A Lusa abusa

Leia o post original por Mauro Beting

Eu não conheço os jogadores da Portuguesa. Nenhum dos titulares. Desconfio que o treinador da Lusa também não os conheça. Não sabe de onde vieram. Mas imagina até onde não chegarão.

Embora, dever dizer, eu não saiba quem é o atual treinador da Portuguesa. Eu chutaria Benazzi. E é. Depois de ter sido Silas. Marcelo Veiga. Guto Ferreira. Argel Fucks. Tudo isso só nessa série B que seria A não fosse a escalação irregular de Héverton, na rodada que nada valia. E valeu tudo para a Portuguesa no vale-tudo do STJD.

A Lusa briga agora para não cair. No Canindé, no último jogo, perdeu de 3 a 1 para o Bragantino. Em um dos sofridos, um zagueiro bisonhamente escorregou e deu o gol ao Braga. No último, um chutão do goleiro rival quicou atrás da zaga e à frente do goleiro que nada pôde fazer.

Mais um gol sofrido. E como são sofridos os gols tomados pela Lusa tombada e tomada pelo desânimo da falta de time. Da falha de dinheiro. Da fraca direção. Do fado mais triste de um torcedor que não vê futuro e mal lembra o passado.

Fardo pesado de cartolas que não pensaram. Ou vão penar além da segundona dos infernos ou da terceira via para quem desconhece o caminho do certo. Para quem não reconhece o que esse clube já fez.

Eu quero ser o que sou. Otimista. Mas é dever ser realista com quem vive com um mundo irreal. Se está difícil para quem tem mídia e modos de girar a roda e a bola, como imaginar que no Canindé aporte dinheiro e gente com vontade e competência?

O caso Heverton seria de polícia se a perícia tivesse provas. Por ora, parece apenas inverossímil várzea – com todo respeito a ela, a várzea.

As versões são mais críveis que os erros incríveis de gente do clube. Se é que pode ser ser gente e pode ser do clube quem pisa na bola desse jeito. Quem troca uma vaga na série A por um provável rebaixamento para a C.

Da canetada dura do tapetão puxado para as caneladas moles do gramado abaixo do nível. Não é piada da Portuguesa. É tristeza tenebrosa de um futebol que de tanto se vender como profissional acaba vendendo amadores na pior acepção

A Portuguesa vive os piores dias e jogos de sua vida que nunca foi fácil. Mas que não pode fazer tão difícil a de tanta gente que escolhe ser Lusa no fim do túnel. Que quer ser Portuguesa sem certeza de nada. A não ser de falar com orgulho que é Lusa.

– E aí, vai encarar?

Até gostaria.

Mas, para isso, toda a Portuguesa precisa olhar o que resta de espelho.

Precisa ter a coragem de desbravar o mar desconhecido e achar um outro caminho.

Não pode esperar pelo retorno de dom Sebastião. Ele não volta. Ele não vem.

Precisa é arrumar um jeito de fazer em casa o que a própria casa da Portuguesa, com certeza, deixou levar. Lavando as mãos para quem as sujou. Lambendo as digitais de quem mostrou os dedos e deu de ombros.

A Lusa abusa do direito de errar.

Eu não a reconheço mais em campo. Por tabela, pela ponta de baixo dela, eu não me reconheço sem a Portuguesa em campo.

Para mim ela sempre será grande. Mesmo quando se apequena se aporrinha se apoquenta.

Mas isso sou eu, que sou meio do passado, sou bastante saudosista.

Para não dizer que sou apenas saudades.