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Quem é que sobe? Fluminense 0 x 1 Corinthians

Leia o post original por Mauro Beting

O primeiro tempo não foi bom. Como são muitos jogos do BR-17. E foram dos últimos anos do Brasileirão, entre líderes ou não.

O segundo tempo foi melhor entre os jovens e promissores atletas do Fluminense e o absurdo líder do campeonato. Timão que abriu o placar em bela cabeçada de Balbuena e, como no empate contra o Avaí, sofreu mais do que vinha sofrendo. Levou bola na trave, foi ameaçado. Mas, de novo, quando a bola passava pelo sólido sistema defensivo, tinha Cássio. E nada acontece. A não ser mais uma grande vitória corintiana, num clássico fora de casa.

O Corinthians segue impressionando. Abrindo vantagem ampla demais para campeonato tão equilibrado.

 

 

Waldir Peres

Leia o post original por Mauro Beting

 

 

Eu só torci uma vez por você. E foi maravilhoso. Mesmo que eu preferisse na estreia da Copa de 1982 o ex-goleiro do meu time no seu lugar (o gremista Leão). Você falhou horroroso no primeiro torneio em que estivemos do mesmo lado, no tiro longo de Bal. 1 a 0 para a URSS. Mas o Brasil de Telê virou lindo como jogava aquele time que não ganhou o Mundial, mas conquistou o mundo há 35 anos (veja como no belo documentário de Dudu Magnani na ESPN – “Aos Campeões”).

Você não poderia ter defendido o golaço da Escócia na nova virada por 4 a 1. Não levou gol da Nova Zelândia nos 4 a 0. Nos 3 a 1 na Argentina, outro tiro no ângulo, de Ramón Diaz, e belas defesas garantiram a vantagem do empate contra a Itália, no Sarriá, em 5 de julho… Quando Paolo Rossi cabeceou uma bola sem defesa para abrir o placar. Quando Paolo Rossi fez 2 a 0 em tiro forte da entrada da área. Quando Paolo Rossi aproveitou novo vacilo individual para acabar com um sonho.

Você não tinha o que fazer, Waldir. E eu voltei a nunca mais torcer por você. No São Paulo, América, Guarani, Corinthians, Portuguesa, Santa Cruz, e de volta ao berço na Ponte Preta. Claro que eu era Brasil em 1974, quando você foi o terceiro goleiro do quarto colocado na Alemanha. Eu era Brasil em 1978, quando você foi o reserva de Leão e não perdemos na Argentina, quando acabamos terceiros. Eu torci muito por você naquela excursão na Europa, em 1981. Quando vencemos a Inglaterra pela primeira vez em Wembley, ganhamos da França e da Alemanha, quando você defendeu dois pênaltis do Breitner.

Nunca vi um goleiro como você nos pênaltis. Você não foi o que melhor defendia pênaltis. Mas foi o melhor para azucrinar os batedores. Na decisão do SP-75, contra a Portuguesa, o Dicá refugou na primeira cobrança porque sabia que você se adiantava. Não adiantava tentar bater. Na segunda, você mandou bem e defendeu. Na cobrança do Wilsinho, ele deu uma paradinha e isolou a bola. Coisa e culpa sua. Como você fez ao atazanar o Tatá na cobrança dele, correndo ao lado do centroavante da Lusa quando ele estava buscando a bola. Na hora de bater, você defendeu com os pés no meio do gol e o São Paulo foi campeão estadual.

E seria brasileiro pela primeira vez graças a você. No tempo normal e na prorrogação da final do BR-77, em março de 1978, no Mineirão, você segurou bem o melhor time do campeonato. O Atlético megafavorito. Vice-campeão invicto muito por sua causa.

Getúlio, ex-Galo, bateu o primeiro pênalti que João Leite defendeu. Enquanto o Mineirão festejava, você se posicionava na marca penal, esperando o batedor rival só para tirá-lo do eixo. Arnaldo César Coelho o tirou dali. Pediu para você não adiantar. Não adiantou. Você continuava apoquentando os batedores atleticanos. Toninho Cerezo mandou por cima, no canto esquerdo, onde você pulou.

Chicão, futuro atleticano, escorregou no enlameado gramado quando bateu o dele. João Leite acertou o canto e encaixou a bola. Ziza, cobrador oficial do Galo, mandou alto, à direita. Você acertou o canto. Mas não tinha como. 1 a 0 enfim para o Atlético.

Peres, que não era Waldir, bateu no canto direito, o ótimo João Leite ainda tocou, mas o São Paulo empatou. Alves mandou a bomba no meio do gol, e você preferiu cair à esquerda. 2 a 1 Galo. Antenor encheu o pé e empatou. Joãozinho Paulista mandou por cima a bola que você nem viu, caindo para o outro lado. Aliás, ninguém mais viu. Demorou um tempão para ela voltar para Bezerra marcar o terceiro gol tricolor, no canto esquerdo de João Leite, que quase defendeu.

Na última cobrança da série, o zagueiro alvinegro Márcio. E você enchuriçando o batedor adversário. Passando a mão na cabeça dele, falando bobagem, enervando ainda mais o rival.

8min18s depois do chute de Getúlio, Márcio não só mandou para fora do gol. Mandou por cima. Você foi para o outro lado. Mas, em seguida, todos os são-paulinos foram para o seu lado te abraçar na entrada da área. Na entrada do São Paulo na zona de títulos além de São Paulo. O primeiro dos seis nacionais. E viriam mais três Libertadores (a primeira também nos pênaltis) para o São Paulo a partir de 1992. Mais três Mundiais. Muito mais títulos. Alguns até com goleiros melhores do que Waldir, como Zetti e Rogério.

Mas o primeiro Brasileiro foi do goleiro que nem precisava sujar a roupa para lavar a alma tricolor. Nem precisava pegar os pênaltis para ser temível como foi no Mineirão.

 

Como seria na semifinal do SP-78, quando viu uma bola de Jorge Mendonça bater duas vezes no travessão e não entrar. Assim era Waldir Peres. O goleiro que não me deixou gritar gol na final do SP-73, no Morumbi. Saí do estádio bicampeão brasileiro. Mas frustrado pelo empate sem gols apenas porque Waldir foi o goleiro elástico de sempre. De defesas de muito reflexo. Algumas impossíveis para aquela figura que, à distância, não inspirava tanta confiança.

Mas que, de perto, quem o enfrentou sabe muito bem. E quem foi muito bem defendido por ele sabe ainda melhor. O que sei é que não era fácil escutar o Fiori, o Osmar e o Silvério narrando defesas do Waldir naquelas bolas que não entravam a partir de 1976. Não era fácil ver o Solera, o Silvio Luiz, o Luciano, o Galvão, o Noriega e o Cicarelli narrando tantas defesas e títulos do goleiro do São Paulo. 

Waldir, só torci mesmo por você num maravilhoso sonho de verão europeu em 1982. De 1973 até o final de sua carreira, em 1989, sempre torci contra. E, desde 1976, você foi um dos caras que impediu meu time de ganhar qualquer coisa até você pendurar suas luvas vencedoras.

Fosse só torcedor, não gostaria de você. Sendo jornalista e pesquisador do futebol, só posso admirar você.

Se já dói demais saber de sua partida, imagine a de quem teve a honra de ser defendido por você.

Os adversários costumam saber o tamanho dos rivais. Posso te dizer, Waldir, aqui do outro lado da arquibancada.

Você é gigante.

Qualquer time que começasse com Waldir Peres tinha grandes chances de terminar muito bem.

 

Bruno Henrique! Santos 3 x 0 Bahia. 

Leia o post original por Mauro Beting

O Santos é interessante. Não joga bem, é cornetado além da medula pela própria torcida, e segue invicto na Libertadores. Terceiro colocado no BR-17. E com perspectivas de crescimento em todas as competições. 

Mesmo sem Ricardo Oliveira em grande parte da temporada. Mesmo sem Renato com lesões que não são normais para a carreira irrepreensível. Mesmo sem a dupla titular de zaga desde janeiro. Mesmo sem os dois titulares das laterais. Mesmo sem o agora negociado Thiago Maia. 

Ainda assim fez 3 a 0 contra o Bahia em jogo que o próprio Levir disse ter sido um placar maior do que o merecido. O time de Juninho marcou direitinho. Chegou com perigo à meta do ótimo Vanderlei. Mas não fez o gol que Bruno Henrique aproveitou no rebote de Jean, em posição de eletrônico impedimento. Placar ampliado em belíssimo lance de Lucas Lima no final da primeira etapa. 

Os mais de 36 mil santistas que mais uma vez provaram que o Santos precisa subir mais vezes a serra para dar espetáculo de gente – não necessariamente de futebol. Santistas que têm razão quando exigem mais do Santos. Mas podem celebrar outro bom resultado. E mais uma boa atuação de Vecchio fazendo a de Renato. 

Na base do abafa. Flamengo 2 x 1 Coritiba.

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ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Valeu pelos três pontos. Com certeza, o torcedor que foi a Ilha do Urubu ou assistiu a partida pela televisão não gostou da performance da equipe. Escalada num 4-4-2 pelo pressionado Zé Ricardo, o Flamengo contou com Rômulo e Arão centralizados. Berrío na direita. Geuvânio na esquerda. Everton Ribeiro com liberdade para armar o time e encostar em Guerrero no comando do ataque.

O primeiro gol, marcado por Berrío logo aos sete minutos de jogo deu a impressão que seria fácil. Não foi. O time carioca deu a bola para o Coritiba. Passou a atuar de forma mais reativa. Se fechou atrás e buscou explorar os contragolpes. Não sofreu na defesa como vinha acontecendo nas últimas rodadas. E ainda criou pelo duas boas oportunidades de ampliar a vantagem.

O Coxa voltou com Neto Berola na vaga de Alan Santos. E empatou com menos de um minuto. Tomas Bastos deu ótimo passe nas costas dos pesados zagueiros Rubro-Negros. Henrique Almeida aproveitou-se da lentidão da zaga e marcou. É o quarto gol seguido que leva o Fla da mesma fora.

Mais organizada, a equipe paranaense foi melhor coletivamente. Incomodou com a velocidade de seus atacantes. Zé Ricardo mostrou uma certa dose de desespero. Começou a empilhar jogadores de meio para frente. Vinícius Júnior, Felipe Vizeu e Lucas Paquetá entraram nos lugares de Berrío, Geuvânio e Rômulo.

O time ia a frente de qualquer forma. Cruzava inúmeras bolas sobre a área. Numa delas, Juan mandou uma cabeçada no travessão de Wilson. Mas dava espaços perigosos ao adversário. Estivesse o Coritiba numa melhor fase ou se contasse com atletas mais qualificados a coisa poderia ter ficado feia. De tanto insistir, Vinícius Júnior, que até então errara tudo, sofreu pênalti bobo de Márcio já nos acréscimos. Everton Ribeiro cobrou com categoria e deu a vitória aos donos da casa.

O Flamengo venceu porque tem um time melhor individualmente. E também porque apesar de todas as dificuldades nunca desistiu. Mesmo que só cruzando bolas. O coletivo ainda é muito pobre. E quando isso acontece, só mesmo o talento individual pode salvar. Porém, é preciso jogar muito mais. E logo.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise de Gustavo Roman 

Na base do abafa. Flamengo 2 x 1 Coritiba.

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Valeu pelos três pontos. Com certeza, o torcedor que foi a Ilha do Urubu ou assistiu a partida pela televisão não gostou da performance da equipe. Escalada num 4-4-2 pelo pressionado Zé Ricardo, o Flamengo contou com Rômulo e Arão centralizados. Berrío na direita. Geuvânio na esquerda. Everton Ribeiro com liberdade para armar o time e encostar em Guerrero no comando do ataque.

O primeiro gol, marcado por Berrío logo aos sete minutos de jogo deu a impressão que seria fácil. Não foi. O time carioca deu a bola para o Coritiba. Passou a atuar de forma mais reativa. Se fechou atrás e buscou explorar os contragolpes. Não sofreu na defesa como vinha acontecendo nas últimas rodadas. E ainda criou pelo duas boas oportunidades de ampliar a vantagem.

O Coxa voltou com Neto Berola na vaga de Alan Santos. E empatou com menos de um minuto. Tomas Bastos deu ótimo passe nas costas dos pesados zagueiros Rubro-Negros. Henrique Almeida aproveitou-se da lentidão da zaga e marcou. É o quarto gol seguido que leva o Fla da mesma fora.

Mais organizada, a equipe paranaense foi melhor coletivamente. Incomodou com a velocidade de seus atacantes. Zé Ricardo mostrou uma certa dose de desespero. Começou a empilhar jogadores de meio para frente. Vinícius Júnior, Felipe Vizeu e Lucas Paquetá entraram nos lugares de Berrío, Geuvânio e Rômulo.

O time ia a frente de qualquer forma. Cruzava inúmeras bolas sobre a área. Numa delas, Juan mandou uma cabeçada no travessão de Wilson. Mas dava espaços perigosos ao adversário. Estivesse o Coritiba numa melhor fase ou se contasse com atletas mais qualificados a coisa poderia ter ficado feia. De tanto insistir, Vinícius Júnior, que até então errara tudo, sofreu pênalti bobo de Márcio já nos acréscimos. Everton Ribeiro cobrou com categoria e deu a vitória aos donos da casa.

O Flamengo venceu porque tem um time melhor individualmente. E também porque apesar de todas as dificuldades nunca desistiu. Mesmo que só cruzando bolas. O coletivo ainda é muito pobre. E quando isso acontece, só mesmo o talento individual pode salvar. Porém, é preciso jogar muito mais. E logo.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise de Gustavo Roman 

Marcão do povo e os que defendem sem precisar atacar 

Leia o post original por Mauro Beting

Marcão, você lembra dessa foto. Faz pouco mais de 5 anos, na casa do Cafu. Quando eu tirei, disse pra vocês: “os dois caras que melhor me defenderam na vida”. Menos de cinco meses depois o meu Babbo partiu. Sobrou pra você, Marcão! Segura mais uma aí! A nossa sorte é que quem cuida do seu coração (além da Sonia e dos seus) é quem cuida do meu também (além da Sil e dos meus). É o doutor Cesar Jardim. Craque. Indicado por outro craque, o Rubens Sampaio. Por mera coincidência, todos doutores palestrinos. 

Na véspera da sua operação eu passei consulta com o doutor César. Horas antes do jogo com o Flamengo. Quando o Jailsão da Massa jogou como e pelo Prass. Como você. Tô sabendo que você fica zoando o Jailson por causa de uns títulos a mais do que ele que você conquistou… Mas aí o anjo negro da nossa guarda manda pra você: – E você já ganhou um Brasileiro invicto?
É, Marcão… Ponto pro Jailsão da Massa. Mais um digno herdeiro de suas mãos. Ou melhor: do seu coração. Ele é verde. Doutor, eu não engano, seu coração é palmeirense. 

Por isso sofre quando ganha, quando não ganha. Por isso quase teve de trocar a válvula. Mas não precisou. O doutor sabe o que faz. E, se precisasse trocar alguma coisa, tinha mais gente para te dar um outro coração do que aqueles mais de 8 mil que foram pegar seu autógrafo no lançamento do nosso livro, lá em 2012. 

Não eram só irmãos de credo e de cor na última vez que meu pai saiu de casa sem ser para o trabalho. Eram fãs da pessoa mais que do goleiro do rival. O que tinha de não-palmeirense que ficou dez horas na fila por um autógrafo seu era absurdo. Do tamanho da corrente de gente que reza para você, vagabundo, sair daqui uma semana e voltar pra continuar trabalhando duro para não fazer merecidamente nada. 

Sorte nossa que temos o doutor César para tratar dos nossos corações tão bem cuidados por nossas famílias. Sorte nossa que há 25 anos chegou ao Palestra um cara que tem no peito tudo aquilo que não se troca.

Outra coisa: 

Qualquer coisa hoje atrita rubro-negros e alviverdes. Irrita e futrica. 

Pênaltis não marcados e discutíveis. Faltas que aconteceram e juiz deixou rolar. Muitos amarelos mostrados. Arranhões mostrados até demais. 
Choros e cheiros. Mimimis e memes de todos os lados. 

A graça da rivalidade às vezes perde a graça por procurar tanta desgraça. 

Segue o jogo, amigos. 

Lembrem a Copa União de 1988. Quando o Zetti quebrou a perna num choque com o Bebeto. No lance seguinte o atacante rubro-negro empatou, vencendo o goleiro-centroavante Gaúcho que teve de ir para a meta do Palmeiras. 

Na disputa dos pênaltis regulamentares de um campeonato que impedia empates, Gaúcho defendeu um pênalti

do Zinho e outro do Aldair. Titulares tetracampeões do mundo seis anos depois. 

Zinho bicampeão do Brasil pelo próprio Palmeiras em 1993 e 1994. Campeão do Brasil em 1992 pelo Flamengo ao lado do mesmo Gaúcho que defendeu o tiro penal dele em 1988.  

A rivalidade é maravilhosa. Move a gente pra frente. Mas o ídolo de hoje pode ser o rival de amanhã. O adversário de ontem pode ser o nosso craque de amanhã. 

Respeitar um pouco mais a história e as pessoas é melhor do que ganhar no grito ou se perder no choro. 

O Zinho que tanto torcemos contra Gaúcho em 1988 é o pé direito que abriu a contagem em 12 de junho de 1993. O Gaúcho que tanto torcemos pela mão em 1988 é o mesmo que foi campeão rubro-negro em 1992. Trocando os pés pelas mãos. Trocando de camisa como quem troca de camisa. 

Vamos desarmar espíritos, profissionais da bola e amadores do futebol. 

Paulo do Grêmio

Leia o post original por Mauro Beting

Paulo Santana era Grêmio mais do que o Grêmio é Tricolor. Paulo Santana era cronista mais do que jornalista. Paulo Santana era coração mais do que cabeça. Por tabela era mais fígado e cotovelo do que muita vezes o recomendado. 

Mas era brilhante. Daqueles que você para para ouvir mesmo que fosse a pataquada da paróquia. Porque Paulo sabia dizer muito no silêncio. Na pausa. Na inflexão. Nas reflexões. Sabia falar e escrever. Virtude ainda maior em dias em que mal se sabe escrever, mal se lê, e se entende muito mal. 

Paulo desde sempre era assumidamente Grêmio num mundo onde parece ser melhor ser sumidamente “neutro”. Rio Grande do Sul onde não se pode ser um e outro pela duelo de maior dualidade do país.

Paulo bravateava e desbravava áreas que outros colegas queridos e amigos começam a peitar, tirando do armário a camisa do coração, assumindo a paixão que nos levou à mídia. E quase sempre mantendo os modos e a média necessária para garantir o leitinho nosso de cada dia. 

A última vez que estive com ele foi no Palácio da Alvorada, no jantar pré-Copa de 2014 com a presidência. Sentado ao lado de Dilma, Paulo roubou a cena com deus arroubos de humor fino, e seu apaixonado e apaixonante jeito de expressar apreço e desapreço na mesma frase. Arrancou da excelência os maiores sorrisos e risos. Fazendo tudo mais fácil. Aparando arestas. Criando questões. Ensinando comunicação. Desfraldando bandeiras. Fardando convicções. 

Um show. Que não pode parar. Criar novos Paulos não é fácil. Mas vestir a camisa e abrir o jogo é necessário, ainda que difícil. 

Que as novas gerações se inspirem em quem torce por um clube mas não distorce por ele. 

Uma eterna madrugada japonesa de 1983, Paulo Santana. 

Ruim para os dois. Fluminense 1 x 1 Cruzeiro.

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Cada equipe foi melhor um tempo na partida disputada em Edson Passos. Os visitantes mandaram nos primeiros 45 minutos. Os donos da casa foram superiores no segundo. Portanto, o empate foi o resultado mais justo. Porém, acabou sendo ruim para ambos que não andaram na tabela de classificação.

Com Thiago Neves muito livre, o Cruzeiro começou melhor. Arriscou chutes de fora da área e obrigou o goleiro Júlio César a trabalhar. Novamente o Tricolor mostrou o velho problema de falta de poder de criação. Quando precisa propor o jogo, não consegue. Jogando de forma mais reativa, deixando que o adversário errasse, a Raposa abriu o marcador aos 35 minutos. Mais uma assistência de Thiago Neves na temporada, a oitava. E gol de Sassá. O segundo em partidas consecutivas.

O Fluminense deu sorte de conseguir um pênalti cinco minutos depois. Richarlisson ganhou na velocidade de Lucas Romero e foi tocado pelo argentino. O próprio Richarlisson cobrou bem e empatou a partida. O gol deu moral a equipe carioca, que dominou a etapa complementar. Criou pelo menos três ótimas oportunidades de virar o marcador. Mas esbarrou em Fábio e na má pontaria de Gustavo Scarpa. O Cruzeiro ameaçou apenas com Thiago Neves, que carimbou a trave do arqueiro Tricolor.

As alterações tentadas pelos treinadores acabaram não surtindo o efeito necessário. E a partida terminou mesmo no um a um. Fica cada vez mais a impressão que Abel Braga ainda não tem um elenco com que possa contar. São jovens talentosos, mas que irão e estão oscilando muito. Já Mano Menezes ainda prende demais seus comandados. O Cruzeiro possui jogadores e talento para jogar ainda mais. E ainda melhor. Basta querer.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise de Gustavo Roman 

Encurtou. Avaí 0 x 0 Corinthians. 

Leia o post original por Mauro Beting

Deve ter sido a melhor atuação do Avaí no BR-17. Não foi a melhor partida do Corinthians no campeonato que ainda lidera com folga. Já foi mais absurda a diferença. Ainda é bastante considerável. Mas não tão confortável. O que não é surpresa. 

O Corinthians foi o de sempre. Sólido na zaga mesmo perdendo de novo Pablo por lesão. Ainda que sofrendo mais perigos do que o normal, também os criou na frente. Douglas, mais uma vez, como já havia feito em outra grande atuação contra o mais que competente Grêmio, negou as oportunidades. 

O Avaí conquistou mais do que o empate. Partida para servir de mote para a recuperação que eu não considerava possível. O Corinthians deixou dois pontos na Ressacada. Resultado que ainda serve apenas de alerta. O que é possível fazer está sendo muito bem feito em Itaquera. 

Loas e luvas de Jailson. Flamengo 2 x 2 Palmeiras. 

Leia o post original por Mauro Beting

– Esse pênalti eu dedico ao Prass e ao Vinicius, que trabalham duro e só um pôde jogar. 
Esse é o cara que evitou que o Flamengo voltasse a vencer na Ilha do Urubu. Levou o primeiro gol na primeira conclusão rubro-negra, no desatino de Luan, na desatenção de Dudu que não acompanhou Pará, e na finalização precisa do lateral que ganhou de Michel Bastos, de volta à lateral (no primeiro tempo). 
Com 21 minutos, mais na bola alçada do que na trabalhada, Jailson apareceu bem três vezes. Salvando um sistema defensivo mal disposto com Bruno Henrique e Tchê Tchê pouco marcando Diego e a chegada de Cuellar, com Everton Ribeiro e Everton dando suporte pelos lados, em ótimos e intensos 30 minutos do Flamengo.  Zé Roberto só foi se achar como terceiro armador mais do que como terceiro volante no belo passe para Willian empatar, aos 31, depois de falta de Mina na origem da jogada. 
Aos 42, nova bela enfiada para a escapada da virada. Róger Guedes aproveitou a assistência de Mina para marcar o belo gol que, um minuto depois, Luan (que se sente mesmo torto pela esquerda) bobeou para Guerrero empatar, depois de um chutão de Thiago. 
Cuca voltou com Thiago Santos na cabeça da área. Zé Roberto foi pra lateral, Michel Bastos foi atacar pela esquerda, e Dudu foi encostar em Borja (que substituiu o lesionado Willian). O Palmeiras chegou mais na segunda etapa. Mas a chance da partida foi do Flamengo. Ainda que Zé Ricardo tenha demorado a mexer. De novo. E mal. Novamente. 
Michel Bastos cometeu pênalti infantil, aos 28. Diego bateu bem. Mas Jailson mandou muito melhor. Na véspera do seu aniversário, ele mandou a escanteio a vitória rubro-negra, justificando a escolha do novo goleiro de Cuca. 
Não só pelo arqueiro que segue invicto em jogos de Brasileiro. Também pelo caráter do novo titular. Um que merece todas as loas e as mesmas luvas de outro atleta de caráter. Prass. Goleiro que pode ser reserva. Só não pode ser achincalhado e desrespeitado como tem sido. 
Processo parecido com o que sofre Zé Ricardo. Claro que, mais uma vez, com o time que pode ter, com o elenco que tem, e com o tempo de casa, ele merece ser mais cobrado. 
Mas é o caso de mudar?

Veja a análise de GUSTAVO ROMAN