Todos os posts de André Kfouri

Relíquia

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O tesouro descoberto pelo diário Marca é capaz de encantar e, ao mesmo tempo, desafiar a imaginação: uma conversa boêmia entre Telê Santana e Johan Cruyff, que incluiu um pacto de fair play e futebol jogado com honra na decisão da Copa Intercontinental de 1992, entre São Paulo e Barcelona. Na memória do ex-árbitro argentino Juan Carlos Loustau, foi um encontro de dois defensores do jogo, no sentido mais puro. “Falavam de futebol como se fosse algo sagrado. Diziam que interromper um jogo por causa de lesões fingidas, esconder a bola ou fazer uma substituição para ganhar segundos não era válido”, disse Loustau ao jornal espanhol.

Telê deveria ser lembrado como o maior nome da história do São Paulo. Sim, mais importante do que os jogadores, sejam quais forem, que surgem em sua mente ao ler essas linhas. Mas é compreensível que um técnico, embora seu impacto na vida de um clube seja imensurável, não gere a idolatria que merece. Cruyff é a figura mais relevante do futebol mundial nos últimos quarenta anos, incomparável em biografia e serviços prestados à evolução do jogo. Naquela noite, há vinte e cinco anos, as obras de ambos não estavam concluídas, o que não diminui em nada a riqueza da conversa que tiveram diante de um observador privilegiado. “Foi a coisa mais enriquecedora que o futebol me deu”, contou Loustau.

Sobre o que mais eles falaram durante quatro horas de papo no lobby de um hotel de Tóquio? Só Loustau, talvez o maior beneficiário do acordo de cavalheiros entre os dois treinadores, pode dizer. Telê morreu em abril de 2006; Cruyff, em março do ano passado. Loustau tem setenta anos e ao que tudo indica jamais falou publicamente sobre um encontro que não seria possível nos dias atuais, ou ao menos não aconteceria sem diversas testemunhas e repercussão quase imediata. As delegações dos clubes e o trio de arbitragem de uma decisão internacional, hospedados no mesmo hotel, aos olhos e ao alcance de todos. Em 1992, será que alguém fez uma foto de dois Yodas combinando um jogo limpo na disputa de um título?

Loustau se lembra que Telê e Cruyff usaram as mãos direitas para celebrar como seria o comportamento de cada time na partida, e o brasileiro lhe pediu que também participasse da ocasião. No primeiro tempo, uma entrada mais bruta de Ronaldão deixou Hristo Stoichkov deitado no gramado por alguns minutos. O lance é tido como o propulsor da vitória do São Paulo por 2 x 1. Cruyff reclamou da dividida limítrofe, Telê não aprovaria se fosse falta. Loustau não precisou apitar.

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Feliz Natal

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Tite se encontrou com a comissão técnica do Manchester City, no sábado. “Muito bem recebidos pelo clube e por Txiki Begiristain (diretor de futebol), Manel Estiarte (assistente), Ferran Soriano (executivo chefe) e Guardiola”, disse o técnico da Seleção Brasileira, por mensagem, à coluna. “Tu sabe, quando começa o assunto futebol, mais café, não tem tempo para parar…”, acrescentou, sem ser específico em relação aos temas da conversa, em que esteve acompanhado pelo auxiliar Sylvinho e por Edu Gaspar, diretor de seleções da CBF. É lógico que Gabriel Jesus, Fernandinho e Ederson, os jogadores da Seleção que atuam no líder da Premier League, estiveram na pauta.

Ontem, Tite e seu grupo de trabalho estiveram no estádio Old Trafford para acompanhar o encontro dos dois primeiros colocados do Campeonato Inglês, um dos jogos do ano no futebol europeu. O treinador brasileiro sabia exatamente o que esperar do dérbi de Manchester: “Duas escolas de futebol diferentes na concepção e com dois técnicos muito representativos de cada uma”, escreveu. O jogo ilustrou essa ideia com riqueza de detalhes. Enquanto o Manchester City foi ao célebre “teatro dos sonhos” e levou o jogo a ser disputado na metade do gramado defendida pelo United, os anfitriões do clássico foram reduzidos ao expediente que gera muito pouco além de tentativas de precipitar o erro o oponente.

A bola longa para o domínio de Romelu Lukaku, à espera da chegada em velocidade de Anthony Martial e Marcus Rashford, era absolutamente previsível, e, como tal, uma tarefa menos complexa para a organização defensiva do City. E quanto mais precisa era a circulação dos visitantes no campo de ataque, menor a possibilidade de uma transição do United com gramado para correr. O controle foi tamanho que a primeira finalização ao gol de Ederson se deu nos acréscimos do primeiro tempo, quanto o City já vencia com um gol de David Silva, aproveitando a bola que ficou na pequena área após um escanteio. No lance anterior, Leroy Sane tinha obrigado De Gea a uma defesa mais difícil do que a imagem sugeriu.

O City poderia ter se adiantado no placar mais cedo, quando Gabriel Jesus, lançado por Fernandinho, deixou Marcos Rojo sentado na área e finalizou mal de pé esquerdo. A expressão no rosto do atacante brasileiro evidenciou a chance perdida, que muito provavelmente foi parar no caderninho de anotações de Tite como conteúdo para uma futura conversa. É certo que Fabian Delph ouvirá de Pep Guardiola a respeito da falha cometida no lance do gol de empate, quando o meiocampista convertido em lateral esquerdo não foi capaz de cortar um lançamento para a área, permitindo a Rashford uma conclusão cruzada em que Ederson nada pôde fazer.

A igualdade não durou dez minutos de segundo tempo, vítima de um gol do City muito semelhante ao primeiro. Bola aérea que não saiu da área – desta vez, Lukaku chutou nas nádegas de Smalling – e se apresentou para Otamendi. Caprichos do futebol: um dos times mais baixos da Premier League marcou duas vezes em segundas chances de jogadas aéreas contra a defesa do Manchester United. Embora inesperados no aspecto da construção, os gols produziram um placar fiel às atuações de cada time, mesmo com os índices de posse (que chegaram a 75% – 25% a favor do City) menos desequilibrados na segunda metade da partida.

Em todo o jogo, o United só foi capaz de criar uma jogada ofensiva, encerrada por duas fabulosas defesas de Ederson, uma delas com o rosto. A reprovação a uma proposta tão negativa, em contraste com a exuberância do jogo do rival (acompanhada por resultados: com a vitória, o City igualou o melhor início de temporada em 129 anos de história do Campeonato Inglês), levou uma torcida habituada a um estilo mais vistoso a pedir futebol de ataque em Old Trafford. José Mourinho preferiu reclamar um pênalti não marcado. A liga “mais competitiva do mundo” pode estar decidida antes do Natal.

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Mudar o meio

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Em agosto, durante a gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura, Raí foi questionado sobre quando reuniria sua experiência como jogador de futebol com o conhecimento adquirido em administração esportiva, assumindo uma posição em que pudesse colaborar diretamente para o avanço deste ambiente. A resposta foi, de certo modo, evasiva. O ícone são-paulino expressou o que a maioria das pessoas já sabia: naquele momento, suas prioridades eram o trabalho na associação Atletas pelo Brasil, na Fundação Gol de Letra e a conclusão de sua graduação no Mestrado Executivo da Uefa para jogadores. Raí também lembrou que era membro do conselho de administração do São Paulo, sem afastar a possibilidade de, um dia, ter uma participação mais ativa no clube em que se tornou ídolo.

Esse dia foi ontem, quando Raí foi apresentado como diretor de futebol, prova de que ele entende que a hora de agir finalmente chegou. Uma decisão corajosa mesmo para quem possui todos os atributos para esse tipo de trabalho, embora as possibilidades não sejam generosas. Uma trajetória teórica de carreira como executivo de futebol para Raí teria como destino final a presidência da CBF, quando/se existirem as condições para que alguém como ele seja candidato. No nível de clubes, exceto uma experiência fora do Brasil que não parece lhe interessar, o São Paulo é o único lugar em que ele poderia dar o primeiro passo. Um dos problemas é que esta é a administração que tratou Rogério Ceni – um astro são-paulino da mesma ordem de grandeza – com a frieza e o desdém de quem não se importa com os verdadeiros legados.

É natural que o nome de Raí seja recebido com certa apreensão. A presença como protetor de um presidente que se habituou a colecionar diretores de futebol, associada à forma como Ceni foi dispensado, indica o risco de suas ideias e suas intenções se tornarem vítimas (ver: Flamengo, Zico, Patrícia Amorim, 2010) da política e do forno de vaidades permanentemente ligado nos clubes brasileiros. O São Paulo tem dado sinais de enxergar uma estrutura profissional de futebol como necessária, mas, no fundo, a rotina da tomada de decisões é caracterizada pelo mesmo amadorismo que impera desde sempre no país. É precisamente por isso que a chegada de Raí ao trabalho do dia a dia deve ser encarada como uma oportunidade relevante não só para ele, não só para o São Paulo, mas para o futebol no Brasil.

O que se pretende para o jogo que ocupa um espaço tão caro na vida de tanta gente? Que continue a ser um ambiente refratário a pessoas sérias, que não tenham planos de se servir de um meio não regulamentado? Um “negócio diferente”, para o qual é preciso “ter estômago”? No âmbito que o aguarda, Raí não é um produto do meio e tem a chance de ser um agente de mudança. Ex-jogador com vivência internacional e dotado de capacitação acadêmica, ele representa o atleta que se preparou para exercer funções para as quais a carreira como esportista não é suficiente. É um símbolo. A estrutura existente se esforçará para repeli-lo, pois é alérgica ao progresso. O próprio clube, contaminado, apresentará dificuldades que Raí sempre soube que encontraria, mas só agora decidiu enfrentar.

CASO FIFA

A apresentação de uma conta bancária em nome de uma empresa de José Maria Marin como destino de propinas pelos direitos da Copa América complicou a situação do ex-presidente da CBF. Os depósitos feitos por uma empresa de Wagner Abrahão, antigo parceiro de logística da confederação, aconteceram em 2013, quando Marin era o presidente da entidade. A origem foi a Torneos y Competencias, negociadora dos direitos. Os promotores americanos ainda mostraram que a conta foi movimentada para pagamento de despesas pessoais, comprovando não apenas o caminho, mas a utilização do dinheiro. As provas desafiam os argumentos da defesa de Marin no julgamento em Nova York.

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“O PF dos caras”

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Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, declarou na Corte Federal do Brooklyn (Nova York) que distribuiu cerca de cento e sessenta milhões de dólares em propinas a dirigentes de futebol. José Hawilla, ex-proprietário da Traffic, concordou em devolver cento e cinquenta e um milhões de dólares ao governo americano, em troca de uma pena mais branda por seus crimes. Eles eram os verdadeiros donos do futebol sul-americano, as pessoas que pagavam subornos aos cartolas que decidiam com quem negociar direitos de transmissão e exploração de competições.

Apenas entre Burzaco e Hawilla (vamos assumir o valor que deve ser ressarcido, ainda não devolvido integralmente, como um parâmetro do que virou propina), o montante destinado aos usurpadores do jogo no continente supera os trezentos milhões de dólares. É quase um bilhão de reais. Os direitos eram adquiridos por valores muito inferiores ao que se verificariam se houvesse licitações, o que permitia que os operadores pagassem subornos milionários e lucrassem em níveis estratosféricos com marketing e televisão.

No julgamento, Hawilla disse que pagava propina a Ricardo Teixeira para garantir que a Seleção Brasileira disputasse a Copa América com “os melhores” jogadores. Embora seja surreal que alguém deva ser subornado para que uma seleção vá a um torneio com sua versão mais forte, houve quem se escandalizasse com o que seria interferência no trabalho de técnicos, ignorando que a questão principal é o fato de um dirigente enriquecer dessa forma. Certos jogadores da Seleção eram explorados pessoalmente pelo Dr. Ricarrrrrdo. A partir de agora, ao menos o “argumento” de que a CBF é uma empresa privada ficará um pouco mais constrangedor.

De acordo com os depoimentos de Burzaco e Hawilla, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero também foram subornados em contratos relativos à Copa América e à Copa do Brasil. As transcrições de conversas telefônicas revelaram como o dinheiro – “o PF dos caras”, nas palavras de Hawilla; e “essa merda toda”, nas de Marin – era repartido. No caso da Copa do Brasil, é dinheiro que não chegou aos clubes que vivem atrasando salários e reclamando da crise econômica, mas foram/são responsáveis pela dinastia de Teixeira, pela aparição de Marin e pela manutenção de Del Nero.

O atual presidente da CBF não está sendo julgado em Nova York, embora a defesa de Marin tenha se esforçado para incriminá-lo ao apresentar seu cliente como um idoso confuso, incapaz de pedir propinas. Um tolo bem remunerado. Talvez os jurados acreditem.

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Sorteio de Natal

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Deixando de lado, por um momento, a capacidade técnica dos adversários, o sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo deu um presente de Natal adiantado à comissão técnica da Seleção Brasileira: a noção antecipada de como será a dinâmica de três – e possivelmente quatro – jogos do Mundial. Não é pouco. Utilizar o período até a estreia como prepararação do time para um tipo básico de oponente, em relação à ideia de jogo principal a ser enfrentada, é uma oportunidade que todos os técnicos que estarão da Rússia gostariam de ter. Permite que se olhe para a convocação final com menos dúvidas e que se trabalhe um plano de jogo, e suas variações, para ao menos toda a primeira fase do torneio.

A não ser que uma alteração drástica de última hora esteja a caminho, o que só poderia acontecer por cortesia da Sérvia, nenhum dos concorrentes da fase de grupos disputará a posse com o Brasil. Serão três adversários reativos, que convidarão o time de Tite a jogar em zonas preenchidas por marcadores, sem se importar com a proximidade da própria área. A linha de cinco defensores – não confundir com três zagueiros e mais dois jogadores fechando os lados sem a bola – da Costa Rica, vista no Brasil em 2014, chegará à Rússia mantida como um princípio de jogo. E o fato da Suíça ter futebolistas para ser perigosa atua para enfatizar o 4-4-2 hermético quando atacada.

Os sérvios são a única potencial interrogação, por causa da mudança de comissão técnica após a classificação em primeiro lugar de seu grupo nas Eliminatórias. Ao que tudo indica, o elenco que irá à Copa será renovado, o que sempre abre algumas possibilidades em termos de atuação. Será suficiente para alterar não só o sistema com três zagueiros, com uma linha de quatro à frente deles, mas também o caráter da equipe? O tempo disponível indica que provavelmente não. Diante da Seleção Brasileira, a Sérvia deve esperar e reagir como os outros dois membros do grupo E, mas sem medo ou respeito exagerado.

O bônus do sorteio é o cruzamento com o segundo colocado do grupo F, de Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul, assumindo que o Brasil se classificará em primeiro lugar. Um encontro com os suecos nas oitavas de final, cenário provável de acordo com o teórico balanço de forças da chave, produziria mais um jogo em que a Seleção teria a bola na maior parte do tempo e a obrigação de criar caminhos. Seria totalmente diferente contra o México, e, claro, em um choque precoce com os defensores do troféu. As bolinhas da Fifa podem ter determinado quatro partidas – de sete possíveis – em que o Brasil será submetido ao mesmo panorama de dificuldades, motivo pelo qual é correto afirmar que a escolha dos grupos foi, sim, favorável.

O amistoso contra a Inglaterra ganha ainda mais importância como referência para os ajustes finais de preparação. A capacidade de estender o campo de ataque para os lados, fundamental diante de adversários que congestionam o centro da defesa, certamente será um dos pontos mais trabalhados por Tite. Isso pode ser feito com laterais abertos, embora a Seleção os utilize no início dos movimentos para sair da defesa, ou com atacantes fixados em posições altas e próximas das linhas. Outro aspecto crucial é a atuação de Neymar. O jogador responsável pelo desequilíbrio deverá enxergar que o jogo precisa ser levado a ele, no lugar certo e nas condições apropriadas, para que seu futebol represente a diferença.

TRANSBORDOU

Reportagem publicada ontem por Martín Fernandez, no Globoesporte.com, apresenta as conexões entre Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero e o recebimento de propinas por direitos de competições, após a divulgação de documentos pelo governo dos EUA. Se Del Nero permanecer no comando da CBF, será com a conivência de clubes e federações. Não há mais como olhar para outro lado ou simular desconhecimento.

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O facilitador

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É conhecida a história do dia em que Maicon levou Arthur ao Centro Digital de Dados do Grêmio, para mostrar ao jovem volante como ele poderia incrementar suas atuações com passes mais profundos, endereçados às proximidades da área do oponente. O que pouca gente fora do âmbito do clube sabe é o que aconteceu depois. No primeiro jogo após a visita, a goleada sobre o Sport, em setembro, Arthur colaborou para a criação de um gol de Fernandinho com um passe longo para a assistência de Ramiro. “Ele passou a nos pedir os relatórios de passes, para ver se estava crescendo em verticalidade”, conta Eduardo Cecconi, responsável pelo departamento de inteligência do futebol gremista.

Cecconi acrescenta que Maicon vê em Arthur uma espécie de sucessor no controle da posse do time. No meio da temporada, ambos tinham números semelhantes em relação à quantidade e ao acerto de passes, mas a média de Maicon em conexões para o terço final do gramado era quatro vezes maior (16 a 4 por jogo). O que o companheiro de meio de campo talvez tenha notado antes dos outros é que o trabalho mais difícil já era parte natural do futebol de Arthur: a capacidade de organizar o jogo a partir da intermediária defensiva, com o pescoço sempre girando para identificar espaços e facilitar o papel dos que estão ao redor. Como diz Alex, ex-meia do Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, “Arthur abre todas as possibilidades pela frente e por trás da linha da bola, é um facilitador absurdo”.

A torcida do Lanús foi testemunha ocular. Durante o primeiro tempo do segundo jogo da decisão da Copa Libertadores, Arthur ofereceu uma clínica de serviços de um meiocampista, ajudando o Grêmio a mandar no encontro na casa do rival. Leitura de posicionamento impecável antes e depois do passe, movimentação constante para determinar a sequência de jogadas ou socorrer uma possível perda de posse. O movimento do segundo gol começou com ele. Passe, recuo para receber de volta, drible, avanço, outro passe, e, de Jailson, a bola chegou a Luan. Talvez seja a baixa estatura (1,72m) e a facilidade para sair para ambos os lados, talvez seja o fato de a bola colar em seus pés, mas ver Arthur jogar na Argentina gerou flashes dos melhores do mundo nesta função, o que explica o interesse do Barcelona.

“O Arthur teve de vencer uma resistência histórica no clube, volante baixinho…”, diz Cecconi. Uma descrição que teria o efeito contrário no clube catalão. Se é verdade que a partida contra o Lanús era o “exame final” para uma oferta do Camp Nou, o período em que o volante ficou em campo foi mais do que suficiente para convencer quem estava em dúvida. Em Porto Alegre, não há traços de incerteza sobre esse encaixe. “No Barça, ele seria, acredito, protagonista do tripé de meio”, prevê o analista do Grêmio, privilegiado por acompanhar de perto o desenvolvimento de um time em que Arthur atua como armador no estágio de construção de jogadas e Luan causa desequilíbrio próximo ao gol. Eles são as duas principais revelações do futebol brasileiro nas últimas duas temporadas.

É possível que Arthur tenha um apelo maior a clubes que valorizam o senso coletivo de futebolistas que Alex qualifica como “dinâmicos”, pelo impacto que geram em diferentes fases do jogo. Aos vinte e um anos, ele possui a compreensão de futebol que normalmente exige mais tempo para alcançar, com espaço para se aperfeiçoar, como nos passes mais profundos e na chegada ao ataque. Os adversários argentinos que o procuraram em campo na quarta-feira – sem sucesso, exceto para contê-lo com faltas – entenderão se, em breve, Arthur causar problemas similares em estádios europeus. E talvez, quem sabe, na Rússia.

GRUPO E

A questão é a mesma do copo meio cheio ou meio vazio, mas um grupo teoricamente fácil na Copa do Mundo permite crescimento como equipe e manutenção do bom ambiente. O sorteio sorriu para o Brasil.

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O facilitador

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É conhecida a história do dia em que Maicon levou Arthur ao Centro Digital de Dados do Grêmio, para mostrar ao jovem volante como ele poderia incrementar suas atuações com passes mais profundos, endereçados às proximidades da área do oponente. O que pouca gente fora do âmbito do clube sabe é o que aconteceu depois. No primeiro jogo após a visita, a goleada sobre o Sport, em setembro, Arthur colaborou para a criação de um gol de Fernandinho com um passe longo para a assistência de Ramiro. “Ele passou a nos pedir os relatórios de passes, para ver se estava crescendo em verticalidade”, conta Eduardo Cecconi, responsável pelo departamento de inteligência do futebol gremista.

Cecconi acrescenta que Maicon vê em Arthur uma espécie de sucessor no controle da posse do time. No meio da temporada, ambos tinham números semelhantes em relação à quantidade e ao acerto de passes, mas a média de Maicon em conexões para o terço final do gramado era quatro vezes maior (16 a 4 por jogo). O que o companheiro de meio de campo talvez tenha notado antes dos outros é que o trabalho mais difícil já era parte natural do futebol de Arthur: a capacidade de organizar o jogo a partir da intermediária defensiva, com o pescoço sempre girando para identificar espaços e facilitar o papel dos que estão ao redor. Como diz Alex, ex-meia do Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, “Arthur abre todas as possibilidades pela frente e por trás da linha da bola, é um facilitador absurdo”.

A torcida do Lanús foi testemunha ocular. Durante o primeiro tempo do segundo jogo da decisão da Copa Libertadores, Arthur ofereceu uma clínica de serviços de um meiocampista, ajudando o Grêmio a mandar no encontro na casa do rival. Leitura de posicionamento impecável antes e depois do passe, movimentação constante para determinar a sequência de jogadas ou socorrer uma possível perda de posse. O movimento do segundo gol começou com ele. Passe, recuo para receber de volta, drible, avanço, outro passe, e, de Jailson, a bola chegou a Luan. Talvez seja a baixa estatura (1,72m) e a facilidade para sair para ambos os lados, talvez seja o fato de a bola colar em seus pés, mas ver Arthur jogar na Argentina gerou flashes dos melhores do mundo nesta função, o que explica o interesse do Barcelona.

“O Arthur teve de vencer uma resistência histórica no clube, volante baixinho…”, diz Cecconi. Uma descrição que teria o efeito contrário no clube catalão. Se é verdade que a partida contra o Lanús era o “exame final” para uma oferta do Camp Nou, o período em que o volante ficou em campo foi mais do que suficiente para convencer quem estava em dúvida. Em Porto Alegre, não há traços de incerteza sobre esse encaixe. “No Barça, ele seria, acredito, protagonista do tripé de meio”, prevê o analista do Grêmio, privilegiado por acompanhar de perto o desenvolvimento de um time em que Arthur atua como armador no estágio de construção de jogadas e Luan causa desequilíbrio próximo ao gol. Eles são as duas principais revelações do futebol brasileiro nas últimas duas temporadas.

É possível que Arthur tenha um apelo maior a clubes que valorizam o senso coletivo de futebolistas que Alex qualifica como “dinâmicos”, pelo impacto que geram em diferentes fases do jogo. Aos vinte e um anos, ele possui a compreensão de futebol que normalmente exige mais tempo para alcançar, com espaço para se aperfeiçoar, como nos passes mais profundos e na chegada ao ataque. Os adversários argentinos que o procuraram em campo na quarta-feira – sem sucesso, exceto para contê-lo com faltas – entenderão se, em breve, Arthur causar problemas similares em estádios europeus. E talvez, quem sabe, na Rússia.

GRUPO E

A questão é a mesma do copo meio cheio ou meio vazio, mas um grupo teoricamente fácil na Copa do Mundo permite crescimento como equipe e manutenção do bom ambiente. O sorteio sorriu para o Brasil.

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É conhecida a história do dia em que Maicon levou Arthur ao Centro Digital de Dados do Grêmio, para mostrar ao jovem volante como ele poderia incrementar suas atuações com passes mais profundos, endereçados às proximidades da área do oponente. O que pouca gente fora do âmbito do clube sabe é o que aconteceu depois. No primeiro jogo após a visita, a goleada sobre o Sport, em setembro, Arthur colaborou para a criação de um gol de Fernandinho com um passe longo para a assistência de Ramiro. “Ele passou a nos pedir os relatórios de passes, para ver se estava crescendo em verticalidade”, conta Eduardo Cecconi, responsável pelo departamento de inteligência do futebol gremista.

Cecconi acrescenta que Maicon vê em Arthur uma espécie de sucessor no controle da posse do time. No meio da temporada, ambos tinham números semelhantes em relação à quantidade e ao acerto de passes, mas a média de Maicon em conexões para o terço final do gramado era quatro vezes maior (16 a 4 por jogo). O que o companheiro de meio de campo talvez tenha notado antes dos outros é que o trabalho mais difícil já era parte natural do futebol de Arthur: a capacidade de organizar o jogo a partir da intermediária defensiva, com o pescoço sempre girando para identificar espaços e facilitar o papel dos que estão ao redor. Como diz Alex, ex-meia do Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, “Arthur abre todas as possibilidades pela frente e por trás da linha da bola, é um facilitador absurdo”.

A torcida do Lanús foi testemunha ocular. Durante o primeiro tempo do segundo jogo da decisão da Copa Libertadores, Arthur ofereceu uma clínica de serviços de um meiocampista, ajudando o Grêmio a mandar no encontro na casa do rival. Leitura de posicionamento impecável antes e depois do passe, movimentação constante para determinar a sequência de jogadas ou socorrer uma possível perda de posse. O movimento do segundo gol começou com ele. Passe, recuo para receber de volta, drible, avanço, outro passe, e, de Jailson, a bola chegou a Luan. Talvez seja a baixa estatura (1,72m) e a facilidade para sair para ambos os lados, talvez seja o fato de a bola colar em seus pés, mas ver Arthur jogar na Argentina gerou flashes dos melhores do mundo nesta função, o que explica o interesse do Barcelona.

“O Arthur teve de vencer uma resistência histórica no clube, volante baixinho…”, diz Cecconi. Uma descrição que teria o efeito contrário no clube catalão. Se é verdade que a partida contra o Lanús era o “exame final” para uma oferta do Camp Nou, o período em que o volante ficou em campo foi mais do que suficiente para convencer quem estava em dúvida. Em Porto Alegre, não há traços de incerteza sobre esse encaixe. “No Barça, ele seria, acredito, protagonista do tripé de meio”, prevê o analista do Grêmio, privilegiado por acompanhar de perto o desenvolvimento de um time em que Arthur atua como armador no estágio de construção de jogadas e Luan causa desequilíbrio próximo ao gol. Eles são as duas principais revelações do futebol brasileiro nas últimas duas temporadas.

É possível que Arthur tenha um apelo maior a clubes que valorizam o senso coletivo de futebolistas que Alex qualifica como “dinâmicos”, pelo impacto que geram em diferentes fases do jogo. Aos vinte e um anos, ele possui a compreensão de futebol que normalmente exige mais tempo para alcançar, com espaço para se aperfeiçoar, como nos passes mais profundos e na chegada ao ataque. Os adversários argentinos que o procuraram em campo na quarta-feira – sem sucesso, exceto para contê-lo com faltas – entenderão se, em breve, Arthur causar problemas similares em estádios europeus. E talvez, quem sabe, na Rússia.

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A questão é a mesma do copo meio cheio ou meio vazio, mas um grupo teoricamente fácil na Copa do Mundo permite crescimento como equipe e manutenção do bom ambiente. O sorteio sorriu para o Brasil.

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É conhecida a história do dia em que Maicon levou Arthur ao Centro Digital de Dados do Grêmio, para mostrar ao jovem volante como ele poderia incrementar suas atuações com passes mais profundos, endereçados às proximidades da área do oponente. O que pouca gente fora do âmbito do clube sabe é o que aconteceu depois. No primeiro jogo após a visita, a goleada sobre o Sport, em setembro, Arthur colaborou para a criação de um gol de Fernandinho com um passe longo para a assistência de Ramiro. “Ele passou a nos pedir os relatórios de passes, para ver se estava crescendo em verticalidade”, conta Eduardo Cecconi, responsável pelo departamento de inteligência do futebol gremista.

Cecconi acrescenta que Maicon vê em Arthur uma espécie de sucessor no controle da posse do time. No meio da temporada, ambos tinham números semelhantes em relação à quantidade e ao acerto de passes, mas a média de Maicon em conexões para o terço final do gramado era quatro vezes maior (16 a 4 por jogo). O que o companheiro de meio de campo talvez tenha notado antes dos outros é que o trabalho mais difícil já era parte natural do futebol de Arthur: a capacidade de organizar o jogo a partir da intermediária defensiva, com o pescoço sempre girando para identificar espaços e facilitar o papel dos que estão ao redor. Como diz Alex, ex-meia do Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, “Arthur abre todas as possibilidades pela frente e por trás da linha da bola, é um facilitador absurdo”.

A torcida do Lanús foi testemunha ocular. Durante o primeiro tempo do segundo jogo da decisão da Copa Libertadores, Arthur ofereceu uma clínica de serviços de um meiocampista, ajudando o Grêmio a mandar no encontro na casa do rival. Leitura de posicionamento impecável antes e depois do passe, movimentação constante para determinar a sequência de jogadas ou socorrer uma possível perda de posse. O movimento do segundo gol começou com ele. Passe, recuo para receber de volta, drible, avanço, outro passe, e, de Jailson, a bola chegou a Luan. Talvez seja a baixa estatura (1,72m) e a facilidade para sair para ambos os lados, talvez seja o fato de a bola colar em seus pés, mas ver Arthur jogar na Argentina gerou flashes dos melhores do mundo nesta função, o que explica o interesse do Barcelona.

“O Arthur teve de vencer uma resistência histórica no clube, volante baixinho…”, diz Cecconi. Uma descrição que teria o efeito contrário no clube catalão. Se é verdade que a partida contra o Lanús era o “exame final” para uma oferta do Camp Nou, o período em que o volante ficou em campo foi mais do que suficiente para convencer quem estava em dúvida. Em Porto Alegre, não há traços de incerteza sobre esse encaixe. “No Barça, ele seria, acredito, protagonista do tripé de meio”, prevê o analista do Grêmio, privilegiado por acompanhar de perto o desenvolvimento de um time em que Arthur atua como armador no estágio de construção de jogadas e Luan causa desequilíbrio próximo ao gol. Eles são as duas principais revelações do futebol brasileiro nas últimas duas temporadas.

É possível que Arthur tenha um apelo maior a clubes que valorizam o senso coletivo de futebolistas que Alex qualifica como “dinâmicos”, pelo impacto que geram em diferentes fases do jogo. Aos vinte e um anos, ele possui a compreensão de futebol que normalmente exige mais tempo para alcançar, com espaço para se aperfeiçoar, como nos passes mais profundos e na chegada ao ataque. Os adversários argentinos que o procuraram em campo na quarta-feira – sem sucesso, exceto para contê-lo com faltas – entenderão se, em breve, Arthur causar problemas similares em estádios europeus. E talvez, quem sabe, na Rússia.

GRUPO E

A questão é a mesma do copo meio cheio ou meio vazio, mas um grupo teoricamente fácil na Copa do Mundo permite crescimento como equipe e manutenção do bom ambiente. O sorteio sorriu para o Brasil.

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O facilitador

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É conhecida a história do dia em que Maicon levou Arthur ao Centro Digital de Dados do Grêmio, para mostrar ao jovem volante como ele poderia incrementar suas atuações com passes mais profundos, endereçados às proximidades da área do oponente. O que pouca gente fora do âmbito do clube sabe é o que aconteceu depois. No primeiro jogo após a visita, a goleada sobre o Sport, em setembro, Arthur colaborou para a criação de um gol de Fernandinho com um passe longo para a assistência de Ramiro. “Ele passou a nos pedir os relatórios de passes, para ver se estava crescendo em verticalidade”, conta Eduardo Cecconi, responsável pelo departamento de inteligência do futebol gremista.

Cecconi acrescenta que Maicon vê em Arthur uma espécie de sucessor no controle da posse do time. No meio da temporada, ambos tinham números semelhantes em relação à quantidade e ao acerto de passes, mas a média de Maicon em conexões para o terço final do gramado era quatro vezes maior (16 a 4 por jogo). O que o companheiro de meio de campo talvez tenha notado antes dos outros é que o trabalho mais difícil já era parte natural do futebol de Arthur: a capacidade de organizar o jogo a partir da intermediária defensiva, com o pescoço sempre girando para identificar espaços e facilitar o papel dos que estão ao redor. Como diz Alex, ex-meia do Palmeiras, Cruzeiro e Fenerbahçe, “Arthur abre todas as possibilidades pela frente e por trás da linha da bola, é um facilitador absurdo”.

A torcida do Lanús foi testemunha ocular. Durante o primeiro tempo do segundo jogo da decisão da Copa Libertadores, Arthur ofereceu uma clínica de serviços de um meiocampista, ajudando o Grêmio a mandar no encontro na casa do rival. Leitura de posicionamento impecável antes e depois do passe, movimentação constante para determinar a sequência de jogadas ou socorrer uma possível perda de posse. O movimento do segundo gol começou com ele. Passe, recuo para receber de volta, drible, avanço, outro passe, e, de Jailson, a bola chegou a Luan. Talvez seja a baixa estatura (1,72m) e a facilidade para sair para ambos os lados, talvez seja o fato de a bola colar em seus pés, mas ver Arthur jogar na Argentina gerou flashes dos melhores do mundo nesta função, o que explica o interesse do Barcelona.

“O Arthur teve de vencer uma resistência histórica no clube, volante baixinho…”, diz Cecconi. Uma descrição que teria o efeito contrário no clube catalão. Se é verdade que a partida contra o Lanús era o “exame final” para uma oferta do Camp Nou, o período em que o volante ficou em campo foi mais do que suficiente para convencer quem estava em dúvida. Em Porto Alegre, não há traços de incerteza sobre esse encaixe. “No Barça, ele seria, acredito, protagonista do tripé de meio”, prevê o analista do Grêmio, privilegiado por acompanhar de perto o desenvolvimento de um time em que Arthur atua como armador no estágio de construção de jogadas e Luan causa desequilíbrio próximo ao gol. Eles são as duas principais revelações do futebol brasileiro nas últimas duas temporadas.

É possível que Arthur tenha um apelo maior a clubes que valorizam o senso coletivo de futebolistas que Alex qualifica como “dinâmicos”, pelo impacto que geram em diferentes fases do jogo. Aos vinte e um anos, ele possui a compreensão de futebol que normalmente exige mais tempo para alcançar, com espaço para se aperfeiçoar, como nos passes mais profundos e na chegada ao ataque. Os adversários argentinos que o procuraram em campo na quarta-feira – sem sucesso, exceto para contê-lo com faltas – entenderão se, em breve, Arthur causar problemas similares em estádios europeus. E talvez, quem sabe, na Rússia.

GRUPO E

A questão é a mesma do copo meio cheio ou meio vazio, mas um grupo teoricamente fácil na Copa do Mundo permite crescimento como equipe e manutenção do bom ambiente. O sorteio sorriu para o Brasil.

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