São Paulo vence jogo emocionante contra o Botafogo; ambos os times poderiam fazer mais gols

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Botafogo 2x4 São Paulo

Não há nenhum exagero em dizer que o Botafogo abriu mão do mando esportivo de jogo em troca de dinheiro.

Havia muito mais são-paulinos que botafoguenses no elefante branco construído para a Copa do Mundo em Brasília.

Em campo, a técnica superior dos comandados de Muricy prevaleceu no jogo cheio de falhas dos sistemas defensivos.

Ambos os times perderam gols.

A diferença de qualidade no último passe e finalizações foi fundamental para o São Paulo terminar o 1° tempo com vantagem de 3 x 2.

A expulsão tola de Airton, logo após o período de descanso, merecia a punição que e a diretoria do clube não tem moral para dar.

Ela praticamente acabou com as chances do Glorioso.

Desequilibrou o jogo.

Depois do merecido cartão vermelho que levou pelo pisão em Pato, o confronto ficou tranquilo para a equipe de Muricy.

O São Paulo controlou as ações, mandou no jogo com um a mais em campo, e fez outro gol depois de o Botafogo decidir correr riscos em busca do empate e dar espaço para o contragolpe.

Propostas e movimentação

Vágner Mancini precisou lidar com importantes desfalques.

Utilizou o 4-4-2 com Wallyson pelos lados do ataque, em especial no direito, e ‘tanque’ Ferreyra como centroavante.

Zeballos se posicionou também como atacante, na esquerda, de acordo com as circunstâncias do jogo, mas recuou muito para formar a linha de quatro no meio de campo.

O treinador utilizou Julio César e Gabriel, acostumados a atuarem nas laterais, no meio de campo.

Gabriel ficou em frente ao Rodrigo Souto, deslocado para a lateral-direita, e Julio Cesar como volante ao lado de Airton.

O treinador fez isso para Wallyson ter mais liberdade na direita, pois em tese havia cobertura atrás dele, e Junior César, o lateral na esquerda, poder apoiar.

Muricy optou por Auro, único lateral-direito disponível no elenco, e Michel Bastos nos lugares de Paulo Miranda, machucado, e Alvaro Pereira à disposição da Celeste Olímpica.

O treinador repetiu o 4-4-2 e a forma de o time jogar.

Ganso, na direita, e Kaká, do outro lado, formaram o quarteto do meio de campo na mesma linha dos volantes Denilson e Souza quando o time marcou no campo de defesa.

Nos ataques do Botafogo pelo lado de Ganso, Kardec recuou para ajudar e Pato ficou adiantado.

Nos momentos em que o ‘mandante’ foi à frente pelo esquerda, Pato voltou e Kardec virou o centroavante.

Com a bola, Ganso e Kaká atuaram de fato na meia e Souza pôde avançar.

Michel Bastos também ajudou o sistema defensivo. .

Auro tinha liberdade de fazê-lo, porém o time atacou mais pelo outro lado.

(Wallyson jogou um pouco mais à frente e perto de Ferreyra)

Falhas defensivas e emoções

O Botafogo pressionou a saída de bola para impedir o São Paulo de fazer a transição da defesa ao ataque com ela no chão e evitar a troca de passes do time de Muricy no campo de ataque.

Criou uma chance com menos de dois minutos, mas Rogério Ceni fechou o ângulo e impediu o gol.

As ideias táticas de Mancini teriam sido bem-sucedidos se Gabriel atuasse mais perto de Rodrigo Souto.

Como eles não se entenderam, o lado direito do sistema defensivo botafoguense ficou extremamente vulnerável.

No lance do 1×0. Michel Bastos ficou mano a mano com Rodrigo Souto e driblou o rival como se passasse por um poste de tão grande é a diferença de velocidade entre eles, antes de levantar a cabeça e rolar a bola para Alan Kardec finalizar.

O Botafogo virou o jogo tirando proveiro de uma tradicional falha do sistema defensivo do São Paulo.

Aos 19, Zabellos, aparentemente marcado por Denilson, cabeceou, Rogério defendeu e o paraguaio, no rebote, empatou.

Aos 22, após outro escanteio do mesmo lado, Tolói abaixou a cabeça e fez o gol-contra.

Ele tinha que marcar André Bahia, que tentou cabecear.

O árbitro deu o gol para o botafoguense.

Inverteu

Após observar que o lado direito do sistema defensivo estava cheio de espaço, Mancini desfez a inversão ao mandar Souto atuar no meio e Gabriel na lateral.

A distância entre eles continuou grande.

Aos 36, Pato recebeu a bola com liberdade, carregou a bola na diagonal e chutou com a parte de dentro do pé direito.

Andrey defendeu e Souza, livre, no rebote, igualou o placar.

Aos 40, Pato recebeu a bola também daquele lado e tocou para Souza ganhar de André Bahia e fazer 3×2.

Os sistemas defensivos falhos proporcionaram mais oportunidades além dessas para as duas equipes.

Wallyson, por exemplo, perdeu uma cara a cara com Rogério Ceni.

O goleiro atuou em alto nível com importantes defesas como essa.

Direção não tem como punir

Wallyson desperdiçou mais uma oportunidade logo depois do período de descanso.

Mas não foram as falhas nas finalizações que praticamente encerraram a possibilidade de o Botafogo pontuar.

Aos 3 minutos, Airton pisou em Pato, de propósito, e foi expulso.

Não havia a menor necessidade de o volante agir assim.

Prejudicou o Botafogo.

Merece punição, mas não há como fazer isso porque o clube deve dinheiro a ele e para outros atletas.

São Paulo domina

O time de Muricy, com um a mais, adiantou a marcação, ocupou o campo de defesa do Botafogo e ficou trocando passes.

Teve domínio territorial e correu alguns riscos apenas nos contra-ataques.

Ficou o tempo todo mais perto de ampliar a vantagem de que de sofrer o gol.

Mancini entendeu o que acontecia em campo e foi realista, aos 14, nas alterações.

Posicionou duas linhas de quatro no campo de defesa, a de zagueiros e laterais mais conservadora com todos permanecendo atrás, e aumentou a velocidade do contragolpe ao substituir Junior Cesar e Ferreyra por Sidney e Yuri Mamute.

Julio Cesar foi deslocado para a lateral-esquerda e o quarteto do meio passou a ter saída rápida por ambos os lados com Wallyson e Yuri Mamute.

Osvaldo e Muricy

Aos 22, Muricy trocou Kaká, provavelmente por causa do desgaste físico do meia gerado pela sequência de jogos e porque entrou em campo pendurado com dois amarelos, pelo Osvaldo.

O treinador sabia que o Botafogo cedo ou tarde sairia de trás, caso não achasse o empate durante seu pior momento no jogo, e daria espaço para o contragolpe.

Com o reserva, o sistema ofensivo do São Paulo ficou mais rápido e o defensivo não sofreu prejuízos.

Gegê entrou no lugar do cansado Zeballos aos trinta minutos.

Aos 36, Osvaldo arrancou com a bola, não foi alcançado pelos marcadores na correria, e tocou para o Pato, livre, garantir de vez os três pontos ao seu time.

Muricy, em seguida, tirou Souza, pendurado com o cartão amarelo, e colocou Maicon para ajudar na manutenção de bola.

Aos 39 trocou Denílson por Hudson.

O Botafogo não teve forças para esboçar qualquer tipo de reação e o São Paulo, satisfeito com o resultado, apenas se preocupou em fazer o tempo passar enquanto trocou passes.

Ficha do jogo  

Botafogo – Andrey; Gabriel, Bolívar, André Bahia e Junior Cesar (Sidney); Airton, Rodrigo Souto, Julio Cesar e Zeballos (Gegê); Wallyson e Ferreyra (Yuri Mamute, 14′/2°T)
Téc: Vagner Mancini.

São Paulo – Rogério Ceni: Auro, Rafael Toloi, Edson Silva e Michel Bastos; Denilson (Hudson), Souza (Maicon), Kaká (Osvaldo) e Ganso: Pato e Kardec
Téc: Muricy Ramalho.

Árbitro: Marielson Alves Silva
Auxiliares: Alessandro Rocha de Matos (FIFA) e Elicarlos Franco de Oliveira
Público: 24.857 e Renda: R$ R$ 1.975.740,00

Valeu!!

Os campinhos foram feitos pelo Felipe Bigliazzi Dominguez.