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Galinho de Liverpool. Independiente 2 x 1 Flamengo.

Leia o post original por Mauro Beting

Só deu para conectar a transmissão via laptop via catnet aos 26 minutos. Réver já havia aberto o placar em Avellaneda em bela cabeçada contra o Rey de Copas Libertadores. Melhor que a encomenda o gol cedo e até então, pelos relatos, a atuação rubro-negra.

No lobby do hotel Pullman (que não é o pão do Neto), enfim se ajeita na poltrona e passa a ansiedade o cara que fez infeliz a cidade onde estamos para transmitir a Champions. Em 13 de dezembro de 1981, o Liverpool caía diante de Zico e do melhor Flamengo (e também melhor time) que vi. Reds com história tão rica na Europa e ainda mais no mundo que os rojos de Avellaneda.

Mas que foram em 1981 empacotados e despachados por Zico e companhia ilimitada do Japão para a Inglaterra. Do jeito (mesmo sem tanto jeito) que o Flamengo ainda pode devolver o Independiente no retorno no Rio sem a Copa Sul-Americana. Há como devolver o 2 x 1 com juros e correção futebolística. Há como refazer no Maracanã o espírito rubro-negro. Desde que se jogue um tanto mais. E com a alma de meu companheiro de transmissão no Esporte Interativo.

O Zico torcedor rubro-negro é um rubro-negro típico. Xinga quem merece, corneta quem deve, sugere o que pode, vê o que quase ninguém enxerga. Lamenta a fase de Everton Ribeiro. Quer mais gente na frente além de Vizeu. Cogita começar com Vinicius Jr. E ainda quer estar lá dentro. Como ninguém esteve melhor do que ele em qualquer esporte do clube desde 1895.

Numa falta próxima da área, depois da bela virada platina, e quando o Flamengo já havia se arrumado e jogava melhor, o Galinho de Liverpool pensou como milhões. Mas falou a frase que só ele pode falar desse modo:

– Baixa o meu espírito em alguém! Baixa o meu espirito!

Não havia como. Não se batem mais faltas como Zico – não tantas. Poucos jogaram e ainda menos jogam do que ele.

E ainda menos vibram hoje como ele honrou sempre.

Cuellar até bateu bem como tem jogado. Mas não deu. A posição era parecida com aquele gol decisivo de Zico contra o Cobreloa. O que levou ao Japão em 1981. O que traria o mundo para a Gávea.

Acabou mesmo em derrota. Mas ainda pode ser vitória. Mais um título. E nem é preciso Zico voltar a campo. Basta ter mais gente de vermelho e preto torcendo e jogando junto com o espírito dele. A alma do Flamengo.

Desvantagem reversível. Independiente 2 x 1 Flamengo.

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Muito boa a primeira partida da decisão da Copa Sul-Americana. Jogada exclusivamente na bola. Sem pontapés. Sem guerra. O Flamengo começou como se estivesse no Maracanã. Controlou a bola. Não tomou sufoco. E foi a frente jogar. Numa dessas investidas, aos 8 minutos, Trauco cobrou falta. Réver foi no oitavo andar e testou firme para abrir o marcador. Um lance que deve ser repetido e ainda melhor aproveitado na semana que vem.

Até os 20, 25 minutos, o Rei de Copas pouco fez. Só quando Meza foi jogar mais na direita, em cima de Trauco (que a esta altura não contava com o apoio e o fôlego de Lucas Paquetá, já que Rueda mandou ele e Éverton Ribeiro inverterem de lado). Foram sucessivas jogadas, cruzamentos e lances perigosos por aquele setor. Aliás, impressiona muito as variações táticas, a intensidade, a velocidade e como se movimenta e troca de posições o time hermano.

Curiosamente, o empate argentino saiu já com a inversão desfeita. Everton Ribeiro, muito devagar no primeiro tempo, tentou o toque de letra e deu o contra-ataque. A jogada chegou no campo ofensivo e o passe saiu no meio da zaga. Benitez, mesmo caído, ajeitou para Gigliotti bater e deixar tudo igual. Empolgado, o Independiente pressionou até o fim dos 45 minutos iniciais. Porém, nada conseguiu.

Menos desgastado fisicamente por não ter jogado no fim de semana, os donos da casa mantiveram a pegada no começo da etapa complementar. E viraram o marcador logo aos 8 minutos. Barco passou como quis por William Arão e Éverton Ribeiro com apenas um toque. O ótimo Meza pegou de primeira e marcou um belo gol. Dois a um.

Rueda pôs em campo Éverton e Vinícius Júnior nos lugares de Lucas Paquetá e Diego (extremamente desgastado). Centralizou Éverton Ribeiro, que passou a participar mais do jogo. E o Flamengo cresceu. A ponto de obrigar o time argentino a fazer substituições defensivas. E formar uma linha de cinco defensores. Uma pena que os cariocas tenham dominado, mas pouco criaram e finalizaram.

Para quarta que vem está tudo aberto. É lógico que por jogar por dois resultados, o Independiente leva certo favoritismo. Deve atuar fechado, com uma linha de cinco. E usar e abusar da velocidade de seus jogadores do meio para frente. O Flamengo precisará do carinho e do grito do seu torcedor. De tranquilidade para não se expôr de qualquer maneira e dar espaço para o adversário. Explorar as bolas aéreas.  E principalmente, uma melhor atuação de Diego e Éverton Ribeiro.  Contudo, neste momento, creio que Rueda deve estar com um dilema em sua cabeça. Escala e mantém os desgastados meio-campistas ou começa a decisão com os garotos da base? Acredito que ele irá optar pela primeira opção. Com uma semana de descanso, o resultado ainda é plenamente reversível.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise de Gustavo Roman 

Que tal deixar o torcedor torcer para quem ele quiser, patrulha?

Leia o post original por Mauro Beting

Virou moda chamar de “modinha” quem torce pelo PSG há quatro anos, pelo Manchester City há seis anos, pelo Chelsea há 12 anos.

Devem ser os filhos dos pais que achavam que era “modinha” (SIC) ser santista por causa de Pelé. Ou também novos rubro-negros pelos Flamengos de Zico. Tricolores pelo São Paulo de Telê. Palmeirenses pelas Vias Lácteas da Parmalat. Alvinegros desde a conquista do Brasil pelo Corinthians a partir dos anos 90.

É tudo modinha? Ou tem de ser raiz concursada? Ou gostar de Nutella agora é ruim?

Pior que essa mania de detonar quem nasceu ou veio depois é tão estúpida quanto achar que o mundo começou há 30 anos. Ou quando o teste de gravidez deu positivo.

Agora a modinha da semana é dizer que o dinheiro não compra facilidade e nem felicidade – como se não fosse assim desde a era da bola lascada. Pior ainda é citar o Bayern “raiz” contra o PSG “Nutella”, como fez o brilhante amigo e querido colega André Rizek.

O Bayern tem 70 ANOS A MAIS DE CLUBE QUE O PSG. Mas, de fato, nem o maior clube da Bavária ele era quando ganhou o segundo título nacional, em 1969. Um ano antes da fundação do PSG.

Também porque os dirigentes do Bayern foram perseguidos por serem judeus. Um ano depois do primeiro nacional, em 1932, Hitler tomou o poder. Mais não é preciso dizer. Muito mais não faria por décadas o Bayern que só explodiria mesmo nos anos 70. Com 70 anos de vida. Devem ter chamado de “modinha” os senadores da mídia e dos modos e modas de então.

É risível dizer que o dinheiro não compra tudo se referindo ao colosso raiz que é o Bayern. São 25% dele que pertencem a três megaempresas. A Fundação dona dos outros 75% joga muito bem e joga duro. Como os novos donos do PSG. Rapelam os grandes nomes do mercado e repelem quem chega junto.

Business. Raiz ou Nutella.

O Don Pernil Santa Coloma de Andorra pode reclamar dos métodos do PSG ou dizer que é Nutella. O Bayern, não. Como, no Brasil, o Corinthians pode e deve ser louvado pela conquista de 2017 com pouco investimento. Mas ele não pode bater no peito e dizer que foi a vitória do tostão contra o milhão de Palmeiras e Flamengo. Porque o Corinthians tem ou deveria ter mais que os rivais pelo tamanho que tem e conquistou. E, se não tem, o problema é dele.

O colossal Bayern não pode falar de tostão contra milhão do PSG. Eu até posso. Quem é milionário há quase 50 de quase 120 anos não pode.

Jamais vou recriminar quem torce pelo clube da família. E não vou cornetar quem escolheu o vencedor da hora. Ou comprador da moda. Amor não se justifica e nem se explica. Uma vez mantida a paixão, segue o jogo. E até as jogadas. No amor e na dor. Na riqueza e na pobreza. Se virar casaca, aí sim o torcedor é modinha. Ou pior: nem torcedor é. Apenas simpatizante. Ou nem isso.

É casamento, amigo. Ninguém mete o bedelho e nem seja pentelho. Não tem como o PSG ter mais tradição que o Bayern. O clube é de 1970. Nasceu ontem. Ou pouco antes da conquista da Europa pela primeira das cinco vezes pelo Bayern, em 1974. Quando eu, alemão por parte de pai, aprendendo futebol, me apaixonei por Beckenbauer, Gerd Müller, Breitner e Maier na Copa de 1974. Campeões do mundo. Mais ainda respeitoso simpatizante quando meu pai me contava as proezas do Bayern deles é ainda de Hoeness e Schwarzenbeck. Mais ainda quando o time foi tri europeu. Mais ainda quando a primeira cidade que conheci fora do Brasil foi Munique, em 1979.

O Bayern é a minha raiz. Quem é jovem pode se afeiçoar por Neymar, Mbappé e Cavani. Não é proibido. Como eu também sou apaixonado pelo trio. Jogando no PSG ou se jogassem nos meus rivais.

É amor. É respeito. Ao amor, à história de cada um, e ao futebol que admite novas histórias.

Assim como um clássico não termina, ele pode começar. Algo que se conquista. Com vitórias. Com dinheiro. Ou com os dois.

Vamos dar um tempo ao dinheiro. E um dinheiro ao tempo.

Foi Chapê!

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A Chape foi. Os jogadores que jogaram por ela em 2017 foram ainda mais. Honraram a partida de Medellin. Ganharam uma vaga na Libertadores mais uma vez. E conquistaram o respeito e carinho do Brasil, a despeito de ainda ter problemas da instituição com a família das vítimas.

Como disse um amigo de rede social que infelizmente perdi o nome, só dois clubes nos fazem chorar no futebol: o nosso e a Chapecoense.

Defendi blindagem para o time no BR-17. Barreira antiqueda que o clube honradamente recusou. E ainda mais heroico reconquistou em campo não apenas o direito de permanecer na Série A. Ainda voltou para a Libertadores como oitavo colocado do BR-18. Arrastado pelas conquistas do Cruzeiro na Copa do Brasil e do Grêmio na Libertadores.

Para um elenco todo remontado por um clube todo reconstruído, o que se fez mais uma vez em Chapecó não tem palavras além de parabéns.

O lugar de Lugano

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Ele chegou com pouca pelota nos pés e quase nenhuma bola da torcida. A imprensa torceu o nariz por ser “reforço do presidente” Marcelo Portugal Gouveia. Da cota de contratações que o treinador Oswaldo de Oliveira teria de se virar para escalar.

Pelos primeiros minutos e jogos, um bonde pesado. Mas por ser dos primeiros a chegar e dos últimos a deixar o CCT tricolor num clube bem acostumado a Rogério Ceni fazendo o mesmo, o central uruguaio foi ganhando respeito interno e espaço. E mais chances na equipe.

Para tanto, porém, pela técnica limitada, pela velocidade com tacógrafo, o esquema ideal precisava ter dois zagueiros ao lado, ele na sobra. Por dentro. Mais atrás. Um tanto à frente. Por todos os lugares onde houvesse um rival a ser detido. Uma bola a ser recuperada. O São Paulo a ser levado adiante.

Diego foi ganhado espaço e, o Tricolor, jogos. Depois campeonatos. E ele um lugar na história que um jogador com suas limitações só conquistaria se fosse são-paulino de berço e no braço e no berro. E ele parecia tudo isso. Também por ser do Uruguai de Rocha, Pedro para todas as pedreiras. Ferro e fogo como Forlán, Pablo. Eficiência foo Pereyra, Dario. Nessa conexão celeste que o São Paulo estabeleceu com a garra e o espírito charrúa e a estirpe e a classe de Rocha e Pereyra desde a inauguração definitiva do Morumbi.

Difícil entender como essa aura celeste (nem sempre celestial pelas porradas de Forlán e pelo jogo duro de Lugano) deu tão certo em vermelho, preto e branco. Lugano seria ídolo pelo que se jogou em todas e também em todas as cores e credos. Mas foi no São Paulo que ele começou a ser o zagueiro confiável que virou. É no São Paulo que se despede de vez no campo que há anos já não era dele. Na grande área onde poucos entraram sem a permissão do Dios tricolor do lugar: Lugano.

Nunca torci por ele. Mas o respeito que ele conquistou dá uma ponta de inveja de ter um defensor como ele de uma zaga e de uma camisa com a saga que ele conseguiu pelas limitações. A vontade de treinar e de pertencer, a sede de ser mais do que é, a seriedade e inteligência para conquistar tudo isso são admiráveis.

Lugano é exemplo para todas os ofícios. Você não precisa ser bom para ser. Você precisa ser necessário. Sério. Correto. E fazer tudo e falar pouco. Lugano ainda fala como Dario Pereyra. Ainda fala do mesmo jeito com que chegou ao clube. O espanhol é o mesmo. Mas ele é muito diferente. Muito melhor. Apenas fazendo. Não falando. Nunca jogou pra torcida e mídia. Sempre jogou pela torcida e nunca fez média.

É assim que se fez tão querido. É assim que se faz tão respeitado.

Nunca torci por você, Lugano. E sei o que perdi com isso.

Curta suas chuteiras penduradas. Mas não saia de campo

Não tem grupo da morte. Mas é chatinho o do Brasil.

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Expliquei ontem que queria um grupo complicado para o Brasil logo de cara. A Seleção pega no tranco. O penta foi assim. Todas as vezes.

Para 2018 não teremos tantas pedreiras. Mas, junto com a Argentina, enfrentaremos um dos grupos mais complicados. O que é bom. Ritmo de Copa pede pedra e pau e porrada.

Nada como aquele entre Itália, Uruguai e Inglaterra na Copa-14. E quem levou foi a Costa Rica!? Quase a mesma que nos enfrenta em 2018. Tem Navas ainda melhor na meta. Mantém Bryan Ruiz de grande Mundial e não muito mais depois disso. Mudou o treinador. O 5-4-1 sem mantém. Mas o que era surpresa passou. Será como em 1990 e 2002. Mais uma vitória brasileira. Talvez apertada como foram as duas outras. Acredite.

Chato também será o jogo com a Sérvia. Tanto que se classificou bem e mesmo assim mudou o treinador em treta interna. Tem Matic, senhor meiocampista. Mas de todas as Iugoslávias e sucessoras dela que enfrentamos em Copas (perdemos em 1930, ganhamos suado em 1950, empatamos sofrido em 1954, empatamos chocho na estreia de 1974, vencemos bem a Croácia em 2006, e difícil os croatas novamente na estreia de 2014), esta parece a mais frágil. Variava num 3-4-1-2 a um 3-4-2-1 com Muslim. Não deve mudar muito agora.

A Suíça e a melhor das seleções do grupo e deve se classificar atrás do Brasil. Problema é que justo o jogo entre os possíveis melhores da chave é o primeiro. O mais perigoso em todos os sentidos.

É time entrosado e bem treinado. Com a bola passa do 4-1-4-1 ao 4-2-3-1 com naturalidade. Fecha-se num 4-4-2 de manual. Boa base com uma geração vencedora para os padrões suíços. Zaga firme, marcação eficiente, bola no chão, boa qualidade com Xhaka no meio, Shaqiri pelos lados. Falta maior aptidão para o gol. Mas é time que pode sim arrancar empate com Brasil. Mas não a liderança do grupo.

César! Vizeu! Paquetá! Os garotos da Gávea. Júnior 0 x 2 Flamengo.

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ESCREVE GUSTAVO ROMAN

A frase craque o Flamengo faz em casa é quase um mantra de qualquer Rubro-Negro. Ultimamente, esse modelo tem ficado de lado. A política de valorizar a prata da casa quase não vem sendo mais executada na Gávea. Alguns deixaram o clube para brilhar com outras camisas. Outros nem mesmo chegaram a ter a oportunidade de se firmar, sendo preteridos por contratações caras vindas de fora. Que pouco sabem a história do clube. E que acabam não dando o retorno aguardado.

Na semifinal da Copa Sul-Americana, o Mengo voltou a usar os garotos formados em casa. Vizeu (que só está tendo chance por conta da suspensão de Guerrero). Lucas Paquetá (mérito de Rueda). E César. Nome de imperador romano. Jogado numa termenda fogueira. E que pegou até pênalti e não deixou passar nem pensamento hoje em Barranquilla.

Três jogadores que poderiam não ter mais chance. E que ao lado do veterano zagueiro Juan (outro prata da casa) foram os grandes destaques individuais de uma classificação que poderia ter sido mais fácil. Até porque no primeiro tempo o time carioca mais se preocupou em se defender. Rifou a bola e pouco ficou com ela. Deixou a equipe colombiana atacar. É verdade que os donos da casa pouco ameaçaram. E quando o fizeram esbarraram nas mãos seguras de César. Ou na categoria de Juan. Paquetá cumpria um papel tático de suma importância. Ele voltava para dar um pé a Trauco na marcação do perigoso Chará. Quandoo Fla colocou a redonda no chão conseguiu criar a chance mais cristalina. Paquetá cruzou rasteiro. Vizeu finalizou. E o goleiro Viera salvou.

Precisando do resultado o Júnior voltou com o centroavante Ovelar na vaga de Mier. O catimbeiro Téo Gutierrez foi jogar como meia central. Chará e Gonzalez nas extremas. No entanto, aos seis minutos, Vizeu (num lance bastante parecido com o do Fernandinho) avançou desde o meio de campo. E tocou por entre as pernas de Viera para abrir o marcador. E aumentar ainda mais a vantagem.

Os donos da casa sentiram o golpe. O estádio se calou. O Flamengo se tranquilizou e passou a ficar mais com a bola, controlando a partida. No desespero, os colombianos sacaram Gonzalez e Gutierrez para as entradas de Diaz e Barrera. Se abriu de vez. Rueda não quis arriscar. Mesmo tendo espaços, especialmente pelo lado direito. Preferiu por Márcio Araújo na vaga de Éverton Ribeiro para reforçar a marcação no meio. Depois, sacou o extenuado Paquetá colocando Rodinei para explorar aquele lado.

William Arão ainda cometeu um pênalti em Barrera. César defendeu no canto esquerdo. Como Muralha nunca havia feito. Na sequência, fez outra boa defesa em finalização de Chará. Deixou o campo consagrado. E sentindo todo o tempo parado e o esforço.

Já nos acréscimos Diego (de atuação fraca) cobrou uma falta rápida. Rodinei foi a linha de fundo. Vizeu se antecipou a marcação e marcou seu terceiro gol na semifinal. Mostrando faro de gol e oportunismo. E colocando a cereja no blo da classificação e da festa dos pratas da casa.

Na decisão, diante do bom time do Independiente, o time precisa jogar mais. Especialmente fora de casa. Absorver as lições dadas pelo Grêmio. Marcar em cima, se impor, mesmo fora dos seus domínios. Se conseguir fazer isso, tem tudo para comemorar o título. Só não pode repetir o que fez nos primeiros 45 minutos de hoje. E colocar a garotada pra jogar!

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman

 

 

Podem vir quentes no sorteio da Copa que nós voltaremos fervendo

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Em 1958, o Brasil foi campeão mundial superando na fase de grupos a Inglaterra que seria oito anos depois campeã mundial, a Áustria que em 1954 havia sido semifinalista, e a União Soviética que seria campeã europeia em 1960.

Em 1962, a Espanha era ótima (e seria campeã europeia em 1964), a Tchecoslováquia seria vice mundial, e o México era ainda menos México. Mas foi outro grupo complicadíssimo.

Em 1970, a Inglaterra era ainda mais forte que a Seleção campeã do mundo em 1966. A Tchecoslováquia era boa, e a Romênia era chata. Grupo difícil que o Brasil descomplicou.

Em 1994, já com 24 seleções (e, por tabela, com grupos menos complicados), a Suécia acabaria terceira colocada, a Rússia já não era forte como a URSS, e Camarões estava rachado. Foi menos complicado.

Em 2002, com 32 seleções (e o nível ainda menor), ainda assim o grupo acabou sendo mais complicado. A Turquia acabou na terceira colocação. China e Costa Rica foram aquelas babás.

No frigir das bolas: que venha a Espanha logo de cara.

A Seleção historicamente pega no tranco.

Tri-Tricolor pinta com os setes Renato, Paulo Nunes e Luan. Lanús 1 x 2 Grêmio.

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Mário Sérgio era para estar ao lado do Edmundo na cabine do Fox Sports em Lanús. Comentando a espetacular atuação do Grêmio no primeiro tempo na Argentina. Quando Fernandinho retomou uma bola na bobeada do lateral Gomez ainda no meio-campo e avançou para marcar o primeiro gol dele na Libertadores. O primeiro do tri continental, aos 26.

Não foi acaso. Foi caso pensado e bem treinado e preparado pelo centro de inteligência tricolor, que não precisa de drone para drenar as boas qualidades rivais. Marcando em cima desde o início, afogando o Lanús como havia feito com o Barcelona no Equador.

Aos 41, mais um contragolpe aproveitou a linha de zaga alta e falha do rival. A bola sobrou para o camisa sete do Grêmio. Com o espírito de Paulo Nunes em 1995. Com a técnica de Renato em 1983. O mesmo Portaluppi que foi vice nos pênaltis do Flu em 2008. O mesmo Gaúcho que foi um dos nomes da vitória contra o Peñarol na batalha final de 1983. E foi o cara da final mundial em 1983.

Quando você, Mago Sérgio, jogou tudo que você disse ter jogado na placa da foto. E como jogou. Não só na conquista do mundo contra o Hamburgo. Também em tantos outros clubes. E não apenas em campo com a canhota brilhante como a língua, a visão privilegiada que nem precisava ver para enxergar o jogo. Também como treinador e gestor. Também como analista que o levou para a Band, Record, Sportv, Fox Sports. E o levou à decisão da Copa Sul-Americana há errado um ano. No mais errado voo mambembe da Lamia.

Mário partiu. A placa dele está na Arena do Grêmio ontem invadida como foram as outras casas tricolores. Aliás, “invadidas pela torcida” no gramado coisa alguma! Até a pé eles foram e ficaram. O gramado é do gremista. No campo eles defenderam como Grohe no Equador e no primeiro jogo. Como Kanneman em quase toda a Libertadores. Como Bressan na final. Como Geromel em todos os jogos. Zagueiraços do Grêmio que erguem troféus tricolores como De León em 1983. Como Adilson em 1985. Como Geromel em 2017. Capitães da América e de todas as áreas tricolores.

Monstros sagrados e esperados no clube dos inesperados Edilson e Cortez. Do Barrios ele voltou redivivo. Do Fernandinho recuperado. Do Ramiro repaginado.

Grêmio dos caras com bola de craque que Mário Sérgio assinaria ao lado. Luan, o nome da Libertadores, autor de uma pintura de Renato, de Paulo Nunes, de Luan. O gol aos 41 em que foi limpando rivais e tocando por sobre Andrada como se fosse a coisa mais natural da América. Isto é: como se fosse mais um título tricolor.

Como a categoria veterana do menino Arthur. Marca como volante, pensa e passa como armador, e joga como craque. Vai longe. Como o Grêmio. E só não foi maior porque teve de parar pela lesão com menos de cinco minutos do segundo tempo. O time se fechou. Levou um gol de pênalti de Sand. Mas não mais que isso. O Grêmio soube se cerrar como se fosse Grêmio. Muito bem treinado pelo treinador que treina muito bem e estuda bastante. E fala ainda mais.

Sabe demais como craque que foi. Como foi demais o companheiro de Tóquio Mário Sérgio, em 1983.

Nosso colega e amigo. Parceiro de loucuras e maluquices únicas. Como ele foi diferente. Diferenciado. E ao mesmo tempo único.

Como é esse Grêmio e esses gremistas que mais acreditam que torcem. Mais gremiam e esgrimem. Esses do Grêmio que invadem a Goethe e a defendem como Grohe. Esses que fazem do gramado da Arena a própria causa. A casa campeã.

A que é de Renato. Não só mito e craque. Estátua. Busto. Monstro.

Só faltou você em Lanús, Mário.

Ou melhor. Do jeito que você é, tenho certeza que estava no ponto telepático na orelha do Portaluppi. E tenho ainda mais certeza que na canhota do Fernandinho e na cavadinha do Luan você estava lá. Como o Felipe, filho da Mara e do Mário, segue com os outros irmãos tocando a vida com tudo de bom que aprenderam com você. E sabendo separar as coisas de louco do amigo genial. Do Vesgo e do Grêmio. Rei do Gatilho e mais uma vez da América.

Mário, que falta você faz.

Grêmio, que fãs você tem.

Precisamos crer como a Chapecoense acreditou

Leia o post original por Mauro Beting

O mundo ainda não acredita o que há um ano perdemos na semana da maior vitória de toda Chapecó. Quando o mundo todo foi Chapecoense.

Vamos, Chapê.

Fomos, Chapê.

Ainda não dá para acreditar na tragédia depois daquela montanha na madrugada de Medellín. O maior ano nos 33 da Chapecoense. Ainda não dá pra acreditar no que só vocês, Chapê, acreditavam.

Do Oeste de Santa Catarina para conquistar o Sul da América. Das mãos trocadas pelos pés de Danilo. Da mãe do goleiro que tão bem abraçou a Chape abraçando o repórter que chorava como o Brasil. O indiozinho olhando para o céu de Condá com dó no peito dilacerado. A festa campeã do Nacional da Colômbia e de todas as nações que saudaram o maior vencedor. O que não precisa ganhar. Já ganhou. Até taça campeã do ano anterior foi entregue pelo Santa Fe.

Ainda não acreditamos em tudo que perdemos. E só vocês acreditaram em tudo que conquistaram. Todos vocês. Não apenas atletas, comissão técnica e gente de Santa Catarina. Também jornalistas e tripulantes. Vocês partiram antes da partida da vida de vocês. Vocês nem em sonho imaginavam tudo aquilo que sonharam. Nessa viagem foram todos que faziam como vocês. Por amor. Por acreditar. Todos sonharam um dia chegar lá. Ou nem sonhavam com a realidade de sonho que partiu sem volta.

Todos já eram vencedores porque escalados. Porque escolhidos.

Para quem acredita, Deus quis assim. Para quem não acredita, nada explica. E até para quem crê, nada conforta. Nem

a mais linda partida que se viu no dia seguinte em Medellín no estádio cheio. 90 minutos sem bola e nem times e nem as traves. Apenas o espírito do jogo. A partida deles todos. De todos nós.

A Chapecoense não era o Brasil. O mundo é a Chapecoense. Um ano depois, todo mundo precisa ser ainda mais o que eles foram. Precisa crer no que acreditaram. Aquele voo não pode ter partido em vão. Precisamos aprender além da tristeza e da tragédia.

Precisamos acreditar no que jamais pudemos crer. A partida da Chapecoense.