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A “patrocinadora”

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Parte da mídia é bastante incoerente e pede apoio ao esporte quando se nega a falar os nomes envolvidos nele. Mas existe uma parte que fala, e a torcida, que não pensa no editor chefe na hora de dar opinião.

Se tem algo que a Crefisa não está fazendo é rasgar dinheiro.  Para o rival, é “mamãe crefisa”, mas isso porque ele é órfão e obviamente está morrendo de inveja. Foi assim com Parmalat, Unimed no Flu.  Os titulos aparecem, o rival procura uma forma de diminuir.

O mesmo rival que torce pro Chelsea, por exemplo. E eu pergunto a você, chorão: é melhor um time vendido pra um bandido internacional ou patrocinado por uma empresa privada?

Meio óbvia a resposta se você tiver alguma vergonha na cara.

A Crefisa é centro de debates, falada todo santo dia, leva créditos por contratações que nem são dela, o carinho do palmeirense e o retorno na venda dos que comprou. Se uma negociação durar 1 mes, ela é falada por 1 mes.  Em campo, o reforço usa a marca, e fora dele o rótulo de estar lá por causa dela.

Quando vendido o dinheiro volta. E a mídia toda foi feita em doses cavalares.  Isso é bom pro clube, bom pra Crefisa. E pra quem não conhece, muito prazer, chama-se “negócio”.

Não há doação. Não há absurdo, nem mesmo motivos para insinuações idiotas do tipo “tem que ver isso aí”…. Não tem que ver nada. É privado, problema deles.

Acho bizarro jornalista que defende o PT desconfiar de esquema numa relação comercial de empresa/clube. Mas tem. Ô se tem…

Enfim. Queria eu ter uma Crefisa no meu time. Aliás, em todos eles. Teríamos um futebol forte, os clubes ainda nossos e não tendo que ter donos mafiosos para ter dinheiro pra competir.

Mas se a Crefisa fosse alemã e o Palmeiras o Borussia, aposto que seria “modelo de parceria” pra todo jornalista brasileiro.

abs,
RicaPerrone

Vocês precisam entender a Florida Cup

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Há no Brasil um erro grotesco de interpretação quanto ao torneio norte-americano.  “Não vale nada”, diz o torcedor.  Mas é óbvio que não! E nunca foi intenção do torneio que valesse algo, tanto que nem tem final.

A idéia é muito mais simples e mais interessante do que a disputa de um torneio.

Ninguém quer disputar título com 5 dias de treinamento. Mas treinar a 20 graus ao invés de 35, com estrutura de primeiro mundo, onde as famílias dos jogadores curtem os parques enquanto eles trabalham, com 5% de imprensa por perto pra perturbar e ainda jogar dois amistosos maneiros contra times de fora é um problema?

Tudo que fazem no futebol brasileiro é criticado.  É quase um hábito. Mas as vezes eles conseguem boas coisas, como por exemplo o Florida CUP.

Nao é pra dar audiência, público, título. É pra ser uma pré temporada diferenciada, em paz, aproveitando para fazer negócios e relacionamentos com clubes do mundo todo e dezenas de personalidades do esporte que estão aqui de férias e vão ao evento.

A sala vip da Florida Cup é surreal. Tem desde os craques do passado até os donos de empresas gigantes do mundo. E ali se faz negócios, enquanto os times em campo jogam amistosos e treinam pro ano que vem aí.

Parem de discutir o quanto vale o torneio. Ele não é feito pra valer título, mas sim pra valer a pena. E vale. Eu lhes digo de perto, após alguns anos, que vale!

Não há perda. Se ganha em todos os sentidos. E quando o Galo manda o sub 23, por exemplo, apenas comete mais um dos mil erros que cometemos no Brasil ao desvalorizar um negócio que estamos dentro. E depois não sabemos porque nos falta dinheiro…

abs,
RicaPerrone

O fim

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Um dia tudo acaba. Sua vida, seu emprego, seu namoro, sua paz.  Sua saúde, seu direito de dirigir, sua força, sua relevância.  Saber conviver com o fim é algo muito difícil e pouco condenável, pois todos passam por esse processo e tem dificuldades.

Eurico mistura dificuldade com dignidade. E se perde no meio do caminho.

Não entende que acabou. E sim, acabou.  O coronel que gritava na CBF e resolvia hoje grita e vira piada no outro dia.  Ninguém mais ouve.  Suas bravatas são humor, não causam mais terror.

É um ex dono de morro prometendo matar geral só que desarmado. Um cão sem dentes latindo na porta de casa.

Mas a casa, essa sim, é preocupante.

Não mudou. Ainda é uma mansão que guarda ouro, história, valores e muito poder. E lá está o cachorro, agora idoso, sem dentes, ainda latindo na porta.

O respeito acabou. Ele não morde mais.

Mas late. Porque é o que ainda dá pra fazer: latir, latir, latir.

Mais um dia que prova o sequestro do Vasco. O quanto o clube tem um dono ilegítimo, que tomou a “boca” por pressão, que comprou a oposição e deixou mudo o conselho.

Eurico é o ser que menos ama o Vasco no planeta hoje. É ele, ele, ele.  A guerra do cão sem dentes pra tentar morder alguém.

Eurico, meu caro, você não morde mais. Ninguém mais teme você. Seus pares estão todos no fim, o reinado acabou. A “gangue” acabou.

Mandam no carioca. Que também está no fim. E deve ser constrangedora a reunião de vocês com charutos bradando que podem, que fazem, que resolvem, e que no fundo estão apenas simulando uma sobrevida impossível.

Acabou, cara.

Sai.

Mas sai feito homem e deixa o Vasco em paz. Ou além de acabar pro clube, você vai conseguir destruir a única coisa que levou da vida: a certeza de que foi um grande vascaíno. E então, sem isso, você não só não será mais nada como terá o dom de também não ter sido.

Acabou.

abs,
RicaPerrone

É um time

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A gente tem ainda muito a cultura de esperar que jogadores individualmente resolvam tudo e determinem quem é favorito numa partida.

Pra mim era consideravelmente claro que o PSV em meio de temporada seria mais perigoso e mesmo que o Timão aguentasse um tempo, uma hora o físico pesaria e o jogo mudaria.

Aconteceu.

Mas ainda assim, o Corinthians se mostrou “um time”, coisa que no Brasil pouca gente tem.

Um padrão, uma idéia de jogo e mesmo com caras novas e 5 dias de treino, havia um conceito em campo. A manutenção de todo o processo desenvolvido em 2017 era clara.  O time sabia exatamente o que fazer, nenhum jogador tentava ser “o cara” e o Corinthians começou o ano como terminou: eficiente.

Não é bonito de ver. Até porque as peças não possibilitam que seja. Não há nesse time uma grande qualidade técnica. Mas há um time.

E ter um time em janeiro é algo que hoje só Grêmio e Corinthians podem dizer que tem no Brasil. Os outros tem jogadores, elenco, metas, idéias. Mas time, só eles.

abs,
RicaPerrone

Sim, ótimo reforço!

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Mas que dúvida é essa? O SPFC gasta 25% do valor que custou um argentino de cintura dura pra ter um jogador da seleção brasileira em seu elenco e é questionável a negociação.  A do Pratto não foi.

Como falar outra lingua nesse país acrescenta credibilidade. Inacreditável.

Diego Souza é um grande jogador. Some, dorme, poderia ir bem mais longe do que foi. Fato incontestável.  Mas 10 milhões de reais por um jogador que briga por vaga na Copa?  Não, não é um absurdo.

Absurdo é dar 40 no Pratto. Mas o mercado determina valores, não a gente individualmente discutindo num bar.  Vale o quanto alguém está disposto a pagar. E eu pagaria 10 no Diego.

Porque?

Porque se ele estiver naquele ano bom dele, resolve jogo, faz a diferença.  Não é mais um. Ele pode ser mais um, pode ser o cara. E paga-se essa quantia por diversos jogadores que com absoluta certeza serão “mais um”.

Que seja o cara.  Ou mais um.

O São Paulo precisa ter jogadores da seleção em seu elenco, mirar alto, arriscar títulos e não brigar por G16.  Sem riscos Luizão não viria em 2005, nem Amoroso pra meio torneio.  Aloísio não seria titular do Mundial, e talvez o Telê não valesse a pena sendo o maior “perdedor pé frio” do país quando contratado.

Eu também traria. Não há momento mais motivador pro Diego em sua vida do que estar no SPFC e ter 6 meses pra buscar uma vaga na Copa.  Portanto, não havia momento melhor para apostar nele.

abs,
RicaPerrone

O que vocês estão fazendo?

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Normalmente acho que torcedores exageram quanto ao desespero. Dessa vez, eu também estou tentando entender e não consigo, o que me faz compreender o pânico.

A diretoria do Fluminense conseguiu perdeu uma ação de milhões pro Levir porque não foi na audiência. Teve um ano “ok”, diz estar quebrada, sem grana, culpando a gestão anterior que por acaso foi a “situação” que a elegeu. Não entendo.

Sabe que sua maior chance de ganhar dinheiro se chama Scarpa. Adivinha qual o jogador do grupo que eles deixaram ter meses de atraso suficientes pra ir na justiça e sair “de graça”?  Ele mesmo.

Feito isso, perdem a chance de receber 30 milhões e ainda deverão 10.  É uma das maiores cagadas da história do clube. Um “prejuizo” de 40 milhões por algo que todo clube pequeno sabe fazer: Não atrasa mais do que a justiça permite para rescindir.

O Scarpa tem razão.  Não em sumir, achei um absurdo! Mas em entrar na justiça e sair de graça? Ele tá certo. Ele tem propostas, o clube atual não paga, ele usa os recursos legais e vai pra onde quiser. Todos nós faríamos isso. Provavelmente sem sumir, é claro.

Em meio a dever pra elenco, proposta por Fred.  Com o jogador já na justiça, pagam o que devem e deixam o elenco que ficará a ver navios.  Piora o ambiente. O time se desfazendo, jogadores se recusando a vir pro Flu com medo de não receber e rebaixamento.

E vocês querem que o torcedor não esteja em pânico? Aí vem o Corinthians e manda oferta pelo Dourado, o único que sobrou. E o clube pode vende-lo porque a situação que era ruim se tornou ainda pior com a “perda” do Scarpa.

É surreal.

Não tem explicação. Como você pega um jogador de 30 milhões e o transforma numa dívida de 10?

Eu não sei o que a diretoria do Fluminense está tentando fazer. O problema é que desconfio que ela também não saiba.

abs,
RicaPerrone

E a base vem como?

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Cada dia que passa me questiono mais sobre a necessidade dos clubes em contratar.  Vejo que o nivel técnico do jogo caiu muito, que hoje os jogadores se parecem muito.  Os salários são altos, as transações absurdas, e o retorno… nem sempre.

Pra ser bonzinho. Pois na real, quase nunca.

Eu vou ser prático com exemplos:

A base do Flamengo não tem ninguém que jogue o mesmo que o Gabriel, por exemplo?

Na base do Palmeiras não tem jogadores que possam preencher o elenco e pra isso é preciso contratar quase 2 times inteiros?

O Corinthians precisa de um centroavante pra fazer o que o Romero faz que na sua base não tenha?

Não tem um menino no gol do SPFC em toda a base capaz de não cometer as falhas do Denis por 1 anos?

Você tem 200 meninos na base. Não consegue repor um lateral reserva sem gastar um milhãozinho no mercado?

Será?

Ou será que o dinheiro “dos outros” girando ainda é mais negócio?

Olha pro seu time. Quantos jogadores absolutamente comuns você tem por mais de 150 mil reais por mês?  Será que precisava? E quanto custou pra vir?

Olha o mercado, a janela. Os valores. Quem são os alvos. Não estamos duelando por Carecas, Zicos, Romários. Estamos brigando por Bruno Silva, com todo respeito. Ou lamentando a perda do Fernandinho, de tantos outros “bons jogadores”, mas que são “ok”.  Não fazem nada muito melhor que um garoto possa fazer ganhando 20% do que ele ganha, não tendo que comprar e valorizando o produto que você fez por anos.

Será mesmo que é preciso tanto dinheiro assim pra fazer futebol no Brasil onde a gente inventa jogador todo dia?

Sera que o Grêmio e o Corinthians de 2017 não mostraram nada aos demais? Ou ali tinha algum timaço cheio de contratações?

abs,
RicaPerrone

Superestimado e “infeliz”

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Lucas Pratto não é ruim. É bom jogador, e já abro dizendo isso porque quando foi pro Galo disse rigorosamente o mesmo apenas alertando que “não era craque”, e já se criou a tese de que “O Rica disse que o Prato é ruim”.

Pratto valeu pro Galo 13 milhões na compra, 40 na venda. É inegável seu bom negócio, até em campo onde ele foi bem.  Ao se transferir pro SPFC venderam um cara de 28 anos por 40 paus. Ou 20 milhões por 50%. Tanto faz.

Nunca entendi seu valor. 40 milhões? O Pratto?

Enfim. Raça agrada torcida, e ele tem.  Dito isso vem o River Plate com oferta e se eu fosse o SPFC venderia. Não porque é ruim, mas porque diminui muito o prejuízo da transferência sem juízo que o clube fez ao contrata-lo por este valor.

Ele está prestes a fazer 30 anos, não terá “futuro brilhante” e nem é provável que se torna uma venda memorável. Então, se não se trata de um craque, se custa um valor fora do normal e não está “feliz”, conforme diz a Globo.com, porque rejeitar?

Entrega logo.

A infelicidade é reciproca. Ninguém no SPFC deve ter adorado a temporada dele. Até porque ele parece estar pesando o mesmo que eu.

Pratto foi superestimado por ser convocado pra fraca seleção argentina. Como Buffarini e tantos outros que usam como referência ser selecionável por lá.  Ele é bom, mas é só bom.

Se o Pratto vale 40 milhões eu honestamente não sei avaliar quanto valeria o França hoje. Lembra dele? Então…

abs,
RicaPerrone

O vigésimo quarto

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Tite convoca David Luis e Rodrigo Caio com alguma frequência. Isso incomoda muita gente porque é evidente que Geromel, por exemplo, merece mais que os dois.
Não concordo com quem quer eternizar a exclusão do David por 2014. Ele errou no 7×1, mas foi um dos poucos indignados no jogo. E até ali, poucos lembram, era eleito o melhor jogador DA COPA, não da seleção apenas.  Lembra? Não. Eu sei que nao.

Vai malandro…

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Jogador de futebol é normalmente um cara pouco preparado pra vida. E essa tese vem de um dirigente que notou isso com considerável razão.

Ele cresce num CT rodeado de gente pra fazer sua comida, dizer que horas come, que horas corre, que horas dorme. Um empresário cuida de todos os negócios dele, alguém da família é o “faz tudo”, e os amigos puxa-saco arrumam até mulher pro cara.  Ele não faz nada. Não aprende a se virar com nada. Tudo lhe cai no colo.

Ao virar profissional, piora. Alguem pega suas malas, leva até o onibus, que o leva pro aeroporto. Lá, alguem faz o chek-in dele. Sobe, dorme, acorda pra comer quando mandam. O levam pro estadio, joga, o empresário responde por ele.  Treina, come, dorme, tudo na hora que estipulam.

A mulher normalmente cuida de tudo pela ausência do pai constante, e ele só chega em casa, descansa e o faz tudo trocou até a lampada pra ele.

É um processo que imbeciliza o ser humano. Mas ele nem culpa tem, pois quem recusaria isso tendo os deveres que eles tem? Diriam até que “é o mínimo”, diante de ser pressionado por milhões de pessoas duas vezes por semana.

Mas aí vem a hora da transferência, entra o empresário, as vontades de terceiros, o brilho no olhar por mais dinheiro, e foda-se como você chegou até aqui. Foda-se quem pagou tudo isso que você passou pra chegar aqui. Quem carregou suas malas, quem gritou sem nome antes mesmo de você estrear. E quem te deu uma camisa grande o suficiente pra te tirar do anonimato.

Scarpa me parece um jogador inteligente, e por isso me espanta o que está acontecendo.  Ele sabe sua limitação, sabe que não é craque. Ou sabia até outro dia.

Agora ele simplesmente “abandona” o clube que o tem sob contrato?

Deve. O Fluminense tá muito mal das pernas. É fato.  Mas aí você larga tudo, manda o empresário resolver e some?

O que o futebol precisa aprender com urgência é que o William Arão vai deixar o Fla na justiça se puder. É que o Scarpa vai forçar transferência amanhã no novo clube se puder. O Rodrigo vai te foder quando quiser trocar de clube ou tiver insatisfeito. E o Sheik vai causar um puta tumulto quando tiver no banco do seu time. Porque atitudes se repetem quando não repreendidas.

Clubes brasileiros deveriam não contratar jogadores que fazem isso. Pois assim não fariam.  Scarpa só esta fazendo a palhaçada de “sumir” e foda-se porque sabe que amanhã tem uma proposta na mesa dele.

Se não tivesse, se fossem clubes minimamente organizados e com noção coletiva das coisas, ele estaria treinando de cabeça baixa feito um bom menino.

Mas… em terra onde não manda ninguém, todo mundo se acha malandro.

E vamos ver quem será o “malandro” a apoiar um jogador que abandona o clube sem atender telefone e amanhã, fatalmente, repetirá a dose. Só que em você, malandro…

abs,
RicaPerrone