A vida anda rápido

Leia o post original por André Kfouri

1 – Um gol perdido foi também um sinal postivo. Na jogada que Romero iniciou após um erro de Madson, apareceu a associação dos dois meias, tão importantes para o bom funcionamento da maneira de jogar do Corinthians: Jadson para Rodriguinho, na área. O chute passou perto da trave e enganou muita gente ao tocar a rede por fora.

2 – O Corinthians tinha controle e boa circulação, embora sem o capricho para superar o bloqueio vascaíno diante de sua área. Também se defendia com solidez, permitindo ao Vasco apenas dois chutes de fora da área na primeira meia hora, ambos defendidos por Cássio com certa dificuldade.

3 – Na medida em que o time carioca passou a jogar um pouco mais adiantado, os espaços se tornaram generosos. Mas o plano de fazer a bola chegar por dentro a Jô não teve efeito. É uma jogada vital para o Corinthians, seja com o atacante como destino final ou viabilizador da aparição de companheiros. Tem sido silenciada por marcação competente, ainda que, neste domingo, Jô possa reclamar de um pênalti ignorado.

4 – Rodriguinho teve outra ocasião, de cabeça, dentro da pequena área. O álibi da surpresa – Jô não conseguiu alcançar a bola, que se ofereceu de repente – é válido, mas tocá-la por cima do travessão pareceu o mais difícil. O primeiro tempo começou e terminou com um gol que ele quase marcou.

5 – E o segundo tempo se abriu no mesmo tom: Jô cruzou do lado esquerdo e Rodriguinho concluiu à curtíssima distância de Martín Silva. A defesa no reflexo, com a mão direita, salvou o Vasco.

6 – O atual momento do líder do campeonato é marcado por claros defeitos de execução. O bonito lance de Rodriguinho com Fágner, tabelando pelo lado direito, propiciou um caso exemplar. Jadson aguardava a bola na marca do pênalti para finalizar a jogada treinada e tantas vezes bem sucedida, mas o chute saiu torto.

7 – Com Arana e Jadson, combinação parecida do lado esquerdo. Passe para trás, para a chegada de Maycon. Outro chute com a direção errada, outro gol que ficou no quase.

8 – Há passagens em que um time de futebol dá a impressão de que encontrará um jeito de vencer jogos, mesmo que esteja em um mau dia. Há outras em que, por mais que produza e tente, sugere que não terá sucesso.

9 – O lance do gol é uma ilustração das dificuldades momentâneas do Corinthians. Excelente avanço de Marquinhos Gabriel pelo lado esquerdo, cruzamento desviado que provavelmente tocaria na trave e entraria. Mas Jô, com o braço direito, criou um tento irregular cuja validação é uma lástima.

10 – Cabe um comentário sobre a inutilidade do árbitro que se posiciona ao lado da trave e não vê o toque de mão, ok. Mas, quantas vezes forem necessárias: em um jogo com árbitro de vídeo, um gol como esse jamais veria a luz do dia. Não há justificativas.

11 – Jô era o jogador envolvido no episódio de fair play de Rodrigo Caio, no Campeonato Paulista. A vida anda rápido.

12 – O Corinthians jogou mais do que o Vasco e teve diversas oportunidades para marcar. Terminou por vencer o encontro com um gol ilegal, o tipo de ocorrência que não tem mais lugar no futebol. Enquanto o resultado – somado aos demais, aumentando a vantagem na liderança do campeonato – será visto como prova de recuperação, a atuação voltou a exibir alguns problemas das rodadas recentes.

DIFERENTE

Paulinho se projetou pelo meio da defesa do Getafe, acelerou para pedir a bola a Lionel Messi, recebeu, dominou, travou um adversário no corpo e marcou o gol da vitória do Barcelona, o primeiro dele pelo clube. Um gol muito celebrado em campo, e que pode indicar de que forma o brasileiro será utilizado em um time que pretende voltar a jogar com posse. De todos os nove meiocampistas do elenco, Paulinho é o jogador cujas características mais se distanciam da ideia que o Barcelona tradicionalmente representa. Talvez por isso seja aquele que pode contribuir com um comportamento diferente, inesperado. O começo foi interessante.

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