São Paulo joga, Corinthians soma

Leia o post original por André Kfouri

1 – Uma espécie de “manual do mandante”, com orientações sobre a melhor maneira de receber e enfrentar o Corinthians, foi oferecido pelo Santos há duas semanas. Consiste, basicamente, em levar o jogo a ser disputado no campo de defesa corintiano pelo maior tempo possível, em busca do gol que retira o líder do campeonato da posição em que prefere atuar.

2 – De modo que a postura inicial do São Paulo, em controle quase total das ações no Morumbi com ambiente inteiramente favorável, era uma certeza. Assim como a chegada daquele momento em que se nota o jogo passar a uma marcha abaixo, porque é necessário dosar energias. Por volta dos dez minutos, o São Paulo respirou um pouco. Na metade do primeiro tempo, já havia dois times em campo.

3 – E duas dinâmicas eram evidentes: o São Paulo tinha mais entusiasmo e agressividade; o Corinthians tinha uma noção mais definida do que pretendia fazer. Reflexos diretos da “idade” de cada equipe e das posições que ocupam na classificação do Campeonato Brasileiro.

4 – Na queda de desempenho do líder desde o início do returno, um dos defeitos mais notáveis é uma certa permissividade defensiva. Já não é mais necessário um esforço tão grande para criar ocasiões. O gol são-paulino, aos vinte e sete minutos, desenhou essa situação. A bola chegou fácil a Petros na lateral da área, criando a dúvida entre cruzamento e finalização que congelou Cássio.

5 – Mais do que a coerência com a diferença de iniciativa entre os dois times, o gol estabeleceu o início de um enfrentamento diferente. O São Paulo poderia alternar entre pressão e recuo, obrigando o oponente a sair de sua característica na procura do empate. Uma situação inédita para o time de Carille, que não tinha sofrido gol no primeiro tempo em doze atuações como visitante no campeonato.

6 – Para contexto: no melhor momento do Corinthians no Brasileirão, um dos temas de análise era a longa sequência de jogos em que o time não permitiu ao adversário fazer o primeiro gol. No início do segundo tempo no Morumbi, o São Paulo estava muito bem posicionado – em jogo e em resultado – para conseguir uma vitória valiosa.

7 – A vantagem permitiu ao time de Dorival Júnior se dedicar a minimizar riscos, sem deixar de jogar. No lance em que o segundo gol saiu, a falta que parece clara, ao vivo, não é clara no replay (que o árbitro ainda não tem). Ficaram evidentes, uma vez mais, as dificuldades de construção do líder diante de defesas posicionadas, cenário agravado pelo acúmulo de decisões erradas – outro problema recente – de determinados jogadores.

8 – Um deles é Rodriguinho, errático contra o Vasco, expulso contra o Racing, e criador do gol de empate em uma ocasião que reuniu astúcia, dedicação e técnica. O lance próximo à linha de fundo era amplamente favorável a Júnior Tavares, que preferiu esperar a bola sair a jogar. Rodriguinho não apenas conseguiu evitar a saída, como, com um drible seco, abriu espaço para cruzar. Sidão defendeu o chute de Romero, mas não o de Clayson.

9 – O 1 x 1 inverteu as características do encontro, obrigando o São Paulo a se expor para tentar evitar a sensação de derrota que se aproximava. O Corinthians só ameaçou em um contragolpe, enquanto Cássio se esticou para negar um gol de cabeça a Jucilei. Haverá discussão sobre a atuação do goleiro corintiano na abertura do placar, mas não na manutenção de um empate que ficou mais agradável para o líder.

PERIGOSO

Não deveria haver lugar no futebol para atitudes como a de Gabriel, com gestos obscenos em provocação à torcida do São Paulo durante a comemoração do gol corintiano. Mesmo se fosse o autor do gol, em um momento de explosão, a conduta não pode ser tolerada. Gabriel estava no banco de reservas e agiu como um torcedor irresponsável, o contrário do que se espera de jogadores profissionais que têm a obrigação de saber quais podem ser as consequências desse tipo de comportamento. O posterior pedido de desculpas fica registrado, mas é pouco diante do papel que futebolistas devem exercer em uma sociedade violenta.

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