Coritiba vence o São Paulo e sai da zona do rebaixamento; time de Muricy ficou previsível sem Kaká

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Coritiba 3×1 São Paulo

O time de Muricy sentiu muito a ausência de Kaká.

Perdeu dinâmica na parte ofensiva, pois a movimentação ficou mais lenta e menos inteligente, criatividade e força no contra-ataque.

O futebol de Pato e Ganso despencou.

O Coritiba se aproveitou e em nenhum momento perdeu o duelo no meio de campo.

Marquinhos Santos demorou para acertar a equipe na parte ofensiva.

Teve que mudar o esquema tático duas vezes, uma no intervalo e outra durante o segundo tempo, e trocar Rosinei por Elber para conseguir levar perigo ao gol de Denis.

Antes, o sistema defensivo do São Paulo parou o Coxa.

Depois das trocas, o Coritiba deu o famoso nó tático no adversário e aproveitou o contra-ataques, ao contrário dos comandados de Muricy que falharam nisso enquanto o adversário precisou dar espaço.

A vitória justa do Coxa tira o time da zona do rebaixamento e dá um duro golpe no sonho do São Paulo de brigar pelo título.

Táticas 

Marquinhos Santos armou o sistema defensivo do Coritba no 4-5-1 e o ofensivo no 4-3-3 com Alex, de volta após três jogos ausente, na função de falso centroavante.

O camaronês Joel, na direita, e Zé Eduardo, na esquerda, foram os atacantes encarregados das jogadas pelos lados quando o Coxa tinha a bola e de acompanharem os avanços respectivamente de Alvaro Pereira e Auro, os laterais do adversário, nas tentativas de recuperá-la.

No trio de volantes, Robinho avançou pouco, Rosinei e Helder menos ainda.

Cuidaram mais da cobertura dos laterais Norberto e Carlinhos, que foram constantemente à frente.

Muricy perdeu Ceni e Kaká, os líderes do times, e escalou Denis e Michel Bastos.

Repetiu o 4-4-2 com o reserva e Ganso marcando na mesma linha dos volantes Denilson e Souza.

Na parte defensiva, a impossibilidade de o atleta consagrado atuar não foi sentida.

Mas na hora da criação, ficou  nítida a queda de rendimento.

Transição de bola

O Coritiba pressionou a saída de jogo e não permitiu que o meio de campo do São Paulo fizesse a transição de bola, pelo chão, da defesa ao ataque.

A questão não foi apenas a qualidade do passe de Kaká.

O meio de campo perdeu em movimentação e ficou mais fácil de ser marcado.

Michel Bastos, acostumado a atuar pelos lados, não explora todas as faixas de campo como o titular.

E Ganso espera o ‘jogo chegar’ chegar a ele, enquanto Kaká ‘chama o jogo’.

Eles trocaram de lado algumas vezes, mas sempre caíam em algum setor do gramado em que havia mais de um jogador do Coritiba.

Apenas pelos lados

A escalação de atacantes abertos, a liberação de os laterais avançarem, o uso de três volantes pouco participativos na criação e a presença de Alex como jogador mais adiantado mostram que Marquinhos Santos apostou todas as fichas nos lances pelos lados.

O São Paulo posicionado da forma correta, com os recuos de Kardec, na direita, e Pato, na esquerda, um de cada vez de acordo com o local em que o Coritiba atacou, impediu a agremiação paranaense de fazer as tabelas e entrar com a bola na área do goleiro Denis.

Restaram os cruzamentos como opções para os comandados de Marquinhos Santos balançarem as redes.

Apesar de Alex tentar de vez em quando achar o espaço para receber a bola na meia, ela não chegou até o experiente boleiro.

Por isso ficou um buraco nas meias do Coritiba e o sistema ofensivo foi extremamente previsível.

Aos 38, Welinton, machucado, saiu e Luccas Claro entrou.

Contra-ataques

O São Paulo, nos contra-ataques, encontrou espaços para criar as chances de gol.

Mas alguns erros de passes atrapalharam.

O time entrou com a bola na área do Coxa, como nos lances em que Kardec e Pato, livres, erraram o último passe antes da finalização dos companheiros e quase não deu trabalho ao goleiro Vanderlei.

Contratado para isso

Michel Bastos foi contratado por causa da qualidade das finalizações de média e longa distâncias e também porque é versátil.

No fim do 1° tempo, Auro fez bonita inversão de bola para o Pato, que ajeitou de cabeça e Michel Bastos, de primeira, com a perna esquerda, fez 1×0.

O meio de campo do Coritiba não podia dar tanta liberdade ao autor do gol.

Acertos

Marquinhos Santos observou o problema de criação da sua equipe e mexeu no posicionamento dos atletas.

Recuou Alex para a meia, pediu a Joel para exercer o papel de centroavante e mandou Zé Love usar os dois lados do ataque.

O sistema ofensivo passou a atuar no 4-4-2.

Aos 10 minutos, depois de ver que precisava de mais opções no sistema ofensivo, trocou o volante Rosinei, que havia levado o cartão amarelo, pelo veloz Elber.

O Coxa passou a atuar no 4-2-3-1 com Zé Eduardo e Elber na linha três, Alez entre eles, e Joel como centroavante.

Devendo

O São Paulo precisava tocar a bola no campo de ataque.

Em vantagem no placar, diante de uma equipe na zona do rebaixamento transbordando ansiedade, algo natural nessas circunstâncias, no campo e na arquibancada, tinha que tirar a velocidade do confronto e irritar o adversário.

Mas não conseguir.

Também podia explorar os contra-ataques, pois o Coxa se arriscou e deixou espaços.

Pato, o responsável pelas jogadas de velocidade, e Ganso, o mais apto à cadenciar o ritmo do confronto e tornar a equipe mais inteligente, jogaram mal.

O time não fez nem um nem outro direito.

Coritiba superior

O Coxa ganhou a disputa no meio de campo e com opções ofensivas de ambos os lados empurrou o São Paulo para o campo de defesa.

Aos 14 e 17 minutos, virou o placar, o duelo psicológico e a cara do jogo.

Helder, de fora da área, após Toloi não conseguir dar o famoso chutão, acertou bonito chute e empatou.

Joel, após cruzamento de Elber, livre, por causa da falha de posicionamento do sistema defensivo são-paulino, colocou o Coxa em vantagem.

Toloi não entendeu o lance. Se tivesse avançado o camaronês ficaria impedido.

Missão cumprida

Marquinhos Santos pediu para o Coritiba marcar no campo de defesa depois da virada.

Atraiu o São Paulo, congestionou o meio de campo e a região no entorno da grande área, e apostou nos contragolpes.

Muricy, aos 31, começou o tudo ou nada ao substituiu Denilson por Luis Fabiano.

Três minutos depois, Osvaldo entrou no lugar de Pato.

Marquinhos Santos, aos 36, botou o meia Dudu na vaga do atacante Zé Eduardo.

O São Paulo quase não ameaçou e lo Coritiba, nos contra-ataques, foi perigoso.

Aos 40 minutos, Joel partiu em velocidade, livre, de trás do meio de campo com a bola, driblou Denis e quando os defensores chegavam chutou para o gol.

O 3×1 encerrou a pequena chance de reação do São Paulo aparentemente com Kaká dependência.

Ficha do jogo

Coritiba – Vanderlei; Norberto, Welinton (Luccas Claro), Leandro Almeida e Carlinhos; Hélder, Rosinei (Élber) e Robinho; Joel, Alex e Zé Eduardo (Dudu)
Técnico: Marquinhos Santos.

São Paulo – Denis; Auro, Rafael Toloi, Edson Silva e Alvaro Pereira (Boschilia); Denilson (Luis Fabiano), Souza, Ganso e Michel Bastos; Alexandre Pato (Osvaldo) e Alan Kardec
Técnico: Muricy Ramalho.

Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva
Auxiliares: Marcio Gleidson Correia Dias e Thiago Gomes Brigido
O público e a renda não foram divulgados até o fechamento do post