Atrasos e despedidas

Leia o post original por Mauro Beting

Maicon talvez não merecesse ser convocado. Mas merecia ser desconvocado pelo atraso – se foi mesmo esse o motivo.

Para começo de conversa, é bom botar ordem na casa. O recado está dado para todos e pelo restante do trabalho de Dunga.

Havia como cortar Maicon. Também por não ser o craque do time. Mas haveria como cortar Neymar?

Difícil.

Na Copa de 1970, antes da semifinal contra o Uruguai, jogadores poderiam ter tido o mesmo fim por atraso na volta de folga. Mas, provável, o tri da Seleção teria fim. Era outra coisa. Outro caso.

Em 1986, o corte de Renato Portaluppi, por outras circunstâncias, se justifica. Embora, no caso, ele tenha sido mais vítima que qualquer outra coisa. Ele não era santo. E outros companheiros, também não. Ou menos ainda.

As pessoas são diferentes. Os casos são diferentes. O momento é diferente.

E existem, em qualquer grupo, pessoas um pouco mais diferentes que as outras.

São as diferenciadas.

Como explica Pep Guardiola, que foi um jogador diferente, e é um treinador muito diferenciado:

– A maior mentira que existe no esporte é que todos são iguais e devem ser tratados do mesmo jeito. Não são todas iguais. Nem todos devem ser tratados igualmente.

É por aí.

Foi por aí que Maicon foi.

Outros ficariam.