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Devair e o Santos de 2017

Leia o post original por Mauro Beting

Deva, lembro a última transmissão que fizemos juntos, pelo Fox Sports, no Rio de Janeiro. Você cansado de tantas viagens até a sua Rio Preto. Mas animado pela chance de voltar a narrar em televisão.

Aquela dúvida do que fazer. Mas aquela certeza que sempre passou de tentar fazer o melhor possível nas duas casas. A de trabalho e o lar. Como o time dono do coração do Devair. O Santos da Vila e do Pacaembu, do Maracanã bicampeão mundial ao Morumbi. O Santos de varias capitais e caras. O seu Santos.

O time que manteve a base de 2016 para 2017. Dorival Júnior. Ela foi reforçada. E bem. Mesmo perdendo a dupla de zaga titular por péssimo tempo, os reservas deram conta do riscado. Mas só eles. Os regularíssimos Renato e Ricardo Oliveira não puderam jogar tantas vezes. Lucas Lima jogou com menos dores no começo do ano mas largou tudo no final da temporada. Como o time foi se largando e sendo largado.

Dorival foi derrubado depois de desempenhos decepcionantes e a queda antecipada no SP-17 diante da Ponte Preta. Levir Culpi chegou e manteve o Santos jogando pouco. E mais atrás. Mas ganhando mais do que o imaginado. Só foi perder um jogo na Libertadores quando eliminado em casa para o Barcelona equatoriano. E desde então se perdeu até a queda de Levir.

Mas, no final, faltando uma rodada, o Santos ainda pode ser mais uma vez vice-campeão. Ainda não é o que foi oito vezes no Brasil. Mas não é ruim. Longe disso. Mas foi pouco futebol. Sempre pareceu que poderia fazer mais. Jogar mais. Mas não jogou.

Foi um 2017 estranho na Vila Belmiro. Como serão todos os próximos anos só com você na foto nas cabines. Deva tão bom narrador quanto pessoa. Deva que era Santos. Mas, ao microfone, era Corinthians, Palmeiras, São Paulo, América, Rio Preto, Flamengo. Todas as camisas e cores. Todos os gols do Pavarotti do dial e da TV.

Você partiu como todos antes daquela montanha em Medellín. Fazendo o que amava. Por você e pelos seus. Por eles até fazendo muito mais do que poderia. Pensando no que fazer da vida depois daquela partida.

Não deu tempo. Vai fazer um ano. E farão todos eles pra sempre com a gente olhando para as cabines da Vila e vendo não apenas uma fotografia na parede. Mas um cara legal.

O Zé é 10 por ser um 11 que nunca teve a pretensão de ser o um

Leia o post original por Mauro Beting

Aos 20 minutos de jogo decisivo do Brasileiro em 27 de novembro de 2016, Zé Roberto desarmou um rival, driblou o outro, fez nova finta até sofrer falta rente à linha lateral esquerda onde passaria 23 anos muito bem corridos de carreira muito bem jogada. O maior público em então dois anos de Allianz Parque, 96 de estádio do Palestra Italia, e 114 de jogos no Parque Antarctica, começou a gritar que ele era “animal”. Como em 31 de janeiro de 2015 ele disse aos companheiros no vestiário do Allianz Parque, antes do jogo contra o Audax, que queria que todos um dia tivessem o nome gritado como Edmundo. Como naquele instante do 1 x 0 contra a Chape em 2016 o maior público em casa gritou para ele.

Um ano depois, no mesmo estádio, na mesma data exata, o ainda mais certo Zé Roberto teve várias vezes gritado o nome no coro animal. Na justa vitória por 2 x 0 contra o Botafogo, também pela penúltima rodada do Brasileiro, lutando agora pelo vice e não pelo campeonato de 2017, Zé voltou a ser o lateral pela esquerda. Jogou e bem os 90 minutos em que o time foi um pouco melhor do que o Botafogo na primeira etapa de muitos passes errados de Moisés, de algumas tentativas frustadas como Borja, e de duas ótimas chances para o gol de falta em tiro livre direto que há mais de mil dias o Palmeiras não faz. E ainda assim marcou mais gols que todos os times do Brasileiro desde 2016.

Na segunda etapa, o time do Zé foi mais eficiente e contundente e abriu o placar com Dudu, o mesmo que fizera o 1 x 0 contra o Botafogo na antepenúltima rodada do BR-16. E fechou a conta com mais um belo gol de Keno, o melhor custo-benefício de 2017. Aquele que não se esperava muito na temporada em que se esperava demais de todos.

O Palmeiras se fechou e administrou a vantagem sem sustos. Esperava-se a substituição do Zé para a ovação final. Ele ficou até o fim. Melhor assim. Ele é assim. Não precisa de protagonismo. Precisa apenas ser necessário como sempre foi.

No time galáctico do Brasil na Copa de 2006 ele era o menos badalado. E foi o melhor e mais regular da equipe jogando na função de segundo volante onde menos atuou. Mas não jogou menos.

Assim é o Zé. O que veste as chuteiras da humildade. A que ele descalçou e jogou para a galera para o torcedor que fez malabarismo para a guardar mesmo com o filho no cangote. A outra ele guardou como fez Julinho Botelho, há 50 anos, quando Djalma Santos se ajoelhou para tirar as dele para o maior camisa sete palmeirense desfilar pelo gramado na última volta olímpica de tantas.

Zé foi sozinho pelo Allianz aplaudindo e sendo aplaudido por todos ao se despedir. Como seria se rivais estivessem na arquibancada. Um cara como ele é vencedor independente da camisa que veste e do uniforme que vence. Saiu discreto como chegou.

Entrou e saiu com a camisa 11. Por sempre ser um dos 11. Querer fazer parte dos 11. Mas não ter a pretensão de ser os 11. De ser o primeiro. O um. O único. Também por isso foi raro.

Quando pediu na última preleção para que os outros 10 jogassem pelo camisa 11, ele só esqueceu de dizer que os outros milhões também estavam com ele. E vamos continuar jogando juntos.

Zé Roberto é gigante

Leia o post original por Mauro Beting

 

O Zé chegou aos 40 anos no Palmeiras. Para ele mesmo dizer que é o grande amor da carreira brilhante. De 1994 a 2017. Lateral, ala, volante e meia de clubes multicampeões e da maior Seleção. E também da Portuguesa onde começou e ele ajudou a levar à sua maior decisão na história, em 1996. Por minutos não deu o título brasileiro. Por mais 21 anos desde então ele daria muito mais.

Zé Roberto não precisava dizer que a torcida do Palmeiras é a mais impressionante que conheceu. Ele não precisava dizer que o Palmeiras é grande. Reafirmar que é gigante. O Zé não precisava fazer média. Por estar muito acima dela na vida exemplar. Ele sempre jogou pela bola, não pela boca. No modo mudo, pelo mundo, ele disse mais e com mais garra do que a geral que grita e bate no peito mais do que bate bola.

Mas agora precisa ouvir que ele é um animal como o Edmundo que citou na primeira preleção daquele Palmeiras reconstruído no começo de 2015. Temporada que terminaria com o Zé levantando a Copa do Brasil com a mesma dignidade, qualidade, superação e humildade com que levantara o moral da tropa palestrina no começo de tudo que ele foi para o Palmeiras.

O Zé mandou cada companheiro bater no peito e falar que era animal. E foi esse peito que, em 13 de outubro de 2016, fez uma das maiores defesas da história do Palmeiras. Como o gol do Corinthians que Junqueira salvou sobre a linha, de bicicleta, em 1942. Como o gol de Robinho que o Zé salvou contra o Cruzeiro, em Araraquara.

Eram 17 minutos e 17 segundos do segundo tempo na Fonte Luminosa. O ex-palmeirense Robinho recebeu livre e encobriu Jailson. O gol estava livre, sem goleiro. Ele tocou rasteiro. Eu fechei os olhos. E não vi o que só esse garoto do Zé Roberto enxergou. Ele deu um carrinho de perna esquerda e tirou a bola que bateu ainda no pé direito e seguia rumo ao fundo da rede, não fosse o peito de coragem e amor dele raspar a bola e a desviar de vez, enquanto ele se enrolava entre a trave direita e a rede da meta.

Eu nunca vi nada igual em décadas de Palmeiras desde a bike do Junqueira da foto. Acho que nunca vi um cara igual a ele com os então 42 anos de vida. A Academia de Goleiros do Palmeiras tem mais um monstro. E um cara que não precisa usar os braços para defender. Apenas o coração.

Órgão transplantado nesse menino com muito peito e barriga zero. Palavra de um jornalista palmeirense que escreve aqui para quem tem o mesmo coração. Ainda que tenha outras cardiopatias. Uma delas foi cornetar o Zé por não ser em 2017 tudo que foi desde 1994. Mesmo vendo o ótimo velhinho correr os 90 minutos, e dividir bolas e multiplicar pulmões e paixões como um fenômeno que desmoraliza os números e índices.

Quando ele corre para evitar um cruzamento, quando aquieta o jogo e acalma a bola pela técnica e experiência, tudo na muda, sem precisar bater no peito ou no rival ou gritar para o Brasil ouvir, a gente aprende mais um pouco que não precisa pilhar ânimos. Precisa só ter a energia do Zé para passar 23 anos correndo atrás e pra frente como se tivesse 23 anos.

Ele não foi no último ano tudo que é. Mas só de estar sempre presente, de ser o primeiro a chegar e o último a sair nos treinos, ele fazia os palmeirenses ganharem fôlego extra quando o colega extraclasse se esfalfava atrás dos rivais que podiam ser seus filhos.

Zé Roberto não joga apenas do lado de campo. E, se preciso, também no meio. Zé faz cada um jogar mais lá dentro. Não precisa dar porrada, pirada, pancada e palermada. Apenas ser Parmera como ele virou. Ser profissional com espírito amador. Jogar e se jogar como se fosse a criança que ele continua sendo. Fazendo ainda mais velhos como eu se sentirem mais jovens. Mais confiantes.

Para ganhar no futebol, precisamos correr atrás. Atrás do Zé Roberto.

Mas tem hora que precisa bater no peito como quem bate bola. E a hora de precisar bater palmas para quem bate o coração por nós é agora, na despedida dele.

Se eu tivesse autocrítica, não sairia da cama. Mas eu tive o mínimo para nem tentar delirar ser goleiro do Palmeiras. Não sou jogador frustrado. Sou palmeirense. Logo, qualquer coisa. Menos frustrado.

Mas eu daria um tempo de vida só pra um minuto dela bater um lateral pelo Palmeiras. Pela nossa paixão incondicional desde o berço. Nasci amando meus pais e nosso Palmeiras e meus filhos que não tinham nascido. Fácil dar um tempo de nossa vida para um minuto suar e ser ainda mais Palmeiras.

Difícil seria jogar pelo Palmeiras aos 40 anos. Impossível seria salvar aquele gol na Fonte (da juventude) Luminosa com o peito e a raça do Zé Roberto. Maravilhoso é saber que é nosso quem depois de 20 anos de carreira brilhante chegou ao Palestra como se fosse não a casa dele. Mas o berço. Onde tudo começou naquela correria quieta dele.

Muitos tentaram aposentá-lo. Zé Roberto os desapontou. Soube sair da cena que nunca roubou com o mesmo respeito devotado ao jogo e aos jogadores. Aos times e aos rivais. Aos que o julgaram e quiseram subjugar, ele apenas jogou. Na muda matou preconceitos. Na bola respondeu os desbocados.

O Zé para hoje. Mas para gente como ele, o aplauso não para. Um cara que jogou pra gente aos 40 como se nós e ele fôssemos crianças. Um vovô-garoto que nos tratou como netos e não tretou com ninguém.

O Zé pendura hoje as chuteiras que perdurou sem perder força e luz. Poderia pendurar como dois outros ex-Portuguesa de história no Palmeiras. Há 50 anos, quando deixou a camisa sete perpetuada como melhor ponta do clube, Julinho Botelho deixou o gramado do Palestra descalço. Com a chuteira desamarrada por Djalma Santos nos últimos chutes contra o Náutico. Deu a volta olímpica assim. Uma chuteira jogou pra torcida. A outra está com a querida família Botelho.

Julinho, outro exemplo de saber e suor, graça e raça, humildade e respeito, deixou o futebol para entrar na história descalço.

Torço para que Zé tenha hoje as chuteiras da humildade desamarradas no gramado do Allianz Parque. Para que ele possa pisar pela última vez como atleta. Para que a gente sinta pela última vez quem honrou cada passo e cada palmo do campo do Palmeiras.

O Zé. Um palmeirense depois dos 40 anos. Como se fosse do berço.

Pra sempre, Zé.

Obrigado por tudo.

Quando eu crescer, quero ser um jovem como você.

 

Tragédia anunciada. Flamengo 1 x 2 Santos.

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

A lesão no ombro de Diego Alves no meio da semana “obrigou” Reinaldo Rueda a dar mais uma chance para o contestado e perseguido Alex Muralha. Não bastasse ele ter falhado no gol do Júnior de Barranquilla. Dois minutos depois de ter entrado em campo. Hoje, ele estava lá debaixo das traves Rubro-Negras na Ilha do Urubu. Em partida importantíssima contra o Santos, pelo campeonato nacional.

As duas equipes entraram espelhadas taticamente em um 4-2-3-1. O Flamengo começou muito bem o jogo. chegando pelos lados do campo. Especialmente pela esquerda. Foi por lá que Renê cobrou escanteio. Rafael Vaz dividiu com o adversário pelo alto. Victor Ferraz falhou ao tentar afastar. E Lucas Paquetá testou para abir o marcador. Resultado justo.

Três minutos depois, a tragédia teve início. Vaz recuou para Muralha. Ao invés de dar um bico para o lado (já que a fase não é boa é melhor não complicar) ele resolveu tentar driblar Ricardo Oliveira. Obviamente foi desarmado. O atacante Santista rolou para Bruno Henrique empatar a peleja. O estádio não parou de vaiar o goleiro após esse lance.

Até o fim do primeiro tempo, o time da casa chegou e chutou. Muito. Foram 12 finalizações contra apenas uma do Santos. E isso deixou ainda mais escancarado a diferença entre um bom camisa um e outro sem confiança e com o psicológico extremamente abalado. Sempre que foi exigido, Vanderlei compareceu e fez seu trabalho. Como nas duas boas chegadas de Arão e Rodinei nas costas do improvisado Jean Mota.

O panorama não se inverteu na etapa complementar. Os donos da casa continuaram melhores. Dominando e finalizando muito mais. Everton Ribeiro e William Arão perderam boas chances ainda antes dos 10 minutos. No entanto, mesmo jogando para empatar, o Peixe foi extremamente eficiente. Aos 12, Victor Ferraz foi a linha de fundo e cruzou. Rafael Vaz mandou contra e acertou a trave de Muralha. Que dessa vez não teria culpa no cartório.

Rueda demorou a mexer no Fla. O time voltou a abusar dos cruzamentos. Elano sacou Copete e pôs o jovem Arthur Gomes. Seis minutos depois dele ter entrado em campo, o garoto cortou a marcação e bateu. Muralha foi na bola e falhou clamorosamente. Mais uma vez. Era a virada do Alvinegro Praiano. Dois gols em três finalizações. Ambos com a participação decisiva do goleiro Rubro-Negro.

Finalmente Rueda mexeu. Colocou as promessas Vinícius Júnior e Lincoln nos lugares de Arão e Vizeu. A entrada deles acendeu ainda mais o time. Lincoln, fazendo seu segundo jogo no time profissional fez grande jogada e só não marcou um golaço porque do outro lado estava Vanderlei pra salvar com os pés. Se fosse o Muralha…

Elano tratou de fechar a casinha. Substituiu Bruno Henrique pelo volante Matheus Jesus. Depois colocou Kayke na vaga do apagado Vecchio. Rueda ainda tinha mais uma alteração. E usou ela de maneira errada. Tirou Diego, que se não era brilhante pelo menos participava bastante do jogo e pôs Geuvânio (acho que Éverton Ribeiro deveria ter deixado o gramado). A pressão seguiu até o fim. Foram 25 finalizações dos donos da casa contra apenas três dos visitantes. Contudo, os números que são conhecidos por não mentirem jamais hoje nos pregaram uma peça.

Méritos para o Santos que poderia ter conseguido uma vantagem maior se tivesse chutado mais a gol. Pelo lado do Fla, dúvidas. Será que vale a pena insistir com Alex Muralha no gol para a partida de volta da semifinal da Copa Sul-Americana? Sinceramente, acho que a resposta já foi dada hoje. Ou se muda o camisa um ou teremos uma nova tragédia. Dessa vez, mais do que anunciada.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman

Hepta em casa. Corinthians 2 x 2 Atlético Mineiro.

Leia o post original por Mauro Beting

Cássio levantou o caneco que tão bem defendeu no hepta como bem defendera no hexa há dois anos. A festa não foi a farra dos 6 x 1 no São Paulo. Foi jogo parelho com o Galo de Oswaldo, treinador do Mundial de 2000, e que no ano passado encerou o melancólico 2016 corintiano.

Há um ano, nem o mais corintiano dos fanáticos (a ordem dos fatores não altera o produto) ousaria delirar um 2017 como esse. Campeão paulista contra a Ponte Preta que encerrou o ano rebaixada e invadindo o Moisés Lucarelli com um destempero indigno de Rodrigo enfiando o dedo onde não deveria. Campeão brasileiro tomando na festa do título um golaço de falta que Marcelinho Carioca assinaria de Otero. Empatando com mais um gol lotérico digno de campanha campeã. Virando com golaço de Marquinhos Gabriel em lance de campeão. Sofrendo empate em novo escanteio que o Carioca Corintiano assinaria.

Mas fazendo mais uma festa de conquista em Itaquera com as superações de um time que só não conseguiu superar a ingratidão de Pablo e de seu agente. Talvez pudesse haver uma saída melhor. Inclusive a entrada dele para a foto do hepta.

Não deu. Mas isso é pouco pelo muito que o inesperado campeão de 2017 conquistou. Se é que é “inesperado” ser campeão o maior vencedor brasileiro deste século.

Vitu e o Flamengo de 2017

Leia o post original por Mauro Beting

Vitu, sei que às vezes o seu time deixa você com aquele humor de Oliveira Andrade perdido no trânsito de Fortaleza. “Ainda há de haver um novo…” e segue a frase que fica por aqui.

Onde você deveria estar perguntando (depois da bela virada contra o Junior Barranquilla) para o Vizeu como ele acertou aquele chutaço. Onde você estaria entrevistando e também entendendo Muralha. Não o goleiro muitas vezes incompreensível no Flamengo e ainda mais na Seleção. Mas o homem por trás das luvas. Com a elegância de pelica que você dava o microfone a tapa.

Victorino Chermont, amigo de todos, colega de todos, você não é apenas nome de sala de imprensa no Ninho do Urubu, como se vê na foto do seu pai e do seu filho pela homenagem merecida. Você é cara que o jornalista deve ser. Ou muito melhor: você é o cara que toda pessoa precisa ser. Tem opinião, mas tem ainda mais elegância. Tem firmeza, mas ainda mais leveza. Não precisa bater em ninguém e nem debater com todo mundo para expor o que pensa e o que passa.

O jornalismo e o futebol ficam mais pobres sem você por aqui. O seu Flamengo segue cada dia mais rico. Mas ainda pobre em campo. Zé Ricardo não aguentou. E está fazendo belo trabalho com muito menos no Vasco. Rueda que você tanto entrevistou veio ao Brasil. Mas ainda parece que não chegou. Mesmo vice da Copa do Brasil nos pênaltis para o Cruzeiro, segue tão criticado como Muralha ao não acertar os cantos na decisão. Ou ao só pular para o mesmo.

Hoje se detona até goleiro que não defende pênaltis, amigo. Repito: não que ele não mereça tantas críticas. Como o Márcio Araújo. Mas será que eles merecem tudo isso mesmo da gente? Será que a família deles merece tudo isso mesmo da mídia e dos memes e dos mimimis?

Falta gente gente como você, Vitu. Até para entender o porquê do Flamengo seguir incompreensível. Eu queria ter o meio-campo e ataque do Flamengo. Mas tem vez que parece que os caras não querem ser Flamengo. Não sei. E parece que eles também não sabem. E sabem ainda menos os lá de trás.

Juan segue o cara na zaga. Mas só ele e Diego Alves. Rhodolfo até começou bem. Mas anda mais famoso pela treta com o Vizeu e com o dedo que recebeu dele depois do gol contra o Corinthians.

As pessoas andam estressadas demais, Vitu. O Flamengo pode ganhar a Sul-Americana e ainda um campeonato estadual e o 2017 virá mesmo assim com carimbo de fracasso. Ou decepção. Sei que o planejado era o bicampeonato da Libertadores. Sabemos que a Sula só veio como peso de consolação pela eliminação na fase de grupo (da morte) da Liberta.

Mas é tudo tão errado assim no Flamengo? Está estranho. Está menos do que o planejado e investido. Mas é o caso de jogar tudo fora de novo com o clube enfim exemplar fora de campo?

Tá caro o ingresso na Ilha. Sim, na Ilha. Maracanã segue aquela conta que não fecha. Mas o ajeitado estádio da Ilha do Governador está mais caro pro torcedor que jantar do Cabral em Paris. (Aliás, desde 1998, três governadores eleitos no Rio estão presos, e o sucessor de um deles, braço direito do maior de todos, segue na ativa. É preciso escolher melhor por aqui, não? E nem vou falar da Alerj…).

Melhor falar só de Arena da Ilha. Ilha do Urubu. Deixa o Governador em Bangu.

Vitu, dá um jeito aí de cima. Fala com os Homens. E pede um pouco mais de paciência embaixo. Sei que tem uns que jogam pouco que jogam menos ainda. Mas tem alguns que jogam mais e têm jogado ainda menos no Flamengo.

Ajuda, amigo. E aproveita e receba bem o Paschoal Ambrósio Filho, enorme coração rubro-negro que partiu há pouco.

Jumelo e o Corinthians

Leia o post original por Mauro Beting

Jumelo, seu jumento. Ainda bem que você não saiu feio como sempre foi na foto da sala de transmissão que leva seu nome na Arena Corinthians. Mas eu não queria ver seu sorriso ali na parede. Eu queria te ver por aqui sorrindo quando saí triste de Itaquera no Derby que encaminhou o hepta. Lembrando tantos outros em que pude berrar “chupa” pra você. Aquele do BR-99, na cabine da Band, quando o Corinthians poderia ter feito cinco gols em dez minutos. Mas levou mesmo três do Palmeiras. E um dedo de Vizeu mostrado pra você por um colega que prefiro não citar o nome.

(Essa imagem não deve ter chegado ao céu, mas o dedo do Vizeu é aquele do meio que ele mostrou num clássico do Flamengo contra o Corinthians, depois de uma treta com o Rhodolfo, companheiro de equipe. Tipo daquelas em que você se metia).

Poucos profissionais tão completos eu conheci como você. Muitos corinthianos tão complexos como você são amigos. E eles não imaginavam o que poderia acontecer em 2017. Nem em sonho. Já que você partiu no final de 2016, na mais triste madrugada do mundo da bola, vou te contar o que a gente viu aqui da Terrinha. Mas jamais imaginaria.

O Fábio Carille acabou ficando mesmo como treinador do Corinthians. O Reinaldo Rueda do Atlético Nacional que você tantas vezes cobriu pelo Fox Sports não quis deixar a Colômbia. Sem muito dinheiro, o seu time acabou ficando com o Carille. E foi duca. Foi hepta.

No Paulista ficou o papo de que seria a quarta força. De fato, estaria do nível do São Paulo. Mas foi muito além. Ganhou mais um estadual. Jogando fechadinho, lá atrás. Mas aos poucos se soltando. Palavras e prancheta do Carille.

Chegou o Brasileiro, e ainda tinha gente que achava que não daria nem para chegar no G-6 da Libertadores. Na quinta rodada já era líder. Fez a melhor campanha em um turno dos pontos corridos. Não só ganhava, mas jogava bem. E ninguém dando bola. Começou o returno e a queda esperada. Mas não tanto era pra cair. Por 28 horas precisou torcer contra o meu time contra o Cruzeiro. O bumbo deu certo. Vocês só dependiam de vocês no Derby. Vocês só precisaram dos primeiros 45 minutos. E de ao menos um erro de arbitragem daqueles que você tanto me enchia o saco como torcedor que sempre foi. Apaixonado como sempre as pessoas têm de ser. Como eu quando te vi depois do pênalti do Prass, em 2015, e me atirei como ele no chão da saudosa Fox do Bixiga.

O título veio na virada contra o Fluminense, três jogos depois. No mesmo estádio onde está o seu nome que ninguém merece: Lilácio. Mas na cabine que não tinha nome melhor para ter.

Jumelo, sua jamanta, o Corinthians foi muito Corinthians em 2017. Mesmo sentindo a sua ausência e a de tantos que partiram e não voltaram de Medellín. Tantas histórias que a tragédia nos levou. Tantas tristezas que não sabemos contar.

Mas os que ficam órfãos de colegas como você ao menos se confortam que, aí de cima, o Jumelo deve estar coordenando a transmissão com a categoria de sempre. O humor rasgado de costume. Dando tapa em anjo, bronca em santo, puxando cabo pelas nuvens, mandando Deus ficar um pouco mais à direita no enquadramento.

Só não sei como o céu aturou palavrões e cornetas no Kazim. Mas vai ver que foi por isso. Só você aí de cima para empurrar esse time que ninguém dava nada. E os caras deram tudo. E por isso deu Timão.

Jumelo, eu queria mesmo era te dar aquele pênalti do Marcelinho. Não de replay. Mas o brinquedo que comprei depois daquele pênalti. Mas não tem como. Só posso dar a você e aos seus parabéns por mais um Brasileiro. E acreditar que o milagre corintiano em 2017 tem sim um pouco a ver com o nome das cabines de transmissão da Arena Corinthians.

O seu nome também é campeão. Eternamente nos corações.

Coração salva a temporada. Flamengo 2 x 1 Júnior.

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE GUSTAVO ROMAN

A temporada Rubro-Negra, que já é decepcionante, esteve por um fio nesta noite. Uma das equipes que mais investiu no futebol brasileiro e que colecionou fracassos atrás de fracassos precisa desesperadamente vencer a Copa Sul-Americana. Não só para garantir uma vaga direta na fase de grupos da Libertadores do ano que vem. E sim porque seria uma conquista relevante em meio a tantas decepções.

No campo, mais uma vez o time esteve mal. Faltou velocidade ao recuperar as inúmeras bolas perdidas pela fraca zaga do Júnior. Sem conseguir acelerar e com seus principais articuladores numa jornada de pouca inspiração, os donos da casa quase não assustaram o bom goleiro Vieira. A rigor, foram apenas duas boas chances. Uma com Mancuello, que finalizou na rede pelo lado de fora. E outra com Vizeu, que livre testou raspando. Esta última oportunidade mostrou o mapa da mina.

Pior, com claros problemas nas duas laterais (Pará vem mal. Trauco não é bom marcador. Os dois zagueiros são lentos para saírem na cobertura e os volantes não forma bem no jogo) a equipe colombiana se aproveitou dos espaços. Parecia que até a sorte jogava contra. Afinal, Diego Alves se lesionou e teve que ser substituído pelo contestado Muralha aos 19 minutos.

Cento e vinte segundos depois, com o arqueiro ainda frio, Gonzalez aproveitou o espaço deixado por Pará e bateu cruzado para Téo Gutierrez completar para as redes. Aos 33, foi a vez de Chará entrar nas costas de Trauco e levar perigo a meta do mengo.

Ambos voltaram do intervalo com os mesmos onze que terminaram o primeiro tempo. Levou só oito minutos para que Reinaldo Rueda tirasse Mancuello e colocasse Vinícius Júnior. Os cariocas pressionavam, jogavam no campo de ataque. Contudo, efetivamente criavam pouco. Aos 21, Trauco cobrou escanteio. Réver cabeceou e Vieira fez milagre. O caminho era pelo alto.

Aos 33, jogada igual. Trauco bateu córner. Juan aproveitou falha da zaga colombiana e deixou tudo igual. Foi a senha para o Maracanã explodir. O torcedor que até então vaiava gritou do fundo de sua alma. Em campo, a equipe tentou corresponder. O time se expôs. Permitiu duas grandes chances a Diaz em dois ótimos passes de Chará, a esta altura jogando mais recuado, em sua verdadeira posição.  Mas só sabia levantar bolas na área. Foi o que bastou. Na base do abafa, do vamos que vamos, Trauco cruzou da intermediária. Arão ajeitou e Vizeu bateu de primeira, marcando um golaço.Um gol com a cara e o DNA do Flamengo.

A vitória foi importantíssima. A vantagem de jogar fora de casa pelo empate mais ainda. O Rubro-Negro tem mais time do que o Júnior. Pode novamente explorar as bolas altas. Terá espaço para jogar, já que os colombianos terão que sair para o jogo. É favorito para chegar a final (apesar do confronto estar aberto e ser, obviamente, complicado). E para levantar um caneco que pode e deve ser a tábua de salvação de uma temporada decepcionante.

ESCREVEU GUSTAVO ROMAN

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman

JaRDel e o filme que já vimos. Grêmio 1 x 0 Lanús.

Leia o post original por Mauro Beting

JaRDel que não faz gol… Grohe que não sofre gol… Renegados desenganados que saem do banco para fazer história… Meia que substituiu volante e faz o gol da vitória…

 

Mais do mesmo. Mais do Grêmio.

 

Grohe foi o Grêmio em Guaiaquil com uma das mais espetaculares já vistas no continente. Grohe foi o Grêmio no primeiro tempo de apenas duas chances do ótimo Lanús contra uma mísera chegada gaúcha em saída de bola errada do goleiro Andrada. De um time que sabe jogar e pensar o jogo. Mas pensa que sabe demais e extrapola. Passa em vez de dar um bico longe o goleiro que se acha e, por tabela, se perde. E por isso quase deu ao Tricolor o gol na chance única no primeiro tempo asfixiado e enervante.

Sem espaço pela eficiente marcação argentina num 4-1-4-1 bem executado e nada espaçado.

 

 

O Grêmio se perdeu ao se afobar. Ao não ter o que o Lanús quase excede. Calma para executar passes e aproximações. Dobrando marcação e multiplicando opções de jogo para um time que não tem melhores jogadores que o Grêmio. Mas que parece jogar melhor. Foi assim que chegou duas vezes na primeira etapa. E só não chegou ao gol por Grohe.

 

 

A primeira no canto direito, aos 33, foi difícil. A segunda, aos 39, foi mesmo de Grohe Banks, como destacou Luiz Carlos Jr., no Sportv. Defesa para reanimar qualquer equipe. Como voltou bem melhor do intervalo o Tricolor. Avançou os laterais, botou fôlego e gás mais à frente, e arriscou.

 

Everton entrou como de praxe, aos 12, substituindo Fernandinho. Mas ainda faltava muito mais de Barrios e ainda mais de Luan, em partida pouco inspirada e de muitos passes errados. Arthur poderia se soltar mais e articular. Mas o Lanús também não dava mole. O Grêmio subiu a marcação, deu o bote lá em cima. Mas os granate saíam jogando de pé em pé com serenidade. Ainda que mais pressionados pelo avanço brasileiro. Um Audax argentino, nas palavras do colunista Roberto Zanin, do Meu Timão.

 

Aos 17, Jailson perdeu boa chance em cabeçada depois de cruzamento de Geromel (!?). O Grêmio cresceu com a Arena. Mas não o suficiente. Aos 25, Cícero foi dar mais força ofensiva e também aérea no lugar de Jailson. Como se fosse Ailton na decisão brasileira de 1996, quando substituiu o volante Dinho, aos 30 do segundo tempo, contra a Lusa, no Olímpico. Aos 28, Renato apostou em Jael no lugar de Barrios. Como se fosse o César do título de 1983. Quase como se fosse Jardel em 1995.

 

 

O cruel Jael de 17 jogos sem gol pelo Grêmio. Atleta de Renato no Bahia. Daquelas apostas que só o Grêmio consegue. Porque parece que só o gremista acredita. Ele mais acredita que torce. Ainda que ninguém pareça acreditar em Jael além de Renato.

 

Ao menos Jael parecia acreditar nele. Tanto que chutou aos 33 uma bola em contragolpe onde tinha melhores opções. Não era o caso. E nem parecia ser mais nada. Até o estádio murchava. Como em 1996, no Olímpico, quando um balão pra área da Portuguesa daria no gol do título de Ailton. Como aos 37 uma bola foi levantada por Edilson lá de longe, da direita, para JaRDel cabecear para Cícero se infiltrar e abrir o placar. Marcando seu primeiro gol pelo Grêmio.

 

Cícero que saiu escorraçado do São Paulo. Jael que chegou assim para o Grêmio. Tricolor que parecia que não chegaria mais quando abriu a contagem para o round final na Argentina.

 

Parece que já vimos esse filme. Parece que já veremos esse Grêmio.

 

Só faltou o árbitro de vídeo ver o pênalti fora do lance de bola sofrido por Jael.

 

Veja a análise do jogo de Gustavo Roman

Roger Machado no Palmeiras

Leia o post original por Mauro Beting

Ele não chegou ao Palmeiras em novembro de 2016 como deveria. Ou merecia. Naquele fica-não-fica de Cuca, Roger acertou com o Atlético Mineiro. Onde foi campeão estadual. Onde conquistou bons 60% dos pontos em 2017. Mas desempenhou pouco. Como o Palmeiras com Eduardo Baptista, o escolhido então para substituir Cuca. E o próprio Roger que havia se acertado com o Galo. O melhor treinador da geração dele – ao lado de Fábio Carille.

Sem Mano Menezes (a melhor opção para o momento conturbado e as pretensões do Palmeiras em 2018), pensei em Valentim… Já não cogitava mais desde a derrota em Itaquera, e mesmo reconhecendo o ótimo trabalho que faz… Pensei de novo em Roger. Mas confesso que, como a direção do clube, já não tenho a mesma convicção… Para não dizer que estava mesmo perdido entre nomes com características diferentes. Passei a ver Abelão como o melhor opção, pelo perfil e jeitão com elenco e torcida, e ainda mais pelas naturais pressões palestrinas. Situação que não se sabe se o perfil mais baixo de Roger saberá domar.

Honestamente, não sei se contrataria Roger em 2018. Mas como eu o teria chamado em 2017, o benefício da dúvida é dele. A dívida é minha.

Lamento apenas que o Palmeiras talvez pudesse esperar por Abelão que estava bastante disposto a vir. Só não acertou antes também porque é homem de palavra e quis primeiro conversar com o Fluminense. Não houve tempo hábil.