Todos os posts de André Kfouri

No banco

Leia o post original por André Kfouri

O julgamento de três usurpadores do futebol sul-americano entra na segunda semana em um tribunal no bairro do Brooklyn, em Nova York, com dois brasileiros como figuras centrais. José Maria Marin, ex-presidente da CBF, senta-se no banco dos réus ao lado de Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana de futebol, e Juan Ángel Napout, ex-presidente da federação paraguaia e também da Conmebol. Marco Polo Del Nero, a maior autoridade do futebol brasileiro, enviou advogados aos Estados Unidos para acompanhar as deliberações. Acusado pelo FBI desde 2015, não é exagero afirmar que Del Nero está sendo julgado à distância pelas sessões supervisionadas pela juíza Pamela Chen.

Desde que Marin foi preso na operação da polícia suíça no hotel Baur au Lac, em Zurique, em maio de 2015, suas relações com Del Nero sofreram uma transformação radical. O atual presidente da CBF não escondeu seu esforço para se distanciar do antecessor durante o período de cinco meses em que Marin ficou encarcerado na Suíça, assim como desde sua extradição para prisão domiciliar nos Estados Unidos. Na semana passada, o depoimento de uma das principais testemunhas da acusação marcou não só o rompimento entre os cartolas brasileiros, mas uma declaração de guerra. A estratégia da defesa de Marin é estabelecê-lo como uma alegoria na cúpula da confederação, em que quem dava as cartas mesmo como vice-presidente era Del Nero.

As declarações de Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, desenharam as rotas do dinheiro nas negociações de direitos de transmissão de competições sul-americanas de futebol. Os detalhes dos pedidos pessoais de cartolas do continente revelam um ambiente de desconfiança e traição, até entre aliados aparentes como Marin e Del Nero. O empresário argentino os descreveu como “gêmeos siameses, viajavam sempre juntos, estavam sempre juntos, tinham sempre o mesmo tratamento”, uma imagem que confirma a impressão gerada pelas aparições públicas da dupla que comandou a CBF a partir da renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012.

Mas uma das histórias contadas durante o julgamento sugere que a percepção era muito diferente da realidade. Burzaco mencionou um encontro em um quarto do hotel Bourbon, em Assunção (Paraguai), no mês de outubro de 2014, no qual Del Nero pediu um aumento do suborno anual de 900 mil dólares que dividia com Marin. O valor solicitado era de 1 milhão e 200 mil dólares, mas Del Nero queria que o pagamento fosse feito somente em junho de 2015, quando já teria assumido a presidência da CBF e não precisaria repartir a propina. É importante ressaltar que Burzaco, que escapou da prisão no Baur au Lac porque não estava em seu quarto e colabora com as autoridades americanas desde junho de 2015, está sujeito a uma sentença de sessenta anos de prisão se mentir no tribunal.

O operador argentino calcula que distribuiu cerca de 160 milhões de dólares em propinas, dos quais 2 milhões e 700 mil ele diz ter pagado a José Maria Marin. Apresentar-se como um acessório de Del Nero é um expediente arriscado, uma vez que a assinatura de Marin aparece em contratos investigados e um depoente o conecta diretamente com pagamentos ilegais. Para um júri formado por pessoas que não têm o mínimo conhecimento sobre o ambiente em questão, as evidências expostas até agora podem ser mais do que suficientes. O julgamento prossegue hoje, em uma semana que será curta por causa do feriado de Ação de Graças (dia 23), com a possibilidade do testemunho de um brasileiro com tanta história para contar quanto Burzaco.

CARA A CARA

O Flamengo é o único time que não foi derrotado pelo Corinthians no Campeonato Brasileiro. Também é o único que superou o campeão (quatro pontos ganhos em seis disputados) no confronto direto. Bahia, Atlético Goianiense, Vitória, Botafogo, Ponte Preta e Santos somaram três pontos em dois jogos.

O post No banco apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

No banco

Leia o post original por André Kfouri

O julgamento de três usurpadores do futebol sul-americano entra na segunda semana em um tribunal no bairro do Brooklyn, em Nova York, com dois brasileiros como figuras centrais. José Maria Marin, ex-presidente da CBF, senta-se no banco dos réus ao lado de Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana de futebol, e Juan Ángel Napout, ex-presidente da federação paraguaia e também da Conmebol. Marco Polo Del Nero, a maior autoridade do futebol brasileiro, enviou advogados aos Estados Unidos para acompanhar as deliberações. Acusado pelo FBI desde 2015, não é exagero afirmar que Del Nero está sendo julgado à distância pelas sessões supervisionadas pela juíza Pamela Chen.

Desde que Marin foi preso na operação da polícia suíça no hotel Baur au Lac, em Zurique, em maio de 2015, suas relações com Del Nero sofreram uma transformação radical. O atual presidente da CBF não escondeu seu esforço para se distanciar do antecessor durante o período de cinco meses em que Marin ficou encarcerado na Suíça, assim como desde sua extradição para prisão domiciliar nos Estados Unidos. Na semana passada, o depoimento de uma das principais testemunhas da acusação marcou não só o rompimento entre os cartolas brasileiros, mas uma declaração de guerra. A estratégia da defesa de Marin é estabelecê-lo como uma alegoria na cúpula da confederação, em que quem dava as cartas mesmo como vice-presidente era Del Nero.

As declarações de Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, desenharam as rotas do dinheiro nas negociações de direitos de transmissão de competições sul-americanas de futebol. Os detalhes dos pedidos pessoais de cartolas do continente revelam um ambiente de desconfiança e traição, até entre aliados aparentes como Marin e Del Nero. O empresário argentino os descreveu como “gêmeos siameses, viajavam sempre juntos, estavam sempre juntos, tinham sempre o mesmo tratamento”, uma imagem que confirma a impressão gerada pelas aparições públicas da dupla que comandou a CBF a partir da renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012.

Mas uma das histórias contadas durante o julgamento sugere que a percepção era muito diferente da realidade. Burzaco mencionou um encontro em um quarto do hotel Bourbon, em Assunção (Paraguai), no mês de outubro de 2014, no qual Del Nero pediu um aumento do suborno anual de 900 mil dólares que dividia com Marin. O valor solicitado era de 1 milhão e 200 mil dólares, mas Del Nero queria que o pagamento fosse feito somente em junho de 2015, quando já teria assumido a presidência da CBF e não precisaria repartir a propina. É importante ressaltar que Burzaco, que escapou da prisão no Baur au Lac porque não estava em seu quarto e colabora com as autoridades americanas desde junho de 2015, está sujeito a uma sentença de sessenta anos de prisão se mentir no tribunal.

O operador argentino calcula que distribuiu cerca de 160 milhões de dólares em propinas, dos quais 2 milhões e 700 mil ele diz ter pagado a José Maria Marin. Apresentar-se como um acessório de Del Nero é um expediente arriscado, uma vez que a assinatura de Marin aparece em contratos investigados e um depoente o conecta diretamente com pagamentos ilegais. Para um júri formado por pessoas que não têm o mínimo conhecimento sobre o ambiente em questão, as evidências expostas até agora podem ser mais do que suficientes. O julgamento prossegue hoje, em uma semana que será curta por causa do feriado de Ação de Graças (dia 23), com a possibilidade do testemunho de um brasileiro com tanta história para contar quanto Burzaco.

CARA A CARA

O Flamengo é o único time que não foi derrotado pelo Corinthians no Campeonato Brasileiro. Também é o único que superou o campeão (quatro pontos ganhos em seis disputados) no confronto direto. Bahia, Atlético Goianiense, Vitória, Botafogo, Ponte Preta e Santos somaram três pontos em dois jogos.

O post No banco apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

É do Carille

Leia o post original por André Kfouri

Quando o Corinthians conquistou o Campeonato Paulista, em maio, uma coluna publicada neste espaço tinha exatamente o mesmo título. O argumento do texto era a influência do técnico do time na campanha do troféu estadual, um título que a cada ano tem menos valor esportivo, embora mantenha um papel determinante na sequência – ou no encerramento – de trabalhos. Ao levar o time à conquista no primeiro semestre, Fábio Carille ganhou tempo e confiança não só para a comissão técnica que ele representa, mas também para o grupo de jogadores dos quais se esperava pouco em um 2017 que terminará com a celebração do campeonato mais importante do país.

Em dias de congratulações sinceras e elogios vazios que pretendem camuflar o descrédito e até o desrespeito pessoal, é necessário parabenizar Carille pela maneira digna com a qual ele comandou seu time durante o ano. Um técnico de futebol estampa os valores do clube no qual trabalha e tem – ou ao menos deveria ter – responsabilidades institucionais das quais não pode fugir. Mas, acima de qualquer outro aspecto, reflete as convicções do grupo de pessoas que lidera, diariamente testadas e desafiadas por um ambiente que não é apenas excessivamente competitivo, como também capaz de expor características que não deveriam causar orgulho a ninguém. Em muitos casos, infelizmente, é o que parece.

Nem uma hora após a confirmação do título, na madrugada de quinta-feira, o técnico do Corinthians ocupou seu lugar na sala de entrevistas de Itaquera com uma gigantesca oportunidade de se posicionar como campeão. Se suas declarações carregassem um tom irônico, arrogante ou talvez até combativo, muito seria relacionado à natureza do momento e, na maior parte, compreendido. Carille tomou o caminho oposto. Manteve-se sóbrio, contido e foi além: revelou que uma de suas maiores preocupações ao assumir o time era como se comunicaria em público, tarefa que escapava às habilidades que até então sustentavam sua trajetória no futebol. O desempenho de Carille ao microfone acompanhou boa parte da campanha do Corinthians no ano, com a diferença de que ele não “caiu de rendimento” quando a equipe o fez.

No período de maior pressão, quando o time jogava mal e a vantagem na pontuação encolhia a cada rodada do returno, não se pôde notar uma palavra temerosa ou qualquer intenção de desviar o assunto das entrevistas, tática utilizada por tantos treinadores que entendem o contato com repórteres como parte do jogo. É provável que os posicionamentos de Carille não expressassem o nível de urgência que setores da torcida e da mídia consideravam necessário, esquecendo-se que esse não é o trabalho dele. Sua postura sempre se pautou pela ponderação e nunca retribuiu deselegância, como, por exemplo, após a partida em que o Corinthians essencialmente ganhou o título, vencendo o Palmeiras em um encontro decidido pelas propostas de dois técnicos iniciantes.

Há um ditado em inglês que, em tradução literal, diz “aja como se você tivesse estado lá”. É uma forma de pedir que alguém, mesmo sem a experiência necessária para lidar com determinadas situações, exiba o comportamento dos que estão habituados a elas. Traduz compostura, seriedade, porte. Não é fácil. Foi assim que Fábio Carille se conduziu durante a primeira temporada de sua carreira como técnico de futebol. E isso é mais importante do que os troféus que ele ajudou a erguer.

TODOS EM PÉ

O julgamento de alguns donos do futebol sul-americano, em andamento em Nova York, renderia vários filmes sobre dinheiro, corrupção, paixão e traição. Todos se concentrariam no enredo de “thriller judicial” que toma conta de um tribunal americano nestes dias, com os mesmos traços de histórias mafiosas que o cinema já contou. José Maria Marin, no banco dos réus, e Marco Polo Del Nero, praticamente sendo julgado à distância, são personagens principais.

O post É do Carille apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Campeão de novo

Leia o post original por André Kfouri

1 – Eram dois adversários para o Corinthians na noite do xeque-mate no Campeonato Brasileiro: o Fluminense e os pensamentos que se colocam entre uma equipe e aquilo que ela precisa fazer. O título vem sendo comemorado desde sábado passado, o que só aumentou a ansiedade por confirmá-lo.

2 – No primeiro ataque, outro adversário surgiu: a bola aérea. Após duas rodadas de descanso, o líder voltou a exibir um de seus principais defeitos no returno, permitindo a Henrique cabecear sozinho diante de Caíque e preocupar Itaquera antes que todos no estádio estivessem atentos ao jogo.

3 – A questão trazida pelo gol do Fluminense era psicológica. A desvantagem geraria mais precipitação ou faria com que o time de Carille se concentrasse na tarefa necessária? Era também uma questão estatística: o Corinthians não venceu nenhum jogo no campeonato em que sofreu o primeiro gol.

4 – O encontro se assentou na dinâmica que mais incomoda ao Corinthians; ter de construir seu caminho por entre uma defesa fechada, com o relógio como inimigo. O Fluminense farejava as ocasiões inevitáveis em que teria campo para correr, liderado por uma atuação elogiável de Henrique Dourado, saindo da área para se associar e conservar a bola.

5 – Em jogo construído, muito pouco. Apenas uma trama de Romero com Fágner, cujo chute rasteiro cruzou a pequena área sem ser tocado por Jô. Antes, Arana defendeu com o rosto um cabeceio de Scarpa, na principal chegada do Fluminense.

6 – No primeiro minuto do segundo tempo, o gol precoce mudou de lado. Rara jogada que chegou à esquerda, fez a bola chegar a Clayson, e dele, com perfeição, à cabeça de Jô. Em segundos, o Corinthians fez o que não se viu durante todo o primeiro tempo.

7 – E não parou. Clayson apareceu na direita no ataque seguinte, mas desta vez errou o cruzamento para a área. Alguém dirá, com convicção, que foi um acerto, pois a bola bateu no travessão e se ofereceu para Jô cabecear e marcar o segundo. No retorno em que o Corinthians pareceu ser outro time, não é coincidência a aparição de seu jogador mais importante.

8 – A aceleração inicial logo se converteu em cadência e em uma compreensível cautela por causa das circunstâncias. Abel mexeu para tornar seu time mais ameaçador na jogada aérea, enquanto o Corinthians seguiu controlando o jogo e os próprios nervos.

9 – Dois minutos depois de mandar uma bola rasteira e caprichosa na trave, Jadson deu o OK para a festa com um chute cruzado, na rede lateral: 3 x 1. Não houve mais jogo em Itaquera, mesmo porque, em relação ao título, não havia mais campeonato.

10 – Parabéns ao Corinthians e aos corintianos.

O post Campeão de novo apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Inglaterra 0 x 0 Brasil

Leia o post original por André Kfouri

1 – Era Wembley, mas poderia ser qualquer estádio sul-americano em que a Seleção Brasileira se apresentou nas Eliminatórias. Porque dentro das linhas quase tudo é igual independentemente de onde se jogue, e quase tudo foi igual em Londres, pois a Inglaterra escolheu se defender antes de pensar em qualquer outro aspecto do jogo.

2 – Não é exatamente para encontrar um oponente assim que o Brasil precisa enfrentar seleções europeias de elite. A ideia é submeter o time a situações em que o protagonismo é efetivamente disputado, o que se espera em fases mais agudas de uma Copa do Mundo. Por outro lado, a linha de cinco defensores ingleses representava um dilema diferente para a Seleção, dona da bola no primeiro tempo por vocação natural e opção dos anfitriões.

3 – A capacidade de articulação do meio de campo brasileiro foi testada e, de certa forma, reprovada. o Brasil teve presença, controle e intenção, mas não causou desconforto. Na única ocasião em que soube criar profundidade, Neymar foi lançado por Coutinho na área, mas não conseguiu fazer a bola chegar a Gabriel Jesus, que fechava sem marcação.

4 – A Inglaterra não deixou sua posição profunda, congestionando o centro da defesa e negando espaço da intermediária para trás. A parte integrante desse plano é o aproveitamento do erro para a saída em contragolpe, algo que o jogo também ficou devendo. Deve-se considerar a ausência de jogadores titulares, especialmente o principal nome do time de Southgate, Harry Kane, mas foi notável a postura hermética diante do Brasil.

5 – Na altura dos vinte minutos da parte final, Tite trocou Coutinho por Willian e Renato Augusto por Fernandinho, duas alterações que já se institucionalizaram (embora a variação com Coutinho E Willian, ambos como meias em uma linha de três antes do centroavante, também esteja no catálogo). O volante do Manchester City fez a bola raspar a trave direita do gol defendido por Hart, aos trinta e um, na melhor finalização da Seleção em todo o jogo.

6 – Paulinho, o jogador que chega, só pôde fazê-lo uma vez: já quase aos quarenta minutos, recebendo passe de Neymar. O chute de pé direito não saiu como ele gostaria e não criou problemas para Hart. A Seleção chegou ao final do amistoso deixando sensações melhores, embora Alisson tenha sido obrigado a se jogar aos pés de Lingard, aos quarenta e três, na solitária chance inglesa.

7 – A leitura final do encontro entre o melhor Brasil e uma Inglaterra desfalcada foi que faltou superioridade coletiva, um indício de que o time que saiu do sexto lugar para a classificação antecipada na América do Sul precisa se desenvolver mais. As questões são “como?” (em relação ao tempo) e “com quais jogadores?” (em relação às opções, desde que a comissão técnica considere a convocação final aberta, ainda).

8 – Se este for o pensamento de Tite, a visita a Wembley, teoricamente uma oportunidade de “concluir” o processo de observação de jogadores, pode ter tido o efeito contrário.

O post Inglaterra 0 x 0 Brasil apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Domingo discreto

Leia o post original por André Kfouri

1 – O encontro de Palmeiras e Flamengo deveria ser um jogo decisivo para ambos e para o campeonato. Ao menos essa era a projeção para a partida entre o campeão e o terceiro colocado em 2016, já no trecho final de 2017. Favoritos no início, fizeram uma temporada repleta de equívocos e chegaram ao encerramento sentindo o gosto da frustração.

2 – A arquibancada organizada palmeirense, a mesma que clamava por Cuca durante o Campeonato Paulista e é cúmplice da diretoria, responsabiliza os jogadores. O ônibus foi alvejado na saída da Academia para o Allianz Parque, em uma cena que misturou ignorância e injustiça.

3 – Após um ano em que o time foi dirigido por três técnicos, é possível que jogadores “culpados” pelo fracasso sejam dispensados. Mas as pessoas que converteram a temporada em um manual de como não fazer futebol seguirão tomando decisões e se escondendo da responsabilidade.

4 – A trajetória do Flamengo é similar em sabor, mas distinta nos detalhes. A pressão externa minou Zé Ricardo e certos jogadores, sob o “argumento” de que não estavam à altura dos objetivos do clube. Mas o time insiste nos mesmos defeitos, algo difícil de explicar sem recorrer a subjetividades que beiram a comédia.

5 – O Flamengo exibia fragilidade defensiva quando Moisés criou o gol de Deyverson com um ótimo lançamento, aos treze minutos. Lance permitido pela oferta de tempo na origem e espaço no desfecho. O atacante nem precisou finalizar como queria para vencer Diego Alves.

6 – Sem esforço, o Palmeiras chegou ao segundo gol em um lance que os defensores rubro-negros podem descrever bem. Entre pedidos de impedimento e erros de posicionamento, eles apenas observaram o chute com efeito de Keno bater na trave e Deyverson cabecear para a rede.

7 – Rafael Vaz foi escolhido o rosto de um primeiro tempo em que o Flamengo não se aproximou do que se poderia entender como um plano. Apontar o dedo para um indivíduo em um jogo de equipes é o caminho mais curto para encerrar a questão sem saber por quê.

8 – A entrada de Vinicius Júnior no lugar de Cuéllar aumentou a exposição, mas ao menos deu ao Flamengo um senso de direção. Só que Diego Alves continuou representando a última linha de uma defesa que parecia não ter outras. Majestosa intervenção para impedir um gol de Thiago Santos.

9 – À meia hora da segunda parte, o número de ocasiões de gol do Flamengo era:

10 – Inexistência do oponente à parte, o Palmeiras fez uma atuação bem superior às duas rodadas anteriores no aspecto da execução de ideias. Foi evidente o ritmo (virtude fundamental para times que querem ser bem sucedidos) ditado principalmente por Moisés e Dudu, mesmo depois que a vantagem de 2 x 0 estava estabelecida.

11 – Um lugar na próxima edição da Copa Libertadores, espécie de salvamento da temporada, vai se solidificando para o Palmeiras nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. O Flamengo não pode pensar assim, embora tenha também uma rota via Copa Sul-Americana. Foi um domingo discreto para os dois, o que simboliza tudo o que 2017 deveria ter sido.

O CARA

Na comemoração do 1 x 0 do Corinthians sobre o Avaí, no sábado, a imagem da televisão mostrou um rapaz vestindo uma camisa com listras horizontais brancas e pretas, apontando para Kazim e dizendo: “você é o cara!’. O gol é de fato um momento transformador.

SEGUE…

Uma vaga na Copa do Mundo do ano que vem ficou com a Suíça, após um confronto em que o único gol foi produto de um pênalti inexistente. Essa é a típica situação que os críticos do árbitro de vídeo (dispensado pela Uefa para a ocasião) preferem não comentar.

BANHO DE SOL

José Maria Marin foi visto saindo para o passeio autorizado pela Justiça americana, ontem, em Manhattan (Nova York). Rápida caminhada para o almoço em um restaurante bem avaliado da cidade, e retorno dentro do horário permitido. Sempre acompanhado por um agente federal. O julgamento recomeça hoje.

O post Domingo discreto apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Perigo

Leia o post original por André Kfouri

Alan Shearer, o homem que marcou mais gols na história da Premier League, produziu e participou de um documentário que irá ao ar amanhã, na Inglaterra. O filme não é sobre gols ou títulos, mas a respeito de um tema que carece de mais conhecimento e merece mais importância: a relação entre o futebol e a demência, especificamente entre o ato de cabecear e o desenvolvimento de problemas neurológicos. Shearer se interessou pelo tema após assistir “Concussion” (no Brasil, “Um Homem Entre Gigantes”), que investiga os danos cerebrais em jogadores de futebol americano aposentados. Ele conversou com ex-futebolistas ingleses afetados pela doença e seus familiares, e se voluntariou para que seu próprio cérebro fosse analisado por pesquisadores. O trabalho levou pouco mais de um ano.

“Como alguém que jogou por mais de vinte anos e chegou a cabecear a bola até cem vezes por dia nos treinos, eu sabia que, se houvesse perigo, eu estaria entre aqueles que correram riscos”, disse Shearer ao site da BBC, que exibirá o documentário. “Quando me envolvi com o futebol, eu sabia que, no final da minha carreira, eu provavelmente teria alguns problemas físicos, e os tenho: joelhos, costas e tornozelos pouco confiáveis”, prosseguiu. “Mas o que eu jamais contemplei por um segundo naquela época foi que cabecear a bola poderia afetar meu cérebro”, explicou o ex-centroavante, hoje com quarenta e sete anos, que jogou no Southampton, no Blackburn, no Newcastle e marcou trinta gols pela seleção inglesa. Shearer pretende aumentar a conscientização da necessidade de diagnóstico e chamar a atenção para um campo que precisa de investimento e pesquisa.

Como ele disse à BBC, onde trabalha como comentarista, a indústria do futebol tomou providências nos últimos anos para tratar de situações relacionadas ao jogo. De desfibriladores disponíveis ao lado do campo para atender jogadores com problemas cardíacos a programas de tratamento aos que sofrem com álcool, drogas e apostas, clubes e associações evoluíram na assistência a atletas. “Mas muito pouco foi feito para investigar os efeitos de cabecear uma bola, e acho isso assombroso”, afirmou. Nos encontros com parentes de ex-jogadores que enfrentam a demência e suas consequências nas mais simples atividades diárias, Shearer percebeu a indignação de quem se sente ignorado e não recebeu qualquer tipo de auxílio das chamadas “autoridades do futebol”. Há quem esteja em posição de apenas obter respostas, mas evidentemente há, e haverá, aqueles que podem ser beneficiados por soluções.

Nas pesquisas envolvendo o futebol americano e doenças neurodegenerativas como a encefalopatia traumática crônica, descobriu-se que os choques violentos contra a cabeça não representam a principal ameaça. São os traumas leves, porém repetidos com muita frequência, que levam a problemas de cognição, coordenação, fala, memória, tremores e alterações de comportamento. Não é necessário um raciocínio complexo para supor que uma vida de cabeceios em treinos e jogos conduz a uma exposição que não pode ser desprezada, o que coloca o futebol diante da obrigação de compreender os riscos e encontrar maneiras de evitá-los. Ao falar sobre o documentário, Alan Shearer menciona a impressão de que as pessoas que governam o jogo na Inglaterra estão conscientes da situação. Terá de ser assim não só lá, mas no mundo inteiro.

LEVE

Se a ideia de enfrentar o Japão era apresentar à Seleção Brasileira um nível maior de exigência, não funcionou. O Brasil fez um trote suave em Lille, deixando claras as distâncias técnicas e coletivas em relação ao adversário. O terceiro gol, após o envolvimento de vários jogadores até a projeção de Danilo por trás de Willian e o passe para Gabriel Jesus, levou Tite a dizer que “não dá para marcar ultrapassagem” durante a comemoração. Satisfação por mais uma jogada trabalhada que terminou na rede.

O post Perigo apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Droga social 

Leia o post original por André Kfouri

Para que uma substância seja incluída na lista da Agência Mundial Anti-Doping (WADA), é necessário que se enquadre em ao menos dois dos seguintes cenários: elevar o desempenho esportivo; representar risco à saude do atleta; violar o espírito do esporte. Em relação à cocaína, cujo principal metabólito foi encontrado no exame de Paolo Guerrero, a ameaça à saúde é evidente, mas os demais critérios podem ser discutidos.

A cocaína aparece na relação de substâncias proibidas como um estimulante, em um contexto de ganho de performance. Embora não haja comprovação científica de que um atleta tem vantagem sobre outros quando sob efeito da droga (de fato, os indícios apontam no sentido oposto), agências como a WADA a tratam da mesma forma que a anfetamina, esta, sim, associada à melhora de rendimento em diversas modalidades esportivas.

Especialistas afirmam que o efeito estimulante da cocaína tem duração irrelevante para representar qualquer tipo de vantagem física para um jogador de futebol. A questão da “competição desleal” ficaria por conta da ação da droga no sistema nervoso central, provocando a sensação de euforia que, num campo absolutamente subjetivo, poderia gerar um bônus psicológico. Um atacante mediano, sentindo-se o Super Homem, seria capaz de jogar como Messi?

Resta claro que a “violação ao espírito esportivo” é um tema determinante. Trata-se de um exercício moral que leva em conta o papel de esportistas como “modelos de comportamento” e/ou representantes de atividades ligadas ao que se possa chamar de vida saudável. De maneira mais simples, um mau exemplo. Por outro lado, esse raciocínio não é considerado quando um atleta consagrado se torna garoto propaganda de uma marca de bebidas alcoólicas.

A cocaína é uma droga social. No passado, um tenista que testasse positivo para a substância, sem que estivesse disputando um torneio, não sofria qualquer punição. Se fosse flagrado em competição, como se deu em 2009 com o francês Richard Gasquet, uma longa suspensão se seguiria desde que não houvesse explicação convincente. Os beijos de uma dançarina chamada Pamela, durante uma noitada em Miami na véspera do exame, foram aceitos como possível causa da contaminação da urina de Gasquet, que ficou apenas dois meses banido.

Há ainda dois aspectos que não deveriam ser ignorados pelo sistema atual: a etiqueta de “viciado” que é colada em quem cometeu um erro de julgamento; e a violência das suspensões que impedem os dependentes de trabalhar, agravando seus dramas pessoais.

O post Droga social  apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Resposta de líder 

Leia o post original por André Kfouri

1 – O dérbi começou com um chute defeituoso de cada centrovante e posicionamentos de marcação semelhantes. Corinthians e Palmeiras compartilharam a iniciativa de dificultar a saída do rival com pressão dos jogadores mais avançados. O que os diferenciava era a maneira como procuravam vencer esse primeiro bloqueio: o time de Carille, com passes longos; o de Valentim, com o jogo curto que o caracteriza desde a troca de comando.

2 – A ideia corintiana se mostrou mais produtiva nos momentos iniciais. Uma bola roubada no lado esquerdo da defesa do Palmeiras se transformou em trama para o chute de Rodriguinho, desviado por Fernando Prass para escanteio. Boa defesa, mas, como de hábito nas rodadas recentes, o meia do Corinthians finalizou mal perto do gol.

3 – Um erro de Arana no campo de ataque acionou o contragolpe e a arrancada de Borja, em jogada pessoal. Chute na rede, por fora. Amostra de que o Palmeiras, hoje uma equipe associada, também tem velocidade para aproveitar o espaço em transição.

4 – O Corinthians era claramente superior quando marcou, aos vinte e sete minutos, com Romero. Mais volume e mais organização ofensiva. A bola que atravessou a área e chegou ao aracante paraguaio, na segunda trave, pareceu ter sido batida para o gol por Rodriguinho. A imagem – que não auxilia a arbitragem no Brasil, apesar de tantos exemplos a cada rodada – mostrou Romero adiantado em um lance de alta dificuldade para o assistente.

5 – Em vantagem, o líder seguiu melhor. Prass evitou o segundo gol saindo aos pés de Jô, servido por um ótimo passe de Rodriguinho. Na cobrança de escanteio, a falha defensiva do Palmeiras permitiu que a bola batesse na barriga de Balbuena e entrasse. Uma vantagem de dois gols antes da primeira meia hora, algo que não se imagina em enfrentamentos como esse, estava estabelecida em Itaquera. E era plenamente compatível com o desempenho dos dois times no clássico.

6 – Mas não teve longa vida. Mina manteve a sequência de jogos em que o Corinthians sofreu gol(s) pelo alto. O zagueiro colombiano esbanjou estatura e impulsão em um duelo cruel com Rodriguinho na área: 2 x 1. Punição a um defeito frequente.

7 – Não houve um momento sequer de calmaria durante o primeiro tempo. Dois minutos após o gol palmeirense, Edu Dracena fez falta em Jô dentro da área. O mesmo Jô pediu a bola e a depositou no canto esquerdo do gol defendido por Prass, que caiu para o outro lado. Vantagem reconstruída em uma atuação muito elogiável do líder do campeonato em seu estádio.

8 – A segunda parte não alterou o rumo da tarde dos laterais palmeirenses. Mayke e Egídio foram constantemente expostos por Clayson e Romero. Uma tendência verificada desde o início do jogo.

9 – O Corinthians controlava o encontro sem sinais de sofrimento até ceder um escanteio do lado direito, aos vinte e um minutos. A jogada gerou mais um gol (o quarto nas últimas três rodadas), mas por um caminho diferente do habitual. Pablo desviou a bola para trás, habilitando Moisés, em posição adiantada. O volante palmeirense acertou um formidável sem-pulo e devolveu seu time ao jogo.

10 – Óbvia dinâmica do trecho final: a posse do Palmeiras levou o jogo às proximidades da área de Cássio, enquanto o Corinthians se posicionou para explorar a metragem de gramado disponível. Com Deyverson e Borja em campo, a bola aérea passou a ser a primeira opção, até mesmo com uma estratégia usada por Cuca: o lateral direto para a frente do gol.

11 – O Palmeiras teve uma coleção de escanteios, mas a ocasião em que esteve mais próximo do empate veio nos acréscimos, quando Romero infantilmente se desfez da bola e uma cobrança de lateral criou um lance de perigo com Roger Guedes na área.

12 – Resposta maiúscula do líder – que venceu os três “dérbis do centenário” – sob máxima pressão. Carille soube mobilizar o time em uma semana crucial.

O post Resposta de líder  apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Final

Leia o post original por André Kfouri

Entre os possíveis resultados do dérbi que deve ser decisivo para o título do Campeonato Brasileiro, a noção de que o empate é um bom resultado para o Corinthians não se sustenta. Manter o Palmeiras a cinco pontos de distância com seis rodadas por jogar seria uma situação razoavelmente confortável – mesmo considerando a hipótese da suspensão de Jô, o mais importante jogador do time – se não houvesse outra concorrência. Mas há, o Santos, que pode se colocar a quatro pontos do primeiro lugar com a combinação de uma vitória sobre o Atlético Mineiro (hoje, na Vila Belmiro) e a igualdade em Itaquera.

Seja qual for o placar, a sorte de Corinthians e Palmeiras na disputa não será definida no clássico, mas pelo desempenho de cada um nos seis jogos que restarão. Não é por outro motivo que o líder, cambaleante, porém dono do próprio destino, precisa vencer amanhã. Embora o confronto direto com o atual vice-líder seja visto como uma oportunidade para o Palmeiras encolher a diferença para dois pontos, o grande impacto nas contas para o troféu viria de uma vitória corintiana: Palmeiras a oito pontos; Santos, no mínimo, a seis. Sem figuras de linguagem, o dérbi deste domingo é uma final para ambos, mas só um deles pode transformar a rodada em uma sentença para o campeonato.

Um comportamento que descreve a campanha do Corinthians não deve passar despercebido: em trinta e um jogos, nenhuma vitória de virada. A ocasião mais próxima deste cenário foi o jogo contra o Atlético Paranaense, na décima-quarta rodada, quando o líder saiu atrás, virou com dois gols de Jô, mas cedeu o 2 x 2 em um chute de longe que desviou em Balbuena. Os outros oito encontros em que o Corinthians sofreu o primeiro gol terminaram em seis derrotas e dois empates. O contraste em relação aos jogos em que saiu na frente é brutal: dezessete vitórias, dois empates, nenhuma derrota.

Como é frequente nas trajetórias de equipes que apresentam queda de produtividade, o culpado não é o sistema, mas a execução. A condição primordial para o título do Corinthians é a recuperação da relação entre a solidez defensiva e a eficiência no ataque. Alguém dirá que isso é verdade para todos os times, o que é um equívoco de análise. Conjuntos cuja principal ideia de jogo está fundamentada no controle do rival dependem de gols provenientes de poucas oportunidades. O time de Fábio Carille tem desperdiçado pontos porque perdeu a capacidade de condicionar partidas a seu modo, como fez durante todo o primeiro turno.

O Palmeiras se encontra diante de um pequeno dilema estratégico. A interessante proposta que vem sendo desenvolvida por Alberto Valentim não está madura para ser dominante em jogos deste nível, além de configurar o time da forma – linhas adiantadas, jogo curto, elaboração – que convém ao Corinthians. Se a história do campeonato indica que marcar o primeiro gol é uma rota quase garantida para derrotar o líder, os times que tiveram sucesso em Itaquera adotaram planos baseados em espera e reação. É provável que a vantagem mantenha o Corinthians em seu jogo primordialmente cauteloso, mesmo em um ambiente que o estimulará a correr mais riscos. Valentim terá de escolher entre jogar e competir.

À época do encontro do campeonato estadual, vencido pelo Corinthians em circunstâncias surpreendentes, mencionava-se o aniversário de cem anos do clássico paulista de maior rivalidade sem que o jogo tivesse qualquer outra conotação especial. Após nova vitória corintiana no primeiro turno do Campeonato Brasileiro, no Allianz Parque, a perspectiva de uma partida decisiva entre os rivais em 2017 não era palpável. Eis que o futebol encontrou o caminho que passa por Itaquera neste domingo, com um “dérbi do centenário” determinante para o título. Talvez seja o último momento de emoção da corrida pelo troféu, mas não deve decepcionar.

O post Final apareceu primeiro em Blog André Kfouri.