Brasil honra a sua tradição perdida de gigante do basquete, dá um baile na Argentina e pega a Sérvia nas quartas-de-final da Copa do Mundo

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Deixei o futebol de lado neste domingo porque havia algo muito mais importante para o esporte brasileiro.

O confronto Brasil x Argentina na Copa do Mundo de basquete.

Não escrevi nada no blog (no Facebook já toquei no assunto) sobre o torneio porque desejo torcer!!!!

Meu maior sonho como maluco por esportes é ver o Brasil ganhar o Mundial e a Olimpíada.

O desafio de eliminar o rival mais tradicional, que havia derrotado o Brasil três vezes em mundiais e perdido apenas uma em 1967, era possível, tal qual o jogo mostrou.

O time hermano tirou a seleção bicampeã do mundo da edição anterior do Mundial e da Olimpíada de Londres.

Desfalcado de importante jogadores, o principal deles Manu Ginóbili, mas ainda é forte, sucumbiu diante da defesa consistente preparada por mestre Ruben Magnano.

O técnico, desta vez com todos atletas que convocou, trouxe o basquete masculino brasileiro para o mundo real.

Os compatriotas de Magnano entenderam durante o confronto eliminatório.

O Brasil engoliu o adversário no jogo embaixo do garrafão.

Obrigou o rival a viver de arremessos de dois e três pontos de fora do garrafão.

No 1° quarto, os hermanos tiveram ótimo aproveitamento nos lances de três, o jogo ofensivo brasileiro não foi bom, e terminaram ganhando por 21 x 13.

O Brasil melhorou a marcação segundo quarto.

Os argentinos começaram a errar, insistiram na forma atuar porque não viam a opção de igualar forças embaixo do garrafão, foram se irritando na medida em que aumentou a quantidade de suas falhas e de acertos brasileiros nos arremessos.

O Brasil foi ao vestiário perdendo de 33 x 36 e voltou de lá para dar um vareio.

Após o intervalo, a seleção brasileira massacrou o maior rival.

Passeou em quadra diante de uma equipe irritada por não não encontrar um jeito de encarar de igual para igual os comandados de Magnano.

Não havia como fazê-lo arremessando de tudo quanto é jeito e lugar, menos dentro do garrafão.

Scola perdeu o duelo para os brasileiros.

O clássico terminou com a vitória inquestionável por 85 x 65.

Destaques

A leitura de Magnano do que se passou em quadra, fez enorme diferença.

Huertas estava em uma das suas piores noites (o jogo começou às 22h na Espanha) com a camisa do selecionado.

Permaneceu quinze minutos e vinte e quatro segundos em quadra, falhou nas quatro vezes que arremessou (três da linha dos 3 pontos) durante todo o confronto, e também não acertou o posicionamento defensivo.

O técnico do Brasil entendeu o que se passou, colocou Raulzinho no lugar do armador do Barcelona e viu o Gipuzkoa Basket (equipe espanhola) se destacar.

Raulzinho atuou durante vinte e quatro minutos e vinte segundos,  acertou oito de nove arremessos de dois pontos, o único que arriscou de três, os dois lances-livres que cobrou, pegou um rebote, roubou uma bola e deu duas assistências.

Outro que brilhou foi Varejão mostrando garra à altura de quem veste a camisa mítica, campeã, gloriosa e tão maltratada desde final dos anos 80 pelos homens.

As mulheres, vale lembrar, engrandeceram a história do esporte nacional com as conquistas do título mundial em 1994, a prata olímpica em 96 e o bronze em 2000.

O jogador dos Cavaliers a maior parte do confronto em quadra (32 minutos e quatro segundos) por causa da atitude intensa.

Disputou os lances possíveis e alguns aparentemente perdidos.

Ele, Spliitter, Marquinhos e Nenê foram fundamentais para o Brasil mandar no garrafão e chegar à fase seguinte contra a Sérvia.

Tradicional

A seleção comandada por Magnano derrotou os sérvios na fase de grupos.

O jogo foi complicado, equilibrado.

Apesar da campanha ruim dos europeus (perderam de Espanha, Brasil e França, superaram o Irã e o Egito ) não deve ser levada em conta para alguém afirmar que o Brasil é o favorito.

A Sérvia deu um baile na Grécia, que estava invicta no torneio, e tirou os helênicos do campeonato.

Tem muita cultura, história e tradição no esporte.

Quando eu era adolescente, URSS, EUA, Brasil e Iugoslávia eram as nações mais temidas do basquete, então o segundo maior esporte de nosso país.

O basquete duas vezes campeão, duas vezes vice e duas terceiro colocado em mundiais; e detentor de três bronzes olímpicos.

É muito importante, para a melhora da auto-estima do basquete nacional, chegar de novo à semifinal.

Não existe adversário fácil, mas, inspirada, a seleção brasileira, apensar de carente de um grande protagonista, pode encarar todos os times do torneios, menos a Espanha e os EUA.

Esses dois, jogando tudo que sabem, são realmente superiores.

Mas no confronto direto eliminatório, surpresas podem acontecer.

Se alguém duvida, recomendo a visita ao Youtube para ver a final do Pan de 1987 contra os EUA.