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Ares de final

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O bom senso diz que a taça num sistema de pontos corridos é conquistada ao longo da competição, da primeira à última rodada todos os jogos são decisivos. Insanidade discordar da tese, por mais do contra que você seja. Por outro lado, inegável também o fato de que Corinthians e Palmeiras decidem o campeonato neste domingo. “Mas e o Santos?” deve estar perguntando o santista ou qualquer outra pessoa mais sensata. O Santos está na briga sim, pode até tirar proveito deste confronto, ao mesmo tempo que é uma incógnita agora sob o comando de Elano. O futebol apresentado pelo quadro da Vila  também não o credencia como postulante ao título. Por isso, as atenções se voltam à Itaquera e seus ares de final.

O Corinthians ainda goza de boa vantagem considerando que faltarão apenas seis rodadas depois do clássico. Uma vitória sobre o rival, domingo, praticamente sela a disputa. Aumenta a vantagem que já é grande e enche de moral equipe cuja confiança está abalada com a forte aproximação dos rivais, fruto da queda já prevista lá trás pelo gremista Renato Gaúcho. Derrota, entretanto, vai aprofundar o estrago psicológico e as estruturas do Parque São Jorge vão sofrer abalos sísmicos avassaladores. Mesmo mantendo ainda dois pontos à frente do arqui-inimigo difícil imaginar que a equipe de Carille encontre forças pra sair dos escombros. É morte certa, derradeira.

Por outro lado, o Palmeiras sabe que só a vitória pode salvar uma temporada que parecia morta, mas que acordou do coma com a chegada de Valentin. O mérito do novo comandante, abrir as portas pra Keno e Borja, jogadores que estão fazendo a diferença nos últimos jogos. São as maiores esperanças de sucesso no clássico de domingo. Se mantiverem o ritmo, podem colocar fogo de vez num campeonato morno na maior parte do tempo. Salvam a si mesmos e, de quebra, o combalido Brasileirão 2017.  Se em Itaquera a energia será corintiana com mais de 40 mil apoiadores, fora dela, o Palmeiras será gritado por centenas de milhares que querem ver o circo pegar fogo. Aos santistas, um empate será de bom tamanho, desde que vençam o Atlético Mineiro de Robinho, tarefa aparentemente muito mais difícil. De certo mesmo, é que o clássico de domingo será disputado do início ao fim de maneira tensa e emocionante. Uma final antecipada! Que esteja à altura das expectativas nele colocadas.

São Paulo sobe, já o Santos…

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Lucas Lima. (Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press)

O clássico de hoje no Pacaembu foi bem movimentado, especialmente no primeiro tempo quando saíram os gols da partida, todos golaços, diga-se de passagem. Mas se os gols foram bonitos, o mesmo não se pode dizer da partida. Muitos erros de passes, poucas chances criadas e rara inspiração. Melhor para o São Paulo que soube aproveitar os vacilos santistas e agora respira bem mais tranquilo na briga pra fugir da degola. Venceu a segunda seguida, ganhou confiança e moral nesta luta pela sobrevivência.

Sobre o Peixe… Se alguém acordou do coma e assistiu ao jogo não vai acreditar que o Santos está na briga pelo título. O futebol do time apresentado por Levir Culpi foi de tirar a paciência até de monge budista. Erros absurdos de passes, muitas vezes fruto de displicência e falta de concentração. Lucas Lima nem de longe lembra aquele atleta que teria despertado o interesse do Barcelona (segundo dizem) e que chegou à seleção brasileira. Foi o pior da partida e em alguns momentos ficou a sensação de que realmente ele não estava afim de jogar. Mais digno seria deixar o clube de vez, caso essa sensação corresponda à verdade. Não é a queda técnica apenas que chama a atenção, mas sim a falta de entrega, a pulsação ausente que beira à falta de profissionalismo.  Não se trata apregoar amor ao clube e sim de justificar o que se ganha com suor e vontade.

São Paulo respira mais aliviado

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Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O técnico Dorival Junior não concorda com o título acima. Pra ele não tem alívio, apesar de o São Paulo viver melhor momento na tabela de classificação desde que assumiu o time. Pesa para a desconfiança do treinador a irregularidade da equipe capaz fazer de um jogo bom como o de hoje contra o Flamengo e, ao mesmo tempo, ser irritantemente apática como na derrota de quarta-feira para o Fluminense. O que virá contra o Santos na próxima rodada, por exemplo? Nem o treinador sabe, embora espere o mesmo espírito apresentado neste domingo no Pacaembu.

A reverência à performance do time contra os flamenguistas é justa, nada porém que traga grandes ilusões ao torcedor. É bom que se diga que não foi nada de outro mundo. O São Paulo fez um bom primeiro tempo, foi eficiente ao marcar os gols, porém o domínio foi do Flamengo que teve a posse de bola e obrigou Sidão a fazer boas defesas. Faltou inspiração aos cariocas que martelaram a defesa são-paulina sem êxito.

Depois de tanto tempo na zona da degola, o Tricolor finalmente vai ficar mais rodada fora da lama. A rodada ajudou muito, especialmente os tropeços de Ponte, Coritiba, Sport e Vitória. Agora é manter o nível pra fazer jus ao que o torcedor sempre gritou com orgulho: “time grande não cai”.

Muita luta, pouco futebol

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Foto: Djalma Vassao/Gazeta Press

Tinha tudo pra ser um grande jogo. Casa cheia, cânticos inflamados da torcida e confronto do líder contra o vice-líder. A emoção, entretanto, ficou de fora. Corinthians e Grêmio brigaram muito pela bola, mas pouco criaram. Tirando um cabeceio de Jô que passou rente à trave gremista, nada a destacar num primeiro tempo aquém das expectativas.

O quadro se repetiu na etapa final. Cássio e Grohe praticamente se juntaram aos mais de 40 mil torcedores que pagaram ingresso e assistiram à partida. Uma bola na trave numa falta cobrada por Edilson foi o pico das sensações. O 0 a 0 retrata bem o momento do futebol brasileiro. Times burocráticos e pouco criativos que se sobressaem pela solidez defensiva. Que Grêmio e Corinthians marcaram demais, isso não se discute, porém não tira o gosto amargo na boca dos amantes do bom futebol. Em termos de classificação, foi bom para o líder que mantém a diferença para o rival. Bom também para Santos e Palmeiras que jogam amanhã contra Sport e Ponte Preta respectivamente e alimentam a expectativa de encostar um pouco mais. É esperar pra ver!

Triste São Paulo

No Rio, o São Paulo caiu diante do Fluminense e pode novamente amargar a zona do rebaixamento já nesta rodada. Se o Sport passar pelo Santos, o Vitória vencer o Atlético Paranaense e a Ponte surpreender o Palmeiras no Pacaembu – o que é mais difícil – o Tricolor será 16º colocado. Que fase! Não tem respiro, não tem tranquilidade. O são-paulino pelo jeito vai sofrer até o final, até o derradeiro segundo.

 

Muito dinheiro, pouca competência

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O Palmeiras, campeão brasileiro de 2016, adentrou 2017 como maior postulante a títulos da temporada. Investiu pesado pra ter os campeões sul-americanos Guerra e Borja, além de Felipe Melo, veterano mas vencedor, só pra citar alguns. Eram nomes pra compensar a saída de Gabriel Jesus e fortalecer ainda mais o esquadrão.  Apostou também em Eduardo Baptista pra comandar o elenco. Aí, começam os atropelos da diretoria tão elogiada na temporada passada. Eduardo não tinha o perfil ideal para o comando da equipe. Pra piorar, não teve o tempo necessário para pelo menos mostrar serviço. Isso porque o queridinho Cuca estava disponível no mercado. E o Palmeiras fez que fez até trazer de volta o campeão, abortando a trajetória de Baptista.  A questão é que Cuca não curtiu o que viu, não aprovou os reforços que se juntaram aos campeões no ano anterior. Felipe Melo, Guerra e Borja, as principais contratações, não se firmaram; o futebol não encantou e a campanha não emplacou. Sobrou pra Cuca antes mesmo de a temporada terminar. Ora, não era ele o nome ideal para o Palmeiras? Se tornou incompetente apenas dez meses depois de quebrar um jejum de 22 anos sem título brasileiro? A demissão de Cuca realmente prova que embora o Palmeiras tenha dinheiro em caixa, a gestão se assemelha ao amadorismo de clubes menos abastados. O profissionalismo cai por terra no calor dos resultados ruins e não há filosofia preservada em meio à tempestade. É o “salve-se” quem puder de sempre. Coloca-se a cabeça do treinador na bandeja e joga o problema pra frente. E isso é mais do mesmo!

Clayson, o homem gol!

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(Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press)

Clayson entrou aos 16 do segundo tempo no lugar do volante Maycon. Naquela altura, o Coritiba era melhor do jogo, domínio que mantinha desde meados da etapa inicial. E não é que o atacante correspondeu às expectativas do chefe Carille? Ele marcou aos 34 e aos 43 pra garantir a vitória corintiana e deixar a taça mais perto do Parque São Jorge. Chama a atenção a boa fase do atacante autor de quatro dos últimos cinco gols corintianos. Assim como aconteceu contra São Paulo e Cruzeiro foram gols salvadores. Na noite de hoje, o time corintiano não perdia, mas estavas prestes a perder apesar de ter saído na frente. Um gol de Jô logo aos  dez minutos, após magistral assistência de Jadson, insinuou uma vitória tranquila sobre o Coritiba em Itaquera. Mas o que se viu depois foi Cássio brilhar com pelo menos duas defesas sensacionais. Uma num cabeceio pro chão de Cléber e outra numa finalização de Henrique. O time paranaense estava bem melhor no jogo, mais agressivo, mais eficiente e acabou premiado com o empate após cobrança de escanteio. Henrique Almeida, inacreditavelmente livre de marcação na pequena área, enfiou a cabeça na bola pra empatar. Não fosse Cássio, o Coxa teria virado no segundo tempo. Tudo mudou quando o “homem gol” entrou. E assim, o Timão segue mais líder do que nunca.

Santos surpreende e encosta

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Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Não foi daquelas partidas memoráveis esse Palmeiras e Santos de hoje. Longe disso! Aliás, grandes jogos são algo cada vez mais raro no futebol brasileiro. Porém, se não foi um espetáculo daqueles, o jogo pelo menos foi disputado. Mais equilibrado no primeiro tempo, e com predomínio palmeirense no segundo. Apesar do predomínio do anfitrião, o Santos foi mais efetivo e aproveitou a única chance que teve com Ricardo Oliveira em lance muito criticado pelos palmeirenses no início da jogada quando Copete levou a melhor sobre Guerra no duelo entre colombianos. Lance legal, segundo o próprio Cuca, que determinou a sorte da partida. Os santistas agora estão a sete pontos do líder Corinthians. o Palmeiras segue 11 atrás e torce intensamente pelo palestra mineiro amanhã. Se der Cruzeiro contra o Corinthians restará um pequena luz no fim do túnel. Caso contrário, é bom se contentar com Libertadores no ano que vem.

Vitória pra manter a esperança

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Um gol solitário de Jean contra o Coritiba e a diferença para o líder Corinthians se mantém em 13 pontos. O Palmeiras é quarto colocado, mas diz sonhar ainda com o título. O discurso nem poderia ser outro, a questão é ter razões pra acreditar. Mesmo se o rival fizer tudo errado, o Verdão precisa jogar muito mais do que tem jogado. Hoje venceu, porém não convenceu. Nem de longe lembra a performance campeã do ano passado. Time desorganizado e pouco inspirado.  Faltam ainda 14 rodadas e Cuca precisa fazer mágica pra manter vivo esse sonho. A Libertadores que é o primeiro objetivo se mantém próxima e parece racionalmente o mais viável.

Jô tem crédito

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Muito se falou durante os últimos dias da queda de rendimento do Corinthians, da sequência rara sem vitórias (três jogos apenas), da possível aproximação dos rivais e o que se vê ao final da rodada? O Timão líder com vantagem ainda maior sobre seu mais forte concorrente na briga pela taça: o Grêmio. Claro que o time gaúcho deu uma ajuda e tanto ao cair em casa diante da rebaixável Chapecoense. Para o Santos, terceiro colocado, a diferença voltou a 13. Mas fato é que contra o Vasco, em Itaquera, mesmo sem ser brilhante, o líder buscou o gol, jogou mais que o rival e mereceu a vitória. Vitória polêmica devido ao suposto toque de Jô com a mão quando a bola já tinha endereço certo após cruzamento de Marquinhos Gabriel. O atacante diz que se jogou na bola e não tem convicção sobre o eventual toque. Já os vascaínos acusam o atacante de falta de “fair play”. De qualquer forma, é bom lembrar que o mesmo Jô já teve dois gols legais, erroneamente anulados pela arbitragem neste Brasileirão – um no jogo contra o Coritiba na capital paranaense e outro contra o Flamengo em Itaquera.  Portanto, no jogo dos erros, o camisa 7 ainda tem crédito. O atacante também tem crédito quanto à postura em campo o que não cria muitas dúvidas sobre a sinceridade da declaração sobre o lance após a partida. Então, segue o jogo!

Corinthians patina

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Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Dono da melhor campanha em um primeiro turno na história do Campeonato Brasileiro por pontos corridos, o Corinthians é uma decepção no segundo. Ganhou apenas três dos 12 pontos disputados até aqui. A queda de rendimento é visível, especialmente de jogadores que fazem a criação do time, casos de Rodriguinho e Jadson. E a queda na tabela só não acompanha os resultados porque os rivais também têm patinado, vide Grêmio no Rio contra o Vasco e o Palmeiras em Minas contra o Atlético (pelas circunstâncias, ótimo resultado para o Verdão) nesta rodada. No clássico de hoje, o Corinthians até que criou certa dificuldade para o goleiro Vanderlei, mas viu o rival explorar com mais eficiência os contra-ataques e assim construir o justo placar na Vila Belmiro. Não fosse Cássio, o time anfitrião já teria terminado o primeiro tempo em vantagem. Para os corintianos fica cada vez mais claro que o campeonato está aberto, embora muito mais próximo do clube de coração do que para os outros. Já para o Santos, de certa forma vivo na briga pelo título, o efeito maior da vitória de hoje está no espírito da equipe para o jogo de quarta pela Libertadores no Equador. O Peixe vai com moral alto pra encarar o Barcelona sonhando alto. A fase é de quartas-de-final, mas o título é um sonho possível.