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Minha seleção do Brasileirão

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É muito difícil sair de Corinthians, Grêmio e Botafogo. Os três jogaram um futebol muito acima dos demais, e embora o Bota tenha despencado no fim, teve um grande ano.  Hernanes e Dourado entraram ali por terem carregado seus times nas costas. Especialmente o saopaulino.

Que tal?

abs,
RicaPerrone

 

Eu também faria

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Não sei se o Galo que apagou a luz.  Nem sei se o Cruzeiro entregaria o jogo pro Botafogo ao ouvir no rádio que o Galo estava vencendo.  Nunca saberemos. Mas tem uma coisa que eu sei, e que não vou omitir pra parecer fofo: eu faria os dois.

Se eu fosse atleticano, apagaria a luz porque na minha cabeça o Cruzeiro sabendo que um gol sofrido eliminaria o Galo e não lhe causaria NENHUM dano, eu amoleceria, como já vimos campeonatos e mais campeonatos serem decididos dessa forma. Não é ética, é lógica.  Se meu gol ajuda meu rival e não me dá nada de bom, ele é um gol contra. Logo não o farei.

Se fosse cruzeirense, sabendo que o Galo está ganhando, não faria a menor questão de endurecer pro Botafogo e veria com ótimos olhos o gol alheio.  Seja hipócrita na rede social, lá funciona. Mas na vida real, qualquer torcedor do Cruzeiro preferia tomar o terceiro do Botafogo se já soubesse do gol do Galo.

Os dois times estão com o regulamento, o direito anti ético de ser prático e de ostentar a rivalidade entre eles.  Fazer gol pra nós dois é uma coisa. Só pra ajudar meu rival? Não. Ninguém faz.

Nunca saberemos se a luz apagou de propósito, nem se o Cruzeiro entregaria o jogo. Mas por dignidade ou desapego a ele, confesso: Faria os dois. Só depende do lado que eu estivesse.

abs,
RicaPerrone

É pra comemorar, sim!

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Eurico, eleições conturbadas, time mediocre, dinheiro curto. O Vasco chegou a ser um dos candidatos a rebaixamento.  Quando sondou o Z4, todo mundo esperava que ali, no máximo, se livraria.

E então a bola passou a entrar, São Januário voltou, Zé Ricardo ajeitou a casa e o Vasco fez mais do que dele se esperava. A Libertadores 2018 é motivo pra se comemorar muito. Ao contrário de outros rivais onde cobrava-se essa vaga, o Vasco apenas sonhava com ela.

Quando se alcança um sonho, se comemora. Quando se cumpre uma obrigação, nos aliviamos.

Não era obrigação deste Vasco estar na Libertadores. O que transforma sua vaga em conquista.  E conquista se comemora.

Entrar no clube com uma nova gestão, outra cabeça, outras pessoas e já na Libertadores pode ser o combustível perfeito para que o Vasco retome seu lugar no futebol brasileiro até mais cedo do que o planejado.

A bola já entrou. Falta uma urna cair, e o Vasco terá muito pra comemorar.

abs,
RicaPerrone

Fora da Libertadores

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Há alguns meses sei que há uma dívida entre Botafogo e elenco.  Essa dívida não faz diferença se é salário, bicho, luva. O que é combinado entre as partes é devido. E se deve e não paga, vira dívida.

Toda dívida dá ao credor uma condição diferenciada.  Não há clube no mundo onde o elenco que tem algo a receber do time seja cobrado e tratado da mesma forma que quando em dia.  Clube, padaria, loja, tanto faz.  Quem deve, manda menos do que poderia.

Some o cansaço do ano, da temporada que começou antes do que todos os demais, a limitação absurda de elenco, a perda de peças e o descontrole sobre o elenco por dívidas, o Botafogo cairia de rendimento sem a menor dúvida.

Aconteceu. Foi por pouco, mas de fato dava pra ter se classificado. Como historicamente acontece, ficou fora da Libertadores e tratar isso como um absurdo é tipo o flamenguista revoltado com a má campanha na Libertadores. Acontece todo ano, e cobram como se fosse comum o contrário.

Não é comum o Botafogo ir a Libertadores. Então não façam cara de espanto quando ele não for.

A tristeza é aceitável. A raiva de ter visto nas mãos e perdido, idem. Mas a queda do time é absolutamente compreensível e dá pra listar fatores. O time do Botafogo que entrou em campo hoje é rebaixável no papel.  Não um time de alto desempenho.

Acostumar-se com o limite gera decepção. E o Botafogo que você se apaixonou jogou 8 meses no limite. Uma hora não resistiu.

Ano que vem tem tudo de novo. E nenhum desses 11 é culpado por 22 anos sem o título que vocês esperam.  Cobre da sorte, das diretorias passadas, mas não bata no filho de um assassino achando que isso é justiça contra o crime do pai.

Foi um ano que terminou mal, mas que você nunca mais vai esquecer tudo que viveu nele.

abs,
RicaPerrone

A”Dios”, Lugano!

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Dios, me gustaría escribir en su idioma para que pueda agradecer el esfuerzo que por años ha hecho para entender la nuestra.

Me gustaría agradecerte por cada juego, por todo el esfuerzo y respeto por nuestra camisa.

Usted pasa lejos de ser el mejor zaguero que ha jugado en nuestro club. Pero es el más adorado de todos ellos.

Posiblemente sus méritos sean mayores que imaginemos, pues no nació con talento de medio campo.

Su esfuerzo nos representa. Su carrera nos enorgulle y su final es una lección de vida y carácter.

¡Gracias dios! Usted es uno de los nuestros para siempre.

abs,
RicaPerrone

Maior que a taça

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A Copa Sulamericana é presenteada constantemente com alguns marcos históricos que não merece.  Pro bem e pro mal, diga-se. De finais históricas que não terminam como o tosco jogo do SPFC em 2012 ao acidente da Chapecoense, esse torneio teima em não firmar mesmo que a vida insista contra ele.

Campeonatos vão ganhando peso pela sua história, não pela premiação. A Supercopa da Libertadores foi o melhor torneio que já fizeram no continente e não tinha vaga pra nada, dinheiro algum. Era só pela grandeza de quem participava e toda edição foi espetacular. Até que a Conmebol percebesse que ali havia um rival pra Libertadores, então o destruiu.

O Flamengo não estava nem aí pra Sulamericana, como ninguém está enquanto ainda puder ter um grande ano em outros torneios. É sim a “sobra”. Mas a sobra é melhor que passar fome, sempre.

Esse Flamengo bunda mole precisa muito mais de um título de superação do que de uma conquista técnica e regular.  Talvez a esse elenco seja mais importante um perrengue mesmo. E pra diretoria, que contrata tanto, seja importante aprender a olhar pra casa.

Sem Guerrero, Rever, Muralha… os meninos resolveram.  Não foi uma grande atuação, mas foi à lá Flamengo. Na medida em que ficava “impossível” aos olhos críticos, mais possível aos olhos deles.

Diria que se tivesse um expulso seria 3×0, tamanha a vocação pra gostar de passar perrengue.

Assim sendo, que perca na Argentina o jogo de ida. Porque Flamengo que é Flamengo não pode decidir nada por um empate.

A Sulamericana ganha mais um presente da vida. O mais popular do Brasil contra o maior campeão do continente que há anos não ganha nada.  Final de gente muito grande e com muita fome de vencer.

Quando o jogo em si é maior que o torneio.  Mas não é pelo torneio. É pela glória.

abs,
RicaPerrone

O último dos moicanos

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Quem faz muita questão do que parece ser é porque talvez não seja mas precise.  Eu cresci sendo o aluno da ultima fileira e vi muito aluno burro ser exaltado por parecer dedicado. Passei de ano igual a todos eles, cheguei no mesmo dia na mesma formatura, mas professor nenhum confia em aluno de chinelo na última fileira.

Renato é o menino que corre no intervalo, que sai antes do sinal tocar, que pede presença e sai da aula. Que passar 20 minutos no banheiro, que começa a guerrinha de papel.  Renato não parece inteligente. É o típico aluno que o professor jura que “não vai dar em nada”.

Neste caso pode trocar professor por imprensa esportiva. Com a diferença que professor estuda pra dar aula.

Jornalistas são chatos por vocação. E os esportivos mais ainda, pois são invariavelmente frustrados por terem feito de sua paixão o mais próximo que conseguiram sem ser protagonistas.  Nós contamos a história de analfabetos de fama e poder, o que irrita qualquer sujeito formado que ganha 1% do que ganha o “maloqueiro”

“O futebol é uma benção”, a gente fala quando vê um imbecil rico com um mulherão. Mas e quando nos dá o rotulo de “especialista”, não é?

Coloque lado a lado Renato e Rene Simões, sem conhece-los bem, 99% da imprensa contrataria o Rene. 99% da imprensa erraria.

Renato gosta de mulher, de praia, bebe, não usa terno, ri, brinca com situações que levam a sério demais,  vence, perde, empata, e se banca.  Não tem medo do que acham dele. Do ódio a idolatria, ele é o mesmo Renato de 1980.  Autêntico. Alguém que é e não alguém que parece ser.

O título da Libertadores não coroa apenas um mito que já era mito antes do jogo. Refaz perspectivas e ensina que nem sempre o melhor é o menino da fileira um.  Ser dedicado, ser vestido pela avó e não falar palavrão não faz daquele menino uma promessa de sucesso.  Diria que ate o contrário.  Ele provavelmente será o bobo da turma.

O bobo da turma é o neto que toda vó queria, que toda mãe se orgulha e que todo pai se preocupa.

Renato parece ser o que é. E de sunga, na praia, tomando uma gelada olhando bunda passar enquanto ouve um samba, ele entrega o que hoje, de terno, falando bonito e agradando jornalista, ninguém entrega.

Entreguem-se.  Vocês erraram!

“Aquele neguinho que andava
Descalço na rua e ao leo
Assobiando beethoven, chopin
Porém preferindo noel
Foi assim se trasformando
Num singelo menestrel”

abs,
RicaPerrone

Sem raiva

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Já vi time ganhar campeonato de todo jeito.  Já vi time perder campeonato e passar a semana falando em “e se”, ou inventando algum lance polêmico pra justificar o mérito alheio. Já vi vitória roubada. Já vi título achado. Vi título dado por um super herói de chuteiras. Em todos eles há uma dose de ódio no desabafo da comemoração.

Como esse, nunca tinha visto.

Vi entre eles, da arquibancada. Fui à Arena nos jogos de mata-mata e andei aquele estádio 300 vezes pra lá e pra cá. Conheci gente, vi reações, reza, desespero, lágrimas, euforia, medo. Vi famílias, vi gente maluca. Vi de tudo.  Mas vi sobretudo futebol.

Não apenas bem jogado. Me refiro a tudo em volta. Paixão de fato, loucura, limites quebrados, doença por um clube, amor doentio por um torneio.

Se a Libertadores fosse um ser humano ela estaria bebada na porta da Arena usando uma camisa antiga do Grêmio por superstição e gritando “Queremos a côôôpa….” feito um argentino, que diga-se, é o unico defeito dessa gente.

A Libertadores não é um ser humano. Então ela pode ser vencida ou conquistada.  Raros são os que a conquistam.

O Grêmio conquistou a América de uma forma poucas vezes vista. Indiscutível, simpática a todos, com um futebol bem jogado, domínio completo dos jogos, vencendo as duas finais. E com um treinador que todo mundo odeia amar, ou ama odiar. Tanto faz.

O primeiro tempo da final foi pornográfico.  Poucas vezes vi algo parecido e se o Grêmio puder, faça um quadro em sua sede transcrevendo a narração destes 45 minutos, ou um quadro de imagem viva reprisando em looping eternamente esses minutos.

Sua gente chorava de alívio e alegria no gol do Luan, de joelhos, abraçado ao desconhecido ou ao próprio pai. Mas agarrado a camisa como quem agradece por ter tido o privilégio de ser um deles.

Filhos, avôs, netos, pais, amigos, conhecidos e desconhecidos.  Bêbados, sóbrios, a base de remédio ou de alcool, mas suportando a semana que levou mais de 45 dias pra passar.

Ao gol do Luan, que foi uma obra de arte, o gremista desmoronou.  A minha volta não havia um só torcedor comemorando com raiva, socando o ar, desabafando contra o Lanus.  Era uma alegria deles para com eles mesmos.  De joelhos, chorando, abraçado a alguém, mas era uma declaração de amor “muda” que poucas vezes eu vi na vida.

Tu és muito bem amado, Grêmio.  Tua gente te merece, e vice-versa.

Salve Luan, Portaluppi, Geromel, Grohe, Arthur e os 5 mil heróis que estiveram em Buenos Aires.

Salve o Grêmio! Salve banda da Geral!

Salve  o povo da Arena no telão!

Salve cada lágrima que tu derrubou por este clube na vida.

Parabéns! Vocês são diferentes. Tal qual seu clube.

abs,
RicaPerrone

Tanto faz

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Passionalmente, como clube, amador ou profissional, Muralha já estaria sendo “estudado” ou afastado pelas falhas.  Fosse o Flamengo uma empresa, como pregam seus gestores, o responsável pelo setor seria afastado.

Seja pelo ângulo que você escolher, o Flamengo não está blindando seu jogador, nem seu preparador. Está piorando a situação.

Se na avaliação interna o preparador é bom, e eu sequer o conheço, que fique claro, então alguém tem que ser responsável pelo Flamengo não ter um goleiro reserva em condições de atuar.

Claro que há fatalidades. Um ano atípico em alguns sentidos, até câncer e dopping teve. Mas o Muralha chegou ao clube indo pra seleção brasileira. E eu não o conheci ontem. Eu vi jogos dele no Figueira, e não era montagem.

Ontem Muralha escolheu um lado. Até agora ele podia ser um cara vitima de enorme pressão que não estava rendendo. Agora ele é o cara que resolveu fazer gracinha e deixou o time em situação delicada pra Libertadores 2018.

A escolha é dele. Toda revolta que hoje toma conta do Rio de Janeiro é responsabilidade dele. Por brincadeira, não por algum problema técnico ou psicologico. Logo, aguente.

Pouco defensável o lado rubro-negro nessa história. Há 1 ano o Flamengo não tem goleiros em condições de atuar e ninguém foi responsável.  Mais recentemente precisou, não teve goleiro. Seguiu, trouxe um novo da Europa, o cara se machucou.  Mas não há no planejamento do Flamengo um goleiro na base pronto pra uma emergencia?

Porque se não é uma emergencia ter dois goleiros sem confiança, queimados com a torcida numa semifinal do unico torneio do ano que “ainda dá”, eu não sei mais o que pensar dessa “serenidade” com que o Flamengo lida com seus problemas.

abs,
RicaPerrone

Chapeuzinho vermelho

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Dizem que é mídia, lenda, história bem contada.  Desesperados com a virada após a prévia gozação, contestam o maior patrimônio rubro-negro como quem briga com a capacidade de pilotar um carro de Ayrton Senna.

“Não cantam”. “É flapress!”.  “Tem que cantar 90 minutos”, Blá, blá, blá…

Eu não sei quem criou o manual de torcidas modernas, mas eu acho um saco. Torcidas reagem diferente, e o Flamengo é céu e inferno o tempo todo. Isso implica em ir das vaias ao apoio em uma bola na trave.  Gosto não se discute, mas a cultura de um clube vencedor e de um cartão postal do país estabelecido por méritos apenas se respeita.

Essa história que “inventaram” sobre a torcida é tão bem contada que até os jogadores compram. Todos eles falam sobre “jogar no Maracanã contra a torcida do Flamengo”.  Todos eles sonham em correr pra torcida do Flamengo. Talvez eles sejam comprados pela FlaPress, talvez sejam a referência que precisam para confirmar o óbvio.

A virada é fruto de uma torcida bipolar. O empate, de um time pressionado pela mesma torcida que ali cobrava.  São malucos, mas são malucos à sua maneira.

“É tudo histórinha”.  “A Globo que inventou!”. “Nem é tudo isso!”.

Pode até ser que seja. Mas fato é que Chapeuzinho vermelho está na boca do lobo mais uma vez.  Goste ou não, a história vai trocando gerações e mantendo seu final.

Do inferno ao céu. Da quase crise ao quase em Tóquio.

  • Que torcida enorme você tem, vovó…
  • É a mídia, chapeuzinho. É a mídia…

abs,
RicaPerrone