Bola na mão e mão na consciência

Leia o post original por Mauro Beting

Escreve Leonardo Gaciba, em seu blog:

“A mão na bola sempre foi uma das jogadas mais polêmicas do futebol. Aliás, o futebol nasceu exatamente porque dissidentes do rúgbi não queriam mais que se utilizasse a mão para jogar. Há dois anos escrevi que tínhamos conseguido uma evolução neste critério e, cada vez mais ele estava claro para quem trabalhava ou assistia ao esporte bretão. Pois a comissão de árbitros da FIFA resolveu dar um nó na cabeça de todos, mais uma vez.

Com vídeos de instrução a FIFA (os que respondem por ela) criou um novo conceito e começaram a disseminar pelo mundo afora através de seus instrutores uma nova visão sobre a jogada e colocou pontos de interrogação na cabeça dos apitadores.

O mais surpreendente é que o livro de regras não mudou seu texto uma linha sequer e dentro do campo tudo mudou. Pior, as orientações foram dadas em quatro paredes e, repetindo um erro secular, não foram informadas ao público, atletas e analistas. O discurso de que o conhecimento é para todos e estaria disponível a quem interessasse não saiu no papel e, na prática, a cultura das alterações secretas continua valendo. Ruim para os árbitros que estão tendo que adotar estas novas orientações sendo a vidraça de uma mudança desconhecida da maioria.

Feito esta introdução, este blogueiro deixa claro que não estou “debatendo” se concordo ou não com as novas interpretações, a verdade é que elas existem e estão em vigor e os árbitros aplicarão em nossas competições. Ainda, conforme disse anteriormente, não há nada documentado oficialmente e as palavras que serão utilizadas são resultado de muita pesquisa pessoal, termos utilizados em vídeos de instrução, conversas com árbitros de elite mundial e instrutores de alto nível internacional.”

Escreveu Gaciba. Agora escrevo eu.

Só ontem a CBF fez um vídeo a respeito dessa nova orientação.

Depois de rodadas de interpretações discutíveis. Para não falar infelizes.

Lembra o que aconteceu por algumas rodadas em 1991, quando goleiros que soltavam bolas (ou faziam defesas em dois tempos) não podiam mais tentar a segunda defesa. Davam bicos desesperados para frente até que alguém de bom senso entendeu que a interpretação de instrutores e árbitros estava errada. Os goleiros podiam tentar a Segunda defesa sem cometer infração.

Espero que seja o caso brasileiro. Para não ser o ocaso do futebol.

Não existe nada mais “não natural” que alguém correndo para uma bola com o braço colado ao corpo.

Não existe nada pior que contrariar o espírito da regra do jogo.

Ou existe: usar a regra apenas para um time. Seja qual for. Não uniformizar o critério dentro de uma mesma partida.