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Muita luta, pouco futebol

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Foto: Djalma Vassao/Gazeta Press

Tinha tudo pra ser um grande jogo. Casa cheia, cânticos inflamados da torcida e confronto do líder contra o vice-líder. A emoção, entretanto, ficou de fora. Corinthians e Grêmio brigaram muito pela bola, mas pouco criaram. Tirando um cabeceio de Jô que passou rente à trave gremista, nada a destacar num primeiro tempo aquém das expectativas.

O quadro se repetiu na etapa final. Cássio e Grohe praticamente se juntaram aos mais de 40 mil torcedores que pagaram ingresso e assistiram à partida. Uma bola na trave numa falta cobrada por Edilson foi o pico das sensações. O 0 a 0 retrata bem o momento do futebol brasileiro. Times burocráticos e pouco criativos que se sobressaem pela solidez defensiva. Que Grêmio e Corinthians marcaram demais, isso não se discute, porém não tira o gosto amargo na boca dos amantes do bom futebol. Em termos de classificação, foi bom para o líder que mantém a diferença para o rival. Bom também para Santos e Palmeiras que jogam amanhã contra Sport e Ponte Preta respectivamente e alimentam a expectativa de encostar um pouco mais. É esperar pra ver!

Triste São Paulo

No Rio, o São Paulo caiu diante do Fluminense e pode novamente amargar a zona do rebaixamento já nesta rodada. Se o Sport passar pelo Santos, o Vitória vencer o Atlético Paranaense e a Ponte surpreender o Palmeiras no Pacaembu – o que é mais difícil – o Tricolor será 16º colocado. Que fase! Não tem respiro, não tem tranquilidade. O são-paulino pelo jeito vai sofrer até o final, até o derradeiro segundo.

 

Muito dinheiro, pouca competência

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O Palmeiras, campeão brasileiro de 2016, adentrou 2017 como maior postulante a títulos da temporada. Investiu pesado pra ter os campeões sul-americanos Guerra e Borja, além de Felipe Melo, veterano mas vencedor, só pra citar alguns. Eram nomes pra compensar a saída de Gabriel Jesus e fortalecer ainda mais o esquadrão.  Apostou também em Eduardo Baptista pra comandar o elenco. Aí, começam os atropelos da diretoria tão elogiada na temporada passada. Eduardo não tinha o perfil ideal para o comando da equipe. Pra piorar, não teve o tempo necessário para pelo menos mostrar serviço. Isso porque o queridinho Cuca estava disponível no mercado. E o Palmeiras fez que fez até trazer de volta o campeão, abortando a trajetória de Baptista.  A questão é que Cuca não curtiu o que viu, não aprovou os reforços que se juntaram aos campeões no ano anterior. Felipe Melo, Guerra e Borja, as principais contratações, não se firmaram; o futebol não encantou e a campanha não emplacou. Sobrou pra Cuca antes mesmo de a temporada terminar. Ora, não era ele o nome ideal para o Palmeiras? Se tornou incompetente apenas dez meses depois de quebrar um jejum de 22 anos sem título brasileiro? A demissão de Cuca realmente prova que embora o Palmeiras tenha dinheiro em caixa, a gestão se assemelha ao amadorismo de clubes menos abastados. O profissionalismo cai por terra no calor dos resultados ruins e não há filosofia preservada em meio à tempestade. É o “salve-se” quem puder de sempre. Coloca-se a cabeça do treinador na bandeja e joga o problema pra frente. E isso é mais do mesmo!

Clayson, o homem gol!

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(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Clayson entrou aos 16 do segundo tempo no lugar do volante Maycon. Naquela altura, o Coritiba era melhor do jogo, domínio que mantinha desde meados da etapa inicial. E não é que o atacante correspondeu às expectativas do chefe Carille? Ele marcou aos 34 e aos 43 pra garantir a vitória corintiana e deixar a taça mais perto do Parque São Jorge. Chama a atenção a boa fase do atacante autor de quatro dos últimos cinco gols corintianos. Assim como aconteceu contra São Paulo e Cruzeiro foram gols salvadores. Na noite de hoje, o time corintiano não perdia, mas estavas prestes a perder apesar de ter saído na frente. Um gol de Jô logo aos  dez minutos, após magistral assistência de Jadson, insinuou uma vitória tranquila sobre o Coritiba em Itaquera. Mas o que se viu depois foi Cássio brilhar com pelo menos duas defesas sensacionais. Uma num cabeceio pro chão de Cléber e outra numa finalização de Henrique. O time paranaense estava bem melhor no jogo, mais agressivo, mais eficiente e acabou premiado com o empate após cobrança de escanteio. Henrique Almeida, inacreditavelmente livre de marcação na pequena área, enfiou a cabeça na bola pra empatar. Não fosse Cássio, o Coxa teria virado no segundo tempo. Tudo mudou quando o “homem gol” entrou. E assim, o Timão segue mais líder do que nunca.

Santos surpreende e encosta

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Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Não foi daquelas partidas memoráveis esse Palmeiras e Santos de hoje. Longe disso! Aliás, grandes jogos são algo cada vez mais raro no futebol brasileiro. Porém, se não foi um espetáculo daqueles, o jogo pelo menos foi disputado. Mais equilibrado no primeiro tempo, e com predomínio palmeirense no segundo. Apesar do predomínio do anfitrião, o Santos foi mais efetivo e aproveitou a única chance que teve com Ricardo Oliveira em lance muito criticado pelos palmeirenses no início da jogada quando Copete levou a melhor sobre Guerra no duelo entre colombianos. Lance legal, segundo o próprio Cuca, que determinou a sorte da partida. Os santistas agora estão a sete pontos do líder Corinthians. o Palmeiras segue 11 atrás e torce intensamente pelo palestra mineiro amanhã. Se der Cruzeiro contra o Corinthians restará um pequena luz no fim do túnel. Caso contrário, é bom se contentar com Libertadores no ano que vem.

Vitória pra manter a esperança

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Um gol solitário de Jean contra o Coritiba e a diferença para o líder Corinthians se mantém em 13 pontos. O Palmeiras é quarto colocado, mas diz sonhar ainda com o título. O discurso nem poderia ser outro, a questão é ter razões pra acreditar. Mesmo se o rival fizer tudo errado, o Verdão precisa jogar muito mais do que tem jogado. Hoje venceu, porém não convenceu. Nem de longe lembra a performance campeã do ano passado. Time desorganizado e pouco inspirado.  Faltam ainda 14 rodadas e Cuca precisa fazer mágica pra manter vivo esse sonho. A Libertadores que é o primeiro objetivo se mantém próxima e parece racionalmente o mais viável.

Jô tem crédito

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Muito se falou durante os últimos dias da queda de rendimento do Corinthians, da sequência rara sem vitórias (três jogos apenas), da possível aproximação dos rivais e o que se vê ao final da rodada? O Timão líder com vantagem ainda maior sobre seu mais forte concorrente na briga pela taça: o Grêmio. Claro que o time gaúcho deu uma ajuda e tanto ao cair em casa diante da rebaixável Chapecoense. Para o Santos, terceiro colocado, a diferença voltou a 13. Mas fato é que contra o Vasco, em Itaquera, mesmo sem ser brilhante, o líder buscou o gol, jogou mais que o rival e mereceu a vitória. Vitória polêmica devido ao suposto toque de Jô com a mão quando a bola já tinha endereço certo após cruzamento de Marquinhos Gabriel. O atacante diz que se jogou na bola e não tem convicção sobre o eventual toque. Já os vascaínos acusam o atacante de falta de “fair play”. De qualquer forma, é bom lembrar que o mesmo Jô já teve dois gols legais, erroneamente anulados pela arbitragem neste Brasileirão – um no jogo contra o Coritiba na capital paranaense e outro contra o Flamengo em Itaquera.  Portanto, no jogo dos erros, o camisa 7 ainda tem crédito. O atacante também tem crédito quanto à postura em campo o que não cria muitas dúvidas sobre a sinceridade da declaração sobre o lance após a partida. Então, segue o jogo!

Corinthians patina

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Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Dono da melhor campanha em um primeiro turno na história do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, o Corinthians é uma decepção no segundo. Ganhou apenas três dos 12 pontos disputados até aqui. A queda de rendimento é visível, especialmente de jogadores que fazem a criação do time, casos de Rodriguinho e Jadson. E a queda na tabela só não acompanha os resultados porque os rivais também têm patinado, vide Grêmio no Rio contra o Vasco e o Palmeiras em Minas contra o Atlético (pelas circunstâncias, ótimo resultado para o Verdão) nesta rodada. No clássico de hoje, o Corinthians até que criou certa dificuldade para o goleiro Vanderlei, mas viu o rival explorar com mais eficiência os contra-ataques e assim construir o justo placar na Vila Belmiro. Não fosse Cássio, o time anfitrião já teria terminado o primeiro tempo em vantagem. Para os corintianos fica cada vez mais claro que o campeonato está aberto, embora muito mais próximo do clube de coração do que para os outros. Já para o Santos, de certa forma vivo na briga pelo título, o efeito maior da vitória de hoje está no espírito da equipe para o jogo de quarta pela Libertadores no Equador. O Peixe vai com moral alto pra encarar o Barcelona sonhando alto. A fase é de quartas-de-final, mas o título é um sonho possível.

A paz de um lado, e a lama de outro

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Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Se o Palmeiras buscava a paz, depois de hoje a encontrou de novo. Tanto que até uma reconciliação com Felipe Melo é especulada. Nada a ver com a goleada deste domingo sobre o rival São Paulo, garante o técnico Cuca. Mas a vitória, sem dúvida, traz novos ares ao Palestra. Foi contundente e justa, embora as circunstâncias poderiam ditar outro resultado. Rodrigo Caio perdera um gol incrível embaixo das traves quando o placar apontava 2 a 2. Pouco depois, num contra-ataque rápido o São Paulo tinha três atletas contra dois palmeirenses. Era a chance de matar o jogo, mas Marcos Guilherme foi fominha, prendeu e perdeu a bola para Edu Dracena e na sequência da jogada Keno fez 3 a 2. Abalado, o Tricolor assistiu ao Verdão chegar ao quarto gol com Hyoran. Vitória que pacifica e alivia. Do lado são-paulino, a segunda divisão parece cada vez mais possível, não pelos jogadores que tem, porém pela postura diante do quadro. Perdeu uma posição para o Avaí e nesta segunda pode perder mais uma para o Vitória. Tem lama até o pescoço e vai ter que ter muita força pra sair deste buraco.

Entre a paz e a lama

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Sob o olhar frio dos números, difícil não ver com preocupação a situação do São Paulo no campeonato às vésperas do clássico contra o Palmeiras. O time está na zona de rebaixamento, local de onde tenta sair desde a 11º rodada quando foi derrotado pelo Flamengo no Rio de Janeiro, ainda sob o comando de Rogério Ceni. Desde então, o Tricolor às vezes coloca um pé fora da lama, mas logo volta a afundar  os dois no lamaçal do descenso. Já o Palmeiras, quarto colocado no Brasileirão, na zona de classificação para a Libertadores, também sob visão racional, vive situação bem mais confortável, capaz até de despertar certa inveja no rival deste domingo.

A questão é que na prática nem tudo é o que parece ser. Nas alamedas do Palestra Itália, o clima é bem mais pesado do que no Morumbi, fruto da expectativa frustrada de ganhar a América e quiçá conquistar o mundo para por fim ao bullying dos detratores que não reconhecem a Copa Rio. Todo investimento se transformou em pó na medida que se colocaram longe de alcance as taças do Paulistão, da Copa do Brasil e da tão sonhada Libertadores da América. Cuca, o aclamado técnico campeão, agora está longe de ser unanimidade e embora diga que fica, afirmação subscrita pela diretoria, ainda é refém dos resultados e pode seguir balançando entre o prestígio e a revolta. Por outro lado, mesmo na zona da degola, Dorival goza de mais prestígio, até mesmo de mais tranquilidade, nesta busca por resultado mais modesto: Escapar do rebaixamento.  O peso palmeirense pode aliviar os são-paulinos, cientes de que derrota pode afundar até o pescoço na lama. Para o Palmeiras não há lama à vista, mas falta a paz, a princípio, bem mais difícil de conquistar.

Campanha e sorte de campeão

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O texto estava praticamente pronto. Nada parecia mudar o cenário de zero a zero na Arena Condá. O Corinthians até que tomou a iniciativa. Diferentemente da maioria das vezes que jogou neste campeonato, o time comandado por Fabio Carille teve a posse de bola por mais tempo, buscou mais o jogo, mas não criava o suficiente para vencer. E neste cenário de poucas chances, quando chegou ao gol fez na ilegalidade. Rodriguinho antes de empurrar para as redes tocara com a mão na bola, lance imediatamente impugnado pela arbitragem. Romero também teve uma chance de ouro após cruzamento da esquerda. O paraguaio, entretanto, que faz ótima temporada, desta vez deu uma de perna de pau e finalizou de forma bisonha. Do outro lado, a Chapecoense alimentava esperança nas bolas esticadas, nada que realmente pudesse assustar o líder. Na única boa oportunidade criada, Léo Santos salvou praticamente debaixo do gol. O zero a zero parecia o mais justo pelo que se via em campo, até aparecer Jô, artilheiro do campeonato para marcar aos 44, garantir a vitória e aumentar a diferença para o vice-líder em dez pontos. A campanha é de campeão e a sorte também!