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Corinthians x Palmeiras

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O clássico deste domingo pode ser decisivo para o Campeonato Brasileiro. Aos poucos, os brasileiros estão entendendo como funciona o campeonato por pontos corridos. Quem vencer em Itaquera não será necessariamente o campeão brasileiro, mas pode dar um passo decisivo, na matemática e no emocional.

O Corinthians até agora não viveu um momento normal na competição. O time de Carille não é aquele imbatível do primeiro turno, mas também não é o time que brigaria para cair com a campanha do segundo turno. No futebol brasileiro a instabilidade é muito grande, o emocional pesa demais, tanto para o bem quanto para o mal.

O Palmeiras faz o caminho oposto. Até pouco tempo, era um time descartado da luta pelo título e com o técnico campeão brasileiro demitido. Assumiu o auxiliar Alberto Valentim, o desempenho melhorou, a tabela e as circunstâncias ajudaram e o time encostou no rival, com a possibilidade de disputar o confronto direto, uma vitória palmeirense coloca muita pressão no Corinthians.

Grande clássico, com cara de final e com times vivendo situações opostas. Promete muito o duelo de Itaquera.

Desempenho é o que mais preocupa no Corinthians

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Os resultados ruins e a diminuição da vantagem na liderança do campeonato preocupam o Corinthians, mas o pior sinal é o baixo desempenho.

O time caiu muito em alguns aspectos, piorou na bola parada defensiva, está mais lento na mudança de postura quando recupera ou perde a bola e individualmente alguns jogadores caíram bastante, principalmente Jádson, Rodriguinho e Arana.

Um vantagem de 6 pontos com 24 em disputa ainda é muito boa, o time pode melhorar tecnicamente e mentalmente, mas o sinal de alerta deve estar ligado.

São Paulo respira

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(Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press)

O São Paulo conseguiu vitória importante contra o Flamengo no Pacaembu. Foi um bom primeiro tempo do time paulista e uma queda no segundo tempo com alguns sustos.

O time é irregular, ainda não conseguiu duas vitórias consecutivas no campeonato, mas se pelo menos fizer sua parte em casa, permanece na primeira divisão.

Difícil imaginar que o time mostre grande evolução no campeonato, as mudanças com bola rolando, a pressão pelo resultado e a troca de técnico são alguns fatores que pesam contra um melhor jogo coletivo, depende muito do dia e das circunstâncias.

Contra o Flamengo, Jucilei retornou ao time como primeiro homem no meio, Petros e Hernanes com mais liberdade e Cueva com liberdade de movimentação, o peruano não ficou preso do lado esquerdo do campo.

O ganha e perde deve continuar até o final do campeonato, o time é o pior visitante, mas pelo menos tem alguns bons momentos como mandante.

Cada vez mais perto

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Foto: Sergio Barzaghi/Gazeta Press

Corinthians e São Paulo são dois grandões. E ambos ficaram mais perto, depois de outra rodada do Brasileiro. O Corinthians mais perto do título e o São Paulo da zona do rebaixamento. Enquanto o Corinthians segurou o Grêmio e conseguiu um importante empate, o São Paulo tomou um passeio do Fluminense no Maracanã.

Faltam nove rodadas e nada mudou para os dois. O São Paulo sempre devendo e correndo riscos reais de cair. Já o Corinthians segue no primeiro lugar e pouco ameaçado. E vendo os jogos entendemos porque. Mesmo perdendo força no segundo turno o time de Carille nunca encontrou nenhum adversário competente, que lhe fizesse frente. Já o São Paulo joga num nível baixo desde o começo do ano e não consegue evoluir para ter uma sequência de qualidade.

Foto: Nelson Perez/FFC

Pelo jeito ficarão assim até o final. O Corinthians fazendo contas para ser campeão o quanto antes, enquanto os torcedores tricolores não só tentarão apoiar desesperadamente sua equipe, como  terão que torcer por insucessos dos times mais frágeis do torneio, para seguirem na Série A. Sinal dos tempos. Há 10 anos com Marcelo Portugal Gouveia no comando do São Paulo e Alberto Dualib no Corinthians, as posições eram invertidas.

Vitória no sufoco

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Foi um sufoco novamente. O São Paulo teve um primeiro tempo de domínio de bola mas sem a menor pressão ao adversário. No segundo tempo o Atlético Paranaense fez um gol e parecia que o enredo seria o mesmo. Um grupo desesperado e exposto a mais contra ataques.

Mas não foi assim. A equipe de Dorival Junior saiu para o risco com tranquilidade. Sabia que poderia tomar o segundo e não se abateu. Empatou e virou. Foi sufocante sim. A equipe está bem longe de não ter mais riscos de rebaixamento. Só que dessa vez fez o que tinha que fazer. Levou um pouco de sorte, compensando os azares de outras jornadas. Vai passar essa rodada fora da zona do rebaixamento.

Que consiga aproveitar para acertar o que falta e finalmente dar algum sossego ao seu torcedor. O ano foi péssimo. A gestão é vergonhosa. Mas com tantas equipes fracas no atual Campeonato Brasileiro, dá para escapar. E nesse quadro o São Paulo já abusou do direito de perder pontos em casa.

Faz 40 anos

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Eu era o próprio punk da periferia como lembrava uma música de Gilberto Gil. Largado, cabeludo, cheio de adereços, calça boca de sino e correntes estranhas no pescoço. Foi assim que cheguei na Tv Record, na Avenida Miruna, em São Paulo. Éramos 3. Milton Peruzzi, o chefe e narrador, Galvão Bueno, o comentarista e eu, o repórter faz tudo. Chegamos numa televisão com muitas dificuldades, num tempo em que se compravam jogos no varejo. Fazia quem queria e na hora que decidisse. Bastava pagar a diferença que completasse a lotação do estádio.

Na Record de vez em quando transmitiam partidas. Dependia de buracos na programação. E aí o diretor artístico, o grande Hélio Ansaldo, comentava, e o chefe de operações, o ex árbitro Silvio Luiz, narrava. Nossa chegada incomodou. Faríamos um programa diário, o Telesportes, que ninguém mais lembra. Até aí tudo bem, mas e o jogos eventuais,  quem transmitiria? O primeiro embate veio quando a Record resolveu, como todas as outras emissoras, bancar a final de 1977. Afinal a cidade estava parada. Pode-se dizer que o país.

O drama do Corinthians de nunca vencer um título transformou-se num bom mote de alienação, também fomentado pela ditadura militar, que não gostara do resultado da eleição para o Senado, um antes em São Paulo, quando Orestes Quércia, da oposição, vencera o candidato da famigerada Arena, Carvalho Pinto. E aquela final de Campeonato Paulista, então muito importante, acabara com todas as discussões paralelas. Era o único assunto que se comentava.

Na Record a decisão sobre quem faria a transmissão estava tomada. Seria uma mescla. O narrador Silvio Luiz  e o comentarista Hélio Ansaldo. Mas como prêmio de consolação, a “turma” do Perruzzi teria o repórter, Flavio Prado. Eu chegara de Lins onde fora cobrir, pela Gazeta Esportiva, São Paulo e Linense na volta ao futebol de Mirandinha, depois de um ano de fratura na perna. Chamado pela chefia descobri que participaria da transmissão da final badalada. Resmunguei. Afinal fora para a Record com Peruzzi e Galvão Bueno e eles estariam de fora.  Mas Peruzzi pediu que eu fosse.

E lá estava eu no ônibus do Anhangabaú, junto com a torcida do Corinthians, a caminho do Morumbi. Tudo lotado, gritaria, insegurança de alguns por causa da importância do momento e em hora cheguei ao estádio rumando não em direção às arquibancadas, como sempre. Mas sim para o gramado.

E aí começou aquela gritaria maluca, fora do convencional, com palavreado de duplo sentido do tal Silvio Luiz. Hélio Ansaldo falava pouco. Eu era muito acionado e tinha boas informações. E assim passaram-se os 90 minutos. No gol do Basílio me emocionei com a emoção dos  corintianos e no fim assisti de perto pessoas atravessando o campo de joelhos, comendo grama, “roubando” pedaços da rede numa alucinação coletiva. Não tinha noção do momento histórico que vivia. Nem me despedi dos telespectadores pois meu fio arrebentou-se no meio da confusão.

Passei a noite na rua. Não tinha como atravessar a cidade no transporte público com as ruas tomadas por tanta gente. Na manhã seguinte cheguei na Record e o clima lembrava o do Morumbi. As pessoas estavam felizes. A chefia tinha adorado e os índices de audiência foram ótimos. Alguns meses depois fomos chamado à sala de Paulinho de Carvalho, o presidente da emissora. Ele avisou que tinha os direitos do Mundial da Argentina. E que a Record estaria lá.

Minha missão seria cobrir a seleção brasileira de Claudio Coutinho. Fiquei pasmo. De repente tudo mudara. O “maloqueiro” da periferia estaria numa Copa do Mundo. E assim foi. A narração da final de 77 mudara a minha vida, como a de Basílio, o querido Pé de Anjo. Hoje conto essa história quase como uma ficção. Parece que não existiu. Mas as imagens que sobraram daquele dia me mostram correndo atrás dos jogadores campeões, junto com Cândido Garcia, Fausto Silva, Henrique Guilherme e tantos outros nomes importantes da imprensa brasileira.

Passado não leva a nada. O passado passou. Olho o futuro com muita alegria e poucas vezes me remeto ao que já se foi. Mas ontem encontrei Basilio, o Professor Teixeira, preparador físico daquele time e seu auxiliar Benê Ramos. Eles comemoravam o feito de 1977 com o sobrinho do treinador, Osvaldo Brandão. Conversamos e rimos muito. Faz 40 anos que Deus me levou àquela transmissão. A Silvio Luiz, a Hélio Ansaldo e a tanta gente decisiva na vida da minha família. Há 40 anos eu ouvia pela primeira vez:

– O que é que só você viu, Flavio Prado?

E hoje responde com orgulho:

-Vi que as coisas mudaram para muito melhor. E que Deus usou aquele jogo para abrir não só as boas portas para Basílio, mas para mim também.

 

Bem vindos, melhores

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Foi muito emocionante a última rodada da Eliminatórias Sul Americana. Os melhores, os que estão jogando futebol mais bonito, passaram, inclusive o Peru que foi para a repescagem. O Chile de Pizzi está muito longe dos criativos times recentes de Marcelo Bielsa e Jorge Sampaoli. O Paraguai, apesar da brilhante recuperação na fase final, tem um jeito feio de jogar futebol, enquanto o Peru de Gareca atua de forma bem mais agradável.

O Brasil de Tite é muito bom. A Argentina tem Messi e a Colômbia, apesar das irregularidades, merece estar no Mundial. Só o Uruguai com seu jeito bruto e competitivo tradicional é que destoa no grupo sul americano que vai à Rússia. Brasil e Argentina devem brigar pelo título. A Argentina quase não foi pelos seus próprios erros. Mas está lá e agora Sampaoli tem 8 meses para passar seus conceitos a jogadores de grande categoria, entre eles Messi.

Quando José Mourinho disse que se divertia mais com a eliminatória daqui do a europeia, ele tinha seus motivos. Foi uma linda noite de bola com grandes emoções. Um grande trailler do que teremos no ano que vem. O nível do jogo por certo será dos mais elevados. Já foi dessa forma no Brasil há 4 anos. E em 2018 deveremos ter um Mundial com um número tal de favoritos, que não me lembro de ter visto antes.

São Paulo de Sidão

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Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Foi o humilde Sidão que tirou o São Paulo da zona de rebaixamento, depois de 13 rodadas. Ele, limitado e criticado, fez duas defesas no minuto final, que evitaram nova decepção da torcida. A vitória foi além do que o time mereceu. A bola continuou curta. Nos primeiros minutos o Sport dominou o jogo e só não marcou por falta de melhores individualidades. Só a partir dos 25 minutos o São Paulo cresceu fez um gol e terminou o primeiro tempo na frente.

Mas na segunda fase não mostrou nada melhor. Ao contrário tomou enorme sufoco e novamente a falta de competência ofensiva dos pernambucanos, impediu que saíssem os gols. Até que veio o minuto final. Aí o Sport acertou o gol. Duas bolas que valeriam o empate. E então surgiu o herói improvável: Sidão.

Foram duas defesas impressionantes e um final de jogo com os companheiros invadindo o campo para abraçá-lo. Era o dia do Sidão. Muito longe de ser um grande goleiro, mas que ouviu quase 50 mil pessoas gritando seu nome no Morumbi, como só faziam com Rogério Ceni.

Assim é o futebol. Vai-se de vilão a herói em frações de segundos. Ou o contrário. Sidão teve seu momento de glória, provando que esse time do São Paulo ainda sofrerá muito. Afinal o adversário era o Sport em queda livre na competição e que não tem incomodado ninguém. E ainda assim foi melhor na maior parte do tempo contra o São Paulo, mesmo na casa do adversário.

Dorival Junior precisava sair da zona de rebaixamento. Conseguiu. Mas não há como ter qualquer ilusão. A atual situação da equipe está mais do que justificada. Nem todo dia aparecerá uma mão mágica improvável. Que Sidão curta o seu momento e que o torcedor são paulino continue preparado para sufocos. Será assim até o fim.

Santos vence na única chance do segundo tempo

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Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Difícil falar do primeiro tempo de Palmeiras x Santos. O gramado alagado impediu um jogo melhor, mas vale ressaltar que os dois times normalmente usam a ligação direta, não trocam muitos passes e preferem um jogo mais vertical.

No segundo tempo, o Palmeiras melhorou e dominou o jogo, empurrou o Santos para o campo de defesa, mas não conseguiu transformar o domínio em chances claras de gol.

O Santos em alguns momentos ficou acuado, uma coisa é a proposta do contra-ataque, outra coisa é não conseguir sair de trás e era isso que acontecia.

Na única oportunidade que teve, o Santos aproveitou. Assistência de Bruno Henrique, jogador fundamental para o time na temporada, gol de Ricardo Oliveira e mais uma vitória santista.

O ano do Santos é curioso. A pontuação é muito melhor que o desempenho e faz tempo. De qualquer forma é inegável que o time consegue resultados, vamos ver se em algum momento o desempenho ruim vai pesar.

São Paulo perdeu chance

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Mais uma vez o São Paulo deixou escapar a chance de ganhar após uma boa partida. O primeiro tempo foi muito bom. No segundo vinha bem até sofrer o gol de empate. Aí novamente se perdeu e teve dificuldades nos momentos finais. Dorival Junior fala sempre que a equipe está melhorando. É verdade, menos no aspecto psicológico. E isso por certo passa pelos problemas criados pela direção.

O presidente Leco passou o sábado inteiro sendo xingado pela torcida, após uma entrevista onde disse que a “imagem de Rogério Ceni está desgastada”. Falta de sensibilidade. Ele deveria esquecer tudo que ocorreu no primeiro semestre, quando usou o “Mito” para se eleger e depois o demitiu na hora da dificuldade. Foi vergonhoso.

O Corinthians não é mais o mesmo da primeira fase. Nem seria possível, já que tudo foi anormal em termos de pontuação. Talvez a queda seja excessiva, mas ainda assim há sobras pensando em título. Depois do clássico pouca coisa mudou. O Corinthians está disparado na frente e o São Paulo segue ameaçado de rebaixamento. Continua não passando confiança.

Em termos de bola pouco será discutido. Outra vez os debates serão em cima da arbitragem ou dos excessos de Gabriel comemorando o gol corintiano. O nível de jogo não dá margem a muita conversa. E essa sim é a maior preocupação, que precisamos ter, se quisermos preservar o amor dos brasileiros pelo futebol, nesse lado do mundo.