Arquivo da categoria: camisa 12

Acordo

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1 – A presença de Luan não significa apenas um acréscimo de qualidade técnica ao Grêmio. É um reforço de personalidade, que devolve ao time de Renato Gaúcho o que às vezes lhe falta em termos de caráter de jogo.

2 – Por isso, também, os visitantes se sentem tranquilos em Itaquera, sabedores de que é preciso jogar para alcançar objetivos. A capacidade de ser a mesma equipe, independentemente do local e do adversário, é um dos desafios do futebol.

3 – Os movimentos iniciais mostram os dois times fiéis ao que sabem e pretendem fazer. O Grêmio é mais elaborado e construtor; o Corinthians tenta dosar a necessidade de ser ofensivo com a obrigação de se proteger.

4 – Cássio defende uma finalização que não saiu como Edílson gostaria. Jô cabeceia para fora uma bola que Itaquera supôs que entraria. Em ocasiões, o primeiro tempo é igual, embora o Grêmio (58% de posse de bola) tenha sido levemente superior.

5 – O Corinthians retorna do vestiário adotando uma posição um pouco mais adiantada, assumindo os riscos que acompanham quem pretende vencer pelas próprias virtudes. O perigo é que o Grêmio é plenamente capaz de punir esse avanço.

6 – Carille lança a carta Clayson, de participação decisiva em rodadas recentes, antes dos vinte minutos. A saída de Jadson é o sinal de que, uma vez mais, o meio de campo corintiano não fez seu papel. Esse é um dos maiores problemas do segundo turno do líder.

7 – O encontro ganha em temperatura e rispidez, algo natural pelo que está em disputa. Mas nunca é aconselhável confundir jogo com luta, por isso o momento de tendência à brutalidade dura pouco.

8 – Ao cobrar uma falta – que Fágner não deveria ter cometido – na lateral da área, Edílson mira o gol de Cássio e manda a bola no travessão. A chance mais evidente de um gol no segundo tempo é um susto para o Corinthians, que não conseguiu se aproximar de uma vitória tranquilizadora.

9 – É possível que se qualifique a partida com termos como “estudada”, o que com frequência é uma tentativa de disfarçar defeitos. Sob qualquer ótica, o encontro entre líder e vice decepcionou por não entregar o mínimo que se esperava. Mais do que empatar, não perder parece ser o objetivo que Corinthians e Grêmio compartilhavam.

10 – O Grêmio tem o “álibi” da Copa Libertadores, especialmente no que diz respeito ao foco. O Corinthians dá todas as mostras de já ter começado a eliminar rodadas, estratégia que revela confiança na vantagem na classificação e valoriza qualquer ponto somado, em qualquer circunstância.

11 – A questão que se apresenta é se não é cedo demais para tal expediente.

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Sozinho

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A última partida oficial em que um jogador que não se chama Lionel Messi marcou um gol pela Argentina aconteceu há quase um ano. Foi em dezesseis de novembro de 2016, quando a Colômbia foi derrotada por 3 x 0, pela décima-segunda rodada das Eliminatórias. Lucas Pratto e Angel Di Maria aparecem na súmula como autores do segundo e terceiro gols, respectivamente. Messi inaugurou o marcador em cobrança de falta e fez duas assistências, mas esses são detalhes que se perdem dependendo da forma como se analisa o desempenho do melhor jogador do mundo com a camisa de seu país.

Há um gol argentino anotado no mês passado, no empate em 1 x 1 com a Venezuela, sem participação de Messi. Mas foi contra, cortesia do defensor Rolf Feltscher, ilustração ainda mais clara do tamanho do desequilíbrio que Messi representa. Quando a Argentina faz um gol que não é dele, trata-se de uma infelicidade do adversário. Com três treinadores na mesma campanha, um futebol com os jogadores que a Argentina possui não foi capaz de produzir uma equipe ao redor de um gênio. A não ser que a pérola de Dybala (“é difícil jogar com Messi”) seja a expressão de uma verdade aterrorizante, algo está muito errado.

Ver Messi jogando por sua seleção exige capacidade de compreender o futebol e, especialmente para argentinos e brasileiros, capacidade de admirar um futebolista sem similares. Uma coisa está intimamente ligada à outra, já que a falha ao captar a grandiosidade do 10 argentino é sintoma claro de uma relação fraturada com o jogo que ele pratica. No Brasil, esse tipo incurável de miopia quase sempre está relacionado ao que se julga ser rivalidade, mas é ódio com outro nome. O que de certa forma explica a derrota humilhante e definitiva de quem pensa que gosta de futebol, mas desgosta de Messi.

Até Jorge Sampaoli, um apaixonado declarado, se deixou levar pela insanidade em que o futebol argentino está submerso (embora seja difícil crer, a AFA provavelmente converte a CBF em uma instituição exemplar). O treinador encarregado de não permitir que a Copa do Mundo escapasse declarou que sua conversa com o time, antes de enfrentar o Equador, teve a mensagem para que “todos levassem Messi ao Mundial”. Em campo, na altitude, e perdendo desde o primeiro minuto, o que se viu foi o inverso: Messi levando seu país à Rússia. O caso é tão grave que talvez ele seja o único jogador argentino que mereça estar no avião, mas – e isso os curiosos jamais entenderão – o futebol pertence às equipes.

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Posse 

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Em uma entrevista coletiva recente, Juan Manuel Lillo comentava as qualidades defensivas de seu time, o Atlético Nacional de Medellín, quando disse uma dessas frases conceituais que elevam o valor de conversas com treinadores de futebol: “Recuperar a bola é tirá-la de um [adversário] e dá-la a outro [companheiro], com vantagem. Até que isso aconteça, a bola não foi recuperada”. É lógica a conclusão de que, se a bola não foi recuperada, a posse não se iniciou, uma questão central nos debates sobre formas de jogar futebol.

Já se avançou suficientemente no assunto para que esteja claro que a posse é uma ferramenta, não um objetivo. Exceto em situações muito específicas, a simples conservação da bola não aproxima um time da vitória, de onde se origina a ideia de que o importante é o uso da posse. Lillo, um dos intérpretes do “jogo de posição” consagrado no Barcelona, oferece uma informação crucial para este sentido de utilização. As duas palavras mais relevantes da declaração mencionada acima são “com vantagem”.

De maneira simplificada, a essência do “jogo de posição” é a geração de superioridades em certas áreas do campo, com o estabelecimento dessas “vantagens”. O conceito de “superioridade numérica”, por óbvio, consiste em ter mais jogadores do que o adversário em uma determinada situação. Mas é possível ter vantagem mesmo em inferioridade de jogadores. A “superioridade posicional” se dá, por exemplo, quando dois zagueiros observam o jogador que vai cruzar a bola, sem a devida atenção ao atacante situado entre eles, em posição privilegiada para finalizar.

Há outros tipos, como a “superioridade temporal” (quando um jogador de ataque sabe onde receberá a bola de um companheiro, antes que os adversários percebam), ou a “qualitativa” (situação de um contra um, em que o atacante é mais capaz do que o defensor), que não se definem pelo número de futebolistas envolvidos na jogada, mas podem estabelecer a “vantagem” destacada por Lillo. Outros treinadores que propõem o “jogo de posição” só consideram que um time tem posse após dar ao menos três passes, o que nos leva a um momento aparentemente contraditório: é possível ter a bola, mas não ter a posse.

A entrega da bola a um companheiro “com vantagem” supõe o início de um movimento em que superioridades são procuradas continuamente, por intermédio de posicionamento e circulação, até chegar ao gol do oponente. É fundamental compreender essa dinâmica – mais importante do que percentuais ou cronometragens – para avaliar equipes que jogam “com posse”.

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Revisão

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A propósito do debate sobre a aplicação do árbitro de vídeo no futebol brasileiro, o lance que poderia gerar o segundo gol do São Paulo no domingo passado ilustra uma situação corriqueira, e que, portanto, merece atenção. Há uma confusão sobre o que o International Board (aliás, não existe “protocolo da Fifa”, pois a Fifa não faz as regras do jogo) determinou como ocasiões em que haverá revisão eletrônica das decisões tomadas em campo, agravada pela questão do “lance interpretativo”.

O sistema aprovado prevê que jogadas em que gols aconteceram devem ser analisadas pelo vídeo para que se apure que não houve irregularidades. O texto diz “… determinar se houve uma infração que signifique que o gol NÃO deva ser validado”. Na prática: o árbitro de campo dá o gol e o colega de vídeo verifica se a decisão foi correta. O episódio do clássico no Morumbi não se enquadra nessa situação, uma vez que Wagner Magalhães apitou falta de Pratto em Cássio. Não é lance passível de revisão, independentemente de ser ou não interpretativo.

Suponhamos que a conduta de Magalhães fosse a que universalmente se considerou a correta (pela imagem da televisão), ou seja, não apitar a falta. Com o VAR em ação, o gol seria validado e, como tal, revisado pelo árbitro de vídeo. A análise mostraria que o lance foi normal, confirmando o segundo gol do São Paulo. Ou notaria ação faltosa de Pratto sobre o goleiro do Corinthians, o que levaria à comunicação com o árbitro de campo para anular a jogada. Importante ressaltar que a revisão de gols por vídeo inclui, sim, decisões sobre lances de interpretação.

Críticos do sistema apontam a possibilidade de discordância entre árbitros como um convite ao caos, pois até entre analistas de arbitragem não houve consenso sobre o lance mencionado. No segundo cenário descrito acima (um deu o gol, o outro viu falta), a comunicação teria de ser suficiente para dirimir a questão, até, se necessário, com as imagens disponibilizadas ao árbitro de campo. É dele a decisão final, e é fundamental que seja a decisão certa.

A discussão tem sofrido um processo de infantilização que em nada contribui para o avanço do jogo. O VAR não pretende acabar com os lances interpretativos ou resolver todas as dúvidas que surgem em jogos de futebol. Trata-se de um mecanismo que multiplica as chances de acerto em ocasiões consideradas decisivas para o resultado, aproximando partidas de desfechos coerentes com o que os jogadores fizeram em campo. É difícil sustentar argumentos contrários a este cenário.

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Gato

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O sistema de árbitro de vídeo foi autorizado pelo International Board, organismo que cuida das regras do jogo de futebol, em junho de 2016. Anunciou-se um planejamento de testes do equipamento em diversos países, com vistas à aplicação na Copa do Mundo de 2018. Desde agosto do ano passado, portanto, profissionais conduziram experiências com o VAR nos Estados Unidos, na Austrália, na França, na Alemanha, na Itália e em Portugal. A própria Fifa usou o sistema nas últimas edições do Mundial de Clubes e da Copa das Confederações.

Nenhuma das ligas europeias em que o VAR está em funcionamento nesta temporada tomou a decisão de introduzi-lo de repente, com o campeonato em andamento e sem um período intensivo de treinamentos. Em Portugal, como informou Sálvio Spinola, comentarista de arbitragem da ESPN, foram duzentas horas de prática com árbitros, testes em mais de cinquenta partidas e reuniões técnicas com todos os clubes para que a ideia fosse explicada e compreendida. E mesmo assim o sistema ainda gera discussões e exige aprimoramentos.

Também não se cogitou, como aconteceu no Brasil desde o último domingo, utilizar o árbitro de vídeo em apenas alguns estádios em uma determinada rodada do campeonato. Na Itália, um dos primeiros países a adotar também a tecnologia na linha do gol, foi necessário fazer ajustes na programação de jogos para que todos os estádios providenciassem uma sala para os árbitros de vídeo e o correto posicionamento para as câmeras. O Cagliari atuou como visitante nas duas primeiras datas justamente para adaptar a Sardegna Arena, local onde manda seus jogos nesta temporada.

De acordo com o comunicado emitido ontem pela TV Globo, os experimentos com o árbitro de vídeo no futebol brasileiro se resumiram a testes off-line – sem interferência no jogo – nas finais do Campeonato Carioca de 2016 e apenas uma aplicação para valer, na final do Campeonato Pernambucano deste ano, que serviu para aumentar a polêmica em torno do resultado final. Mas a CBF tentou acelerar o plano de adotar o sistema apenas em 2018, como se fosse algo semelhante a instalar câmeras de segurança na entrada da sede da entidade, para que Marco Polo Del Nero possa notar a aproximação de carros pretos.

O que tinha todos os contornos de uma ideia estapafúrdia não era nada mais do que isso. E a ironia é que a CBF tem sorte por não poder mandar uma versão beta do VAR a alguns campos neste fim de semana, evitando o risco de constrangimentos e até resultados perigosos para Campeonato Brasileiro. É preciso trabalhar mais e melhor.

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Troféu

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A conversa entre “torcedores organizados” e representantes do time, da comissão técnica e da diretoria do São Paulo tem apenas duas consequências: um certificado para a vaidade daqueles que se consideram mais são-paulinos do que os outros, e um aviso bem claro para o time. Ao patrocinar o encontro, as pessoas que comandam o clube se eximiram de suas obrigações e dividiram a responsabilidade – ou assim pensam – sobre o que acontecerá com o São Paulo até o final do Campeonato Brasileiro.

É irônico, e ilustrativo a respeito das decisões tomadas ao longo do ano, que a reunião tenha acontecido um dia depois de um pedido dos jogadores por mais privacidade. A resposta foi uma palestra de torcedores dentro do centro de treinamentos do clube, ocasião sobre a qual o único aspecto positivo que pode se observar é o fato de ter transcorrido sem desrespeito ou violência. Não é algo anormal em um ambiente de futebol mal administrado como o brasileiro, e, claro, nem uma particularidade do São Paulo. É uma confissão de incompetência e fraqueza frequente em nossos clubes quando as coisas não vão bem.

O argumento de que torcedores, profissionais ou comuns, têm o “direito” de se reunir com membros do clube que dizem apoiar é pueril. Trata-se de uma moeda cujo outro lado seria o “dever” do clube de permitir tais encontros. Obviamente não é assim, de modo que as reuniões dessa natureza funcionam como atestados da influência externa no dia a dia de clubes de futebol. Ao final, é apenas um troféu, uma conquista da qual esses torcedores podem se orgulhar em suas redes sociais, enquanto reafirmam a condição, neste caso, de “são-paulinos vips”. No evento de ontem, houve até um “acordo” para que nada do que foi discutido chegasse ao conhecimento “da imprensa”.

O time deve se considerar avisado. Haverá apoio e “paz” até que o rebaixamento seja evitado, mas quem sabe o que pode acontecer se o São Paulo cair? O compromisso de um suporte pacífico com prazo determinado traz uma óbvia ameaça embutida, o que eleva a pressão sobre os jogadores, ao invés do efeito contrário. É exatamente o oposto do que uma equipe aterrorizada – no aspecto futebolístico – necessita nos jogos que determinarão o desfecho da temporada. Ademais, não é preciso que se faça uma reunião para que os jogadores sejam comunicados do que os aguarda se o ano terminar mal.

Num futebol em que jogadores são “milionários mimados” que não se importam com o sofrimento da arquibancada, quem não vence deve ser disciplinado. É só uma versão disfarçada do “por amor ou por terror”.

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Entrevista

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Até as primeiras horas da manhã de anteontem, quem estivesse interessado em entrevistar Carlos Arthur Nuzman era obrigado a cumprir o protocolo corriqueiro para esse tipo de ocasião. Dirigentes que se comportam como políticos do esporte – o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro é um modelo dessa figura – se protegem da opinião pública atrás de estruturas destinadas a fazer, digamos, uma curadoria da mensagem a ser transmitida. Nada anormal.

Superado o processo de agendamento, jornalistas dispostos a tratar de temas importantes devem estar preparados para encontrar até quatro funcionários do COB na sala, não apenas para acompanhar a conversa, mas para gravá-la em seus aparelhos celulares. Esse diligente aparato foi utilizado em uma recente entrevista para um canal de televisão, provavelmente porque um dos assuntos adiantados pela reportagem era a corrupção. Nem Jérôme Walcke, ex-secretário-geral da Fifa de Joseph Blatter, tinha o hábito de gravar seus encontros com repórteres.

Na entrevista mencionada, Nuzman olhou para seus colaboradores antes de responder – ou maquiar a resposta – a todas as perguntas relacionadas a temas sensíveis, como que esperando um ok para elaborar sua declaração ou evitar a questão. O clima na sala era de desconforto, indisfarçável no gestual e na expressão do dirigente, comportamento frequente quando o czar do esporte olímpico brasileiro se vê diante de alguém que, de fato, o questiona de forma compatível com a posição que ocupa.

Importante ressaltar que ninguém, nem mesmo o presidente do comitê organizador de uma edição dos Jogos Olímpicos, tem a obrigação de dar entrevistas. Exceto, é claro, quando o encontro é solicitado pela Polícia Federal. Nesse caso, o protocolo de agendamento é diferente: envolve uma visita surpresa bem cedo, a dificuldade de se concentrar na leitura de um mandado de busca e apreensão em um horário como esse, e, após evento tão desconcertante, ser encaminhado ao local determinado pelas autoridades. Dentro da sala, ao invés de assessores obedientes, advogados. Dramático.

Mas ainda não chegou a hora em que Nuzman teve de falar sobre a Olimpíada de 2016 e o legado que o delegado quer ouvir. Como se sabe, e talvez como prefira fazer em entrevistas “convencionais”, o presidente do COB se manteve em silêncio durante o depoimento na superintendência da PF no Rio de Janeiro. O Brasil é tão grande e acolhedor que, apesar da agenda desagradável, Nuzman ainda pôde se considerar um homem de sorte ao celebrar uma derrota: no mesmo dia, um político profissional o superou em dinheiro apreendido. Em cem vezes.

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Mais alguém?

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Em participação no programa “Bem Amigos” (SporTV), na semana passada, Jorginho admitiu uma dose de remorso por não ter levado Neymar para a Copa do Mundo de 2010. O auxiliar de Dunga na comissão técnica da Seleção Brasileira explicou que o treinador resolveu não convocar nenhum jogador não testado durante o ciclo de preparação, o que fechou as portas para o futuro astro, então com dezoito anos. Embora a escolha pareça terrível em retrospecto, foi uma questão de critério estabelecido por quem não pode fugir de decisões difíceis.

O caso remete às convocações de Ronaldo (17 anos) e Kaká (20) para os mundiais de 1994 e 2002, respectivamente. Duas histórias de jogadores incluídos na chamada final como “talismãs técnicos”, capazes de apresentar soluções em situações específicas de um torneio de curta duração. Nenhum dos dois chegou a ser um fator nas campanhas que terminaram em conquistas, o que pode ter sido um argumento considerado em 2010 para não levar Neymar à África do Sul. Ele teria sido útil contra a Holanda? Nunca se saberá.

A cerca de dez meses para a Copa da Rússia, agora é Tite quem lida com a dinâmica do “grupo fechado, disputa aberta” na Seleção. E a prova de que tudo pode acontecer, inclusive nada, é a escalação do encontro de logo mais contra o Equador: Alisson, Daniel Alves, Marquinhos, Miranda e Marcelo; Casemiro, Paulinho, Willian, Renato Augusto e Neymar; Gabriel Jesus. Quase que há exato um ano, este foi o time que derrotou o mesmo Equador por 3 x 0, na estreia do técnico. Tite fez apenas uma substituição naquele primeiro de setembro, Phillipe Coutinho no lugar de William no segundo tempo, alteração que poderia aparecer no time titular atual caso Coutinho estivesse em atividade.

Gabriel Jesus, que terá 21 anos quando o mundial russo começar, foi o último jogador brasileiro a “exigir” um lugar na Seleção com uma carreira precoce. É possível que a comissão técnica anterior demorasse mais a chamá-lo, mas custa crer que sua trajetória seria muito diferente da que se conhece: estreia em setembro de 2016, titular desde então. Se a Copa do Mundo fosse um ano antes, Gabriel teria estado não apenas no grupo, mas no time, e com todo o mérito. Tite não pode declarar o fim das possibilidades para os que não são frequentes nas convocações, mas a aparição de um fenômeno é improvável.

A não ser que Vinicius Júnior decole no Flamengo. Ele não irá para o Real Madrid antes de completar 18 anos , em julho do ano que vem. Pode entrar no avião para Moscou quando o embarque estiver quase concluído. 

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Pérola

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1 – A disposição inicial para atacar foi muito mais uma impressão otimista do que a real intenção de Flamengo e Botafogo. A ofensividade dos primeiros minutos no Maracanã – uma chance para Guilherme e uma para Guerrero – logo deu lugar a uma disputa com amarras de ambos os lados, numa noite que não permitiria erros.

2 – A cautela que no jogo de ida serve para evitar que o confronto se desequilibre, apresenta-se, na volta, como o lembrete de que uma falha pode ser decisiva. O resultado são atuações controladas e um encontro em que se luta muito e se joga pouco.

3 – A temporada mostra o Botafogo com padrões coletivos mais bem definidos que os do Flamengo. O primeiro tempo acompanhou essa realidade. Cômodo em seu posicionamento defensivo e pronto para ir ao ataque sem demora, o visitante não viu problemas em suportar o volume do adversário e ameaçá-lo quando teve a chance.

4 – O zero a zero persistente é lógico em jogos dessa natureza, mas o placar que não interessa a ninguém passa a ser um problema quando o tempo começa a ficar curto. Na procura pelo espaço que conduziria à vitória, o Flamengo teria de administrar o risco de sofrer um gol do qual seria muito difícil se recuperar.

5 – Nada de diferente em quinze minutos de segunda parte, embora o árbitro não tenha visto um pênalti de Marcelo, ao bloquear com a mão a finalização de Guerrero. Na dinâmica do clássico, a iniciativa do Flamengo seguiu testando a capacidade do Botafogo de se defender.

6 – A posse do Flamengo encostava nos 66% quando o brilho individual provou-se, uma vez mais, determinante. O lance de Berrío pela direita é digno dos grandes momentos do Maracanã: drible-da-vaca-de-letra em Victor Luis, entrando na área para encontrar Diego em posição de marcar: 1 x 0, que eliminou a possibilidade de pênaltis e obrigou o Botafogo a se soltar.

7 – Em termos de ocasiões de gol, a partida do Flamengo era opaca até a mágica de Berrío. Jogadores capazes de ganhar duelos pessoais próximos à área são valorizados exatamente pelo impacto em noites como a desta quarta-feira.

8 – Sair de sua característica principal para gerar um gol em pouco tempo, diante de um adversário habituado a cuidar da bola. A situação do Botafogo ficou extremamente complicada nos minutos finais. Não por acaso, a jogada mais sensível foi criada pelo Flamengo, quando Vinicius Júnior demorou a concluir e permitiu o desarme de Leandrinho.

9 – Merecida classificação do Flamengo, superior nos dois jogos e impulsionado pela pérola de Berrío no gol que decidiu o confronto.

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Pérola

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1 – A disposição inicial para atacar foi muito mais uma impressão otimista do que a real intenção de Flamengo e Botafogo. A ofensividade dos primeiros minutos no Maracanã – uma chance para Guilherme e uma para Guerrero – logo deu lugar a uma disputa com amarras de ambos os lados, numa noite que não permitiria erros.

2 – A cautela que no jogo de ida serve para evitar que o confronto se desequilibre, apresenta-se, na volta, como o lembrete de que uma falha pode ser decisiva. O resultado são atuações controladas e um encontro em que se luta muito e se joga pouco.

3 – A temporada mostra o Botafogo com padrões coletivos mais bem definidos que os do Flamengo. O primeiro tempo acompanhou essa realidade. Cômodo em seu posicionamento defensivo e pronto para ir ao ataque sem demora, o visitante não viu problemas em suportar o volume do adversário e ameaçá-lo quando teve a chance.

4 – O zero a zero persistente é lógico em jogos dessa natureza, mas o placar que não interessa a ninguém passa a ser um problema quando o tempo começa a ficar curto. Na procura pelo espaço que conduziria à vitória, o Flamengo teria de administrar o risco de sofrer um gol do qual seria muito difícil se recuperar.

5 – Nada de diferente em quinze minutos de segunda parte, embora o árbitro não tenha visto um pênalti de Marcelo, ao bloquear com a mão a finalização de Guerrero. Na dinâmica do clássico, a iniciativa do Flamengo seguiu testando a capacidade do Botafogo de se defender.

6 – A posse do Flamengo encostava nos 66% quando o brilho individual provou-se, uma vez mais, determinante. O lance de Berrío pela direita é digno dos grandes momentos do Maracanã: drible-da-vaca-de-letra em Victor Luis, entrando na área para encontrar Diego em posição de marcar: 1 x 0, que eliminou a possibilidade de pênaltis e obrigou o Botafogo a se soltar.

7 – Em termos de ocasiões de gol, a partida do Flamengo era opaca até a mágica de Berrío. Jogadores capazes de ganhar duelos pessoais próximos à área são valorizados exatamente pelo impacto em noites como a desta quarta-feira.

8 – Sair de sua característica principal para gerar um gol em pouco tempo, diante de um adversário habituado a cuidar da bola. A situação do Botafogo ficou extremamente complicada nos minutos finais. Não por acaso, a jogada mais sensível foi criada pelo Flamengo, quando Vinicius Júnior demorou a concluir e permitiu o desarme de Leandrinho.

9 – Merecida classificação do Flamengo, superior nos dois jogos e impulsionado pela pérola de Berrío no gol que decidiu o confronto.

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