São Paulo e a guerrilha nada santa

Leia o post original por Mauro Beting

O São Paulo não jogava tão bem como agora desde 2008, quando Juvenal Juvêncio era o supremo e legítimo comandante tricolor, armador do tricampeão brasileiro que havia sido tri mundial e tri da Libertadores com ele mandando muito no futebol.

Desde 1930, nunca se viu no SPFC tamanha batalha intestina jogando contra o clube e ligando tantos ventiladores para todos os lados – menos para a direção certa.

O triste da batalha de egos alambicados (no sentido de jactantes e prepotentes) é que cada parte parece ter muitas razões no que fala mal da outra.

Nem os maiores rivais paulistanos conseguiriam fazer entre cartolas de abas ocas ópera tão bufa e besta quanto os cardeais nada santos que passam e passaram pela “sacrossanta” casa tricolor.

Juvenal Juvêncio, primeiro e único de Morumbi, Barra Funda e Cotia, o delegado plenipotenciário que não delegava, agora detona a criatura que ele recriou na eleição deste ano. Quando, enfim, largou o poder que tudo ele fez para se perpetuar de modo ilegítimo, depois de perpetrar manobras continuístas legais, mas indignas das indignidades de outros sultões que não queriam largar o poder nos clubes paulistas. Em vez de ser um Natel de grande e edificante história dentro do clube, deixa o São Paulo como um Dualib de muitos títulos. Protestados ou não.

Perdeu a razão um Juvenal que tanto fez o clube ganhar como ganhou pela vida são-paulina. Cartola que montou times históricos e, também, aquele que teve de disputar módulo inferior no SP-91. Dirigente que, ao lado de Carlos Miguel Aidar, foi importante no Clube dos 13, em 1987. Embora, pela disputa da Taça das Bolinhas desde 2007, não tenha dado a menor pelota àquilo que fez à época. Dupla agora desunida que foi dinâmica à época. E, agora, pela sede de poder e títulos, Juvenal e Aidar esqueceram que achavam o Flamengo vencedor de 1987. Ora, bolinhas!

Aidar tem juvenalizado em muitas ações e frases como presidente. Tem sido juvenil em outras. Tem cometido as mesmas barbaridades do antecessor. Tem brigado com deus, o mundo e o diabo. E, agora, com quem o recolocou no clube. Não no futebol, que Aidar continuou mexendo muito bem seus pauzinhos. E porretes. E pessoas no meio do futebol, dos negócios e da CBF.

Aidar esteve sempre por aí. Mas não parecia estar muito ali ao demitir agora JJ em manobra que poderia ser adiada, ou mesmo deixada para lá, Aidar retirou das brumas o colérico cartola que espichou o próprio mandato por entender que o São Paulo precisava dele… Que a Copa de 2014 seria no Morumbi se ele permanecesse.

Um Janio Quadros nas ações e nas palavras e até nas pausas. Que dizem muito quando nada aprofundam. Ou são mesmo superficiais como mais um tirano duro de tirar do trono.

Juvenal virou personagem engraçado por ser triste. Ou apenas triste por ser engraçado. Um dos dirigentes que mais conhecem futebol se achou o sol do céu e o sal da terra santa e sacra. Só ele sabe. Só ele manda. Só ele.

Ficou só.

Agora, como um Tiririca letrado, diz que o São Paulo “vai respirar Juvenal até a morte”. Na terceira pessoa. Ou em todas elas. Ou apenas ele.

Um colosso que ele ajudou a erguer não morre. É sabido.

Mas caudilhos passam e passaram do tempo e do tom no poder. Muitas vezes criam novos juvenais. Ou um velho Aidar repaginado e remoçado, mas com as mesmas práticas.

O resultado da tetra tétrica só não é risível por ter a incapacidade de atrapalhar todo um ótimo time e um bom trabalho que inegavelmente têm a marca de JJ e CMA. Grifes grogues que não podem ser maiores que aquilo que os une – e a vaidade desuniu: o SPFC.

Respeito a história de Juvenal Juvêncio. Entendo a idade do dirigente tricolor. Mas não é por ela que ele anda há muito tempo falando e fazendo bobagem, com parte da mídia achando graça, e gente rindo da desgraça de um senhor com a saúde debilitada.

Juvenal é assim mesmo.

Quem o pariu e que não o deixou partir que cuide para ele não rachar o São Paulo F. Clube. O Futebol C. sobrevive. E muito bem.