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Simulações de humanidade no futebol

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Em 2017, gandula já simulou agressão. Árbitro, também. Agora treinador. E o jogo seguiu. 

Em 2017, jogador assumiu que não houve motivo para adversário em clássico decisivo ser punido pela arbitragem. E ele foi reprimido pelos próprios companheiros e comandantes por ter feito o que é certo. 

Em 2017, rivais da Chapecoense aplaudiram a vitória da Chaoe em Criciúma. Enquanto inomináveis bípedes abomináveis faziam coro a respeito do acidente de novembro de 2016. 

Em 2017, o planeta acredito que não acaba. Mas parte da humanidade já está nos acréscimos.  

Lógica. Flamengo 2 x 1 Botafogo.

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É lógico o terceiro colocado do BR-16, pelo elenco que tem, decidir o RJ-17. Não é lógico o regulamento levar às finais um clube que não ganhou turno algum. Na época dos triangulares decisivos, normal. Ainda com Taça Guanabara e Taça Rio, nem tanto. 

Mas é o nosso futebol. O regulamento é assim. Segue o jogo. E o melhor time venceu aquele que se plantou e especulou e não conseguiu. O que não é demérito para um Botafogo bem organizado, desfalcado, e sem as opções que o Flamengo tem. 

Agora você ouve GUSTAVO ROMAN AQUI

40 anos. Corinthians 1 x 1 São Paulo. 

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Reprodução TV GLOBO

Mais do mesmo. 1977 como na camisa de Jadson. Corinthians acanhado no seu campo. Gol de Jô em clássico. Polêmica na arbitragem. São Jorge na camisa e no coração. Timão superando o Tricolor no mata-mata. Falha na bola aérea são-paulina. Sem favoritos na final. 

O Corinthians esperou atrás em Itaquera o São Paulo que tentou atacar com os artilheiros Pratto e Gilberto. Mas faltou também chegada pelos lados com as opções tomadas. O Tricolor teve a bola, mas poucas chances. Problema que não foi só dele. Mas de todos que enfrentam o Corinthians de Carille. Ficam com a bola, mas não têm espaços. Poucas chances criam. Quase sempre caem no final.

O gol no final do primeiro tempo de Jô é tema para simpósio. Pratto sinaliza que vai ao lance. Faz o movimento do cabeceio. Parece mesmo desviar a bola, que, então habilitaria Jô (como Rodrigo Caio o “habilitou” domingo passado ao assumir que não houve falta dele em Renan). Gol megapolêmico que não pode nem condenar e nem canonizar arbitragem. 

Gol que garantiu maior tranquilidade e até melhor futebol ao Corinthians que ainda sofreria com o incansável Pratto o gol que o São Paulo lutou para alçancar, e as medidas de Ceni melhoraram um São Paulo que vai encorpar e crescer. Jogar mais é mais bonito. 

Mas quem consegue isso contra esse Corinthians?

Como sempre, as finais prometem. E de novo serão muito equilibradas. Como foram em 1977 e 1979. 

A Macaca é enorme. Palmeiras 1 x 0 Ponte Preta.

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Há um século e um dia, o Palestra Italia jogou pela primeira vez no Parque Antárctica que só seria dele em três anos. 5 a 1 contra o Internacional paulistano. O placar que 100 anos e um dia depois daria a classificação que a Macaca soube administrar em sua primeira derrota no Allianz Parque. Mas com o sabor da goleada que poderia ter sido maior em Campinas e definiu a passagem com imenso brilho da Ponte que, até agora, eliminou o campeão e o vice do BR-16. 

A arbitragem, como no Moises Lucarelli, deixou de marcar um pênalti claro para o mandante (sobre Dudu, quando estava 1 a 0). E poderia ter marcado outro no primeiro tempo, sobre Jean. Mas o Palmeiras, pelo investimento, e pela péssima atuação em Campinas, não pode reclamar. Só repensar. 

Mesmo criando 15 chances contra uma Ponte bem armada, mesmo atuando bem, o Palmeiras decepcionou. Se não na primeira vez em que enfim ganhou da Macaca em casa, certamente por tudo que se esperava. E foi investido. 
Eduardo inventou Felipe Melo na lateral-esquerda, Tchê Tchê como único volante, Egidio aberto pela esquerda no 4-1-4-1 avançado, e Róger Guedes entrando por todos os lados. FM começou dando pancada sem responsabilidade e foi amarelado. Mas depois reinou. Ganhou todas as bolas que Tchê Tchê perderia, Borja não acharia, e o time, mesmo bem, não se superou. 
Eduardo terminou o bom jogo com Willian na frente, uma inédita e inusitada linha com Michel Bastos, Róger Guedes, Dudu e Keno, Guerra como único volante, e Felipe Melo na lateral. Achou assim um gol lotérico – mas que fez jus ao melhor time em campo. Mas não em 180 minutos. 

A Ponte foi grande. E tem condição de ser ainda maior. O Palmeiras mereceu os aplausos finais e o abraço da torcida durante a semana. E merece a cobrança do tamanho da expectativa. Como Eduardo precisa ser cobrado pelo desempenho instável da equipe.  

Veja AQUI a análise de GUSTAVO ROMAN 

O que o mundo perdeu, ganhei. 35 anos depois. 

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É uma honra, aula, alegria e prazer conviver e trabalhar com ele. Um sonho não delirado dividir microfone. Um delírio comentar Liga dos Campeões pelo Esporte Interativo com um ZIco de craque, um Zico de pessoa. Uma loucura estar in loco na véspera de Real Madrid x Bayern de Munique no gramado da Santiago Bernabéu. 

Pouco antes de tirar essa foto, perguntei já na madrugada avançada se Zico já havia atuado ali. 
– Não. Nem pelo Flamengo (onde ganhou tudo), nem pela Seleção (onde conquistou o mundo sem ganhar a Copa). 
– Era para a gente ter jogado aqui na final de 1982…
Não tinha pensado nisso. Fiquei passado pelo nosso passado dolorido. 

Copa na Espanha. Barcelona. Sarriá. Paolo Rossi. Zoff. Gentile. Bearzot. Zebra. Itália. 3 x 2. Futebol. A vida. 
Eles todos, e um pouco de todos nós, não deixaram Zico e companhia ilimitada jogarem a final mundial contra a Alemanha em Madri. Ficaram pelo caminho. Nem semifinal. A derrota do Brasil de Telê empatou e empacou o futebol planetário. Times e seleções passaram a jogar feio para ganhar horroroso. A praga pragmática travou e entrevou o jogo por anos. 

Zico não jogou no estádio do Madrid. O mais perto do campo campeoníssimo da Europa que o 10 do Maracanã ficou foi nessa foto. Não pedi licença para tirar, depois de entrar ao vivo no canal, e em lives dos nossos Instagrams. Não pedi para ele posar porque Zico não faz pose. Toma posse de quase todos os campos.

Menos esse. A bola não deixou. 

O futebol que o fez Zico e que também me trouxe no meu cantinho a Madri não quis que ele estivesse aqui. Meu irmão ficou mais de 10 anos não querendo mais jogo depois de 1982. Muitos nunca mais choraram por futebol. Alguns desistiram. 

Zico, não. Seguiu. Mais venceu que perdeu. Empatou muito até naquela noite de 2017 chegar ao gramado do Bernabéu. Sem pompa, que ele não é disso. Sem papo, que ele é de fazer, não falar. Sem bronca, que ele é de brincar. 

Eu trocaria minha felicidade de passar uma semana na Europa com amigos do canal (waaaallll!) só para ter 90 minutos de Zico lá dentro do Bernabéu, tabelando com Sócrates, lançando Chulapa, cabeceando cruzamento do Éder, trocando passe com Falcão, ajudando Cerezo, assistindo Júnior, assistindo a Leandro, defendendo Luisinho, orientando Oscar, segurando Valdir Peres, encantando com uma das melhores seleções não-campeãs. Melhor que algumas que ganharam Copas, mas não conquistaram o mundo. 

Eu e milhões trocaríamos nossas felicidades de uma semana de prazer por décadas de alegria e orgulho por um time que nos defendeu atacando. 

Zico, você não ficou à margem do campo na foto. Você o iluminou. Não tinha luz artificial ligada. Era a sua energia e a do Brasil de Telê que acenderam nossa memória. Não pudemos vê-los ali. Mas para sempre vou poder dizer que, numa noite de abril de 2017, 35 anos depois, o Santiago Bernabéu esteve como deveria ter estado em 1982. Aos seus pés, Galinho de Madri. 
Todo seu. 

Pela sua generosidade, todo nosso. 

Gigante. Corinthians 1 x Inter. 3 x 4 pênaltis. 

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BARCELONA – O Inter quis atacar. Desde os 7 minutos perdendo, mais ainda. O Corinthians quis se defender. Joga em casa ou fora, dá a bola ao rival, mas não espaços. É o que tem Carille. É o que pensa do futebol. É o que se pode aceitar em Itaquera. 

Empate entre gigantes é normal. Pênaltis não são loteria e nem “acidente” como disse Jô. Corinthians não eliminou o Brusque por acidente. Nem caiu de novo em casa por acidente. Acontece. Mas não é acidente. E acontece ainda mais com elencos limitados e em reconstrução. Como o momento atual dos dois colossos. 

O Inter foi mais valente. Mais ousado. Acabou premiado. Não houve superioridade em 180 minutos. Foi tudo mais ou menos igual. Mas o Colorado precisava mais do sucesso. Momento de reafirmação paga Zago e os seus. Vitória saborosa por tudo que se sofreu no Beira-Rio em 2016, e pela enorme rivalidade cada vez maior desde 2005. 

Estreia final. Real Madrid 4 x 2 Bayern. 

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MADRI – Nem Simeone perdeu tantas finais de Liga dos Campeões como eu. 2006. 2009. 2010. 2011. 2012. 2013. Todas eu iria pela BAND. Em cima da hora, por motivos econômicos, não fui. Sabia que não iria em nenhuma delas. Mas sempre ficava uma esperança… Comentei todas elas. Do estúdio. Até trocar a emissora pelo Fox Sports e não ir para Lisboa em 2014 como foi a equipe da BAND…

Paciência. Escolhas. Felizes escolhas. 
2017. Quartas-de-final. Nem final era. Mas para mim foi a decisão megablaster intergaláctica. 

Ou melhor. Foi a estreia. 

Estreia é tão importante que deveria ser a última coisa que a gente faz. 
Como não pode ser, vale como se fosse. 

E valeram todos os 50 anos de torcedor, os 44 aprendendo a ler com a PLACAR, os 43 estudando futebol, os 30 de jornalismo, os 27 como comentarista esportivo. 

Não aparece a minha boca na gravação que tem na minha fanoage. Mas lá eu agradeço minha Silvana Ramenzoni, meus Luca Beting, Gabriel Beting, Ricardo Sefrin Negro, Luigi Sefrin Negro, Manoela Sefrin Negro. Minha Lucila Zioni Beting. Meu pai. Todos os meus amigos e meus colegas. 

Todo o Esporte Interativo que sempre me fez mais do que sentir em casa. Faz do meu trabalho meu lar. 
Do meu amor o que faço mais e melhor. 

Chorei como sabia que iria chorar. Tá aí no vídeo. 

Arrepiei como imaginei que iria me emocionar. Fiquei até 15 minutos lacrimejando como tinha certeza. 

E ainda assim foi ainda mais maravilhoso. 
Pelo Zico, André Henning, Tati Mantovani, Marcelo Bechler, Clara Albuquerque, Diego Vieira, Gabriel Simões, Caio Cruz, Pedro Macedo, Leandro Kaliman. Todo o timaço do E+I que são mais amigos de excursão do que colegas de trampo. Os loucos que aturam in loco este maníaco. 

Este cara que vos escreve que teve um sonho que há algumas horas não virou realidade. Foi muito melhor do que um sonho. Até porque tem sonho que a gente sai pelado pra escola sob um céu laranja dirigindo uma guitarra. 

Prefiro desejo aos sonhos. E nem nos mais lindos eles foram tão belos. 

Obrigado, amigos. 
O Real Madrid se classificou. 

Mas quem ganhou mesmo fui eu.
Sei que preciso falar do jogo. Já é madrugada. Daqui a pouco pego trem pra Catalunha. Tem Barcelona x Juventus. Tem mais história para contar. 

E emocionar como a entrada dos times no Bernabéu. O Hino. Os primeiros 15 minutos de três chances do Bayern, mais forte com Lewandowski de volta, e Boateng e o impressionante Hummels se virando mesmo longe da melhor forma. A partir dos 22 minutos o Madrid teve oito chances. Neuer, um monstro, evitou algumas, no repaginado 4-3-1-2 sem Bale. E sem o melhor Isco. 

Segundo tempo. Martelo alemão até o pênalti cavado por Robben que enfim rodou o ataque. Lewandowiski. 1 a 0. Mais Bayern, mais contragolpes. Cristiano de cabeça. Um monstro aos 30. Aos 32, infelicidade de outro mito, em seu centésimo jogo pelo Madrid. Gol contra de Sérgio Ramos. Difícil precisar se havia impedimento na participação de Lewandowiski com Nacho. 

38, pelo conjunto da obra, e não pela falta que não fez, vermelho para Vidal. O Bayern que poderia remontar teve de ser remontado. Ficou no 4-4-1 contra o 4-1-4-1 bem fechado de ZZ, com Casemiro limpando tudo. 

Prorrogação. Bayern mais ousado até CR receber em impedimento. 2 x 2. Segundo tempo. Genial Marcelo em seu jogo 400, gol 100 na UCL de CR7. Ainda que impedido em lance que só vi depois. Como ninguém do Bayern viu Asensio escalar e escapar para o desmonte final. Como os 4 a 1 na prorrogação de Lisboa. Como parece sempre ser assim com o Madrid. 

O Bayern tinha bola para ser campeão. Mas o Madrid parece ter algo mais.