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40 anos de Basílio, 107 de Corinthians

Leia o post original por Mauro Beting

Guerrero como São Jorge fez um gol no Japão contra uma equipe do país da bandeira de São Jorge. Inventor do futebol e sede do clube que inspirou o nome do Paulista Corinthians. Mundial todo-poderoso pela segunda vez, em 2012.

Ainda discutem a primeira, em 2000. “Não era Mundial. Era de verão”. Eles viram o bicampeão brasileiro ganhar na marra um lugar como campeão do país-sede para com fome de títulos ganhar na bola fora de Edmundo o primeiro Mundial da Fifa. Mundialito para quem não dá bola. Campeão do mundo para o dono dela.

Bicampeão do mundo. Depois de “nunca serão” e foram senhores da América. Invictos em 2012. Libertados enfim. Como Neto já havia emancipado e antecipado no primeiro Brasileiro, só em 1990. Demorou. Mas veio o bi-tri de 1998-99. O tetra polêmico de 2005. O penta de Tite de 2011. O hexa sem contestação em 2015. Pintando o hepta em 2017.

Para quem era Paulista demais até 1990, até 27 anos, 22 anos no tempo parece nada. 40 anos depois, menos ainda.

Mas quem viveu o jejum de títulos de 1954 a 1977 sabe que nada se compara ao gol aos 36min43s de 13 de outubro de 1977. O pé angelical de Marcelinho jogou e ganhou muito mais que Basílio. Mas o ungido foi ele.

O gol mais emocionante da história corintiana. O mais corintiano gol do Corinthians. Bola na trave, bola sobre a linha, bola além dos tempos. Tudo num só lance resumindo 22 anos de danação em campo e doação fora dele.

Não tem pênalti do Dida, gol do Guerrero, falta do Neto, gol do Dinei, gol do Luizão, gol do Tévez, gol de Tite, gol do Love, gol do Jô, gol do Sheik, defesa do Cássio, do Ronaldo, de ninguém que

supere Basílio.

Há 40 anos por 22. Há 40 anos pelos 107.

Já passou quase o dobro do tempo da fila. E ainda emociona até quem não é. Imagine quem é e sabe que não precisa ser campeão para ser Corinthians.

Talvez tenha sido o único jogo do Corinthians que a nação gigantesca de anticorintianos não ficou assim tão irritada com um título. Havia passado da hora. Era um rival (melhor) que não era um dos grandes. Dava para sair da fila contra eles – melhor do que contra nós, como mal sabem os próprios corintianos em 1993 e 2002.

E deu. Basílio. Corinthians.

Um pequeno pé para o homem. Um gol do tamanho da eternidade corintiana.

O campeão não voltou. Palmeiras 2 x 2 Bahia.

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O começo no Pacaembu foi do Palmeiras campeão de 2016. O final foi melancólico como Palmeiras de 2017. O Bahia merecia mais do que o 2 a 2. Criou 12 chances em São Paulo e concedeu apenas 8 ao irreconhecível Palmeiras do BR-17. Ou reconhecível por tudo que o time não acerta o pé e, Cuca, a mão. Mesmo quando atende a voz da arquibancada.

 

Marcação alta, intensidade, vontade de recuperar a bola no ataque, dinâmica na frente até o gol de Willian, com 1 minuto, sem chance para o ótimo Jean.

Dudu e Willian mudando os lados, Moisés chegando mais, Deyverson dando opção, saindo da área. E só. Passes errados, e maior coragem do Bahia na estreia de Carpegiani fizeram o jogo ficar igual a partir dos 20. E só não ser igualado por duas ótimas defesas de Prass.

 

O ótimo Zé Rafael e o veloz Mendoza passaram a incomodar o Palmeiras que só se reencontraria aos 38. Marcando um gol trabalhado como os do primeiro turno de 2016. Pé em pé até Bruno Henrique ampliar. Vantagem que Edgar Junio fez questão de diminuir, aos 46, em falha palmeirense no jogo aéreo.

 

Aos 8, Deyverson resolveu fazer graça e perdeu bola tola. Bastou para o Pacaembu pedir Borja como se fosse Evair. Em quatro minutos ele entrou para substituir o dileto de Cuca em sua melhor atuação. Borja enfim teve mais minutos. Mas o mesmo desempenho pífio. Moisés se aproximou ainda mais mas segue distante do melhor jogador que foi no BR-16. Como Dudu também não foi bem. E o Palmeiras só não foi pior por cinco belas defesas de Prass. Aqueles que muitos não queriam mais pintado de verde e branco.

 

Como muitos aplaudiram o retorno de Felipe Melo aos 27 como se voltasse à cabeça da área César Sampaio. Ele até entrou bem, distribuindo bolas e carrinhos apenas na bola, incensados pelo carinho da torcida.

 

O problema é que mesmo Cuca atendendo à grita da galera, o Palmeiras de novo marcou mal. Passou pior. E foi engolido pelo Bahia. Rodrigão e Régis entraram bem. E Róger Guedes entrou pelo cano na sua primeira intervenção, aos 41, um minuto depois de substituir Willian. Pênalti tolo no incansável Mendoza que Edgar Junio bateu muito bem – caso contrário Fernando Prass teria mais uma vez defendido. Pênalti que RG não precisaria ter feito. Até porque alguém deveria estar no velocíssimo Mendoza.

 

No final, o palmeirense pode até celebrar o empate que merecia perder. E celebrar a situação ainda critica do São Paulo com o resultado. Como o Bahia volta para Salvador comemorando o desempenho e lamentando a sorte que merecia ser maior.

 

Veja a análise de Gustavo Roman 

Empate ruim para os dois. Flamengo 1 x 1 Fluminense.

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ESCREVE GUSTAVO ROMAN

O clássico mais charmoso do país contou com um bom público presente ao Maracanã em um feriado de muito calor e praias lotadas no Rio de Janeiro. As duas equipes precisavam da vitória. O Flamengo para seguir a busca ao G-4. O Fluminense para fugir da incômoda zona de rebaixamento. Tudo levava a crer em um ótimo jogo.

Taticamente espelhados, embora com propostas diferentes de jogo, os times não fizeram um bom primeiro tempo. O Tricolor começou explorando a velocidade. E criou duas oportunidades em menos de cinco minutos. O Rubro-Negro sofria com a saída de bola. Márcio Araújo e Rômulo não conseguiam fazer a bola chegar limpa a frente. E ainda davam muitos espaços na marcação. A partir dos 20 minutos, o Fla equilibrou as ações. Réver chegou a acertar a trave em uma finalização aos 34 minutos. Mas criou muito pouco. E por isso voltou a abusar da bola cruzada. Hoje, especialmente depois da saída de Gum, funcionou.

Na etapa final, a partida melhorou. E muito. Até porque Abel Braga adiantou um pouco mais Douglas para fazer as infiltrações. Aos 8, contra-ataque do Flu. Sornoza lança Henrique Dourado na esquerda. Ele cruza. Pará tenta se antecipar a Gustavo Scarpa e solta uma bomba indefensável. Só que contra. Aliás, já é o segundo gol contra do lateral em fla x flu.

Rueda tratou de corrigir os erros na escalação. Tirou Rodinei e Rômulo. Pôs Guerrero e William Arão. Pará voltou para a lateral direita. Everton foi para a outra lateral. Paquetá foi jogar na extrema esquerda. O Flamengo melhorou. O peruano perdeu chance clara de cabeça. Aos 24, Everton cobrou falta. Richard não acompanhou e deixou Réver livre. Na pequena área para testar e deixar tudo igual.

O treinador colombiano sentiu que poderia ganhar o jogo. Sacou Márcio Araújo e colocou Trauco em seu lugar. O peruano foi jogar na sua, na lateral. Everton voltou para a esquerda. Paquetá e Everton Ribeiro foram armar por dentro. Berrío ficou na direita. Arão segurou um pouco mais no repaginado 4-1-4-1 Rubro-Negro. Abel respondeu com velocidade. Romarinho e Peu entraram nos lugares de Marcos Júnior e Gustavo Scarpa. Sem jogador de contenção, o Flamengo pressionava. E se expunha ao contragolpe. E assim o jogo foi até o fim. Com a bola muito mais no campo de defesa do Tricolor. E algumas oportunidades de contra-ataques desperdiçados pelos dois times.

No fim, o empate foi ruim para ambos. O Fluminense está apenas um ponto acima do Z-4. E o Flamengo segue cada vez mais distante de uma vaga direta para a Libertadores do ano que vem via campeonato nacional. Pelo investimento de um e o primeiro semestre do outro, duas decepções para seus torcedores. Que acreditam e sabem que os dois poderiam render muito mais.

Veja a Vídeo Análise de Gustavo Roman sobre o clássico

 

Futebol reativo. Grêmio 0 x 1 Cruzeiro.

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ESCREVE GUSTAVO ROMAN

Mais uma vitória de um visitante no campeonato nacional. Fruto de uma ótima marcação, organização tática, entrega dos jogadores e, especialmente, eficiência na hora de concluir as poucas oportunidades criadas. Não é demérito algum jogar dessa forma. Se é bonito, se agrada os gostos mais saudosistas e exigentes é outra conversa. O fato é que cada vez mais o futebol reativo vem tomando conta do país. Equipes como Cruzeiro, Corinthians e Botafogo são exemplos claros dessa nova ordem. Talvez por isso os donos da casa venham tendo tantas dificuldades e sendo derrotados até com certe frequência.

Hoje, o Grêmio foi mais uma vítima dessa armadilha. Preocupado com a Libertadores, competição na qual ele pode fazer ainda três modificações na lista de inscritos e assombrado por lesões Renato fez algumas experiências. Taticamente o time continuou o mesmo. Um 4-2-3-1 com boa posse de bola. Porém, sem a criatividade dos jogadores talhados para quebrar as linhas de marcação do adversário, casos de Ramiro e Luan, o Tricolor pouco ou quase nada fez com a redonda.

O Cruzeiro também manteve seu estilo. Jogou num 4-4-2 com muita velocidade pelos lados do campo. Tanto na hora de atacar quanto na de recompor a defesa. Até os dois atacantes, Sóbis e Thiago Neves voltavam para dar um pé na contenção.

Com tanta atenção a retaguarda de um lado e com pouca inspiração do outro não foi surpresa ver que o primeiro tempo terminou num zero a zero. Quase sem finalizações. Praticamente sem chance alguma criada para qualquer dos lados.

Na etapa final o Tricolor buscou um pouco mais o ataque. Afinal, está no imaginário do apaixonado torcedor que o time da casa precisa propor o jogo. A equipe até criou duas ótimas oportunidades de abrir o placar. A primeira na falta cobrada por Arroyo. A segunda na finalização a queima roupa de Everton. Rafael fez grandes defesas em ambas e salvou a Raposa.

O avanço do Grêmio era tudo que o Cruzeiro queria. Se defendeu bem. Soube sofrer como dizem os especialistas de hoje. E achou espaços para encaixar um contra-ataque mortal. Aos 24 minutos, Thiago Neves recebeu livre de marcação. Teve tempo de dominar. Olhar. Pensar. E achar Rafael Sóbis em posição legal. O atacante ficou cara a cara com Marcelo Grohe e só tocou de lado para fazer um a zero. Na primeira e única chance real dos visitantes na partida. É a tal da eficiência. Ao extremo.

Em desvantagem, Renato tentou tornar sua equipe mais ofensiva. Novamente esbarrou no pouco poder de criação do time hoje. E acabou cruzando inúmeras bolas na área do time mineiro. Consagrando assim os zagueiros Manoel e Digão. Sem grandes sustos, o Cruzeiro segurou a vantagem até o fim. E conquistou três pontos importantíssimos.

O jogo foi mais uma lição. Posse de bola. Número de finalizações. Chances criadas. Fator casa. Tudo isso importa cada vez menos. Pelo menos no brasileirão. O importante agora é saber se defender. Esperar o ataque ou o erro do oponente. E ser letal nas suas investidas. Você pode até não concordar. Ou não achar bonito. Mas o futebol reativo parece ser a nova fórmula para o sucesso.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a Vídeo Análise de Gustavo Roman

Messi. Punto e basta.

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Então… Você ainda acha que o maior artilheiro da história da Seleção da Argentina não joga bem pela albiceleste? Você vai continuar dizendo que o maior artilheiro da história das Eliminatórias Sul-Americanas nega fogo pelo time do país que deixou aos 12 anos?

Você pode dizer que o Messi da Catalunha declarou ser independente do Lionel da Argentina. Você tem razão ao dizer que ele – e os hermanos – desde 1993 não ganham nada com o time principal. Você tem como criticar o jeito meio que desapegado da camiseta se comparado ao argentino (terráqueo?) que mais chegou perto a ele – Maradona (Di Stéfano até pela Espanha esteve em Copa do Mundo).

Você pode torcer contra, torcer o nariz, fazer o diabo contra esse semimessi, opa, semideus futebolístico. Pode e deve dizer que um time que pode ter Aguero, Di Maria, Dybala e Higuain (não todos juntos) não pode sofrer tanto para se garantir entre os quatro primeiros em 10 seleções em 18 jogos. Você pode compreender que aquela defesa leve um gol aos 38 segundos em Quito. Mas não tem como conceber uma Copa sem Argentina. Sem o melhor deste mundo. E do planeta de onde parte dos genes futebolísticos desse gênio veio.

Feliz é você que pode ligar a televisão para ver Lionel e até para torcer contra. Infeliz é quem pode ficar indiferente à absurda capacidade goleadora. O inacreditável talento para se livrar dos rivais de campo, tribunas de imprensa, arquibancadas, recordes e tabus. Não tem como não dar pelota à cada vez maior e melhor visão de campo desse argentino argentiníssimo que levou a Argentina para a Copa e pode trazer o mundo de volta para a terra de Maradona. E um pedacinho para o planeta de onde veio essa pulga atrás da orelha enorme dos que insistem em não ver e não ouvir não só o óbvio. O ótimo que é assistir à vitória do talento puro. Da objetividade obsessiva. Do engenho e arte num só desbravador sem bravatas.

Messi não só carrega a Argentina nas costas. Ele leva junto a esperança da vitória que vai muito além das fronteiras. Torcer por Messi não é questão de clube, generalitat, generalizar, país, continente. Torcer por Messi é torcer pela criança que nos acompanha pela vida e quer ver a vitória sempre do super herói.

Do Messi que não tem bandeira. É o estandarte do futebol que amamos.

Para a Rússia, com amor. Brasil 3 x 0 Chile

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O Brasil de Tite levou o maior público da história do Parque Antarctica desde 1902, quando a primeira partida oficial do país mais vezes campeão mundial foi disputada no estádio que recebeu a maior bilheteria da história, com o tíquete médio passando dos pesados 350 reais. Muito acima de qualquer média. Como o time de Tite passou passeando pelas Eliminatórias em que sofríamos demais para um torneio que ganhamos com o pé de Neymar nas costas quebradas na Copa de 2014, e com a boa nova do anjo Gabriel Jesus marcando todo os gols possíveis.

O primeiro tempo foi amarrado por um Chile que se classificava com o empate, e com o Brasil devidamente preocupado em não se desgastar, e não ter ninguém suspenso como Neymar, mais uma vez, perdeu a cabeça em lance tolo no meio-campo, no final de um primeiro tempo jogado com inteligência e prudência. Diferente do segundo tempo. Também pelos gols rápidos do Brasil. Paulinho, esse impressionante volante-artilheiro, aproveitou a primeira falha de Bravo para abrir o placar, na folha seca mandada por Daniel Alves. Na sequência, o Chile foi à frente e se desguarneceu. Coutinho achou Neymar livre para dar o presente para Gabriel Jesus fazer o dele na velha casa. Coroando a apresentação e classificação com Willian servindo desde o meio-campo o menino Jesus que, às costas de Bravo, entrou com bola e tudo.

 

Três a zero foi demais pelo que foi o jogo. Mas foi o placar que o Brasil de Tite construiu pela grande campanha com o novo treinador. Desempenho tão bom que chega a preocupar. A Seleção precisa de tranco para dar certo. Foi assim em 1958, 1970, 1994 e 2002. Até no bi em 1962 o Brasil saiu sob suspeitas. Quando foi incensado, como em 1982 e 2006, por exemplo, deu chabu.

 

Veja a Análise de Gustavo Roman de Brasil 3 x 0 Chile

 

Veja a análise de Gustavo Roman da última e emocionante rodada das eliminatórias sul-americanas para a Copa de 2018

Pra frente, Brasil! Pra Copa, Argentina!

Leia o post original por Mauro Beting

A Alemanha Ocidental também perdeu para a Oriental em 1974 só pra não enfrentar a Laranja Mecânica holandesa na fase semifinal de 1974. Na final em Munique, os cínicos e clínicos alemães foram melhores em 90 minutos e venceram a Holanda que foi melhor nas seis partidas anteriores.

Jogar com o regulamento nas chuteiras não é crime. Se puder escolher adversário menos complicado, jogue-se. Ou não jogue. Mas aguente as consequências.

Não queria escrever este texto. Ainda mais depois de três dias de quase folga na Argentina. Onde nenhum hincha me pediu para nosso Brasil vencer o Chile. Pode ser orgulho. Não querer fatura pendurada. Mas a matemática, a tabela e a incompetência platina nos levaram à situação. Plomo o plata?

O Brasil que jogue o que tem de jogar. Ainda mais em casa. Pela capacidade técnica e coletiva, pela seriedade da Seleção da CBF, mais da Seleção que da CBF, pelo profissionalismo dos chamados, pela convocação da seriedade, e mesmo pela amizade entre brasileiros e argentinos construída nos clubes e na carreira, este texto é desnecessário para um jornalista.

Mas, para um torcedor, vale muito. Até porque deixar a Argentina chegar é sempre perigo. Deixar Messi por perto, então…

Só que há como conceber Copa sem Argentina? Mundial sem Messi e bela companhia que ainda não funcionou como tal?

Mil vezes me arrepender com a volta olímpica deles na Rússia a um bilhão de noites mal dormidas por uma partida não devidamente jogada.

Vamos pro jogos. E vamos com os co-hermanos para a Rússia.

Eles vão ter de nos engolir. Bolívia 0 x 0 Brasil.

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Tem como jogar na altitude. Mas não tem como cobrar nada por lá. Ainda mais em jogo que vale mais como treino do que Copa para Tite e para os dele. Lamentável, além do placar inesperado, apenas a lesão de Thiago Silva, que também impediu melhor avaliação.

A falta de resistência no ar nos mais de 3.600m deixa a bola mais rápida e sinuosa. O chute sai impreciso como a primeira tentativa de Neymar. O passe sai mais torto como muitas das tentativas brasileiras. E mesmo dos bolivianos. Nem eles se entendem se não são de lá. E, mesmo se forem, um mês longe e o organismo precisa se adaptar ao retorno.

Também por isso a fraca Bolívia errou passes e ajudou a criar chances que Neymar e Gabriel Jesus normalmente não perdem. Mas desperdiçaram. Em grandes defesas de Lampe. E em duas impressionantes do zagueiro Valverde, sobre a linha.

Em condições normais de temperatura e pressão e futebol, o Brasil teria jogado pouco no primeiro tempo e teria feito dois ou três.

Na segunda etapa, Lampe (que já deve ter recebido minuta de contrato do São Paulo) fez pelo menos mais quatro grandes defesas (algumas em que as bolas bateram nele) e garantiu um empate sem gols inesperado. Foi a pior atuação de uma equipe boliviana em La Paz. Uma das melhores do Brasil também por isso.

O zero a zero foi mentiroso. E, para falar a verdade, como diria de passagem o craque Neto, foi um jogo que, de zero a 10, como diria o Casão, o Brasil mereceu 8 e, a Bolívia, 4.

Nunca se viu tanto jogo ruim no Brasil que joga um bolão

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A Seleção não tinha bons desempenhos em um grande espaço de tempo desde 2005, com Parreira. Para não dizer que não só os resultados mas também o futebol do Brasil de Tite impressiona pela constância e consistência como não se via desde a primeira Era Telê, de grandes partidas do Mundialito no Uruguai em 1981 até a Copa-82.

Desde que Charles Miller chegou ao Brasil com as pelotas inglesas são se via tamanho futebolixo nos campos nacionais. Mesmo com a fabulosa campanha do turno do Corinthians, o returno alvinegro é fraco. Queda de produção técnica que só não se pode dizer que seja preocupante – para o corintiano – porque o Timão tem vezes que perde o jogo e parece que ainda assim abre três pontos sobre os rivais. Todos eles jogam mal.

O Grêmio ainda se justifica. Tem Libertadores. Mas já jogou melhor. O Santos não se explica. Joga mal o ano todo. E segue bem – na tabela. Palmeiras, Flamengo e mesmo o Cruzeiro pentacampeão da Copa do Brasil seguem a mesma toada de toalha jogada sem chance e sem bola condizentes aos elencos que têm. Sobretudo os decepcionantes Palmeiras e Flamengo. Para não citar o Galo.

Nunca vi tantos jogos ruins. Jogadores que não são ruins jogando pouco. Tantas discussões vazias a respeito. Tantos treinadores ameaçados por nada ou pelo nada que seus times jogam.

Só não é mais preocupante porque a Seleção de brasileiros que brilham lá fora é ótima.

Mas também só reforça os olhos que não veem o próprio lar e nossas cores. Só conseguem ver o belo distante. Como um sonho que não tem berço. Só a fase adulta.

Pulamos etapas perigosas. Não criamos base. A casa cai.

Suor. Disposição. Vontade. E só. Ponte Preta 1 x 0 Flamengo.

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ESCREVE GUSTAVO ROMAN

A vitória era fundamental para as duas equipes. A Macaca para fugir da zona do rebaixamento e buscar um pouco mais de tranquilidade no conturbado ambiente em Campinas. Para o Flamengo era a chance de encostar um pouco mais no G-4, buscando um final de ano digno do grande investimento que foi feito.

Tinha tudo para ser um bom jogo. Aberto. Com várias chances de gol. Mas não foi. Eduardo Batista escalou os donos da casa em um 4-1-4-1. Pensou primeiro em se defender. Para depois tentar aproveitar um eventual erro do adversário. Reinaldo Rueda manteve o 4-2-3-1 apesar dos vários desfalques. No primeiro tempo a bola foi do time visitante, que aproveitava o visível nervosismo dos atletas da Ponte. No entanto, com zero imaginação, a equipe carioca não sabia o que fazer para levar perigo a meta de Aranha. Infelizmente, a partida foi muito mais travada do que jogada.

No intervalo, Eduardo tirou Mendoza, amarelado e pôs Jean Patrick. A alteração surtiu efeito. Aos oito minutos, ele acertou belo chute colocado que ainda desviou levemente na zaga e entrou. A Ponte tratou de se resguardar e esperar um contra-ataque para matar o jogo. O Flamengo tentou pressionar. Entretanto, seguiu esbarrando na falta de criatividade (Diego mais uma vez apagado e Everton Ribeiro prendendo demais a bola) e principalmente no pouco poder ofensivo. Rueda tentou corrigir esses problemas sacando Márcio Araújo, Geuvânio e Diego e colocando Gabriel, Vinícius Júnior e Felipe Vizeu em campo. Não adiantou.

Os donos da casa ainda tiveram a oportunidade de matar a partida aos 21 minutos. O árbitro assinalou de maneira equivocada um pênalti de Réver em Lucca após recuo ruim de William Arão. Lance até fácil para a arbitragem. Bastava tomar como referência a trajetória da bola que muda com o corte do zagueiro. O próprio Lucca, quase agredido pelo torcedor na semana passada foi para a cobrança. Diego Alves catimbou, se adiantou (o árbitro deveria ter mandado voltar a cobrança) e defendeu no polêmico canto direito. Será que a estratégia da decisão da Copa do Brasil se manterá até o fim da temporada?

A partida ainda ganhou uma boa pitada de dramaticidade quando Naldo deu uma entrada criminosa em Vinícius Júnior e foi muito bem expulso aos 37 minutos. O Mengo foi para o abafa. Finalizou algumas vezes. Apenas uma com perigo real e não conseguiu chegar ao empate. Méritos para a Ponte. Que lutou, correu, se entregou em campo. Porém, é triste ver que mais uma vez ambos ficaram devendo um bom futebol.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise de Gustavo Roman