Resposta de líder 

Leia o post original por André Kfouri

1 – O dérbi começou com um chute defeituoso de cada centrovante e posicionamentos de marcação semelhantes. Corinthians e Palmeiras compartilharam a iniciativa de dificultar a saída do rival com pressão dos jogadores mais avançados. O que os diferenciava era a maneira como procuravam vencer esse primeiro bloqueio: o time de Carille, com passes longos; o de Valentim, com o jogo curto que o caracteriza desde a troca de comando.

2 – A ideia corintiana se mostrou mais produtiva nos momentos iniciais. Uma bola roubada no lado esquerdo da defesa do Palmeiras se transformou em trama para o chute de Rodriguinho, desviado por Fernando Prass para escanteio. Boa defesa, mas, como de hábito nas rodadas recentes, o meia do Corinthians finalizou mal perto do gol.

3 – Um erro de Arana no campo de ataque acionou o contragolpe e a arrancada de Borja, em jogada pessoal. Chute na rede, por fora. Amostra de que o Palmeiras, hoje uma equipe associada, também tem velocidade para aproveitar o espaço em transição.

4 – O Corinthians era claramente superior quando marcou, aos vinte e sete minutos, com Romero. Mais volume e mais organização ofensiva. A bola que atravessou a área e chegou ao aracante paraguaio, na segunda trave, pareceu ter sido batida para o gol por Rodriguinho. A imagem – que não auxilia a arbitragem no Brasil, apesar de tantos exemplos a cada rodada – mostrou Romero adiantado em um lance de alta dificuldade para o assistente.

5 – Em vantagem, o líder seguiu melhor. Prass evitou o segundo gol saindo aos pés de Jô, servido por um ótimo passe de Rodriguinho. Na cobrança de escanteio, a falha defensiva do Palmeiras permitiu que a bola batesse na barriga de Balbuena e entrasse. Uma vantagem de dois gols antes da primeira meia hora, algo que não se imagina em enfrentamentos como esse, estava estabelecida em Itaquera. E era plenamente compatível com o desempenho dos dois times no clássico.

6 – Mas não teve longa vida. Mina manteve a sequência de jogos em que o Corinthians sofreu gol(s) pelo alto. O zagueiro colombiano esbanjou estatura e impulsão em um duelo cruel com Rodriguinho na área: 2 x 1. Punição a um defeito frequente.

7 – Não houve um momento sequer de calmaria durante o primeiro tempo. Dois minutos após o gol palmeirense, Edu Dracena fez falta em Jô dentro da área. O mesmo Jô pediu a bola e a depositou no canto esquerdo do gol defendido por Prass, que caiu para o outro lado. Vantagem reconstruída em uma atuação muito elogiável do líder do campeonato em seu estádio.

8 – A segunda parte não alterou o rumo da tarde dos laterais palmeirenses. Mayke e Egídio foram constantemente expostos por Clayson e Romero. Uma tendência verificada desde o início do jogo.

9 – O Corinthians controlava o encontro sem sinais de sofrimento até ceder um escanteio do lado direito, aos vinte e um minutos. A jogada gerou mais um gol (o quarto nas últimas três rodadas), mas por um caminho diferente do habitual. Pablo desviou a bola para trás, habilitando Moisés, em posição adiantada. O volante palmeirense acertou um formidável sem-pulo e devolveu seu time ao jogo.

10 – Óbvia dinâmica do trecho final: a posse do Palmeiras levou o jogo às proximidades da área de Cássio, enquanto o Corinthians se posicionou para explorar a metragem de gramado disponível. Com Deyverson e Borja em campo, a bola aérea passou a ser a primeira opção, até mesmo com uma estratégia usada por Cuca: o lateral direto para a frente do gol.

11 – O Palmeiras teve uma coleção de escanteios, mas a ocasião em que esteve mais próximo do empate veio nos acréscimos, quando Romero infantilmente se desfez da bola e uma cobrança de lateral criou um lance de perigo com Roger Guedes na área.

12 – Resposta maiúscula do líder – que venceu os três “dérbis do centenário” – sob máxima pressão. Carille soube mobilizar o time em uma semana crucial.

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