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Comissão enrola e não soluciona

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Não adianta colocar árbitro na geladeira ou tirar os bandeirinhas das rodadas do Brasileirão para fazerem treinamentos depois de eles alterarem, por incompetência, os resultados dos jogos.

A comissão que trata disso na CBF precisa se antecipar aos equívocos deles e impedi-los de acontecerem.

Depois que somaram ou tiraram pontos de algum clube, a medida se torna quase inócua.

O prejuízo na história e contas da agremiação que investiu para ser campeã, na carreira do atleta que se esforçou muito durante anos para acertar aquele lance e teve seus méritos anulados por erros de quem não joga futebol, e no humor do torcedor, principalmente o frequentador dos estádios que tira grana do bolso para empurrar o clube que ama e se sente enrolado ao fazê-lo, continua idêntico.

Hoje, quando observei a tabela do torneio, esses afastamentos não aumentaram ou diminuíram a quantidade de pontos estabelecida após a rodada.

E se fosse um deles

Me coloco no lugar dos árbitros.

Eles não podem reclamar com ninguém porque serão afastados.

Tirante algum caso de má fé, do qual não tenho conhecimento, eles ficam impotentes como os clubes que são prejudicados por seus erros.

Não é fácil a atividade que exercem.

O mundo os avalia pelas lentes que enxergam muito mais que a retina humana os lances no gramado.

Estragam o futebol

Cito o jogo de ontem como exemplo.

O gol de Cícero não foi um lance tão complicado de ser apreciado e poderia alterar o destino dos 3 pontos.

O Corinthians ganhava por 1×0 e talvez  alterasse a forma de atuar indo mais à frente, aumentando brechas para o contra-ataque, que foi sua principal opção ofensiva, caso a igualdade fosse confirmada.

Quando aconteceu o empate invalidado, o Fluminense jogava um pouco melhor.

Antes, o Alvinegro mandou, Marciel dono de atuação convincente fez o gol, Malcom perdeu outros dois, Danilo quase marcou o dele e o time de Enderson Moreira havia desperdiçado uma oportunidade com Gerson depois do erro de Cássio ao tentar interceptar o cruzamento.

O andamento da partida não foi linear.

Mostrou que havia possibilidade de o Fluminense reverter o resultado,  manter a igualdade e de o Corinthians ganhar.

Hoje, infelizmente, aquilo que os atletas realizaram em Itaquera, o futebol competitivo mostrado por eles, a maneira como Marciel substituiu Elias, as mexidas de Enderson Moreira para seu time crescer após o intervalo, foram suprimidas pelo gol invalidado de Cícero.

Todos que realmente amam o futebol perdem com isso.

Ideia para minimizar os erros

A primeira medida, urgente, seria a CBF, que agarra o poder com mais ímpeto que o faminto defende a própria comida e por isso faz questão de continuar definindo quem cuida das regras durante os jogos, desvincular de suas funções quaisquer questões ligadas à preparação e escala de árbitros.

Faculdades sérias de educação física têm mais capacidade que a entidade para formar especialistas e avaliar seus desempenhos.

Falo de profissionalização.

Elas deveriam negociar os serviços de quem é o mais qualificado, em cada momento, para a função.

Longe da política de bastidores e mais preocupadas com questões técnicas, poderiam elevar o nível e diminuir as chatas discussões sobre favorecimento de x ou de y.

Isso não solucionaria tudo, mas minimizaria as distorções de resultados.

Cartolas

A eletrônica, adotada nas transmissões, seria outro enorme benefício para auxiliar quem tenta conduzir o jogo e não ser lembrado.

Tenho convicção que os árbitros adorariam ter acesso a ela.

Mas o discurso dos cartolas, em regra contrário de maneira de maneira leve ou enfática, não permite que externem isso.

Eles passam a impressão que se preocupam mais com a manutenção do poder que com a melhora do futebol.

O cerne de quase todos os problemas do esporte, inclusive na Fifa, é o ultra-conservadorismo naftalínico de quem não faz o óbvio para a evolução daquilo que se propôs a administrar

Pequeno comentário sobre o empate de Joinville e São Paulo

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Não há nenhum exagero em dizer que o jogo do turno foi um ’0×0 com três gols’, todos favoráveis ao time então comandado por Milton Cruz, por causa do futebol feio, lento, chato, ruim de ambas as agremiações naquela noite.

Na partida de ontem, tudo aconteceu de outra maneira.

Houve muitas oportunidades, os goleiros fizeram intervenções difíceis, noutros lances as traves garantiram o cumprimento do primeiro objetivo de ambos, e houve alguns erros de finalização em frente a eles.

O jogo, apesar do 0×0, foi muito melhor que o do turno.

O empate com gols ou a vitória de uma das agremiações refletiria melhor o que houve no gramado.

Os sistemas de marcação e os jogadores que chutaram em gol cometeram muitos equívocos.

É fundamental que melhorem nesses fundamentos, pois a capacidade de retomar a bola e a qualidade ao definir os lances no ataque somam muitos pontos no torneio de regularidade.

OBS: semana que vem haverá novidades no blog. Junto delas, aumentarei a quantidade de posts e os comentários mais profundos, com detalhes, sobre os jogos.

Santos sobrou contra o Corinthians

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Faz algumas rodadas do Brasileirão que o Santos joga futebol superior ao do Corinthians.

No confronto direto entre os alvinegros, onde a qualidade e o choque de estilos entram em campo, o time de Dorival Jr sobrou.

Na Vila Belmiro praticamente anulou o sistema ofensivo escalado por Tite e fez dois gols.

Tentou

Em Itaquera,  Tite pediu ao time para marcar a saída de jogo, pois era necessário aumentar o volume do jogo ofensivo, e permitiu que os santistas tivessem os contra-ataques.

No início, funcionou. Alguns chutes da entrada da área passaram perto das traves.

Pelos lados

Mas a postura ousada forçou os laterais Edilson e Uendel a apoiarem e as dificuldades na marcação ficaram nítidas.

O treinador monta o time para eles e a dupla de zaga não ficarem desguarnecidas e teve que alterar isso para  otimizar a criação.

Como Bruno Henrique não consegue fazer a cobertura necessária e ficou muito sobrecarregado,  Lucas Lima, Geuvânio e Gabriel, que têm velocidade e técnica, ganharam as lacunas para investirem naquilo que melhor realizam.

Desenhados

Os gols de Gabriel, antes do intervalo, após a assistência do meia, e de Ricardo Oliveira, no passe Marquinhos Gabriel que entrara no lugar do jogador revelado nas categorias de base do clube, foram muito parecidos.

Quem acompanha as partidas do Santos nota que esse lance parece se tornar a marca da equipe, pois houve outros assim.

Depois do 1×0 o Corinthians passou a jogar por inércia.

Os atletas deram a impressão de tentarem buscar forças que não tinham, como faz o incrédulo que diz a si mesmo que crê, para continuarem competindo.

Romero fez o gol de honra no mata-mata quando não havia maneira de se classificar.

Entre os favoritos

Cada agremiação segue o próprio caminho.

O Santos com seu time forte e elenco pequeno encarando a maratona de jogos e talvez, em algum momento, sendo obrigado a poupar importantes jogadores.

E o Corinthians, líder do torneio mais relevante do país, precisando de ajustes que não o fizeram perder a colocação almejada pelos poucos concorrentes e nem o tiram da condição de um dos maiores favoritos à conquista, mas que contribuíram para o fracasso diante santistas e podem (hipótese, não afirmação) ter consequência igual no Brasileirão.

Fundamental: altos e baixos são normais em nosso futebol. Não há nada atípico na na queda ou melhora de rendimento dessas agremiações. É impossível ser preciso em qualquer prognóstico. Mas o Santos no mata-mata e o Corinthians nos pontos corridos, reitero, continuam entre aos favoritos à conquista dos respectivos torneios.

Ficha do jogo

Corinthians – Cássio; Edílson, Felipe (Edu Dracena), Gil e Uendel; Ralf; Matheus Pereira (Romero), Bruno Henrique (Cristian), Renato Augusto e Malcom; Vagner Love
Técnico: Tite

Santos – Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Thiago Maia (Leandrinho) e Renato; Gabriel (Marquinhos Gabriel), Lucas Lima e Geuvânio (Chiquinho); Ricardo Oliveira
Técnico: Dorival Júnior

Árbitro: Ricardo Marques Ribeiro (MG) – Assistentes: Bruno Boschilia e Marcio Eustaquio Santiago

Não coloco na conta de Juan Carlos Osorio a derrota para o Ceará

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

São Paulo 1×2 Ceará

O time do Morumbi tinha obrigação de ganhar com margem de gols do Ceará cheio de desfalques. e passou vergonha no Morumbi por causa da derrota.

Mas foi muito superior.

Mandou no jogo do início ao fim.

Chutou 22 duas vezes em gol, 10 deles dentro da área, conseguiu 17 escanteios, cruzou 60 vezes na área ao todo,  ficou 74,1% do jogo com a bola sendo que a maior parte no campo de ataque, e trocou 568 passes certos (92% dos que tentou)  contra 88 precisos do adversário .

Tomou gols na única cobrança de escanteio que cedeu, quando Luis Fabiano perdeu de cabeça para o autor da assistência e Reinaldo ficou plantado na grama em vez de dar alguns passes adiante para deixar Rafael Costa impedido, e no pênalti que Luiz Eduardo fez em contra-ataque.

Não irei dissecar o 4-3-3 ultra-ofensivo, com Carlinhos no ataque do lado oposto ao de Alexandre Pato, recuando, nas ínfimos momentos necessários, para formar o 4-4-2, e os laterais e volantes participando muito da criação.

Aos críticos da escalação de Carlinhos na frente, lembro que foi a mesma ideia que Juan Carlos Osorio implementou diante do Corinthians quando colocou Auro nessa função.

O atleta mais jovem é pior nos lançamentos e nos passes.

Barcelona e Real Madrid jogam dessa forma.

A derrota não tem aconteceu por causa do esquema tático.

Houve falhas técnicas, individuais, além de nervosismo depois do primeiro gol que fez os atletas pensarem pouco, errarem levantamentos na área e perderem oportunidades.

Essa irritação tem a ver com o resultado e o ambiente interno.

A torcida, que poderia empurrar o time, não fez isso integralmente. Muito que foram ao estádio, ainda antes do intervalo, xingaram alguns e contribuiu para a tensão em campo.

Compreendo quando pegam no pé de acomodados, mas não se fazem isso contra quem se esforça e joga mal.

Me pergunto qual leitor se esforçaria mais por alguém porque foi ofendido.

Alguns jogadores atuaram abaixo do que podem, Michel Bastos foi um deles, mas não por falta de raça.

O Ceará merece elogios pela enorme dedicação, pragmatismo no cumprimento da proposta de marcar, marcar, marcar, marcar e marcar porque era a única opção viável, e tentar o gols nos contra-ataques, escanteios e faltas.

Nas três únicas jogadas assim comemorou duas vezes.

Mas o maior mérito foi a impressionante quantidade de divididas, pelo alto, que o sistema defensivo ganhou, além das importantes intervenções do goleiro Luís Carlos.

Psicologicamente, o Alvinegro foi crescendo na medida em que o São Paulo desandou.

Como continuará impossibilitado de aproveitar ao menos 9 jogadores semana que vem, a zebra ainda tem considerável possibilidade de não seguir às quartas-de-final.

Ficha do jogo

São Paulo – Renan Ribeiro; Bruno, Lucão, Luiz Eduardo e Reinaldo (Wesley); Thiago Mendes, Michel Bastos e Paulo Henrique Ganso; Carlinhos, Alexandre Pato e Luis Fabiano (Wilder)
Técnico: Juan Carlos Osorio

Ceará – Luís Carlos; Guilherme Andrade, Wellington Carvalho, Charles, Gilvan e Sánchez; João Marcos, Carlão, Uillian Correa e Rafael Costa (Carlos Alberto); Fabinho
Técnico: Marcelo Cabo

Árbitro: Dewson Fernando Freitas da Silva (PA) – Assistentes: Fabiano da Silva Ramires (ES) e Bruno Raphael Pires (GO)

Atlético MG foi melhor que o Corinthians no turno; colocação das equipes contraria a máxima dos pontos corridos

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Futebol é um jogo de imposição.

O treinador deve observar seu elenco e o dos outros times para, quando for atuar contra cada um deles, saber quais atletas e proposta de jogo escolher.

Não existe fórmula pré-estabelecida e irretocável.

Ninguém possui pleno controle do futebol.

Os melhores técnicos do mundo falham. Os principais jogadores da história tiveram fases ruins. Os mais capazes nos chutes em gol cobraram faltas longe das traves. Os competentes no passe deram bolas tortas aos companheiros. Os mais fortes nos cruzamentos perderam e tomaram gols de cabeça. Os defensores de alto nível foram driblados por atacantes limitados. Os times superiores caíram diante de agremiações menos capazes.

Dizem que o esporte reflete a própria existência.

A impossibilidade de alguém manter a precisão constante, porque as emoções interferem tanto de maneira positiva quanto negativa em questões técnicas, faz quem é elogiável errar e quem não é acertar.

Regularidade

No campeonato de pontos corridos, a média de tudo isso quase sempre determina a pontuação.

O Corinthians é, um pouco, o contraponto dessa tendência.

Tem sistema de marcação competitivo, mas ainda não é forte como na passagem anterior do Tite pelo clube.

Falta consistência na jogada aérea e o meio de campo, vira e mexe, deixa lacunas.

De posse da bola, o time não é capaz de criar constantemente o volume de jogo capaz de acuar as outras agremiações.

Mas terminou na liderança nesse torneio de regularidade.

Quem acompanha o Alvinegro e consegue avaliar racionalmente o desempenho da equipe, se lembra como Atlético PR e Ponte Preta foram superiores, em Itaquera, após os intervalos dos respectivos jogos, e perderam oportunidades.

Da partida, ontem, contra o Avaí, quando Luciano tirou dois coelhos da cartola e marcou golaços que fariam qualquer treinador que acaba de conhecer o futebol dele, irregular desde quando chegou ao Parque São Jorge,  ficar encantado.

Do equilíbrio diante do Sport. Dos gols desperdiçados pelo Atlético MG. Da intervenção das traves contra o São Paulo.

Tite pensa assim

O Corinthians não mostra o melhor futebol do país.

O Galo fez isso ao longo do primeiro turno, apesar de oscilar e deixar a desejar em jogos.

O próprio Tite, faz menos de um mês, afirmou que o Atlético MG está “um degrau acima”.

Minha conclusão, por enquanto, é que o time de Parque São Jorge ainda precisa evoluir coletivamente e que tem potencial para isso.

Não necessita alterar a proposta de jogo. A questão é realizar um pouco melhor, com pequenos ajustes, aquilo que o treinador quer.

Menos treinos e mais jogos

Lembro que no torneio equilibrado, emocionante como o atual, alguns times podem cair de rendimento, outros evoluir, pois a maratona de jogos tende a aumentar a quantidade de atletas machucados e a obrigar os treinadores a mexerem nas equipes.

E isso talvez permita que alguém seja campeão com futebol inferior ao que mostra hoje.

Hoje, é impossível afirmar o impacto que esse monte de rodadas, uma em seguida da outra, e das convocações das seleções brasileiras terá no desempenho de cada agremiação.

Minha avaliação sobre a liderança

A colocação acima de todos tem muito a ver com as circunstâncias, competência e sorte (é benção e não pecado) inclusive no cumprimento das regras dos jogos, e não com o futebol melhor que o do Atlético MG.

Não entrarei na polêmica, neste post, sobre o suposto favorecimento premeditado que entrou em debate nos programas esportivos de canais fechados que assisti desde o término da rodada.

Sei que turbinaria a audiência.

Mas ficar discutindo isso, agora, quando eu não tenho informação sobre o tema, seria convenientemente apelativo, apesar do sopro de sorte do time nessas últimas rodadas.  .

Falarei, mais para frente, se assim continuar.

O Alvinegro ainda pode ter dificuldades por falhas no cumprimento das regras em muitos de seus jogos.

Principalmente porque o tema tomou conta da parte futebolística do país.

Quem deve determinar quais lances são pênalti, impedimento, escanteio, falta e merecem cartões, irá ao gramado ciente da desconfiança dos que creem em corrupção na organização do torneio.

 

Incertezas sobre Ronaldinho no Fluminense

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Treinamento transmitido ao vivo, atenção especial dos repórteres e dos dirigentes, mais torcedores que em média na Laranjeiras e muita tietagem.

Eis o primeiro impacto de Ronaldinho Gaúcho no Fluminense.

Não se trata de ‘apenas’ outro jogador.

É uma estrela que não depende do desempenho em campo para gerar mídia.

Personagem

Não há menor dúvida que, com ele, a quantidade de manchetes do Fluminense será maior tanto no Brasil quanto no exterior.

Muitos veículos de imprensa estrangeira irão citar o clube.

O departamento de marketing precisa extrair o maior lucro direto e indireto, da imagem do personagem futebolístico, para a instituição.

Coletivo

A maior dúvidas é se corresponderá dentro do gramado e será aceito no elenco.

Quando foi contratado pelo Atlético MG, tratei o negócio como um erro.

O craque mostrou que minha avaliação, na época, foi equivocada.

Enquanto houve harmonia entre no grupo de atletas, os jogadores correram por ele e o time voou, principalmente na primeira fase da Libertadores.

Depois começaram as insatisfações com Ronaldinho Gaúcho, o desempenho dele piorou e, no final, durante a pífia participação no Mundial de Clubes, ‘deu uma sambadinha’ ao fazer o gol na disputa pelo terceiro lugar , quando não havia motivo de comemorar.

Essa alegria egoísta em meio ao clima péssimo após a perda da semifinal contra o Raja Casablanca parece uma das características do veterano.

Fred

Enderson Moreira prepara o time que prioriza as necessidades coletivas.

Fred é o único que, taticamente, tem menos obrigação de marcar.

Além da rica história na agremiação, continua sendo importante no sistema ofensivo.

No futebol, individualistas com regalias como as que Ronaldinho talvez terá, em regra, são aceitos pelos colegas apenas se garantirem muitas vitórias para a equipe.

Mundo real

O jogador mais jovem, no começo, idolatra o consagrado. Depois, se a expectativa for frustrada com a bola rolando, fica insatisfeito porque o colega endinheirado não coopera para o menos renomado crescer na profissão. Dependendo da situação, os mais esforçados olham a estrela como obstáculo.

Tática

O próprio Fred talvez seja mais exigido por causa de Ronaldinho.

No 4-2-3-1 que o treinador diversas vezes coloca em campo, o trio de criação participa do sistema defensivo.

Quem joga pelos lados marca o lateral.  O outro , em regra, fica atento aos avanços do volante do rival.

Ronaldinho atua ou no centro ou na esquerda. Talvez, nem se quiser, consiga correr atrás do lateral. E a tendência é que não se disponha, sempre, a cumprir tal instrução.

Isso forçará o treinador a contar com um a menos marcando no meio de campo.

Pode até desestruturar a organização que credencia a equipe a ficar com uma das vagas na Libertadores.

Treinador

Se coloque no lugar do comandante que, ao menos indiretamente, é quase obrigado a escalar o Ronaldinho.

Precisa saber, antes dos jogos, qual é o tamanho do comprometimento dele com a instituição e o elenco.

Não adianta dar ao atleta que foi aplaudido pela torcida do Real Madrid, em pleno Santiago Bernabeu, por encantá-la com a camisa do Barcelona durante um clássico, funções que não cumprirá.

Contra equipes mais fracas, o enfraquecimento do sistema de marcação talvez não comprometa muito. Diante das mais fortes, isso pode acontecer. Tomar um gol contra elas tende a forçar o Fluminense a alterar a forma de jogar para fazer o (os) dele.

Drible em tudo

De qualquer maneira, se o Ronaldinho chegou muito inspirado ao Fluminense, as teorias táticas perdem força, pois ele um dia mereceu ser chamado de gênio, e alguém assim garante muitos pontos ao time, alegrias aos torcedores e bichos aos jogadores.

Não é meu palpite.

Talvez tenha momentos de craque.

Mas se for importante para o Fluminense conseguir atingir suas metas, não merecerá críticas.

‘Metade’ do potencial dele é suficiente para tal.

Talvez nem precise ‘tanto’.

Estreia

No Queretaro ,jogou 19 vezes, desde o início do ano, e apenas em 5 permaneceu no gramado durante os 90 minutos.

Faz cerca de dois meses que não atua.

Iniciou os treinamentos na segunda-feira.

A estreia dele contra o Grêmio, se acontecer, jogue bem ou mal, será uma medida de marketing e não esportiva.

Deveria se preparar melhor para diminuir a possibilidade de se machucar e aumentar a de alegrar quem torce pelo clube e por ele.

A doutrina dos sócios-torcedores

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De Vitor Birner

Tenho restrições e elogios ao radical anseio dos cartolas por sócios-torcedores.

Se o time conta com seguidores leais, sistema funcional de negociação de ingressos e preços acessíveis, terá, de qualquer forma, estádio pleno.

O principal ponto favorável desses programas de adesão é o planejamento financeiro. A margem de erro entre o que os cartolas imaginaram arrecadar e o que de fato conseguem, diminui.

O negativo é que gera outra segregação.

Os excluídos

Pessoas novas, por exemplo, que ainda não têm renda própria e tendem a se apegar ao manto sagrado, enfrentam mais empecilhos para alimentar o amor, por causa dos programas de sócio-torcedor.

Quem labuta nos horários dos jogos a os que moram longe da cidade da agremiação, ambos muito apaixonados pelo time, que sempre tentam ir ao estádio ou à arena nas folgas, mas talvez não possam pagar os valores mensais mais elevados – para especificar eu teria que citar todos planos oferecidos pelos clubes  – precisam se conformar com a impossibilidade de adquirirem as entradas.

Na pele

Há um enorme abismo entre a relação com o time à distância e de perto.

Quem ama, em regra, quer sentir a energia de ‘um estádio’ empurrando ou secando, e fica, junto da agremiação seja qual for a fase dela.

Joga junto com seus ‘representantes’ em campo.

No coração

O placar de cada partida mexe com seu humor, mas não o faz deixar de acompanhar o time.

Futebol é, acima de tudo, lidar com perdas, pois nenhuma agremiação no planeta ganhou a maioria dos torneios que participou.

E quanto maior for a quantidade de fracassos, mais intensa será a alegria nas conquistas dos títulos.

Na alma

A segregação dos planos de sócio-torcedor fere a essência desse esporte.

Aproxima mais o futebol da condição de produto acima de tudo.

O distancia da simplicidade que o fez, outrora, o local democrático (no sentido agregador, não no destrutivo como o que muito escuto, da palavra), onde pobres e ricos, pessoas de raças, etnias e religiões distintas,  com pensamentos antagônicos, largavam os preconceitos e intrigas, e se uniam espontaneamente em apoio à camisa que escolheram até que a morte, talvez, os separe dela.

Subvertendo a cultura da tristeza

Nem tudo deve proporcionar o maior lucro material possível.

Dinheiro serve para gerar o conforto que aumenta a possibilidade de o indivíduo ter mais momentos de felicidade.

Quando essa alegria é trocada por grana, temos uma inversão de valores e consequentemente as séries constantes de punhaladas na alma do esporte que ficou gigante porque emocionava e não por por ter como primeiro objetivo o faturamento.

Hoje em dia, há mais nais números e menos sensações plenas no mundo do futebol.

No bolso

Não tenho nada contra o dinheiro no futebol.

Acho importante.

Gera empregos.

Se fosse completamente amador, muitas pessoas que nasceram com talento para jogar bola precisariam ter seus empregos e não se dedicariam a ele, que, se tiver a alma intacta, distribui intensas emoções para milhões.

A grana no futebol deve ser a meta secundária daquilo que os burocratas e políticos interessados chamam de produto, para o esporte não perder valor emocional – tem acontecido principalmente aqui no Brasil –  e, mais para frente, comercial.

Como a natureza

O futebol não é a única atividade onde se faz exploração predatória.

De vez em quando o observo como vasta e importante floresta, de onde se retira de maneira gananciosa a maior quantidade de recursos naturais em detrimento do ecossistema perfeito e fundamental, até o dia em que nada mais nascerá lá.

Os programas de sócios-torcedores talvez sejam parte de métodos similares no futebol.

Mais números, menos emoções

Alguém tem qualquer tipo de dúvida que o futebol já proporcionou mais sensações aos torcedores do que nesse neo-futebol?

Cadê a expectativa antes dos jogos?

Cadê a magia que nunca dependeu da qualidade em campo para existir?

Será que não percebem que a doutrina do faturamento como prioridade é vendida ao público e aos  atletas profissionais que, por isso, até quando os jogadores se apegam a uma agremiação não conseguem ter a reverência, tirante exceções, por ela como incontáveis jogadores de outrora  mostraram?

Que grande parte das declarações nessa direção não passam de média?

Questionamento 

Eu não tenho como afirmar, hoje, se a doutrina dos sócios-torcedores terá, em ,ongo prazo, mais efeitos positivos ou negativos.

É difícil dimensionar, agora, o real impacto que terão, após décadas, na formação dos torcedores e na intensidade da ligação de centenas de milhões de seres humanos com os times.

Atalho e obstáculo

Se vende a ideia de que facilitam para os torcedores, mas isso é real apenas para uma parte dele.

A outra terá uma barreira a mais entre si e o ingresso.

Carnê

Os clubes podem negociar pacotes com ingressos para todos os jogos.

E quem adquire, ganha facilidades como redução no valor das entradas, parcelamento ou e alguns outros benefício ofertado para sócios-torcedores.

Fast-futebol gourmet

A única percepção nítida é a de que a gestão do futebol em muitos países tem ficado cada vez mais longe de torcedores  e mais perto dos consumidores.

O padrão-Fifa, uma espécie de rede de fast-foot que robotiza e plastifica a alma do jogo com chatas padrões que parecem uma caricatura ‘gourmetizada’ do futebol, são parte dessa maneira ultra-comercial que faz ‘torcedor’ comemorar faturamento quando o time não ganhou título.

E como acontece noutros setores, alguns mais importantes que o próprio futebol, pouco se questiona o rumo dessas gestões, porque tendem a aumentar os lucros.

Horário que mostra

O sucesso de público nos jogos das 11h de domingo mostra que muitas pessoas colocaram o esporte em segundo plano, assim como os dirigentes fizeram com a alma do futebol.

Nesse horário, almoço familiar, cinema, shopping center, parque, a namorada (o),caminhadas, museu, teatro, bicicleta, praia … podem aguardar.

Nem sempre foi assim.

As tardes de domingo eram do futebol.

Hoje talvez sejam (são necessários mais jogos para afirmar) as manhãs.

Não sei se, quando o mundo capitalista brasileiro oferecer concorrência mais cedo no dia de folga da maioria, o esporte perderá de novo o jogo e talvez a última brecha na agenda do grande público da nação onde Pelé, Zito, Garrincha, Didi, Rivellino… construíram a mais rica história de um país no futebol.

 

Inter vence; time precisa melhorar para se classificar à final da Libertadores

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Internacional 2x 1 Tigres

Não gostei do futebol do time que tem o títulos da Libertadores na sua grande galeria de troféus.

Foi mediano tanto na parte tática quanto na técnica.

As condições eram muito favoráveis e não as aproveitou.

Precisava tornar o jogo mais intenso contra a agremiação com pequeno período de preparação.

Em suma, venceu, mas o ideal é que evolua até a semana que vem, pois se repetir a o desempenho terá possibilidade considerável de ser eliminado na semifinal.

Iniciando

O Tigres entrou em campo abaixo da condição física ideal e com necessidade de se entrosar.

Três dos cinco reforços, todos com qualidade elogiável no padrão Libertadores, foram escalados no primeiro jogo ‘não amistoso’ da temporada que, para os mexicanos, iniciou agora.

Digamos que o estágio de preparação é similar ao das maiores agremiações brasileiras na primeira rodada do estadual.

Mesmo assim, no início, tentou fazer a transição ao ataque trocando passes.

Isso leva meses para se executar direito e com regularidade.

E perder a bola no campo de defesa aumenta a possibilidade de tomar gol, porque, em regra, quem a tem se posiciona para ir á frente.

Obrigação

O Internacional deveria conseguir se impor.

A ideia do Tigre de jogar com a bola no chão foi inapropriada para o local do jogo e estágio de preparo coletivo.

Juninho citou na entrevista, os mexicanos demoraram para se adaptar a grama baixa, que torna a partida mais rápida.

A fórmula para o Internacional era ‘simples’.

Tinha que tornar marcar na área do rival, tornar o jogo intenso, veloz, para forçar as falhas do concorrente à vaga na final.

Durou pouco

Fez isso apenas no início.

Marcou dois gols em 10 minutos, um com D-Alessandro depois Arévalo Rios falhar no passe – tal qual o ‘campo falava’ – e D’Alessandro, com precisão, finalizar de fora da área.

No outro, Valdívia chutou e teve sorte porque a bola desviou no rival e encobriu o goleiro.

O Tigres ficou acoado no começo da semifinal

Colaborou com o Tigres

Depois o Internacional recuou, ao invés de manter a marcação na saída de jogo.

Investiu nos contra-ataques com D’Alessandro na direita, Valdívia do outro lado e Nilmar, mais adiantado, como centroavante.

A opção solucionou o problema do Tigres na transição da defesa ao ataque e permitiu que ficasse com a bola mais perto da área de Alisson.

O gol de Ayala, de cabeça, não teria acontecido se o Internacional marcasse mais na frente.

Chamar o adversário e explorar brechas que deixou poderia funcionar, mas não era o que o jogo pedia, ao menos até aquele momento.

Alisson impediu o empate

Ao longo do 1° tempo, a equipe foi caindo de rendimento.

Permitiu aos mexicanos equilibrarem a disputa no meio de campo e depois terminarem com razoável controle da partida.

Nem a tentativa de retomar o posicionamento defensivo inicial fez a equipe se impor.

Alisson, ao evitar dois gols do Tigres, foi o principal jogador em campo.

Tática

Após o intervalo, Internacional quis atuar no 4-1-4-1 com flutuação para o 4-2-3-1.

Pretendia ter Aránguiz junto com D’Alessandro na direita, Valdívia do outro lado e Lisandro López entre eles, na meia e chegando pelo centro na área.

Mas como o time não ganhou o meio de campo, o argentino e o atleta revelado no clube gastaram consideráveis doses de energia cooperando com os laterais, ficando em frente a eles, na marcação.

O lado esquerdo do sistema defensivo, com Geferson na lateral, Alan Costa na zaga, mais o volante e Valdívia, foi inconsistente.

Nilmar, o mais adiantado, ficou isolado.

Com um a mais

Apenas depois de Ayala ser expulso, o Internacional passou a ter muita posse de bola no campo de ataque.

Os 34 minutos restantes, o Beira-Rio pleno, a condição física do Tigres, tudo favorecia para o Internacional fazer gols.

Improdutivo

Mas o time nem conseguiu incomodar muito.

O Tigres recuou e ficou dependente do contra-ataque apesar de o centroavante Gignac, cansado àquela altura, ser o único acionado nesses lances.

O zagueiro Briseño entrou no lugar de Damm, que jogou no meio de campo e era opção de velocidade e dribles.

O treinador do Tigres priorizou a recomposição do sistema defensivo, mas perdeu posse de bola e repertório ofensivo.

Sabia disso ao fazer a alteração.

Tentativas

Ao notar que as lacunas para Nilmar diminuíram após os mexicanos se posicionarem atrás, Enrique Carrera, (não sei se orientado pelo suspenso Diego Aguirre) trocou o atacante por Eduardo Sasha.

O reserva foi atuar na direita, onde até aquele momento jogou D’Alessandro.

O argentino foi para o centro do trio de criação, onde ficava Lisandro López (se revezou entre essa função e a de atacante junto com Nilmar), que passou a ser o centroavante de área.

O time, nem depois das mexidas, conseguiu superar mais de uma vez, com a bola na grama, a razoável marcação do Tigres.

Houve a exceção.

Prejudicado

No único lance que fez isso, o auxiliar marcou impedimento.

Não foi simples de ser avaliado, mas fiquei com impressão que o argentino partiu da mesma linha do zagueiro.

Ele ficaria de frente para o goleiro Guzmán.

Nem por cima 

Nos últimos cinco minutos, como a opção era jogada aérea, Rafael Moura ocupou o lugar de Valdívia.

O fortalecimento do ataque nos cruzamentos não teve nenhum efeito positivo para o time.

Critérios

O habilidoso Aquino, que com seus dribles conseguiu levar a melhor algumas vezes contra os marcadores, foi tocado por Ernando, na área, antes do intervalo, quando o placar era 2×1, e se jogou no gramado.

Eu não acho que isso é pênalti, mas muitos (no Brasil provavelmente a maioria) são marcados assim.

Como na Libertadores o critério ficou dúbio porque a Fifa de Joseph Blatter determinou e a Conmebol aceitou as alterações do neo-futebol  – geram mais dúvidas sobre o que é ou não falta e pênalti,  e ainda há jogos que correm de maneira tradicional do futebol –  fica impossível afirmar, de maneira convicta, o que o venezuelano José Argote deveria fazer.

O mesmo ocorreu na expulsão de Ayala.

Deu carrinho forte na bola e no jogador do Internacional,

Há quem mostre o cartão amarelo, os que não fazem isso, e aqueles que de vez em quando sim e noutras não.

Então, o tal do critério é “muito pessoal”, como os comentaristas chamados de especialistas na pauta vira e mexe citam.

De qualquer forma, ambas as jogadas tiveram decisões que merecem mais debates que críticas inquestionáveis.

O outro lance importante, do impedimento de Lisandro López, houve provavelmente o equívoco que impediu o centroavante de finalizar apenas com o goleiro na frente.

Teria sido importante aumentar o resultado em uma noite onde a inspiração ficou longe do Beira-Rio.

Ficha do jogo

Internacional – Alisson; William, Alan Costa, Ernando e Geferson; Dourado; D’Alessandro, Aránguiz, e Lisandro López e Valdívia (Rafael Moura); Nilmar (Eduardo Sasha)
Técnico: Diego Aguirre

Tigres – Guzmán; Gimémenez, Ayala, Juninho e José Torres; Arévalos e Pizarro; Damm (Briseño) , Rafael Sóbis (Lugo) e Aquino; Guignac (Viniegra)
Técnico: Rivcardo Ferretti

Árbitro: José Argote (Venezuela) – Auxiliares: Jorge Urrego e Carlos López

Será que Guardiola queria ser técnico do CBF F.C.?

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

Me pergunto se Guardiola tinha ideia do contrato da CBF com a International Sports Marketing quando disse ao Daniel Alves que pretendia comandar o time que tem Dunga como técnico.

Será que toparia convocar apenas jogadores que se enquadram nos critérios estabelecidos por parceiros comerciais ou substituir titulares, quando necessário, com acordo mútuo entre CBF e empresários, por outro jogador com mesmo valor de marketing, tal qual o documento cita?

Ou que diria amém para os locais e times que a empresa determinasse para os amistosos?

Lógico que a contratação do treinador ultra-competente, moderno e comprovadamente capaz, agregaria importante e indispensável valor ao futebol nacional.

Lembro que nossos dilemas naquilo que um dia fomos os melhores, inclusive quando o tema são os clubes que nutrem a paixão cotidiana do torcedor e por isso devem ser a prioridade, são muito maiores que os táticos, técnicos (de execução de fundamentos do atleta) e de resultados.

Os títulos conquistados na gestão de Ricardo Teixeira, obviamente mereceram ser comemorados.

E fizeram muita gente crer que tudo caminhava à contento enquanto o barco afundava até o local em que hoje se encontra. O Brasil, entrosado e confiante, ainda pode ser competitivo e no mês de inspiração campeão mundial no torneio decidido no mata-mata.

Isso não diminuirá a forma como dirigentes gerem as agremiações, não encerrará a política de manutenção de poder, não alterará a forma como são as eleições na CBF e os critérios neo-futebolísticos nos jogos dos campeonatos estaduais e nacionais, não melhorará o calendário futebolístico e sei lá quantos outros entraves que existem para o esporte que mantém os pés concretados nos interesses de poucos e que impede o futebol de retomar o crescimento esportivo.

Hoje mesmo a Câmara dos Deputados aprovou a MP do futebol após tirar dela todos os trechos que permitiriam a perda de poder de quem controla o futebol nacional. A parte que diz respeito à responsabilidade econômica dos cartolas em troca do refinanciamento das dívidas dos clubes continuou.

Mas prefiro esperar os senadores referendarem e, principalmente, ela ser praticada integralmente para afirmar que ao menos caminhamos em frente com velocidade de tartaruga.

Juan Carlos Osorio foi direto para quem quis ouvir

Leia o post original por Vitor Birner

De Vitor Birner

O treinador criticou a direção do São Paulo na entrevista de hoje.

Confirmou quase tudo o que foi escrito no post anterior.

Falou até onde achou que devia, e de jeito sutil.

Não diria que a insatisfação o faz cogitar largar a oportunidade que tanto valoriza.

Eu sabia que a entrevista de hoje iria nessa direção.

Se decidir ir embora, simplesmente avisará, e se preferir ficar as críticas diretas contra a gestão são suficientes para se posicionar.

Quem tem senso crítico e escutou a fala dele percebeu.

Seria ruim a perda do treinador que foi um grande acerto da diretoria, inclusive do ex-gerente executivo de futebol que foi demitido e disse ao sair:

“Fui informado de que o futebol terá novos rumos, rumos esses dos quais eu não me vejo parte. São valores pessoais que preservo, carrego comigo, e que serão mantidos em sigilo”.

Diante de tudo, chama a atenção o incômodo de alguns torcedores com a informação fidedigna que a frustração o faz cogitar largar o cargo.

O treinador nas entrelinhas fala que a gestão é ruim, e essas pessoas reclamaram comigo e não disseram absolutamente nada sobre o restante.

Parecem funcionários de cartolas e não gente que ama o time.

Sequer direcionaram minúscula porção da ira contra quem pegou o São Paulo mal por causa da gestão ruim de Juvenal Juvêncio no terceiro mandato, lembro, idealizado por Carlos Miguel Aidar e defendido profissionalmente por ele na justiça,  e potencializou muito a crise econômica do clube.

Os custos da diretoria, que deveriam ser cortados como o presidente acertadamente falou que faria, cresceram.

O dinheiro importante  para pagar salários, se houvesse planejamento, foi investido em contratações.

Do ponto de vista técnico e tático, eu traria Alan Kardec. Em forma, hoje, seria titular para mim.

Mas se faltaria dinheiro para bancar as contas básicas, o negócio não deveria ter sido feito.

Citei aqui apenas o melhor atleta trazido pela atual diretoria.

Houve mais investimento no elenco.

Quem não enxerga tudo isso, ou tem dificuldade para entender porque muitos dirigentes e políticos ao longo da história acharam que podiam enrolar os torcedores e eleitores, ou especificamente no caso do São Paulo tem algum motivo pessoal para gostar do que se passa dentro do clube.

É muito estranho, depois do técnico reclamar de maneira direita do desmanche e atrasos de direitos de imagem, qualquer são-paulino disparar contra mim e não falar absolutamente nada da forma como a instituição tem sido gerida.

As ideias não batem.

São incongruentes.

Como o Juan Carlos Osorio diz que discorda dos dirigentes, os jogadores reclamam dos atrasos, essa parte de torcedores defendem o técnico e os administradores que têm opiniões antagônicas e acham que eu sou o responsável pelo problemas de gestão?

Isso é algo inteligente?

Os meses de atraso que fizeram os jogadores reclamarem não deveriam ser pagos por mim ou qualquer profissional de mídia.

Eu faço avaliações, sejam certas ou equivocadas, da administração dos clubes,  não de questões pessoais dos seres humanos que os gerem.

Minha profissão exige isso porque dezenas de milhões amam essas instituições do futebol.