não digo animais, que estes precisam ser protegidos.

Mas quem protege a esmagadora maioria de bem desses que batem a língua nos dentes e nos entes?

Parece que a menina não era racista, apesar de chamar o goleiro rival de macaco. Amigos negros dela o defendem. Tem imagem dela trabalhando com crianças negras… Em alguns dias ela será a Madre Teresa da Arena. Embora, também, não mereça ser o símbolo do que desgraça o mundo por causa da raça.

A injúria racial dela à parte, e é e deve mesmo ser caso de polícia, o Grêmio foi excluído pelo STJD da Copa do Brasil. Punição dura. Não tão dura pela derrota inicial tricolor, em casa, para o Santos, que diminuía as chances gremistas, e faz com que o tribunal, mais uma vez, jogue o jogo estrategicamente, mais que tecnicamente.

Mas ainda parece muito para um clube que já teve casos recentes infelizes. E, sim, só contratou e escalou um atleta negro em 1952. Um craque chamado Tesourinha.

(Como outros clubes também demoraram a fazer o mesmo, como o meu clube, que só em 1942 contratou um negro – um craque chamado Og Moreira).

Mas, agora, não é pelo atraso em contratar atletas negros, não é por chamar o torcedor rival de macaco (como outros chamam outros de bambis, porcos, marias, gambás, urubus e outros mais e menos) que o Grêmio deve ser punido além da conta pelo delito de torcedores que foram identificados – não todos – e deixaram impressões muito além das digitais.

Sou favorável à responsabilidade objetiva, que pune os clubes sem culpa por atos indefensáveis de seus “torcedores” (sic).

Mas, neste caso específico, acho muito.

E entendo que mais gente do futebol precisa se reunir para deliberar a respeito da matéria. Antes que vire o caldeirão que já está nas tribunas e talibancadas.

(E deixo para depois as manifestações racistas de um dos auditores do STJD em redes sociais. Preciso ir ao banheiro primeiro. Desculpem).