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Entrega de relatório de auditoria na Arena Corinthians sofre novo adiamento

Leia o post original por Perrone

Em março, o escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva adiou para 15 de abril a entrega do relatório sobre sua auditoria na Arena Corinthians. Agora, porém, o fim do trabalho sofreu novo adiamento. O engenheiro que empresta seu nome à empresa afirmou ao blog que a previsão passou a ser de conclusão em 10 de maio.

Só em 2017 este é o terceiro adiamento na entrega do resultado da auditoria, que analisa sob as perspectivas da engenharia e da arquitetura se a Odebrecht cumpriu o contrato para a construção da casa corintiana.

Cunha disse que a nova mudança de planos ocorreu porque ainda não foi concluída a análise dos documentos. No adiamento anterior ele já havia falado na dificuldade de se manipular arquivos complexos. Outros adiamentos tinham sido justificados pela demora da Odebrecht na entrega da papelada exigida. A construtora alegava sigilo contratual em diversos casos e nega irregularidades em relação ao contrato com o Corinthians.

O atraso agora deve passar de oito meses e preocupa conselheiros corintianos. Isso porque a diretoria aguarda o resultado dessa auditoria para saber se considera o contrato cumprido e se toma ou não medidas contra a Odebrecht.

Auditoria vê setores norte e sul como mais incompletos da Arena Corinthians

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A história parece confusa. Realmente é. Depois de o escritório que coordenou a auditoria relativa à Arena Corinthians entregar seu parecer, a empresa que auditou a obra do ponto de vista de engenharia e arquitetura ainda vai entregar seu relatório.

Acontece que o Molina & Reis Advogados completou seu trabalho no final do mês passado sem que o escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva terminasse sua auditoria.

Os dois relatórios terão em comum a conclusão de que a Odebrecht teria deixado de fazer uma série de obras e que outras precisariam ser refeitas, conforme apurou o blog.

O parecer já entregue pelo escritório de advocacia calcula em pelo menos cerca de R$ 200 milhões o valor do que não teria sido feito e do que necessita de intervenção, sem laudos de engenharia e documentos que faltaram.

Por sua vez, o Claudio Cunha planeja entregar seu relatório no dia 15 de março, com mais de dois meses de atraso, que serão justificados principalmente pela demora da Odebrecht em entregar documentos.

O trabalho que abrangeu dez disciplinas ligadas à construção deve apontar que os setores norte e sul do estádio são os mais incompletos. Essas são justamente as áreas mais simples da arena e com ingressos vendidos pelos menores preços.

Para indicar o que precisa ser refeito em sua opinião, o escritório de engenharia classificou itens como fora de conformidade com o que prevê o contrato.

A Odebrecht ainda não tem conhecimento do conteúdo de nenhum dos dois trabalhos, mesmo assim avalia serem contraditórios. Isso porque os setores norte e sul representam a menor parte da área construída da arena. A construtora acredita que se eles são os mais inacabados não é possível se chegar aos cerca de R$ 200 milhões relatados pelo Molina & Reis.

Porém, conforme informações obtidas pelo blog, os setores norte e sul são considerados mais incompletos em quantidade de itens que ainda precisam ser feitos, não em valores.

Como mostrou o blog, a Odebrecht admite que deixou de fazer cerca de R$ 40 milhões em obras porque o orçamento do estádio estourou. Quantia semelhante foi gasta, segundo a construtora. em outros serviços que estariam sem preço fixado previamente e acabaram provocando o estouro.

Porém, o relatório do escritório de engenharia atestará que a construtora tinha a obrigação de executar os trabalhos que faltaram.

Entre as obras que a Odebrecht admite não ter feito nos setores norte e sul por causa do alegado estouro orçamentário, sem ter ferido o contrato, de acordo com a empresa, estão a instalação de dois elevadores em cada lado. Eles seriam usados por deficientes físicos para irem ao banheiro na parte inferior da arena e custariam no total R$ 650 mil pelas contas da Odebrecht.

As áreas norte e sul também ficaram sem parte do acabamento. O piso seria de granito, como nos setores leste e oeste. Porém, segundo a Odebrecht faltou verba e eles foram entregues no contrapiso.

O Corinthians vai decidir se considera a obra entregue ou não baseado nos dois relatórios. Uma das possibilidades é pedir um desconto no valor da dívida pela construção tendo como base a auditoria.

 

 

Segundo relatório, Odebrecht deixou de fazer R$ 200 mi em obras em Itaquera

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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, recebeu nesta terça-feira relatório sobre a auditoria feita em relação à construção da arena do clube a pedido da diretoria. O blog apurou que o documento aponta pelo menos cerca de R$ 200 milhões em obras que a Odebrecht teria deixado de executar ou que precisará refazer. Ricardo Corrégio, diretor de contratos da construtora, contesta o valor, nega falhas por parte da empresa e afirma não ter conhecimento do documento (leia as declarações do engenheiro no final do post).

O número pode subir substancialmente porque faltaram documentos e laudos que completariam o trabalho.

A direção alvinegra esperava a conclusão da auditoria para decidir quais medidas tomar já que o trabalho foi encomendado justamente para o clube avaliar se a construtora cumpriu rigorosamente o contrato.

Os auditores alegam que tiveram dificuldades para obter uma série de documentos, pois a Odebrecht sustentou que uma parcela deles era protegida por cláusulas de confidencialidade.

O relatório, produzido pelo escritório de Advocacia Molina & Reis, atesta em parte documentos que foram produzidos pelo arquiteto Anibal Coutinho, principal responsável pelo projeto da Arena Corinthians. Durante muito tempo, ele apontou inúmeros serviços que não teriam sido feitos ou que foram executados com falhas pela construtora, mas, na maioria dos casos, a diretoria evitou confronto com a parceira.

A Odebrecht sempre contestou as alegações do arquiteto, afirmando ter entregue o estádio respeitando o contrato.

Com a conclusão do relatório sobre a auditoria, a expectativa no Corinthians é de que a diretoria tente abater o valor da dívida referente à construção, que já ultrapassa R$ 1,4 bilhão, contando juros de empréstimos bancários. Ou que acione a Odebrecht na Justiça.

Porém, como o valor indicado no novo documento é parcial, deve continuar uma apuração no clube sobre outros itens que não teriam sido cumpridos.

Além de analisar o relatório, Andrade vai encaminhar o documento para o presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger, e para a comissão criada a fim de estudar o caso.

Outro lado

Abaixo, depoimento dado ao blog por Ricardo Corrégio, diretor de contratos da Odebrecht, sobre o relatório.

“Não recebemos esse eventual relatório, não temos conhecimento dele, mas não acreditamos nesse número (R$ 200 milhões em obras não realizadas ou que precisam ser refeitas) e o contestamos fortemente.  Temos evidências, números, contratos pra atestar investimento de R$ 985 milhões (feitos pela construtora), respeitando os contratos e os aditivos.  Alguns itens não foram executados porque o contrato permitia a substituição deles (nota do blog: foram cerca de R$ 40 milhões não executados por conta de um estouro no orçamento pelas contas da Odebrecht).

 Desconhecemos quem fez esse eventual relatório e que métodos foram usados. Desconheço falhas na obra, que foi vistoriada por órgãos reconhecidos. Se tem algum problema que nos indiquem onde. Usamos sempre os melhores materiais e as especificações indicadas por eles (escritório de arquitetura de Aníbal Coutinho, indicado pelo Corinthians). Temos um termo de responsabilidade (que as partes assinaram) sobre materiais que questionamos. Como piso de mármore no banheiro (que teria sido pedido por Coutinho), que era inapropriado.

Nós mesmos recomendamos que fosse feita uma auditoria com empresa reconhecida. Estamos à disposição para qualquer esclarecimento”.