Arquivo da categoria: adeus

Flamengo e a namoradinha fiel

Leia o post original por Rica Perrone

Eu entendo todos os motivos do Rueda.  Fosse ele, também manteria a possível ex e esperaria o acerto com a nova.  É cômodo, quem nunca?

A culpa dessa facilidade é sempre da atual. Na cara dela, flertando com outra, mesmo que seja outra de nível considerável que cause mais ciúmes do que raiva. Ainda assim, é outra.

Ela pode dar um basta, pode blefar, só não pode assistir.

Enquanto ele vai na academia pra emagrecer pra próxima, ela engorda depressiva pelo que está passando.  E se resolver não partir, ela ainda entenderá como uma vitória e o tratará como troféu.

O Flamengo não pode brincar de ser a namoradinha atual a um mês de começar uma Libertadores, uma temporada promissora, etc.  A montagem do elenco passa por comissão técnica, os princípios de jogo e planejamento físico idem.

É fundamental a decisão do Rueda.

Ele pode sair. Mas não pode deixar prejuízo.  Hoje, a indecisão dele já representa esse prejuízo.  Mas a culpa não é dele, qualquer um faria o que ele está fazendo.

A culpa é “dela”, que está deixando e sofrendo de amor.

O Flamengo está prestes a tomar um pé na bunda. Está esperando pra ver se ele fica, como quem depende daquela relação. E se sair hoje, com o ano começado, planejamento determinado, mercado já tendo comprado e vendido as principais peças do jogo…  É porque ficou sem e ainda ficou grávida.

abs,
RicaPerrone

Monumental

Leia o post original por RicaPerrone

Juninho foi um covarde. Ao longo de sua carreira abusou de sua técnica para desequilibrar o mais popular esporte do mundo. Hoje, quando as chuteiras do Reizinho se penduram na eternidade, o futebol fica ainda mais nivelado.

Não farei deste post um relato de sua vida. É repetitivo, todos sabem o que fez, por onde fez, como fez.

O que não sabemos, ainda, é o que será do Vasco sem ele.  Afinal, o sujeito ganhou 2 brasileiros, 1 libertadores, a mais impossível das finais (Mercosul) e esteve fora no exato período que o clube entrou numa grande crise.

Voltou, brilhou, disputou títulos, saiu.  Quando voltou, não deu tempo de evitar a queda.

Há pelo menos 1 década qualquer sinal de melhora no Vasco está sempre atrelado ao boato de uma possível volta de Juninho.  Não há discurso de Vasco forte com outro jogador naquela posição desde 2001.

Enquanto ganhava 7 campeonatos seguidos na França, colocando o Lyon no mapa, o Vasco entrava em queda livre. Respira em 2011 e mesmo campeão da Copa do Brasil briga até o fim pelo Brasileiro e faz uma belíssima Libertadores em 2012, com chances reais de conquista.

Sem Juninho, o Vasco se afunda novamente. E quando desesperado, o chama mais uma vez.

Juninho é música que relembra as glórias do passado e foi também prevendo melhoras no futuro.  É o marco de um profissionalismo que o Vasco não tem, mas que o vascaíno sonha ter.

E o clube português que abriu a porta para os negros no futebol, faz de um brasileiro, herói na França, um rei do Rio pernambucano.

O vazio não está no setor direito do meio campo do Vasco, mas sim no imaginário vascaíno quando em desespero ou fantasiando um futuro glorioso.

Não é o fim de Juninho apenas. Com ele, some de campo aquele Vasco glorioso da década de 90, começo dos anos 2000.

Impossível não se lamentar diante dos fatos. Não dá mais. É claro que não dá.

Mas entre aplausos e lágrimas, saudades e gratidão, não há vascaíno indiferente.  Juninho tanto fez que a ninguém “tanto faz”.

Boa sorte, Reizinho!

abs,
RicaPerrone

Charge de Lucas Guerra

Acabou! Zico, o último ‘craque autêntico do Brasil’ dá adeus

Leia o post original por Mion

Quem viu, viu. A partir de agora é só história e lembranças. Zico realizou no último sábado a derradeira aparição pública jogando bola, no Encontro das Estrelas, promovido por ele todo mês de dezembro para ajudar entidades beneficentes. Aos 60 anos, os joelhos não permitem mais extravagâncias como bater uma bolinha ou em seu caso um bolão, pois tem mais haver com talento e genialidade. Nas últimas décadas o Brasil identificou-se com novos craques muito mais pelo marketing e badalação internacional de que por afeição, reconhecimento e admiração. Não é saudosismo, mas quem conhece futebol não pode fugir da verdade: Zico foi o último craque brasileiro na expressão da palavra.

            Desde o final da carreira do Galinho em 1994, o Brasil atrofiou sua qualidade lentamente. Substituiu o talento por gols. Quem fazia gols era considerado craque. Desesperado e arrogante por não perder o status de país do futebol, o brasileiro nomeou jogadores como Ronaldo Fenômeno (?), Ronaldinho Gaúcho, Robinho e outros menos votados, na categoria de craques. Chegou-se ao absurdo de considerar Ronaldo o melhor jogador do mundo de todos os tempos superado apenas por Pelé e Maradona, numa época em que os torcedores se curvavam diante da genialidade do francês Zidane. Jairzinho foi artilheiro da Copa de 70, entretanto na escala de craques ficou atrás de Pelé, Tostão, Gerson e Rivelino. Não havia comparação em termos de talento. Não estou desfazendo de Jair, o Furacão da Copa, mas não atingiu o patamar de craque.

            Numa comparação entre Zico e o último craque contemporâneo, o idolatrado Ronaldo, a diferença já começa no número de gols. O Galinho marcou mais de 800 gols em sua carreira (Ronaldo mal chegou aos 400). Falar na contusão que atrapalhou o Fenômeno, o Galinho também teve boa parte de sua carreira atrapalhada em virtude de uma entrada criminosa do zagueiro Márcio Nunes do Bangu, passou por 3 cirurgias, apesar de não ser o mesmo, a genialidade permitiu inclusive, que disputasse a Copa de 86. Não ganhou nenhuma Copa do Mundo e daí? As chances de Messi ganhar pela Argentina são poucas, e Cristiano Ronaldo por Portugal, praticamente nulas. Daqui 10 anos deixarão de ser os maiores craques desta década? É claro que não! Continuando o comparativo e finalizando, pois a seleção brasileira é o grande marco na vida de Ronaldo, Zico sem ser centroavante é o terceiro maior artilheiro da seleção em média de gols. Vale o número de gols marcados por jogos. Pelé ganha em número (95) e média (0,83), afinal é o Rei. Zico jogou 94 partidas e marcou 68, média de 0,72, só superado por Romário com uma média de 0,79. Ronaldo atuou em 112 jogos e fez 75, média de 0,67. O Fenômeno só sabia fazer gols e nem neste quesito bateu o Galinho. Por isso não há comparação. Quero fazer justiça o marketing de Ronaldo “roubou” a vitrine do jogador que chegou mais próximo da definição de craque: Rivaldo, o verdadeiro talento da conquista de 2002. Pagou caro por não ter carisma e principalmente “afeição” da FIFA e de patrocinadores.

            O último jogo de Zico sepultou a Era dos Craques Dourados. E Neymar? Nele estão depositadas as esperanças de ressurreição, entretanto aos 21 anos ainda terá muito a caminhar. Não precisa nem ganhar Copa, apenas mostrar algo próximo da genialidade e talento de Zico. Se chegar a este patamar, o futebol brasileiro ainda pode ter esperança no futuro de ter novamente um craque de fato.