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Corinthians que lembra Osvaldo Brandão

Leia o post original por Flavio Prado

Impressionante o Corinthians. 86,7 % de aproveitamento é um absurdo. Completamente fora do normal em qualquer lugar do mundo da bola. Aí você vai olhar o elenco e ele não é brilhante. Mas tem uma disciplina tática admirável. E esse time, que faz um gol e já sabemos que o jogo está decidido, me fez lembrar um Palmeiras de Osvaldo Brandão. Não estou comparando histórias, até porque esse Corinthians está começando a construí-la e aquele Palmeiras virou uma equipe de sonhos. Mas, corria o ano de 1972 e o São Paulo tinha um timaço, pós construção do Morumbi. Era bi campeão paulista num tempo em que os regionais eram de fato importantes.

O Palmeiras ia moldando sua segunda Academia. Viria a ser um time histórico, mas ainda não era. Só que não perdeu de ninguém, foi campeão invicto. Era 1 a 0 para todo lado. Fazia um gol e fim de conversa. E não usava muitos profissionais. Eram 14, 15 jogadores no máximo. O esforçado Fedato entrava sempre. Como o Paulo Roberto joga em várias posições nessa equipe de Fábio Carille, mesmo sem ser brilhante.

Claro que haviam alguns talentos naquele Palmeiras. Um gênio, Ademir Guia, o espetacular Luiz Pereira e um goleiro histórico como Leão. Mas Eurico, Zeca, Edu Bala, Nei, Alfredo Mostarda, eram bons jogadores, que ficaram excelentes no contexto do grupo. Leivinha, um jovem, evoluiu ainda mais com essa equipe. E Cesar fazia gols com sua força e ainda mais confiança, que os bons resultados traziam. Quando não conseguia, entrava o Fedato e então ele marcava.

Grupos que funcionam e todos ficam maiores. O Corinthians de hoje tem Paulo Roberto, Romero, Maycon, Balbuena, Pablo, enfim bons, mas que crescem a cada partida porque a confiança está lá em cima. Assim é o futebol. E atualmente mais ainda. O coletivo, muitas vezes, supera as melhores individualidades. O elenco atual do Corinthians é menor em qualidade do que do Palmeiras, Flamengo e Atlético Mineiro. Mas e daí? Na prática é o que tem resolvido.

Salvem Fábio Carille e sua comissão de trabalhadores. Fabinho, Leandro Cuca, Osmar Loss e o pessoal que põe a mão na massa e passa a mensagem, que se espera, de forma correta. E as coisas estão saindo muito além do esperado. Por mais que se tente programar, 86,7% é algo que ninguém pode prever. Não há gestão que consiga propor essa conta. Até porque, na média com bem menos que isso, perto de 70%, dá para se ganhar o título brasileiro. E esse time modesto do Corinthians, está sobrando também nos percentuais.

Corinthians segue líder

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(Foto: Djalma Vassao/Gazeta Press)

Mais uma vitória do líder Corinthians em Itaquera. O Bahia é um time bem organizado, surpreendeu o Corinthians nos primeiros minutos com marcação adiantada e deu trabalho para Cássio, mas não é fácil jogar contra o time de Carille.

O Corinthians mesmo quando não está bem não sofre muito e tem força e organização para estabilizar e se acertar no jogo.

O time evoluiu com posse de bola, as triangulações pelo lado são muito bem feitas, o Corinthians tem a melhor dupla de laterais do Brasil. Fágner e Arana contam com o apoio e a aproximação de Romero, Maycon, Rodriguinho e Jádson nas tabelas.

Ainda é cedo para falar em título ou final antecipada contra o Grêmio, mas não imagino uma queda grande do Corinthians. O time é muito regular, sofre poucos gols e consequentemente perde pouco.

Uma brincadeira muito séria

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Faz parte do futebol de hoje o Cartola FC. Em vários locais do mundo existem esses jogos, que ajudam a agitar os Campeonatos e que são discutidos tanto quanto algumas partidas. No Brasil a brincadeira caiu no gosto das pessoas. A Globo organiza e divulga amplamente. A princípio é bem legal. Só que estamos no Brasil e aqui até a mais simples ação pode se transformar em coisa errada e perigosa.

Para participar do Cartola ninguém precisa gastar dinheiro. Mas muitas “Ligas” paralelas foram criadas por participantes. Eles aproveitam a estrutura e fazem competições entre grupos de pessoas valendo muito dinheiro. Apostas pesadas ocorrem e acabam significando uma jogatina, que não tem nada com o futebol e muito menos com a ideia original do Cartola.

Só que isso está sobrando para os jogadores. Vários já sofreram ameaças por terem feito faltas, expulsões ou pênaltis perdidos. Como se não bastassem os torcedores insatisfeitos com suas equipes, agora há cobrança de “jogadores” viciados, que perdem ou ganham fortunas de acordo com o que ocorre num jogo de futebol.

Mais de um atleta já confessou que deixou de fazer uma falta para não ser expulso e “perder pontos no Cartola”. E isso gera conflitos em vestiários. Hoje já é possível notar-se, claramente, o descontentamento de profissionais questionados sobre o tema. Outro dia uma repórter perguntou a Lucas Pratto o que significava “ser o mais escalado no Cartola”. E ele irritado retrucou:

– Quem me escala é o Rogério Ceni.

No rumo que as coisas vão não será surpresa se aparecerem “compradores” de ações e resultados em partidas ligadas ao Cartola. Desonestidade existe em todo lugar e no futebol, então, o que não falta é esse tipo de gente. A inocente brincadeira está ficando muito séria. Já teve briga de jogador com gente que o questionou na rua por uma falha. E essa pressão extra só tende a crescer. O alerta está feito. A intenção do Cartola é muito boa. Mas a realidade está sendo bem diferente.

Coritiba e Corinthians: bom início

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Foto: Gazeta Press

Coritiba e Corinthians estão muito bem no início do campeonato. Na pontuação e no desempenho.

Nos últimos anos, o Coritiba lutou apenas contra o rebaixamento e neste ano a briga inicial é a mesma, mas o time mostra mais qualidade, deve aproveitar o bom início para somar pontos e garantir seu primeiro objetivo, quem sabe depois possa sonhar um pouco mais.

O Corinthians mostrou a consistência defensiva habitual. Qualquer time tem dificuldade para finalizar contra a equipe de Carille, são poucos espaços para acelerar contra o Corinthians.

Uma pequena fragilidade apresentada nestas primeiras rodadas é a bola aérea. O time sofreu gols em outros jogos e foi ameaçado pelo Coritiba desta forma, Carille ainda tenta ajustar a marcação nas bolas paradas.

Com a bola, o time está muito bem nas triangulações principalmente pelo lado. Falta um pouco mais de velocidade nos contra-ataques.

 

Bem clássico mesmo

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Foi um jogo bem agitado. Rogério Ceni começou com num time muito pesado e o Corinthians passeou nos primeiros minutos. Poderia ter feito de 3 a 4 gols. As chances foram claras. Aí veio o empate. E com ele o retorno da confiança do São Paulo. E mais do que isso, as linhas de compactaram. Equilíbrio com o Corinthians procurando mais o gol. Numa falha de Maicon , coadjuvado por Lucão saiu o segundo do time da casa.

No começo do segundo tempo com Rogério Ceni retomando a linha de quatro zagueiros o São Paulo saiu para o ataque, mas aí tinha que dar ao adversário o que ele mais gosta, ou seja o contra ataque. O natural 3 a 1 parecia definir o jogo, embora o São Paulo insistisse no ataque, mesmo deixando os naturais espaços para tomar mais gols.

Fez 3 a 2, relembrando a todos que falávamos do Majestoso. E até o final foi um jogo de sufoco na Arena do Corinthians. 3 a 2. Como nos velhos tempos emoção e gols. O time que parecia morto no começo cresceu mesmo na adversidade. Assim são os clássicos. A vitória foi justa. Mas ficou claro que, perder muitas chances num jogo desse porte, acaba significando sofrimento no final.

 

Resultado bom, desempenho razoável

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Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press

O Palmeiras conquistou uma importante vitória contra o Fluminense. O resultado é fundamental na tabela, no campeonato por pontos corridos não é fácil tirar grande diferença, e principalmente pode dar um pouco mais de tranquilidade para o time.

No primeiro tempo, o Palmeiras saiu na frente, mas ainda é um time que tem dificuldade para controlar o jogo. O time é agressivo e acelerado, com isso permite muitas chances ao adversário, o Fluminense empatou, o Palmeiras conseguiu o 2×1 e só não tomou o empate na sequência porque Fernando Prass fez ótima defesa no chute de Henrique Dourado.

A segunda etapa foi em um ritmo mais lento, favorável para quem tinha vantagem. Só no final que o jogo ficou mais aberto, o time carioca saiu com tudo, Prass evitou o empate na cabeçada de Marcos Júnior e logo depois, Róger Guedes matou no contra-ataque.

A vitória é importante, Cuca não terá tempo para treinar, como teve em 2016. O acerto virá com bola rolando e o resultado é fundamental para que a evolução venha naturalmente.

Surge um novo protaganista

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O Brasil perdeu o primeiro jogo com Tite no comando. Normal. Poderia ter empatado com um pouquinho de sorte. Não teve Neymar, Daniel Alves e Marcelo, o que convenhamos, não é pouca coisa. De qualquer forma, derrota para a Argentina não é nada do outro mundo.

O que chama a atenção é que a Argentina, claramente, voltou a ser forte. Com Jorge Sampaolli vê-se um time, não um bando de bons jogadores em busca de resoluções individuais. Mesmo com apenas alguns dias de trabalho, o novo treinador passou conceitos de marcação avançada, posse de bola e velocidade de jogo, que não existiam com Edgardo Bauza. E atletas de nível a Argentina tem.

O processo assemelha-se ao que ocorreu com o Brasil quando Tite chegou. Com Dunga o jogo coletivo era inexistente. Tite trouxe suas idéias do Corinthians para a seleção. Além de trabalhar mais a gestão de grupo, que parecia bastante ruim nos tempos do antigo técnico.

A Argentina ainda precisa lutar para se classificar. O Brasil já está na Copa do Mundo. Isso faz toda diferença. Mas o alerta foi dado. Especialmente no primeiro tempo quando vimos os portenhos melhores. A defesa ainda é falha, Dybala jogou menos que pode e quando apertou o Brasil achou espaços. Só que agora o respeito é outro. Se o Brasil é um dos favoritos para ganhar o Mundial da Rússia, a Argentina mesmo ainda sem garantir a classificação, entra no grupo dos protagonistas.

São Paulo vence, mas precisa evoluir

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Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

O São Paulo venceu os três jogos como mandante no Campeonato Brasileiro. Mostrar força em casa é fundamental em um campeonato por pontos corridos, mas o desempenho pode ser melhor.

No primeiro tempo, o time buscou muito as jogadas pelo lado, pouca gente entrava na área. Faltou aproximação de Jucilei e Cícero por dentro.

No segundo tempo, Rogério mudou o esquema. Adiantou Militão e montou a equipe no 4-2-3-1, o time melhorou na criação e conseguiu o gol.

Depois da vantagem no placar, o São Paulo teve dificuldades e tomou sufoco do adversário. Ainda falta confiança para se defender com posse de bola. Com a bola, o time não é atacado, talvez falte confiança para ficar com a posse, mesmo que corra riscos no contra-ataque.

Individualmente, vale o destaque para Lucas Pratto. O argentino mesmo nos momentos ruins do time consegue criar jogadas, luta, movimenta e finaliza, é um grande diferencial do São Paulo.

Corinthians : um time que funciona

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Foto: CRVG

Antes o Corinthians era só uma defesa acertada. Fazia um gol e pronto. Agora a pegada é outra. O jogo contra o Vasco mostrou um time a prova de “brancos”. Sim houve uma queda inexplicável nos primeiros minutos do segundo tempo. Dois gols que seriam fatais para o lado psicológico de uma equipe sem confiança. Mas não é o caso. O Vasco chegou a merecer o empate e a virada. Só que tomou de cinco. E jogando em casa.

Não custa lembrar que faltaram Rodriguinho, Fagner e Romero. Figuras importantes no esquema de Fábio Carille, especialmente Rodriguinho. No final, não chegou a fazer falta. O momento é de pleno brilho. O sistema de jogo funciona. E isso com custo bem mais baixo do que Palmeiras, Atlético Mineiro ou Flamengo.

Não dá para dizer até onde chegará. O campeonato é muito longo. Mas uma equipe que não perde há 80 dias e a 18 jogos, precisa ser vista com bastante respeito. O campo está trazendo essa realidade. Agradável surpresa. Hoje tem o melhor jogo coletivo do futebol brasileiro. A liderança não é um acaso.

Pressão atrapalha o Palmeiras

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(Foto: Giuliano Gomes/Gazeta Press)

O Palmeiras fez mais uma partida ruim em Curitiba. O time que mais investiu na temporada tem uma cobrança enorme pelo desempenho e principalmente pelo resultado.

O time jogou muito desfalcado. Mesmo assim poderia apresentar um melhor futebol.

Cuca escalou Thiago Santos e Felipe Melo juntos e com isso perdeu em intensidade e mobilidade no meio-campo. Cuca tem uma forma de atuar e ver futebol muito diferente de Eduardo Baptista e isso pesa. O jogo é coletivo, o Palmeiras saiu de Cuca foi para Eduardo e voltou para Cuca e as coisas não se ajeitam de forma automática.

Leva tempo para o jogo coletivo fluir, mas a pressão enorme em cima do time pesa bastante e tem atrapalhado muito o Palmeiras no ano de 2017. A exigência é maior do que o time pode entregar, claro que o time pode melhorar e conquistar títulos, mas a cobrança é por espetáculo, isso está muito acima do normal.