Preconceitos

Leia o post original por Mauro Beting

Não eram vaias contra o time. Não eram xingamentos contra o rival. Não se vaiava o líder do campeonato de 1942. Nem se apupava um clube que enfim escalava um atleta negro como titular absoluto.

Parte do estádio do Pacaembu naquele 20 de setembro de 1942 era contrária ao ex-nome daquela gente de verde. Vaiavam a pátria dos fundadores do clube adversário. Xingavam a suposta anuência dos sócios e torcedores da instituição ao regime totalitário do país de origem da maioria dos fundadores. Nação em guerra com o Brasil governado por um ditador como o italiano bélico.

Vaiaram até a bandeira do Brasil que, há 72 anos, entrara em campo pelas mãos de 11 ex-palestrinos. Onze debutantes palmeirenses que venceram o rival e as vaias. Foram campeões paulistas contra o clube que tinha na diretoria alguns antipáticos ao novo Palmeiras cada vez mais brasileiro dos italianos do velho Palestra. Alguns poucos tricolores simpáticos à ideia de tomar mais que o nome tombado do Palestra Italia.

Havia a palestrafobia no ar. Em páginas de um diário popular de São Paulo. No dia a dia no dial de uma rádio de muitos recordes. Em panfletos apócrifos de hipócritas nacionalistas e xenófobos.

Não eram poucos que não queriam mais Palestra e nem Itália em São Paulo. Mas não eram todos. Também não era o São Paulo Futebol Clube que estava por trás dessa intolerância. Mas eram alguns são-paulinos que tomaram a frente das ações ignorantes e ignóbeis.

72 anos depois, neste 20 de setembro que chega, ainda vivemos dias e jogos de intolerantes e ignorantes.

Mas os clubes não podem expiar por erros de irresponsáveis. Mesmo os que assinam atas e atos inomináveis.

Xenofobia, racismo e interesses inconfessáveis conspurcam e conspiram contra pessoas. Não associações delas como os clubes de futebol. Dos maiores fatores de integração social, às agremiações não foram feitas para segregar e nem sangrar.

Assim como não podemos confundir os times com os clubes, por mais confusos que sejam alguns dos times atuais, não podemos generalizar atitudes deploráveis.

As vaias de 1942 para aqueles que eram cobrados só por atuarem em um clube de origem estrangeira não se justificam.

As vaias de 2014 para um atleta que defendeu a sua cor não se justificam em tempo algum.

Como demonizar todo um Tricolor paulista em 1942 e todos os tricolores gaúchos em 2014 não tem cabimento.