Elencos “pobres” de clubes ricos ou grupos inchados de futebol paupérrimo?

Leia o post original por Mauro Beting

Escreveu outro dia o nosso Dassler Marques:

“Fora tudo que já se falou com justiça sobre Pep Guardiola, o melhor treinador de seu tempo, há um aspecto bem interessante que se repete no Manchester City: os elencos rasos.

Sem Mendy, que lesionou o joelho com gravidade, hoje Guardiola trabalha com um elenco de 19 jogadores contratados. E essa é uma estratégia que produz grande impacto das maneiras mais diversas.

Afinal, com um grupo restrito, todos têm minutos em campo, o que diminui a hipótese de jogadores descontentes com a falta de oportunidades. Se tem uma coisa que jogador odeia é não jogar.

Hoje no City, como ocorria no Barcelona, há um grupo jovem que completa o elenco e aparece sempre que as brechas surgem. O espanhol Brahim Díaz (99) e o inglês Foden (00) são, aparentemente, os maiores expoentes.

Para fazer todo esse organismo funcionar, Guardiola costuma cobrar dos clubes onde trabalha uma atenção grande à formação. No Bayern, esse processo foi considerado deficiente por ele, que mesmo assim conseguiu deixar Kimmich como sua principal revelação. No Barça, nem precisamos falar de Busquets, Pedro, Thiago…

Se mantém os jovens motivados pela perspectiva de receber oportunidade, o mesmo se aplica aos mais velhos. A versatilidade é fundamental e desafia os atletas a todo momento. Fernandinho é zagueiro e volante, Danilo é lateral direito, esquerdo, zagueiro e volante, Jesus é ponta ou centroavante, Sterling é ponta ou falso 9, Delph é volante e lateral, etc. Só assim o grupo de 20 vai ser suficiente.

Delph, aliás, merece ser mencionado. A lesão de Mendy, o único lateral esquerdo de origem, deixou preocupações iniciais. Guardiola mudou todo o funcionamento da equipe ao fazer de Delph, meio-campista, o novo “6”. Sané, que é um jogadoraço, se tornou essencial para dar amplitude do lado esquerdo, pela ponta, enquanto Delph é o lateral que ataca por dentro.

Muitos gostam de usar o subterfúgio financeiro para minimizar os feitos das equipes de Guardiola, em uma discussão tola. O fato é que elenco menor resulta em investimentos menores em compras e salários de atletas. O grupo do Chelsea tem 23 jogadores, o do United tem 24 e o do Liverpool tem 27. Todos têm menos pontos que o City de Pep Guardiola, o melhor da Europa neste semestre.

PS.: O elenco do Corinthians em 2017 chegou a ter 33 jogadores!”

Texto brilhante, como de costume.

Mas apenas algumas ponderações:

Ainda se joga demais no Brasil. Muito jogo para pouco futebol. Quatorze clubes brasileiros em 2017 jogaram mais do que o europeu que mais atuou. Da turma da nossa Série A, em média, os clubes atuam 22 jogos a mais.

Assim não pode. Assim não dá.

Não há como exigir que os clubes tenham elencos mais enxutos. O Corinthians também definhou no returno do BR-17 por usar menos atletas que os demais.

Talvez 33 atletas profissionais sejam demais. Mas 31, honestamente, não são.

Até porque a base precisa ser boa. Não é só botar os “meninos pra jogar”.

Outra. A única coisa que se pode questionar de Guardiola é justamente o elenco curto. A falta de um pirulão pra canelar a bola. Não é crime, Pep. Pode ser gol. E não é todo clube que é Barcelona, Bayern e o novo City.

Seria maravilhoso um treinador e atletas com a capacidade de se reinventar. De ousar sem serem chamados de “professor Pardal”. Seria lindo ter a paciência da mídia para inovações e experimentações.

Mas nem isso deixamos. Aproveitamos. Aprovamos.

Guardiola duraria menos que Diniz no Guarani.