Rueda pisa na bola com o Fla

Leia o post original por Antero Greco

Direto ao assunto, como zagueiro antigo ia nas canelas do centrovante: não gostei da forma como Reinaldo Rueda deixou o Flamengo. Com a ressalva, repito: é direito dele, como qualquer cidadão livre, trabalhar onde bem entender.

E que bom que tenha mercado; muita gente padece com desemprego.

Só poderia ter escolhido outra estratégia para ir cantar em outra freguesia, no caso a seleção do Chile. Faz pelo menos duas semanas que imprensa de Santiago (e de Bogotá) trazia informações sobre as conversas entre dirigentes locais e o técnico colombiano. A perspectiva de ruptura crescia à medida que o tempo passava.

E Rueda em silêncio, mesmo com tentativas – segundo afirmam cartolas rubro-negros – de contato para esclarecer a situação. Nada de nada. Ele ficou num mutismo só, enquanto oficialmente curtia as férias do futebol brasileiro.

Como bola cantada, deixou a Colômbia na noite de domingo para supostamente se apresentar ao Fla nesta segunda-feira. Foi o que fez, mas para dizer adeus. Ok, pode-se alegar que, por um lado, agiu corretamente, porque veio pessoalmente se desligar. Perfeito.

Por outro, há a mancada: se estava propenso a aceitar a oferta de novo emprego, por que não antecipou a volta para liberar-se a si e ao Flamengo? Sei lá, podia ter feito isso cinco, seis dias atrás, logo após as festas de fim de ano.

Ah, mas ainda não estava certo… Ora, pelo andar da carruagem o papo com os chilenos sempre evoluiu; em nenhum momento empacou. Sendo assim, teria sido elegante Rueda deixar bem clara a tendência à ruptura.

O Flamengo também vacilou. Assim que espoucaram as notícias sobre o interesse chileno, deveria ter pressionado o treinador, sem chance para enrolação. Era encostar na parede e cobrar: vai ou fica? Com isso, ganharia tempo para buscar substituto. O Fla comeu mosca.

Vá lá, anunciou Paulo Cesar Carpeggiani agora à noite. Nome conhecido no clube e disponível. Mas teria sido a alternativa principal, se estivesse evidente que perderia Rueda? Tenho cá minhas dúvidas. Assim como prefiro ser cauteloso no prognóstico sobre o desenvolvimento do projeto com o novo técnico.

No mais, está claro que o futebol doméstico virou trampolim para os gringos se ajeitarem com “coisa melhor”. Vêm para cá, fazem uma firulinha e logo se mandam…