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Jogo quente e bom em Avellaneda

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Quando tem brasileiro e argentino em final de campeonato, a gente espera catimba, provocações, entradas ríspidas, cuspidas, nervosismo e um pouco de futebol. Pelo menos essa é a imagem que se criou do duelo entre as duas maiores escolas de bola das Américas, seja de infantis, aspirantes, times ou seleções.

Felizmente, as coisas mudam. Ou tendem a isso.

Independiente e Flamengo fizeram jogo bonito, quente, acelerado, aberto, na noite desta quarta-feira, em Avellaneda, na grande Buenos Aires. O público que foi ao estádio Libertadores de América se divertiu e acompanhou disputa intensa, com cara mesmo de decisão de título. E limpa.

Isso mesmo, foi uma partida em que prevaleceu a vontade de as duas equipes mostrarem serviço – e da forma correta. Claro que houve uma ou outra jogada mais dura; mas faz parte, acontece até em pelada da firma. Mas não sobressaíram aqueles aspectos negativos.

Por isso, valeu a pena acompanhar o clássico, do princípio ao fim com placar escancarado. Os argentinos venceram de virada por 2 a 1. Nem por isso o Fla está morto para o tira-teima definitivo, na semana que vem, no Maracanã. Dá para pelo menos para vencer por um gol de diferença e provocar prorrogação e até pênalti. O rival tem valor e não é insuperável.

O Fla teve início melhor, tanto que abriu vantagem, com gol de cabeça de Réver: uma testada daquelas, após cobrança de falta, que não permite ao goleiro não fazer nenhum outro gesto a não ser olhar desconsolado para a “menina” escorregar nas redes. E só com 8 minutos. E ainda criou outras ocasiões para aumentar.

O Independiente mostrou maturidade, não se abalou, se recompôs logo e passou a pressionar. Insistiu, martelou, acelerou a marcha, Barco e Gigliotti deram uma correria danada, deixaram Pará, Cuellar, Réver e Juan atarantados. Resultado: empate, aos 28 minutos, numa bonita finalização de Gigliotti.

O pessoal da casa terminou o primeiro tempo melhor. E voltou com uma vontade que vou te contar: cada disputa de bola era como se fosse a última da noite. Deu certo de novo, com o golaço de Meza aos 7 da segunda etapa. Um susto e tanto para o Flamengo.

O Independiente tentou ampliar a diferença, não tirou o pé do acelerador, aproveitou que o Fla se abriu na busca do empate, e ficou perto de aprontar estrago maior. Depois, cansou um pouco, sentiu a pressão e se deu por satisfeito com o placar. Melhor não arriscar.

A primeira parte de dois grandes esteve à altura da história. Tomara seja assim no ato derradeiro. O futebol sairá vencedor.

 

Grêmio, tri impecável

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O Grêmio fez uma final de Libertadores de manual de como ser campeão na casa do adversário. Desde o início mostrou que não se incomodava com o fato de ser visitante e se comportou como se estivesse na própria arena: tocou a bola, fechou espaços e foi pra cima do Lanús. Uma forma de mostrar que estava disposto a mandar na decisão.

Os argentinos sentiram logo que a parada seria muito, mas muito mais complicada do que imaginavam. Na verdade, acusaram o golpe, pois Marcelo Grohe passou o primeiro tempo como espectador dentro de campo. Nem apareceu no vídeo, parecia inexistente. O Grêmio foi à frente, como havia prometido na véspera o técnico Renato Gaúcho.

Enquanto isso, Artur, Jaílson, Ramiro, Fernandinho controlavam o meio-campo, protegiam a defesa e davam tranquilidade ao time. Luan prendia bem a bola, Barrios abria espaços. A consequência dessa postura confiante foram primeiro tempo irretocável, dos melhores que vi nos últimos anos em finalíssima da competição.

Para completar e enroscar de vez o Lanús, vieram os dois lindos gols – de Fernandinho aos 27 minutos e Luan aos 41. Dois golpes certeiros, mortais, que jogaram o rival nas cordas. Praticamente um nocaute técnico. Só uma reviravolta histórica para tirar o tri tricolor.

O Grêmio cadenciou o ritmo na segunda parte, atraiu o Lanús, teve o pênalti (bem marcado) contra si, tomou o gol na cobrança de Sand (aos 27) e nem deu bola para isso. Continuou na dele, apostou no tempo e no nervosismo da turma local para fazer a festa. Ramiro ainda deu sopa para o azar, ao reclamar muito do juiz, depois de tomar amarelo, e foi expulso.

Mudou o astral do Grêmio? Nem um pouco. Deixou o tempo passar e esteve mais próximo do terceiro gol do que de levar o empate. Enfim, teve a consciência, a eficiência de campeão.

Com um detalhe importante, que fica para o fim mas merece ser destacado: o que se viu no La Fortaleza foi um jogo de futebol e não uma guerra. Felizmente, não teve a bobagem de que Libertadores é provocação, catimba, violência, baixaria. As duas equipes se preocuparam em jogar – e quando isso acontece brasileiros costumam se dar bem.

Alegria merecida para o Grêmio. E agora, por que não sonhar também com o Mundial? Por acaso é proibido? Avante!

Corinthians, sem dúvida

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Título tem de vir de forma incontestável, sem choro nem vela. Com autoridade, com vitória, que é pra ninguém botar defeito. Quer dizer, os outros torcedores chiam, reclamam, desdenham, mas isso faz parte do futebol…

Pois bem, o Corinthians fechou com antecedência, e em grande estilo, a caminhada rumo ao sétimo título do Brasileiro, ao lascar 3 a 1 no Fluminense, na noite deste 15 de novembro. Fez a festa em casa, em Itaquera, mesmo sem a presença da taça.

(Ah, a CBF não quis levar o troféu, porque o clássico acabou tarde e iria prejudicar a volta do torcedor pra casa. Conta outra… Por que não marcaram o jogo para a tarde?)

Deixa pra lá. O que importa é que, com ou sem medalha, taça e rococós, o Corinthians consolidou campanha vitoriosa com resultado incontornável. Com uma ligeira pitada de ansiedade, na forma do gol sofrido com um minuto, em cabeçada de Henrique.

A vantagem tricolor deixou apenas o jogo mais elétrico e fez com que o Corinthians se lançasse à frente desde o início. Encontrou dificuldade no primeiro tempo, ao não encaixar com frequências jogadas de ataque. O Flu, que precisava ganhar, ficou ali, a se segurar.

A história mudou em três minutos, na etapa final. Tempo suficiente para Jô fazer os dois gols que iniciaram a virada. Duas arrancadas, dois vacilos do Flu e a euforia no estádio. Dali em diante só deu Corinthians, com a certeza de que não seria mais surpreendido. E, para não dar sopa pro azar, veio o gol de Jadson, para fechar a conta.

O Corinthians é campeão nacional de 2017 por merecimento. Superou os demais pela regularidade, pela eficiência, pela simplicidade. Nem as turbulências no returno foram suficientes para tirá-lo do prumo.

Os outros não tiveram competência sequer para fazer cócegas no líder. Ah, o nível não é dos melhores? Sim, e daí? Por acaso foi nos últimos anos? A decadência surgiu agora? Assim como houve reconhecimento para as conquistas de São Paulo, Flamengo, Fluminense, Cruzeiro, Palmeiras, para ficar na história recente, o mesmo vale agora para o Corinthians.

Papo de apito amigo, de pouco empenho de outros concorrentes, são apenas amenidades para os torcedores “inimigos”. Zoeira é do futebol, assim como a taça de 2017 é do Corinthians. E vida que segue.

Parabéns aos corintianos!

 

Tragédia italiana (anunciada)

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Há quatro escolas no futebol com lastro de se tirar o chapéu: as de Brasil, Alemanha, Argentina e Itália. Não necessariamente nessa ordem. O tempo mostrou que, com altos e baixos, as seleções desses países se impõem – não por acaso o quarteto domina a história das Copas.

Mas tragédias às vezes atingem os gigantes. Para os brasileiros, há a frustração de 50, a tristeza de 82, a surra homérica de 2014. Os alemães se viram impedidos de jogar o Mundial de 50, após a Segunda Guerra Mundial, e perderam algumas finais.

A Argentina não esteve em 34, 38, 50 e o último vexame foi o de 70, quando ficou atrás de Peru e Bolívia nas Eliminatórias. A Itália não participou da primeira edição, em 1930, e não se classificou para o Mundial da Suécia, em 1958.

Suécia?! Xiii… Pelo visto não combina com Itália.

Eis que os vizinhos escandinavos apareceram agora para proporcionar um dos maiores baques da Squadra Azzurra em todos os tempos. O golpe veio na repescagem europeia para a Copa de 18, nos confrontos entre essas equipes.

No primeiro, 1 a 0 para a Suécia, na sexta-feira. Nesta segunda-feira, 0 a 0, em Milão. E o que parecia impossível aconteceu: os italianos não se garantem, após 60 anos da última desilusão.

Tristeza, choro de atletas e torcedores, revolta e pedidos de reformulação se misturaram no lendário San Siro. O mundo do futebol está estupefato com a ausência italiana.

Dói, para quem curte futebol, independentemente de rivalidades. Mas era bola cantada, e de algum tempo. Não foram os “deuses da bola” que deixaram a Azzurra fora do festival da Rússia. Foram seus próprios erros e limitações.

Depois do tetra, em 2006, na Alemanha, os italianos dormiram nos louros e se imaginaram eternamente imbatíveis. Algo como o Brasil nunca sonhar com uma surra em casa para a Alemanha…

A geração forte envelheceu, mesmo que alguns resistam até hoje, casos de Buffon e De Rossi. Já dava sinais de desgaste em 2010, na África do Sul, quando foi eliminada na primeira fase. Novo alerta veio em 2014, ao não passar de novo da etapa de grupos.

No meio tempo, um vice na Euro de 2012 enganou todo mundo. Mesmo com goleada de 4 a 0 para a Espanha, se imaginava que a Itália continuaria competitiva e respeitada. Não importava se o declínio era evidente.

Daí, para colocar a pá de cal na falta de visão, em 2016 a cartolagem encarregou Giampiero Ventura de reformular a Azzurra para a Copa da Rússia. Ventura, tiozão boa praça, técnico rodado, com currículo pobre e acostumado a dirigir times medianos, foi chamado para substituir Antonio Conti, depois da Euro na França.

Em um ano e quatro meses de trabalho, provou que o peso da seleção italiana era muito grande para as costas dele. Não conseguiu formar um time equilibrado, não foi ousado na maneira de jogar, errou nas apostas de renovação, apoiou-se em atletas em declínio de carreira.

Para complicar-lhe a vida, o país não tem hoje nenhum craque, daqueles que chamam a responsabilidade para si, que decidem, desequilibram, assustam rivais. É uma geração comum, insossa. Tão sem graça quanto a da Suécia, a quem poderia eliminar ou para quem poderia perder.

Deu a segunda hipótese. A Itália de hoje é seleção de segunda linha e assim se comportou diante de um adversário do mesmo nível.

Uma pena, mas é a realidade.

 

Grêmio passa a régua

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Viradas memoráveis existem, mas são raras. Por isso, entram para a história, se tornam lendas.

O Barcelona precisava de um desses episódios extraordinários, para anular a vantagem de 3 a 0 obtida pelo Grêmio, uma semana atrás, em Guayaquil. Ficou no 1 a 0, na noite desta quarta-feira, em Porto Alegre, e se despediu da Libertadores com fronte erguida. E só.

Não há como negar que o tricolor gaúcho entrou em campo com a classificação sob os braços. Muita gente dizia, mais por superstição do que por convicção, que não se podia cantar vitória antes da hora, que há o imponderável, que não existe mais bobo no futebol, etc e tal.

Conversa fiada. O Grêmio foi gigante como visitante, aproveitou as oportunidades que surgiram, e tratou de administrar o tempo como mandante. Foi o que fez, do início ao fim do segundo jogo pelas semifinais da competição continental.

Pode não ter sido uma apresentação brilhante – e, de fato, não ficou um pouco aquém do imaginado. Porém, dentro do desejado, da margem de erro admissível para seguir adiante.

Na primeira etapa, sobretudo, pareceu um tanto dispersivo, sem pressa. Ainda assim, atraiu o adversário, criou algumas situações interessantes e depois se acomodou. Daí, tomou pequeno susto com o gol de Jonatan Alvez.

Nada que abalasse a confiança nem provocasse correria desnecessária. O ritmo banho-maria prosseguiu na segunda fase, com um lance esporádico aqui, uma arrancada dos equatorianos ali, e vida que segue. Conforme o roteiro previsto, de acordo com o figurino de quem cumpriu com louvor a tarefa uma semana antes.

O Grêmio passou a régua na conta das semifinais. Agora, tem o empolgado Lanús como última pedra no caminho do tri da Libertadores. Precisa do jogo perfeito na Arena. E, se vencer bem, atuar com paciência e sabedoria na Argentina.

Mas isso é para daqui a alguns dias. A hora é de saborear a classificação.

Palmeiras: faltou a faísca de campeão

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Tem palmeirense aborrecido com o Heber Roberto Lopes. Até com razão. Anulou mal gol de Borja, ainda no primeiro tempo. Seria a virada do Palmeiras sobre o Cruzeiro.

Mas, mais do que a atrapalhada do árbitro, o que pesou, no empate por 2 a 2 com o Cruzeiro, foi a falta da centelha de campeão para o Palmeiras. Sabe aquela faísca, aquele brilho que os times vencedores costumam ter em momentos decisivos?

Detalhe, por exemplo, que teve no ano passado, sobretudo na vitória por 1 a 0 sobre o Inter, no mesmo Allianz Parque. Naquele jogo, nas rodadas finais, veio a certeza de que o time encerraria jejum de duas décadas e levantaria a taça do Brasileiro.

Pois essa luz não veio na noite desta segunda-feira.

O time de Alberto Valentim não foi mal; tampouco esteve bem como nas três vitórias anteriores. Sentiu o peso da responsabilidade de encostar no Corinthians, baqueou depois do gol contra de Juninho, não teve calma suficiente para aproveitar as chances que apareceram. E não foram muitas, embora suficientes para garantir os três pontos que colocariam fogo no campeonato.

O treinador apostou na formação e no esquema que deram certo recentemente. São não contava com a infelicidade do zagueiro, que aos 4 minutos mandou a bola contra o próprio gol. O Cruzeiro veio com algumas modificações, mas consistente na marcação. Raras vezes vacilou, exceto no gol de empate, marcado por Borja.

No segundo tempo, os mineiros voltarem mais espertos. Em dez minutos, assustaram duas vezes os palmeirenses, que de novo perceberam o tamanho do desafio. Mesmo com apoio da torcida, não se via serenidade de equipe com autoconfiança lá no topo.

Para complicar, veio o segundo gol cruzeirense, com Robinho, menos de dois minutos depois de entrar em campo. O mérito do Palmeiras, depois daquilo, foi o espírito de luta, que lhe rendeu o 2 a 2 final, com Borja.

Teve até a chance do terceiro, não fosse afobação de Roger Guedes num contragolpe em que tentou chutar para o gol, sem ângulo. E uma defesa linda de Fábio em cabeçada de Edu Dracena. E não muito mais do que isso.

Complicou a matemática? Teoricamente, sim. Se tivesse vencido, poderia chegar à liderança no clássico com o Corinthians. Com cinco pontos menos do que o líder, tem o peso dobrado de brigar por vitória, para manter aceso o sonho do bicampeonato. Empate não serve; derrota é fim de linha.

A semana será de tensão.

 

Em palpos de Aranna

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Antes de mais, vamos ao óbvio: o Corinthians depende só dele para chegar ao título. Sim, senhor, com seis pontos (por enquanto) à frente de Santos e Palmeiras, basta recuperar o prumo para fazer a festa até a 38.ª rodada. Isso é matemática simples e simplória.

Vamos à tendência de momento: o que parecia improvável vai dando o ar da desgraça, pois o líder chega pressionado à reta final do Brasileiro. Vem ladeira a baixo, na banguela, com freio emperrado, e pode trombar de vez com outros rivais, Palmeiras sobretudo, e Santos a correr na pista lateral.

Inimaginável supor queda tão brusca de desempenho, de quase 82% no primeiro turno para 33% no segundo. Se foram 15 vitórias e 4 empates nas primeiras 19 rodadas, agora acumula 6 derrotas, 3 empates e 3 vitórias. Foram 49 pontos contra 12 acumulados por ora. Nas contas anteriores, se mantivesse aproveitamento em torno de 49 ou 50%, chegaria com facilidade à sétima taça.

Embolou tudo – e pode enroscar ainda mais, se o Palmeiras ganhar do Cruzeiro, nesta segunda-feira, no Allianz. Daí, o dérbi de domingo em Itaquera pega fogo.

O Corinthians enroscou-se numa teia criada por ele mesmo. Sim, caro amigo alvinegro ou não, a rapaziada de Fábio Carille é responsável pela situação delicada em que se encontra. Se no turno, superou expectativas, com futebol correto, eficiente, solidário e preciso, agora emperrou, dispersou, brecou ousadia e criatividade. O Timão virou equipe comum, que não bota medo nos adversários.

Outra prova veio neste domingo, no duelo com a Ponte, em Campinas. Não foi a pior partida nessa série negativa. Até que o Corinthians buscou ao menos o empate, especialmente no segundo tempo, com uma infinidade de finalizações – a maioria parou em Aranha. Fazia tempo que não via o goleiro já veterano pegar tanto! Fechou o gol, foi um paredão.

No entanto, os corintianos não assustaram a turma de Eduardo Baptista. A Ponte se propôs segurar a pressão, que existiu, e apostou nos contragolpes. Artifício manjado no futebol, tão velho quanto o primeiro chute na bola. E deu certo. Por ironia tão frequente, o golpe de misericórdia veio por meio de Lucca, cria do Parque São Jorge: gol de cabeça, aos 39 minutos do primeiro tempo e fim de conversa.

Carille apostou na formação que não havia perdido no ano – 7 vitórias e 5 empates – e nem isso funcionou. Apelou para mudanças mais atrevidas, com a entrada de Cleyson, Pedrinho, Kazim, e… nada. A tal limitação de elenco, cantada antes do início da Série A, só agora revela sua face cruel. O banco corintiano, considerado fraco, mostrou que é… fraco mesmo.

A apreensão chegou, não há como negar. Só não pode transformar-se em pânico. Afinal, o Palmeiras pode não passar pelo Cruzeiro e pode perder no domingo que vem. Daí, tudo volta ao normal. Ao mesmo tempo, também é indisfarçável que o Corinthians está em palpos de aranha… por obra e arte, ao menos neste domingo, pelas defesas do Aranha.

Com o perdão do trocadilho.

 

A culpa de Levir

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Descer a ripa em cartola é esporte de preferência nacional. Em grande parte das vezes, merecem; eles fazem muita lambança. Vez ou outra acertam, oras, porque ninguém é de ferro.

Modesto Roma, do Santos, não foge à regra.

Desta vez, porém, tendo a não discordar dele, na “segunda” demissão de Levir Culpi em menos de dez dias – agora pra valer. A decisão irrevogável foi tomada no sábado, depois da derrota por 2 a 1 para o São Paulo. Elano, como era previsto, assume interinamente até o final do Brasileiro.

Na verdade, Modesto errou de novo. Porque deveria ter mantido a dispensa de Levir na outra semana. Havia voltado atrás a pedido dos jogadores, então fechados com o “professor”. Dera um voto de confiança ao chefe da equipe e ao elenco.

Levir, no entanto, chegara ao limite. O Santos empacou de uns tempos para cá. Embora tenha 53 pontos e teoricamente continua na briga pelo título, o futebol que mostra está longe de empolgar. Ah, os números com o treinador não são ruins: 14 vitórias, 12 empates, 5 derrotas.

Desculpem-me os que acham essa estatística satisfatória, mas não é. Por quê? Porque há excessivo número de empates. E está mais do que provado de que empate não leva a lugar nenhum. No máximo, serve para curiosidades do gênero “Time tal está há tantos jogos sem perder”…

O Santos não sai do lugar, mesmo com a ressalva de que “está na zona de Libertadores” etc e tal. Também não vale alegar que “Levir foi longe demais com esse elenco”. O grupo de atletas não é de primeiríssima grandeza – e, como demonstra o campeonato, ninguém tem uma tropa fora de série. Está o líder Corinthians para comprovar.

O Santos não é de agora que se comporta de forma indolente. Vive mais de lampejos individuais do que de estratégia bem definida. Depende da inspiração de Lucas Lima (que anda em baixa), da instabilidade de Bruno Henrique, do oportunismo de Ricardo Oliveira, dos milagres de Vanderlei no gol.

A oscilação tem sido enorme, e não há como aliviar para Levir; ele tem culpa, com perdão do (quase) trocadilho involuntário.

Para quem gosta de cifras: não é por acaso que deixou para trás a imagem de “equipe ofensiva”. Com 33 gols a favor, é o 15.º ataque da Série A. O fato de a defesa ser a segunda menos vazada (22 gols) ameniza, mas não tranquiliza. Para ser campeão precisa, também, fazer gols, de preferência muitos.

Levir merece descanso. E Elano necessitará de sorte para mostrar competência na emergência.

 

Grêmio, o caça-fantasmas

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O Grêmio mostrou nesta quarta-feira como se espanta fantasma. O Barcelona de Guayaquil pintava como a assombração na vida dos brasileiros, na edição deste ano da Libertadores, depois de eliminar Palmeiras e Santos. Temia-se que fizesse o mesmo com o tricolor gaúcho, na semifinal da competição, ainda mais que jogava a primeira em casa.

Conversa fiada. O time equatoriano não foi páreo para o Grêmio, tomou 3 a 0 e na semana que vem joga em Porto Alegre praticamente para cumprir tabela. Ou à espera de um daqueles milagres que só acontecem a cada 100 anos no futebol. Ou uma hecatombe sobre a rapaziada de Renato Gaúcho.

A eficiência do Grêmio como caça-fantasmas fez o trabalho em 20 minutos. Tempo suficiente para os dois primeiros gols – com Luan aos 7 e Edilson aos 20, que se machucou no segundo tempo e deu lugar para Leo Moura.

A vantagem derrubou o Barcelona, que ficou perdido, sem saber o que fazer para salvar a honra. Teve de atirar-se à frente, mas parou no sistema de marcação desta vez impecável dos brasileiros.

No intervalo, o Barcelona mudou, na tentativa de voltar mais agressivo. E quase assustou, aos 3 minutos, num chute à queima-roupa de Ariel, na pequena área, e que Grohe parou com a mão direita. Defesa extraordinária, indício pra lá de seguro de que não haveria reviravolta. Defesa para encher de moral o Grêmio e colocar o Barcelona nas cordas.

Pois o nocaute veio aos 6, com o segundo gol de Luan, o terceiro da noite. Contra-ataque preciso e finalização impecável. Dali em diante, o Grêmio só ficou à espera do relógio andar, sem pressa, com serenidade, com autoridade. Com a certeza de quem está na decisão.

O Barcelona virou fantasminha camarada.

Agora, que venham os argentinos. River? Pode ser. Adversário de tradição. Lanús? Franco-atirador. Sem problema. O tricolor gaúcho dá passe gigante para o terceiro título continental.

Pênalti? O Corinthians tem mais a lamentar…

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Os corintianos ficaram fulos com a arbitragem, por entenderem que Jô sofreu pênalti em disputa com Igor Rabello, nos segundos finais do jogo com o Botafogo. Lance no mínimo discutível. Se a falta fosse marcada, quem sabe o destino do duelo seria outro, que não a derrota por 2 a 1, a quinta do líder no campeonato, e todas no returno?

Porém, mais do que lamentar uma jogada que representaria a cartada final, a turma do Corinthians precisa rever que trajetória traça na segunda parte da competição. A primeira foi perfeita, a melhor da história. Impecável, proeza que sequer Barcelona, Real Madrid, Bayern e outros grandões fariam, em seus países nem aqui.

Mas, e agora?

Agora virou time comum, com algumas qualidades e os muitos defeitos dos demais concorrentes – ou ao menos daqueles que o perseguem. O Corinthians de sintonia fina e invejável, de aproveitamento máximo, de equilíbrio irritante, ficou no passado, nas 19 rodadas iniciais da Série A. Ultimamente, o que se vê é o acúmulo de falhas, a perda da eficiência, o crescimento da preocupação. E a sombra dos concorrentes a crescer.

Não que tenha jogado mal na noite desta segunda-feira. A derrota no Engenhão não entra na conta das apresentações sem graça. No entanto, ela é consequência da queda de produção. Antes os adversários temiam os alvinegros; neste momento, o encaram confiantes na possibilidade de pará-lo, porque tem sido rotineiro. Afinal, em dez rodadas do returno, eram 4 derrotas, 3 empates e 3 vitórias.

O Corinthians vulnerável foi o que animou o Botafogo a partir para cima, sem o medo de que estaria à mercê de contragolpes milimetricamente decididos. Nada. O primeiro tempo foi até morno demais, sem grandes emoções, exceto uma finalização de Marquinhos Gabriel que acertou o travessão do gol de Gatito Fernandes.

No segundo tempo, se impôs o mau pedaço corintiano. Começou com o gol de Brenner, aos cinco minutos, após cobrança de escanteio. Jô empatou pouco depois. Mas, em novo escanteio, aos 30, Igor Rabello de cabeça fez o gol da vitória.

E o Corinthians praticamente não criou oportunidades, não testou os reflexos de Gatito, não se comportou com a autoridade de quem está na ponta há muito tempo. Ao contrário, foi à frente com tudo, para ver no que ia dar. E deu a quinta derrota no segundo turno.

O que parecia questão de tempo para se transformar no título brasileiro mais fácil virou uma tarefa mais complicada. Ok, o Corinthians tem 6 pontos a mais do que Palmeiras e Santos, depende só de si. Mas ele não se tem ajudado. Eis o problema.