Valendo

Leia o post original por André Kfouri

Tite declarou o “início” da Copa do Mundo de 2018 no dia da convocação para os jogos contra Equador e Colômbia, mas é apenas no encontro com o Chile, amanhã, que as Eliminatórias adquirirão o caráter de “jogo de Copa” para a Seleção Brasileira. Na data Fifa anterior, o momento de decisão ainda não estava presente. Nesta, além do contínuo processo de formação de grupo e equipe, a visita ao ar rarefeito boliviano em quase nada acrescentou à preparação para o objetivo final. Mas o jogo no Allianz Parque reúne muitas características de uma dessas partidas que encerram a fase de grupos de um Mundial, em que um dos times, já classificado, enfrenta um adversário que não pode deixar de vencer.

A propósito: Brasil e Chile já se encontraram quatro vezes em Copas, sempre em situações em que o resultado importava a ambos. Em 1962, pelas semifinais. Em 1998, 2010 e 2014, pelas oitavas. A Seleção prevaleceu sempre, com três vitórias no tempo normal e os pênaltis do Mineirão, após empate em 1 x 1. Na primeira rodada das Eliminatórias para a Rússia, os chilenos – sob a direção de Jorge Sampaoli – foram indiscutivelmente superiores ao time de Dunga em Santiago, quando venceram por 2 x 0, há dois anos. Desde então, cada time percorreu trajetórias inversas, ilustradas pela situação que se apresenta na conclusão do torneio. O técnico Juan Antonio Pizzi está em modo de sobrevivência, enquanto Tite pode usar um jogo de competição para avaliar ideias.

Ênfase no “pode”. A julgar pela escalação anunciada ontem, o técnico brasileiro trata o encontro como mais uma ocasião para dar prosseguimento ao desenvolvimento de seu time, evitando descaracterizá-lo em nome de experimentações. E faz sentido. Além de não haver outra partida oficial até a estreia no Mundial, é certo que o Chile terá um comportamento agressivo à procura do único desfecho que lhe interessa, o que permitirá a observação do Brasil em uma dinâmica de jogo que não costuma acontecer em casa. A obrigação de vitória dos chilenos pode simular enfrentamentos com equipes plenamente capazes de atacar e superar a Seleção Brasileira, condições em que o time de Tite ainda precisa ser avaliado.

A ideia de que o Brasil está pronto para a Copa é uma precipitação. Os excelentes resultados obtidos, com notável aprimoramento de jogo, desde que a comissão técnica atual assumiu um time em sexto lugar nas Eliminatórias não devem fazer supor que o tempo de trabalho é o adequado. Não é. Em pouco mais de um ano, Tite foi capaz de fazer muito, mas seu time não passou pelas experiências necessárias ao ciclo de preparação para um Mundial, como jogos contra seleções de elite, especialmente europeias. Os amistosos marcados para o próximo mês, contra Japão (idealmente seria a França, mas não foi possível) e Inglaterra não alcançam este nível, motivo pelo qual se tenta agendar um encontro com um grande adversário europeu antes do jogo já definido com a Alemanha, em março.

Brasil x Chile é “jogo de Copa” e assim deve ser tratado, sem que isso impeça Tite de fazer alterações circunstanciais conforme o andamento da noite. Ocasião, por exemplo, para fixar a variação com a linha de três meias e Coutinho jogando por dentro, que oferece novos problemas ao oponente pela reunião de quatro jogadores ofensivos. Ademais, é uma excelente oportunidade para a Seleção Brasileira voltar a vencer, o que não acontece desde os 2 x 0 sobre o Equador, quando fez um primeiro tempo defeituoso.

NA COPA

As classificações de Costa Rica e Egito para a Copa do Mundo, caracterizadas por cenas de absoluta loucura tanto nas cadeiras quanto nos gramados, mostram que jogar um Mundial é uma conquista que emociona muita gente. Essa emoção deveria ser tratada com mais respeito pelos donos do futebol.

QUASE NA COPA

A Islândia, com uma população que não chega a 350 mil pessoas, está às portas de uma vaga direta na Europa. Um feito gigantesco.

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