O que somos

Leia o post original por Mauro Beting

Para mim foi pênalti. Interpretei que o zagueiro teve a intenção de abrir o braço esquerdo para interceptar a bola. Eu marcaria a falta. Mas, como a regra é interpretava, qualquer análise é válida. E deve sempre ser respeitada. Como a minha. Como a sua. Ninguém é dono da verdade no futebol. Ninguém pagou pelos naming rights das decisões do apito. Ninguém detém os direitos de transmissão da verdade suprema da regra do jogo.

Por uma questão de tempo, qualquer comentário aqui escrito ou no LANCE!, qualquer opinião (e não verdade pétrea) proferida por min no Fox Sports, Rádio Bandeirantes e Sporting Quiz não tem o cabeçalho acima no início de cada interpretação minha a respeito de lances discutíveis.

Lances que analiso no ar condicionado ou na cabine do estádio. Com tempo para chegar a uma decisão que o árbitro precisa ter e ainda precisa em fração de segundos. Com tempo para ser infeliz como ele, mesmo podendo refletir. E ainda errar. Ou “errar” de acordo com a opinião de cada um.

Sempre respeitável. Desde que também haja respeito com quem opine.

Sou, pela ordem de acontecimentos, palmeirense, humano, paulistano, paulista, brasileiro, vacinado, alfabetizado, italiano, formado, jornalista, careca, casado, formado em arbitragem, ex-careca, fazedor de livros, descasado, fazedor de filmes, casado, curador de museus, teimoso

O que não me faz mais e menos que ninguém.

Mas que não dá o direito de ninguém desmerecer minha opinião por ser tudo isso. E mais um pouco. E menos um monte.

Clubistas e bairristas, limitem-se às suas limitações.

Podem me detonar por tudo. Menos pelo que eu sou. Podem me detonar pelo que eu penso. Mas não pelo que sou. Isso é conceito pré deformado. É preconceito.