Que tal deixar o torcedor torcer para quem ele quiser, patrulha?

Leia o post original por Mauro Beting

Virou moda chamar de “modinha” quem torce pelo PSG há quatro anos, pelo Manchester City há seis anos, pelo Chelsea há 12 anos.

Devem ser os filhos dos pais que achavam que era “modinha” (SIC) ser santista por causa de Pelé. Ou também novos rubro-negros pelos Flamengos de Zico. Tricolores pelo São Paulo de Telê. Palmeirenses pelas Vias Lácteas da Parmalat. Alvinegros desde a conquista do Brasil pelo Corinthians a partir dos anos 90.

É tudo modinha? Ou tem de ser raiz concursada? Ou gostar de Nutella agora é ruim?

Pior que essa mania de detonar quem nasceu ou veio depois é tão estúpida quanto achar que o mundo começou há 30 anos. Ou quando o teste de gravidez deu positivo.

Agora a modinha da semana é dizer que o dinheiro não compra facilidade e nem felicidade – como se não fosse assim desde a era da bola lascada. Pior ainda é citar o Bayern “raiz” contra o PSG “Nutella”, como fez o brilhante amigo e querido colega André Rizek.

O Bayern tem 70 ANOS A MAIS DE CLUBE QUE O PSG. Mas, de fato, nem o maior clube da Bavária ele era quando ganhou o segundo título nacional, em 1969. Um ano antes da fundação do PSG.

Também porque os dirigentes do Bayern foram perseguidos por serem judeus. Um ano depois do primeiro nacional, em 1932, Hitler tomou o poder. Mais não é preciso dizer. Muito mais não faria por décadas o Bayern que só explodiria mesmo nos anos 70. Com 70 anos de vida. Devem ter chamado de “modinha” os senadores da mídia e dos modos e modas de então.

É risível dizer que o dinheiro não compra tudo se referindo ao colosso raiz que é o Bayern. São 25% dele que pertencem a três megaempresas. A Fundação dona dos outros 75% joga muito bem e joga duro. Como os novos donos do PSG. Rapelam os grandes nomes do mercado e repelem quem chega junto.

Business. Raiz ou Nutella.

O Don Pernil Santa Coloma de Andorra pode reclamar dos métodos do PSG ou dizer que é Nutella. O Bayern, não. Como, no Brasil, o Corinthians pode e deve ser louvado pela conquista de 2017 com pouco investimento. Mas ele não pode bater no peito e dizer que foi a vitória do tostão contra o milhão de Palmeiras e Flamengo. Porque o Corinthians tem ou deveria ter mais que os rivais pelo tamanho que tem e conquistou. E, se não tem, o problema é dele.

O colossal Bayern não pode falar de tostão contra milhão do PSG. Eu até posso. Quem é milionário há quase 50 de quase 120 anos não pode.

Jamais vou recriminar quem torce pelo clube da família. E não vou cornetar quem escolheu o vencedor da hora. Ou comprador da moda. Amor não se justifica e nem se explica. Uma vez mantida a paixão, segue o jogo. E até as jogadas. No amor e na dor. Na riqueza e na pobreza. Se virar casaca, aí sim o torcedor é modinha. Ou pior: nem torcedor é. Apenas simpatizante. Ou nem isso.

É casamento, amigo. Ninguém mete o bedelho e nem seja pentelho. Não tem como o PSG ter mais tradição que o Bayern. O clube é de 1970. Nasceu ontem. Ou pouco antes da conquista da Europa pela primeira das cinco vezes pelo Bayern, em 1974. Quando eu, alemão por parte de pai, aprendendo futebol, me apaixonei por Beckenbauer, Gerd Müller, Breitner e Maier na Copa de 1974. Campeões do mundo. Mais ainda respeitoso simpatizante quando meu pai me contava as proezas do Bayern deles é ainda de Hoeness e Schwarzenbeck. Mais ainda quando o time foi tri europeu. Mais ainda quando a primeira cidade que conheci fora do Brasil foi Munique, em 1979.

O Bayern é a minha raiz. Quem é jovem pode se afeiçoar por Neymar, Mbappé e Cavani. Não é proibido. Como eu também sou apaixonado pelo trio. Jogando no PSG ou se jogassem nos meus rivais.

É amor. É respeito. Ao amor, à história de cada um, e ao futebol que admite novas histórias.

Assim como um clássico não termina, ele pode começar. Algo que se conquista. Com vitórias. Com dinheiro. Ou com os dois.

Vamos dar um tempo ao dinheiro. E um dinheiro ao tempo.