Atlético-GO 1 x 1 Vasco | Filme repetido

Leia o post original por Bruno Maia

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Mais um jogo em que o time sai na frente. Mais um empate. Mais um 1×1. Mais uma partida sem vencer em Brasília. Mais uma chance desperdiçada de alcançar a liderança. Mais uma vez que o roteiro se repete. Quantas vezes um filme pode se repetir no futebol? Pelo visto, esse texto não vai ter muita novidade.

O time do Vasco é uma novela sem fim do Manoel Carlos, onde os personagens cometem os erros de sempre, onde você (e eu!!), torcedor, cria a esperança a cada novo arranque mais incisivo de um lateral, ou de um passe surpreendente de Douglas, ou nas cobranças de falta que Rodrigo resolveu começar a bater de longa distância. Mas não adianta. No final, você lembra que o autor é sempre o Manoel Carlos. Troca Adílson, põe Joel, e vamos assim até o fim. É uma zica, uma maldição, uma sombra, uma nhaca, uma…

No primeiro tempo houve superioridade, um time mais calmo, com a presença de Edmílson no lugar de Thalles e de Aranda no lugar de Pedro Ken, ao contrário do que se anunciara. Demorou até o gol sair, mas o time atuou bem, consistente, dando a sensação de que chegaria lá. Douglas esteve muito bem na primeira etapa, perdeu um gol por preciosismo na conclusão, e sua dupla com Maxi Rodriguez toma cada vez mais forma. Dakson vai ficar pra trás. O passe de Maxi para o gol de Edmílson foi foda. Visão, bola enviesada cortando a defesa, encontrando a passada certa para Edmílson voltar a encontrar uma boa finalização depois de meses. Não tô falando de gol, mas de pegar bem numa bola. Oásis no cerrado!

No segundo tempo, a marcação veio mais pra frente, começou mais avançada e, durante 5-10 minutos, deu uma confiança de que a superioridade cruz-maltina ia prevalecer. Só que depois, o meio-campo ficou como um elástico frouxo, que vai cedendo aos poucos, dando espaço para o Atlético-GO ir ocupando. Até que, aos 23 minutos, já empatava a partida. Falha da defesa inteira. Cobertura mal feita pelo menino Lorran no toque capital do atacante goiano. Mas longe de culpá-lo sozinho pelo empate. Ele, aliás, melhorou quando teve Pedro Ken atuando junto dele. Mas enfim… era falha da defesa inteira, atacante nas costas dos zagueiros, laterais atrasados, Rodrigo pagando esporro geral como se ele fosse vítima da incompetência dos outros e não mais um dos lambões. Tudo aquilo que rola igual todas as vezes. E aí, você, vascaíno, vendo o jogo na partida na TV, já bufou que nem eu, já anteviu o resultado, se deu conta que mais uma vez se repetia a história. É impossível que vocês não tenham também pensado: DE NOVO?!

E, como na vida, a rotina pauta nossas expectativas. Diante dessa história, poucos são os vascaínos que, atualmente, acreditam que o Vasco vai achar o segundo gol. A partida contra o América-MG foi uma exceção nesse incômodo e entendiante roteiro. Toda a morosidade voltou, a incapacidade de organizar o meio-campo, um adversário se trancando atrás e esperando o contra-ataque, o tempo passando, a esperança embrutecida, o saco cheio, a vontade de que aquilo acabe logo, o pensamento no que eu vou falar com aquele outro amigo vascaíno quando vier a resenha (ou escrever no blog, no meu caso!), a vontade de falar um monte de bobagem para a diretoria, o desejo de… AHHH!! Tanta coisa que a gente quer ver diferente no Vasco, mas nossa rotina é repetir erros, andar em círculos e ver, de 1×1 em 1×1, a paciência ir embora. Isso não é de hoje. Tenho certeza que vocês lembram de quantos 1×1 em jogos fáceis nós precisamos para perder aquele campeonato brasileiro de 2011 por dois pontos pro Corinthinas. Na real, acho os jogadores parcialmente responsáveis, mas não descomprometidos. E isso preocupa ainda mais, porque no fim das contas, eles são os únicos que podem trazer mudanças a curto prazo. A longo, depende mais de nós, vascaínos.

Mas se eu for por aí, é papo repetido de novo… E de repetição por hoje, já bastou mais um 1×1 do Vasco. Chega. Pelo menos até terça…