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Ainda favorito. Bahia 2 x 0 Corinthians.

Leia o post original por Mauro Beting

Um dos tantos méritos corintianos em um 2017 de sonho é jamais ter delirado. Direção, comissão técnica e elenco sempre souberam as limitações de todos em quantidade e qualidade. Seguem com resultados muito além delas. E devem ser justamente premiados por tudo aquilo que não foi premeditado.

A modéstia é virtude nesse Corinthians. A humildade que é dever nem sempre observado na humanidade precisa nortear o time que está perdendo pontos, jogos e o crédito devidamente acumulado no primeiro turno espetacular. Ainda a diferença é absurda para a turma que parece lutar mais para não cair do que para ser o que o Corinthians ainda tem tudo para ser. Mas já teve muito mais. Já jogou muito mais.

O Bahia mereceu vencer como já merecia ganhar do Palmeiras, no Pacaembu. Contou com falha de Fagner para fazer 1 a 0 e com aposta arriscada de Cássio no segundo gol. Carpegiani em pouco tempo parece ter dado um jeito no time que já virou a tabela para cima. Por ora.

No caso corintiano, ainda tudo é favorável. Tranquilo. Também pela simplicidade do time. Aquela que o próprio Fagner, de Seleção, disse que esqueceu no lance do primeiro gol. Aquela que ele também esqueceu ao dizer que o Corinthians estava de “parabéns” pela partida em Salvador. Não esteve. E esse não é só problema dessa análise. É de há muito tempo de equipes que jogam pouco e dão parabéns por nada. Essa condescendência de atletas e treinadores é tão perigosa ao futebol quanto muitos jogos horríveis que eventualmente possam ser incensados.

Um provável grande campeão pode e deve ter quedas de produção como a atual fase. É normal. Pelo elenco que tem, e pelo futebol que se joga no Brasil, o normal seria essa pontuação já “anormal” com um desempenho errático e irregular. Não tem crise e nem é preciso uma revolução tática para corrigir queda técnica. Mas o pior mesmo é achar que só isso basta.

Não pode.

O problema é a postura. Chapecoense 0 x 1 Flamengo.

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ESCREVE GUSTAVO ROMAN

O Flamengo cumpriu a sua obrigação e venceu a Chapecoense, mesmo jogando fora de casa. O resultado foi mais do que normal dada a diferença técnica entre os dois elencos. O que incomoda o torcedor Rubro-negro é a falta de postura da equipe. É jogar como se fosse ganhar a qualquer momento. Ou na hora que bem entender. Não é assim que a banda toca.

O primeiro tempo na Arena Condá foi mais um espetáculo lamentável. Jogo maracado. Brigado. E principalmente, falado. Os jogadores pareciam mais dispostos a reclamar uns com os outros e com a arbitragem do que jogar futebol. Não foi surpresa ver que houve apenas uma chance clara de gol. Muito pouco.

A partida melhorou um pouco nos 45 minutos finais. A Chape perdeu o meio de campo quando Emerson Cris tirou o amarelado Elicarlos. E quando insistiu com Wellington Paulista na direita, correndo atrás de lateral. Mesmo já sem Tulio de Melo, substituído por Penilla. O Flamengo se aproveitou e mesmo sem querer muito chegou mais. Berrio, que entrou no lugar de Everton deu mais agressividade ao time. Foi dele a ajeitada para Guerrero chutar na mão de Douglas. Pênalti bem assinalado pelo árbitro. E muito mal cobrado por Everton Ribeiro que praticamente atrasou para Jandrei. Sintetizando bem a falta de vontade de quase toda a equipe.

Aos 35 minutos, William Arão lançou Berrio. Ele ajeitou para Diego acertar o canto do goleiro e fazer um a zero. O primeiro gol dos cariocas nos últimos 640 minutos atuando como visitantes. Nos acréscimos, Berrio ainda perdeu ótima chance de ampliar depois de mais um ótima lançamento de Arão e outra boa jogada de Guerrero.

No fim, deu a lógica. Três pontos para o Fla que encosta no Botafogo e no G-4. No entanto, a má fase técnica de alguns atletas. A falta de vontade de outros. As poucas variações táticas que o time apresenta. E algumas escolhas do treinador fazem a torcida temer pelo pior (no caso, não conquistar a vaga para a Libertadores do ano que vem). Se isso acontecer, a crise chegará com força na Gávea.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman

 

Keno é que sobe? Atlético Goianiense 1 x 3 Palmeiras.

Leia o post original por Mauro Beting

Aos 20 minutos, o lance que se espera do atual campeão contra o atual lanterna. Belo lance de Willian com Keno, e gol do artilheiro do Palmeiras no ano (em lance irregular, pelo empurrão de Dudu em Jonathan). Aos 40, outro belíssimo passe de Keno (em sua melhor atuação pela direita de ataque) deu no primeiro gol de Moisés no BR-17.

O Palmeiras definiu a vitória no primeiro tempo no calor de Goiânia. E já com mexidas e medidas práticas de Valentim. Trocou o 4-3-3 de Cuca por um 4-2-3-1. Mais compactado sem a bola em um 4-4-2 com linhas mais próximas. Ainda com dificuldade de aproximação entre os atletas com a bola. Mas com um desempenho técnico geral melhor do que nos últimos jogos. E sem Deyverson.

O Atlético chegou duas vezes com perigo no primeiro tempo. Duas boas defesas de Prass, na maioria dos lances criados em cima de Egídio. O Palmeiras soube cozinhar o jogo trocando bolas com paciência e filosofia de Valentim. O que Cuca exigia de verticalidade e intensidade, Alberto pede um jogo mais pensado e pausado. O que é melhor? O que vence.

É o que fez o Palmeiras aos 13. Belo lance de Willian para Keno fazer a terceira assistência no jogo para o gol de peixinho de Dudu.

Logo depois o melhor em campo foi substituído. O Palmeiras tirou o pé do acelerador. Ainda assim poderia ter goleado com resultado e desempenho muito acima do esperado, apesar da modéstia do rival.

Um pênalti desnecessário de Mayke (o milésimo cometido pelo Palmeiras em 2017) levou ao gol de cavadinha de Walter, aos 30.

Mais não pôde fazer o Dragão. Mais uma vez ficou a impressão que o Palmeiras poderia ter feito mais na temporada. Independente da pressão.

Por mais Lambretas no futebol. Vasco 1 x 0 Botafogo.

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ESCREVE GUSTAVO ROMAN

O clássico carioca foi morno no primeiro tempo. Por características, as duas equipes marcavam muito, tirando o espaço do adversário e tentando forçar o erro para aí sim acelerar e definir a jogada da forma mais rápida possível. Com esse panorama, o jogo foi amarrado. Sem grandes emoções. Apenas uma oportunidade em finalização de Marcus Vinícius que Martim Silva defendeu sem problemas.

Com a lesão de Wagner, que foi substituído por Pikachu no intervalo, o Vasco ganhou força. Com sua dinâmica, força e velocidade, o lateral improvisado no meio de campo deu fôlego novo a sua equipe que passou a se postar mais no campo ofensivo. Já merecia estar em vantagem no marcador quando Nenê marcou, aos 24 minutos. No desespero, o Botafogo se lançou a frente. Contudo, o time de Zé Ricardo se mostra cada vez mais sólido na retaguarda. E cada vez mais próximo de uma vaga na Libertadores do ano que vem.

Infelizmente, esse não foi o principal assunto do clássico. O jovem Paulo Vítor tentou uma lambreta no fim da partida. Drible para a frente. Em busca da área. Um recurso que poucos possuem. Imediatamente após o lance, quatro jogadores do Bota cercaram o garoto. Como se driblar fosse proibido. Como se utilizar de suas habilidades fosse um pecado mortal. Logo o Botafogo de Garrincha. Ídolo maior do clube e talvez o precursor desse tipo de ocorrência.

Não sei o que se passa na cabeça dos jogadores de futebol. Pode ser raiva ou ciúme de quem tem esse dom. Pode ser frustração por tentar e não conseguir fazer igual. Sinceramente, não entendo esse tipo de reação ridícula e deplorável. O bom e velho esporte bretão deve ser o único em que você não pode usar seu talento. Ou alguém imagina Roger Federer ser enquadrado por Rafael Nadal após uma deixadinha humilhante? Lebron James tomar uma dura do time todo do Orlando Magic porque deu um crossover (drible) e uma enterrada? Duvido muito. E isso torna ainda mais vergonhosa a atitude de hoje.

Por isso, acho que o STJD que perde tempo com coisas tão pequenas as vezes poderia e deveria começar a atuar nesses casos. No sentido de preservar o já tão escasso talento, o drible no nosso futebol. Seria uma grande oportunidade de derrotar esses brucutus limitados que se acham donos da verdade e da justiça. Do que pode e do que não se pode fazer dentro das quatro linhas. Enfim, fica aqui meu desabafo. Por mais lambretas. E por mais Paulos Vítors em nosso país.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a Análise do clássico de Gustavo Roman

Cuca, ex-Palmeiras

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Antes de deixar o Palmeiras campeão (em novembro de 2016), Cuca imaginava um 2017 difícil. Também por isso não pretendia ficar. Troca de comando do clube, relacionamento complexo com Alexandre Mattos, perfil de possíveis reforços diferente da ideia dele. Menos do que o compromisso com a mulher, mas também importante, Cuca foi o melhor analista do ano que viria. E não veio mesmo.

Quando voltou, antes mesmo de assinar contato, ele previa ainda mais dificuldades. O time não estava legal. O elenco era diferente do de 2016. Ainda mais para Cuca. Nem a chegada de quem ele queria (Deyverson e Bruno Henrique), o afastamento ou distanciamento de quem ele não (Borja e Felipe Melo) deram o desempenho e resultado esperados – pelos outros, não por ele.

A cara de nenhum amigo e todos inimigos na apresentação se devia a um incômodo com o modo de como havia saído Eduardo Baptista. Resolvido com um telefonema ao antecessor. Mas outras questões não tiveram resposta. Ou deram errado. Como o dinheiro investido e/ou torrado no elenco que não rolou. E não deu nenhuma liga. Os que chegaram e os que foram campeões e parece que saíram com a faixa no peito.

Cuca fazia tudo certo em 2016. Parece que agora tudo dava errado. Não acertou a mão. As medidas que davam resultado agora eram apenas medidas exacerbadas. Muitas mudanças, pouca confiança. As apostas não vingaram. Os com sede de vingança ganharam até espaço, não os pontos. As escolhas foram infelizes. As convicções deram errado. Se é que havia alguma certeza além da incerteza. Moisés e Dudu não têm sido os mesmos. Gabriel Jesus faz ainda mais falta por tudo que falta a Borja. Mina jogou pouco e menos do que joga. Tchê Tchê jogou demais e pouco do que jogou. Vitor Hugo faz muita falta. Zé Roberto também. Guerra joga menos. Felipe Melo, também. Deyverson jogou demais da conta. Willian deu conta. Mas elas não fecham. E muito investimento para pouco retorno.

Não deu. Ainda o manteria no comando do elenco. Ainda o queria em 2018. Mas ele mesmo se sente aliviado agora. Sabia que estava mal. Não seria o que foi em 2016. Mas não pode ser só isso em 2017. Não era elenco para ganhar tudo com um pé nas costas. Mas também não era equipe para levar um pé onde levou em todos os torneios.

Não foi, Cuca. Mas pelo que você foi em 2016, a casa é sempre sua. Pelo que você é, um dos nossos, e dos melhores, estamos sempre aqui.

40 anos de Basílio, 107 de Corinthians

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Guerrero como São Jorge fez um gol no Japão contra uma equipe do país da bandeira de São Jorge. Inventor do futebol e sede do clube que inspirou o nome do Paulista Corinthians. Mundial todo-poderoso pela segunda vez, em 2012.

Ainda discutem a primeira, em 2000. “Não era Mundial. Era de verão”. Eles viram o bicampeão brasileiro ganhar na marra um lugar como campeão do país-sede para com fome de títulos ganhar na bola fora de Edmundo o primeiro Mundial da Fifa. Mundialito para quem não dá bola. Campeão do mundo para o dono dela.

Bicampeão do mundo. Depois de “nunca serão” e foram senhores da América. Invictos em 2012. Libertados enfim. Como Neto já havia emancipado e antecipado no primeiro Brasileiro, só em 1990. Demorou. Mas veio o bi-tri de 1998-99. O tetra polêmico de 2005. O penta de Tite de 2011. O hexa sem contestação em 2015. Pintando o hepta em 2017.

Para quem era Paulista demais até 1990, até 27 anos, 22 anos no tempo parece nada. 40 anos depois, menos ainda.

Mas quem viveu o jejum de títulos de 1954 a 1977 sabe que nada se compara ao gol aos 36min43s de 13 de outubro de 1977. O pé angelical de Marcelinho jogou e ganhou muito mais que Basílio. Mas o ungido foi ele.

O gol mais emocionante da história corintiana. O mais corintiano gol do Corinthians. Bola na trave, bola sobre a linha, bola além dos tempos. Tudo num só lance resumindo 22 anos de danação em campo e doação fora dele.

Não tem pênalti do Dida, gol do Guerrero, falta do Neto, gol do Dinei, gol do Luizão, gol do Tévez, gol de Tite, gol do Love, gol do Jô, gol do Sheik, defesa do Cássio, do Ronaldo, de ninguém que

supere Basílio.

Há 40 anos por 22. Há 40 anos pelos 107.

Já passou quase o dobro do tempo da fila. E ainda emociona até quem não é. Imagine quem é e sabe que não precisa ser campeão para ser Corinthians.

Talvez tenha sido o único jogo do Corinthians que a nação gigantesca de anticorintianos não ficou assim tão irritada com um título. Havia passado da hora. Era um rival (melhor) que não era um dos grandes. Dava para sair da fila contra eles – melhor do que contra nós, como mal sabem os próprios corintianos em 1993 e 2002.

E deu. Basílio. Corinthians.

Um pequeno pé para o homem. Um gol do tamanho da eternidade corintiana.

O campeão não voltou. Palmeiras 2 x 2 Bahia.

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O começo no Pacaembu foi do Palmeiras campeão de 2016. O final foi melancólico como Palmeiras de 2017. O Bahia merecia mais do que o 2 a 2. Criou 12 chances em São Paulo e concedeu apenas 8 ao irreconhecível Palmeiras do BR-17. Ou reconhecível por tudo que o time não acerta o pé e, Cuca, a mão. Mesmo quando atende a voz da arquibancada.

 

Marcação alta, intensidade, vontade de recuperar a bola no ataque, dinâmica na frente até o gol de Willian, com 1 minuto, sem chance para o ótimo Jean.

Dudu e Willian mudando os lados, Moisés chegando mais, Deyverson dando opção, saindo da área. E só. Passes errados, e maior coragem do Bahia na estreia de Carpegiani fizeram o jogo ficar igual a partir dos 20. E só não ser igualado por duas ótimas defesas de Prass.

 

O ótimo Zé Rafael e o veloz Mendoza passaram a incomodar o Palmeiras que só se reencontraria aos 38. Marcando um gol trabalhado como os do primeiro turno de 2016. Pé em pé até Bruno Henrique ampliar. Vantagem que Edgar Junio fez questão de diminuir, aos 46, em falha palmeirense no jogo aéreo.

 

Aos 8, Deyverson resolveu fazer graça e perdeu bola tola. Bastou para o Pacaembu pedir Borja como se fosse Evair. Em quatro minutos ele entrou para substituir o dileto de Cuca em sua melhor atuação. Borja enfim teve mais minutos. Mas o mesmo desempenho pífio. Moisés se aproximou ainda mais mas segue distante do melhor jogador que foi no BR-16. Como Dudu também não foi bem. E o Palmeiras só não foi pior por cinco belas defesas de Prass. Aqueles que muitos não queriam mais pintado de verde e branco.

 

Como muitos aplaudiram o retorno de Felipe Melo aos 27 como se voltasse à cabeça da área César Sampaio. Ele até entrou bem, distribuindo bolas e carrinhos apenas na bola, incensados pelo carinho da torcida.

 

O problema é que mesmo Cuca atendendo à grita da galera, o Palmeiras de novo marcou mal. Passou pior. E foi engolido pelo Bahia. Rodrigão e Régis entraram bem. E Róger Guedes entrou pelo cano na sua primeira intervenção, aos 41, um minuto depois de substituir Willian. Pênalti tolo no incansável Mendoza que Edgar Junio bateu muito bem – caso contrário Fernando Prass teria mais uma vez defendido. Pênalti que RG não precisaria ter feito. Até porque alguém deveria estar no velocíssimo Mendoza.

 

No final, o palmeirense pode até celebrar o empate que merecia perder. E celebrar a situação ainda critica do São Paulo com o resultado. Como o Bahia volta para Salvador comemorando o desempenho e lamentando a sorte que merecia ser maior.

 

Veja a análise de Gustavo Roman 

Empate ruim para os dois. Flamengo 1 x 1 Fluminense.

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ESCREVE GUSTAVO ROMAN

O clássico mais charmoso do país contou com um bom público presente ao Maracanã em um feriado de muito calor e praias lotadas no Rio de Janeiro. As duas equipes precisavam da vitória. O Flamengo para seguir a busca ao G-4. O Fluminense para fugir da incômoda zona de rebaixamento. Tudo levava a crer em um ótimo jogo.

Taticamente espelhados, embora com propostas diferentes de jogo, os times não fizeram um bom primeiro tempo. O Tricolor começou explorando a velocidade. E criou duas oportunidades em menos de cinco minutos. O Rubro-Negro sofria com a saída de bola. Márcio Araújo e Rômulo não conseguiam fazer a bola chegar limpa a frente. E ainda davam muitos espaços na marcação. A partir dos 20 minutos, o Fla equilibrou as ações. Réver chegou a acertar a trave em uma finalização aos 34 minutos. Mas criou muito pouco. E por isso voltou a abusar da bola cruzada. Hoje, especialmente depois da saída de Gum, funcionou.

Na etapa final, a partida melhorou. E muito. Até porque Abel Braga adiantou um pouco mais Douglas para fazer as infiltrações. Aos 8, contra-ataque do Flu. Sornoza lança Henrique Dourado na esquerda. Ele cruza. Pará tenta se antecipar a Gustavo Scarpa e solta uma bomba indefensável. Só que contra. Aliás, já é o segundo gol contra do lateral em fla x flu.

Rueda tratou de corrigir os erros na escalação. Tirou Rodinei e Rômulo. Pôs Guerrero e William Arão. Pará voltou para a lateral direita. Everton foi para a outra lateral. Paquetá foi jogar na extrema esquerda. O Flamengo melhorou. O peruano perdeu chance clara de cabeça. Aos 24, Everton cobrou falta. Richard não acompanhou e deixou Réver livre. Na pequena área para testar e deixar tudo igual.

O treinador colombiano sentiu que poderia ganhar o jogo. Sacou Márcio Araújo e colocou Trauco em seu lugar. O peruano foi jogar na sua, na lateral. Everton voltou para a esquerda. Paquetá e Everton Ribeiro foram armar por dentro. Berrío ficou na direita. Arão segurou um pouco mais no repaginado 4-1-4-1 Rubro-Negro. Abel respondeu com velocidade. Romarinho e Peu entraram nos lugares de Marcos Júnior e Gustavo Scarpa. Sem jogador de contenção, o Flamengo pressionava. E se expunha ao contragolpe. E assim o jogo foi até o fim. Com a bola muito mais no campo de defesa do Tricolor. E algumas oportunidades de contra-ataques desperdiçados pelos dois times.

No fim, o empate foi ruim para ambos. O Fluminense está apenas um ponto acima do Z-4. E o Flamengo segue cada vez mais distante de uma vaga direta para a Libertadores do ano que vem via campeonato nacional. Pelo investimento de um e o primeiro semestre do outro, duas decepções para seus torcedores. Que acreditam e sabem que os dois poderiam render muito mais.

Veja a Vídeo Análise de Gustavo Roman sobre o clássico

 

Futebol reativo. Grêmio 0 x 1 Cruzeiro.

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Mais uma vitória de um visitante no campeonato nacional. Fruto de uma ótima marcação, organização tática, entrega dos jogadores e, especialmente, eficiência na hora de concluir as poucas oportunidades criadas. Não é demérito algum jogar dessa forma. Se é bonito, se agrada os gostos mais saudosistas e exigentes é outra conversa. O fato é que cada vez mais o futebol reativo vem tomando conta do país. Equipes como Cruzeiro, Corinthians e Botafogo são exemplos claros dessa nova ordem. Talvez por isso os donos da casa venham tendo tantas dificuldades e sendo derrotados até com certe frequência.

Hoje, o Grêmio foi mais uma vítima dessa armadilha. Preocupado com a Libertadores, competição na qual ele pode fazer ainda três modificações na lista de inscritos e assombrado por lesões Renato fez algumas experiências. Taticamente o time continuou o mesmo. Um 4-2-3-1 com boa posse de bola. Porém, sem a criatividade dos jogadores talhados para quebrar as linhas de marcação do adversário, casos de Ramiro e Luan, o Tricolor pouco ou quase nada fez com a redonda.

O Cruzeiro também manteve seu estilo. Jogou num 4-4-2 com muita velocidade pelos lados do campo. Tanto na hora de atacar quanto na de recompor a defesa. Até os dois atacantes, Sóbis e Thiago Neves voltavam para dar um pé na contenção.

Com tanta atenção a retaguarda de um lado e com pouca inspiração do outro não foi surpresa ver que o primeiro tempo terminou num zero a zero. Quase sem finalizações. Praticamente sem chance alguma criada para qualquer dos lados.

Na etapa final o Tricolor buscou um pouco mais o ataque. Afinal, está no imaginário do apaixonado torcedor que o time da casa precisa propor o jogo. A equipe até criou duas ótimas oportunidades de abrir o placar. A primeira na falta cobrada por Arroyo. A segunda na finalização a queima roupa de Everton. Rafael fez grandes defesas em ambas e salvou a Raposa.

O avanço do Grêmio era tudo que o Cruzeiro queria. Se defendeu bem. Soube sofrer como dizem os especialistas de hoje. E achou espaços para encaixar um contra-ataque mortal. Aos 24 minutos, Thiago Neves recebeu livre de marcação. Teve tempo de dominar. Olhar. Pensar. E achar Rafael Sóbis em posição legal. O atacante ficou cara a cara com Marcelo Grohe e só tocou de lado para fazer um a zero. Na primeira e única chance real dos visitantes na partida. É a tal da eficiência. Ao extremo.

Em desvantagem, Renato tentou tornar sua equipe mais ofensiva. Novamente esbarrou no pouco poder de criação do time hoje. E acabou cruzando inúmeras bolas na área do time mineiro. Consagrando assim os zagueiros Manoel e Digão. Sem grandes sustos, o Cruzeiro segurou a vantagem até o fim. E conquistou três pontos importantíssimos.

O jogo foi mais uma lição. Posse de bola. Número de finalizações. Chances criadas. Fator casa. Tudo isso importa cada vez menos. Pelo menos no brasileirão. O importante agora é saber se defender. Esperar o ataque ou o erro do oponente. E ser letal nas suas investidas. Você pode até não concordar. Ou não achar bonito. Mas o futebol reativo parece ser a nova fórmula para o sucesso.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a Vídeo Análise de Gustavo Roman

Messi. Punto e basta.

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Então… Você ainda acha que o maior artilheiro da história da Seleção da Argentina não joga bem pela albiceleste? Você vai continuar dizendo que o maior artilheiro da história das Eliminatórias Sul-Americanas nega fogo pelo time do país que deixou aos 12 anos?

Você pode dizer que o Messi da Catalunha declarou ser independente do Lionel da Argentina. Você tem razão ao dizer que ele – e os hermanos – desde 1993 não ganham nada com o time principal. Você tem como criticar o jeito meio que desapegado da camiseta se comparado ao argentino (terráqueo?) que mais chegou perto a ele – Maradona (Di Stéfano até pela Espanha esteve em Copa do Mundo).

Você pode torcer contra, torcer o nariz, fazer o diabo contra esse semimessi, opa, semideus futebolístico. Pode e deve dizer que um time que pode ter Aguero, Di Maria, Dybala e Higuain (não todos juntos) não pode sofrer tanto para se garantir entre os quatro primeiros em 10 seleções em 18 jogos. Você pode compreender que aquela defesa leve um gol aos 38 segundos em Quito. Mas não tem como conceber uma Copa sem Argentina. Sem o melhor deste mundo. E do planeta de onde parte dos genes futebolísticos desse gênio veio.

Feliz é você que pode ligar a televisão para ver Lionel e até para torcer contra. Infeliz é quem pode ficar indiferente à absurda capacidade goleadora. O inacreditável talento para se livrar dos rivais de campo, tribunas de imprensa, arquibancadas, recordes e tabus. Não tem como não dar pelota à cada vez maior e melhor visão de campo desse argentino argentiníssimo que levou a Argentina para a Copa e pode trazer o mundo de volta para a terra de Maradona. E um pedacinho para o planeta de onde veio essa pulga atrás da orelha enorme dos que insistem em não ver e não ouvir não só o óbvio. O ótimo que é assistir à vitória do talento puro. Da objetividade obsessiva. Do engenho e arte num só desbravador sem bravatas.

Messi não só carrega a Argentina nas costas. Ele leva junto a esperança da vitória que vai muito além das fronteiras. Torcer por Messi não é questão de clube, generalitat, generalizar, país, continente. Torcer por Messi é torcer pela criança que nos acompanha pela vida e quer ver a vitória sempre do super herói.

Do Messi que não tem bandeira. É o estandarte do futebol que amamos.