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Diego Costa: gol, alegria e expulsão

Leia o post original por Antero Greco

Diego Costa é atacante à moda antiga, do tipo hoje em extinção: valente, provocador, exagerado, goleador. Com ele não tem meio-termo, é radical e não se incomoda com isso. Não por acaso já se envolveu num monte de confusões e foi até dispensado por mensagem em celular, como aconteceu com o Chelsea, do técnico Antonio Conte.

Mas há ocasiões em que a intolerância ronda as atitudes de Diego Costa. Foi o que aconteceu neste sábado, no primeiro contato com a torcida do Atlético, desde o retorno a Madri.

O sergipano naturalizado espanhol fez gol nos 2 a 0 contra o Getafe e foi comemorar com o povo. Literalmente foi para os braços da galera, ao subir os degraus que ligam o gramado às arquibancadas no novo estádio do time.

Cena bacana, diferente, espontânea, que se via tanto em outros tempos, quando jogador trepava no alambrado e vibrava com os fãs. Só que agora isso não é de bom-tom, não pega bem, está vetado pelos códigos dos senhores que cuidam das boas maneiras dos boleiros.

Pois bem, o que fez então sua senhoria Munuera Montero? Mostrou o cartão amarelo para Diego Costa, aos 28 minutos do segundo tempo. Como ele havia recebido outro, seis minutos antes, veio o vermelho. O assoprador tirou os dois cartões com gosto, para ostentar autoridade. O rapaz ficou com cara de tacho e foi embora.

Ok, alguém pode dizer que a advertência está prevista nos regulamentos e outros quetais. Mas é estúpida, autoritária, broxante, negação da alegria contida no gol. O auge de uma partida, a jogada que todos esperam, é mantida em camisa de força sem sentido.

E os árbitros seguem esse estrupício ao pé da letra, sem levar em consideração atenuantes, circunstâncias do jogo, clima. Diego Costa estava de regresso para um clube onde é querido, fez um gol, festejou com o público. Sem desrespeitar ninguém, sem provocação, sem retardar o reinício do jogo (e, se atrasasse, que se acrescentasse no final). Enfim, não fez nada de anormal.

O prêmio? O cartão vermelho. Ou seja, foi punido como se tivesse dado um pontapé, uma cotovelada, uma cusparada em um adversário. Aliás, ele mesmo em muitas ocasiões apelou para a ignorância e só levou amarelo – como acontece com frequência com qualquer jogador. E ficou até o encerramento da partida.

Está na hora de acabar com essa castração, a antítese do que significa um jogo de bola. Deixem a moçada comemorar em paz, desde que não haja desrespeito contra ninguém.

Como tem juiz estraga-prazer!

 

Cristiano, a marca do craque em “El Clasico”

Leia o post original por Antero Greco

As grandes rivalidades são o oxigênio do futebol. Nada como clássicos para reacender o interesse dos torcedores e mexer com cidades, regiões, países. Essas partidas diferentes mexem com jogadores; se algum deles entrar em campo indiferente, não é bom da cabeça.

Os jogos de peso e responsabilidade são a principal passarela para os craques. Eles sentem que é o momento da consagração, de aparecer em manchetes, de serem carregados em triunfo. Cristiano Ronaldo que o diga.

O português deu o toque de maestro na virada do Real Madrid sobre o Barcelona, neste sábado. Fez o segundo gol, aquele que garantiu a vitória na casa cheia do adversário. Fechou em alto estilo o empenho dele e dos companheiros diante do líder do Campeonato Espanhol e virtual campeão.

Mesmo que Messi, Neymar, Suárez e companhia coloquem a faixa no peito, ela virá com o carimbo do Real. Ok, não refresca muito, porque na história estará registrado outro título do Barça. Isso nos registros frios. Na memória do torcedor, ficará a lembrança da reação, depois de ver a derrota de perto e com um jogador a menos. (Sérgio Ramos havia sido expulso pouco antes do gol de Cristiano.)

E, como o homem também vive de vaidade, quem aguenta agora o portuga? Ele tem birra com o trio MSN, Messi sobretudo é sua grande sombra. Desta vez, a festa foi dele, como no primeiro turno havia sido do Barcelona. Assim é vida, uma dia lá, outro cá.  E quem curte o prazer do joguinho de bola, teve mais uma chance de alegrar-se.

 

Cristiano, o modesto

Leia o post original por Antero Greco

Li hoje declarações do Cristiano Ronaldo e deu uma saudade do Pelé! É, do Pelé.

Brasileiro costuma não gostar muito de sua gente, prefere os ídolos dos outros. Pelé fez tudo dentro das quatro linhas, conquistou todos os títulos possíveis que disputou. Gols, jogadas geniais, ganhou partidas impossíveis, fez golaços de cabeça, com o pé direito, com o esquerdo. Até alguns gols que não fez são inacreditáveis, como dois da Copa de 70, contra a antiga Tchecoslováquia e o Uruguai.

Pelé não é exatamente um filósofo e tropeçou algumas vezes fora dos gramados. Embora fosse um extraterrestre em campo, é apenas homem na vida comum – também erra. Mas nunca foi metido, pernóstico, tampouco menosprezou companheiros de time ou adversários.

Mesmo quando distribuiu chapéus na Rua Javari – num dos gols mais fantásticos da história do futebol –, não estava humilhando a turma do Juventus. Estava engrandecendo o esporte, com uma pintura.

Por que a saudade vem agora e por causa do Cristiano Ronaldo?

Porque acabei de ler que, após a derrota do Real Madrid para o Atlético de Madrid (0 a 1), neste sábado, o gajo, com a modéstia que lhe é peculiar, declarou: “Se todos tivessem o meu nível, o Real estaria em primeiro.” Assim, simples, direto.

Que pena! Nem todos no time merengue têm o nível, a sinceridade, a humildade incomuns de Cristiano Ronaldo.

Por isso, o Real está a 9 pontos do Barcelona, no Campeonato Espanhol, e a diferença pode aumentar para 12 neste domingo.

Cristiano joga muito mesmo. Mas, do velho Rei do Futebol, a semelhança está apenas em usar a camisa branca.

(Com colaboração de Roberto Salim.)

Que surra do Real na estreia de Zidane!

Leia o post original por Antero Greco

Afirmações peremptórias, conclusões irrefutáveis em estreias são casca de banana. Por isso, não custa nada ter cautela. Mas, a primeira apresentação do Real Madrid sob o comando de Zinedine Zidane foi um daqueles momentos marcantes do futebol. A turma de Bale, Benzema e Cristiano lascou 5 a 0 no Deportivo La Coruña neste sábado.

Show de bola, desempenho impecável do Real, que atropelou o rival galego como se brincasse em campo. Quem foi ao Santiago Bernabéu viu uma equipe muito superior à outra e com uma vontade de ganhar, do começo ao fim. Tanto que marcou no início – com Benzema, aos 15 minutos do primeiro tempo – e fechou aos 46 do segundo, com o mesmo Benzema. O galês Bale se encarregou de fazer os três no meio, um na etapa inicial, dois na final.

Já teve quem viu a mão de Zidane no jogo do Real. Claro que uma vitória tão significativa arranca elogios rasgados; faz parte do futebol. O time teve serenidade, acima de tudo, e boa vontade da parte dos torcedores. Algo que andava em falta com Rafa Benitez. Pôde jogar solto, sem amarras, sem o temor de que viessem cobranças das arquibancadas.

Isso facilita a vida de qualquer um. Claro que Zidane mexeu um pouco na postura da defesa, ajustou posicionamento no meio-campo, incentivou as descidas dos laterais. Enfim, parece – e de propósito coloco o verbo de forma contida – que optará por Real agressivo, como de resto é a vocação do clube. Tem o melhor ataque, com 52 gols em 19 jogos. Ora, tem Benitez nisso.

Pelo astro extraordinário que foi em campo, fica acima de tudo a torcida por Zidane. Que seja craque também como treinador – e que os 5 a 0 tenham servido como aperitivo e prenúncio do que vem aí pela frente. Quem sabe, segue os passos de Guardiola. Tomara.

O Real está em terceiro lugar, com 42 pontos, dois a menos do que o Barcelona. O Atlético tem 41 e joga com o Celta, em Vigo, neste domingo.

 

Real Madrid 0 x 4 Barcelona

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE DANIEL BARUD ———– @BarudDaniel

No clássico espanhol de número 230 na história, entre as maiores potencias do país, o Barcelona foi amplamente superior, dominou a partida, controlou as ações e goleou, fora de casa, no Santiago Bernabéu, a equipe da casa. Nem Cristiano Ronaldo deu jeito. Iniesta, Neymar e companhia não deram chances para James, Bale e seus companheiros.

O jogo começou bem movimentado. Pegado. Catimbado. Algumas entradas ríspidas, mas nada de anormal. Como “pede” um grande clássico. O Real foi no típico 4-2-3-1, porém, com Bale centralizado na linha de três meias. Cristiano Ronaldo e James Rodriguez nas extremidades esquerda e direita, respectivamente, com Benzema na frente.  Modric e Kross na proteção da zaga. Mesmo sem Messi, Luis Enrique colocou sua equipe no tradicional 4-3-3, com Busquets a frente da zaga, Rakitic alinhado mais à direita e Iniesta à esquerda. No tridente ofensivo, Sergi Roberto substituiu Messi na direita, enquanto Neymar ocupava o flanco esquerdo de ataque, com Suárez a frente.

Messi começou no banco, enquanto Cristiano fez boa jogada pelo lado direito, apesar de não ser a sua área, deixando Jordi Alba no chão, mas perdeu a chance de abrir o placar. Quem não titubeou foi o uruguaio Suarez, que aos 10’min, abriu o placar, após bom passe de Sergi Roberto. O Real tinha dificuldades na transição ataque-defesa, com muitos espaços entre as linhas na recomposição, principalmente no meio, com Kross e Modric, falhando na marcação.

BBVA - Real Madrid x Barcelona 21-11 El Classico Fox Sports_POSICIONAMENTO 1

Disposição tática das equipes no início da partida. Real no 4-2-3-1 e Barça no típico 4-3-3.

O Real tomava a iniciativa da partida, propondo mais o jogo, por estar em casa. O Barcelona explorava muito bem os espaços deixados pelos madrilenos. Neymar e Iniesta tinham espaços pelo flanco esquerdo de ataque. O Barça compactava bastante suas linhas, negava os espaços para penetração e saía em rapidez nos contra-ataques, no toque de bola típico catalão.

Aos 26’min, o Barça precisou mexer. Mathieu entrou no lugar de Mascherano, que saiu lesionado. Aos 27’min, o Real pressionou a saída de bola catalã e Bale acertou chute rasteiro. Claudio Bravo pegou firme.

Mesmo sem Messi, o Barça era superior taticamente ao Real. Ocupando bem os espaços, trocando passes com paciência, sem afobação na transição, controlando o jogo, mesmo fora de seus domínios.

Aos 37 da etapa inicial, Benzema furou após cruzamento vindo do flanco direito. E quem não faz, leva! Na sequência, Neymar ampliou. O Real não se recompôs bem, Iniesta tocou para o jovem brasileiro na esquerda, em posição irregular, que bateu rasteiro, seco, sem chances para Navas. Barça 2 a 0.  Ainda deu tempo de Neymar ir à linha de fundo e cruzar para área. Iniesta chutou, mas Marcelo tirou em cima da linha.

Um primeiro tempo de total organização defensiva pelo lado catalão e pouca mobilidade e eficiência do setor ofensivo madrileno, além de falhar e deixar inúmeros espaços no setor defensivo. Defensivamente, o Barça foi muito bem. Enquanto isso, o Real era o inverso.

O Real voltou melhor para a etapa final. Marcelo infiltrou bem logo no inicio, mas bateu pra fora. E James arriscou de fora, assustando Bravo, que espalmou para escanteio. O jogo mantinha as entradas duras, mas o juiz se manteve firme, controlando a partida.

Neymar assustou os madrilenos em boa cobrança de falta e Navas espalmou para escanteio. Aos 8’min, jogada sensacional da equipe catalã. Triangulação perfeita entre Iniesta e Neymar. O espanhol tocou para o brasileiro , infiltrou, recebeu na frente após toque de letra de Neymar, e bateu firme, no ângulo. Barça 3 a 0. Goleada no Bernabéu. E sem Messi..

Rafa Benítez mexeu: Isco entrou no lugar de James. E Luis Enrique, com o placar definido, colocou Lionel Messi. O Real melhorou um pouco, mas não conseguiu marcar. Cristiano ainda teve chance de diminuir a derrota, mas perdeu chance cara a cara com Claudio Bravo, aos 25’min. Suárez ainda ampliou a goleada, aos 29’ da etapa final, tocando na saída de Navas.

Munir ainda entrou para a saída de Iniesta. Isco foi expulso, aos 40’ da etapa final. O Real ainda criou chances, mas Bravo salvou ou a trave impedia o gol madrileno. Era dia do Barça.

O Barça controlou a partida, tocou a bola e manteve na sua proposta: Ocupação perfeita dos espaços defensivamente e ofensivamente, aproveitando os espaços e erros deixados pelo adversário que, deixou a desejar durante toda a partida, tanto defensivamente quanto ofensivamente, onde perdeu várias chances, esbarrando na trave ou no goleiro Bravo.

ESCREVEU DANIEL BARUD ———– @BarudDaniel

Que surra do Barça!

Leia o post original por Antero Greco

Meu amigo, Palmeiras x Corinthians me encanta, sou vidrado num Fla-Flu, acompanho com interesse um bom e aguerrido Gre-Nal. Mas, aqui entre nós, não tem como ignorar um Real Madrid x Barcelona. Quando os dois gigantes espanhóis se encontram, impossível ficar indiferente. Sempre dá jogo bom.

Não foi diferente neste sábado – e como! O Barça se fartou de fazer gols, e o que é mais significativo, na casado maior rival: 4 a 0, fora o baile, como  se dizia no Bom Retiro, meu querido e insuperável  bairro. Que lavada, que enrascada em que se meteram Real, Cristiano Ronaldo, Rafa Benitez. Perder desse jeito, no Santiago Bernabéu, rende assunto por muitos dias.

O resultado foi incontestável e refletiu o que fizeram os dois times. Ou melhor, o que fez um (o Barcelona) e o que deixou de fazer o outro (Real). Suarez, Neymar, Iniesta se esbaldaram, para desespero do torcedor local. Aliás, os três estufaram as redes.

O uruguaio abriu o placar aos 10 minutos do primeiro tempo e Neymar dobrou, aos 39. Com menos de cinco minutos na etapa final, o maestro Iniesta fez o terceiro. E daí o público começou a sair; melhor pegar logo o metrô e ir para casa ou para a Puerta del Sol e curtir o final do sábado. Quem teve sangue-frio ainda tomou o golpe final, de novo com Suárez, que fechou a conta. Conta salgada para os madridistas e doce para os barcelonistas.

O placar mostrou 4 a 0, mas poderia ter sido muito mais, não fossem chances desperdiçadas pela equipe catalã – numa delas, no último lance do primeiro tempo, Marcelo tirou de cabeça, em cima da linha, bola chutada por Suárez. Enfim, um massacre para o líder,que se deu o luxo de deixar Messi no banco a maior parte do tempo.

O Barcelona dispara, agora com 30 pontos, contra 24 do Real.

 

Barcelona 1 x 0 Málaga

Leia o post original por Mauro Beting

ESCREVE DANIEL BARUD — @BarudDaniel

No Camp Nou, o Barcelona enfrentou o Málaga, em jogo válido pela segunda rodada da Liga BBVA. De um lado, Luis Enrique teve a volta de Neymar, recuperado de uma caxumba enquanto Javi Garcia, técnico do Málaga entrou com uma única proposta: não sofrer gols e tentar, quem sabe, marcar algum tento.

Taticamente, o Barça foi a campo no 4-3-3 tradicional, sem Daniel Alves na direita, com Mascherano na zaga e o trio MSN na frente. O Málaga foi a campo no 4-2-3-1 na escalação aparentemente, com Cop na frente, mas o que se viu foi um 4-4-2 sem a bola, com Amrabat se juntando ao atacante marroquino Cop. A segunda linha de 4 defensores era composta por Ricardo Horta e Juan Carlos nas extremidades direita e esquerda, respectivamente. A proteção da zaga era feita por Recio e Tissone.

Distribuição tática das equipes.

Distribuição tática das equipes.

Como era de se esperar, o Barça dominou completamente a partida. Desde o primeiro minuto, comandou a posse de bola, criou mais chances, mas sofreu para marcar o gol.

Logo aos 3’min, após cobrança de escanteio, Suárez subiu mais que o zagueiro Angeleri e cabeceou para o fundo das redes. Entretanto, o juiz anulou o gol do uruguaio corretamente, após marcar falta do atacante.

A proposta ofensiva era catalã enquanto a defensiva ficava por conta do time da Andaluzia. O Barça tomava a iniciativa, com triangulações, infiltrações, troca de passes, com intensidade, pressão na saída de bola e muita versatilidade, além da mobilidade do tridente de ataque.

Apesar do Barça dominar completamente o jogo, os visitantes quase abriram o placar. Aos 18’, Busquets errou na saída de bola catalã e deixou para Juan Carlos, que quase marcou um golaço do campo de defesa. Bravo só olhou. Aos 25’min, o Barça deu o troco. Messi cruzou na cabeça de Mascherano, que testou no travessão.

O Málaga de Javi Garcia tentava ocupar os espaços, se defendendo como podia, com suas duas linhas de 4, variando entre blocos baixos e altos, ora marcava no campo de ataque, ora marcava no campo de defesa.

Aos 38’min da primeira etapa, teve um lance de pênalti não marcado para o Barça. Sergio Roberto deu passe para Neymar pelo flanco direito e Torres deu carrinho, tocando com a mão na bola (típico no atual futebol brasileiro), o time catalão pediu pênalti, mas o juizão mandou seguir.

Outro pênalti não foi marcado para o Barça. Faltando 5 minutos para o fim do primeiro tempo, Suárez sofreu falta de Alengeri dentro da área, mas o juiz não queria marcar pênalti.

O Málaga tentava pelo flanco direito, tentando achar Cop na área.

A etapa inicial terminou com controle da posse de bola pelo lado catalão, tentando furar o bloqueio andaluz, sem sucesso. Muitas infiltrações, porem sem sucesso nas finalizações. 64% a 36% para o Barça no quesito posse de bola. E apenas 2 chances claras de gol.

O Barça voltou comandando o jogo na etapa final.

Aos 6’, Neymar driblou na entrada da área, avançou e quase abriu o placar.

A equipe catalã criava mas esbarrava nas finalizações e no goleiro Kameni, que salvava o Málaga.

Aos 27’, veio o alívio. Suárez saiu da área, cruzou pelo flanco esquerdo, Kameni espalmou para área e o zagueiro Vermaelen não titubeou. Bola pro fundo das redes e Barça 1 a 0 no placar.

Mesmo com o gol, o Barça não parou. Muita movimentação e tentativa de aumentar o placar, marcando em cima, com mais posse de bola e criando oportunidades.

A partir dos 35’min da etapa final, o Barça diminuiu o ritmo. Com o placar favorável e um adversário satisfeito com o placar adverso, sem mudar a postura, apenas se preocupando em defender, com os 11 jogadores atrás da linha da bola, o Barça não tinha pressa. Rodava a bola de um lado para o outro.

Rafinha, Sandro Ramirez e Mathieu entraram. Neymar, Rakitic e o zagueiro artilheiro saíram mais cedo.

Nos acréscimos, Juan Carlos fez boa jogada pelo lado esquerdo e cruzou para Charles, que havia entrado no lugar de Cop, que perdeu a chance de empatar.

No fim, vitória catalã merecida. Comandou e controlou a partida do inicio ao fim, tanto territorialmente quanto na posse de bola.

ESCREVEU DANIEL BARUD — @BarudDaniel

Dor de cotovelo*

Leia o post original por Antero Greco

Sei que vou ligar a televisão hoje e ficarei com raiva. Porque as imagens da telinha nos jogarão na cara que somos torcedores de segunda linha. Ou melhor, o poderoso meio de comunicação só confirmará o que já intuímos, ou seja, a impressão de que por muito tempo ainda não passaremos de espectadores dos shows europeus no futebol.

O tabefe dos colonizadores virá com a primeira apresentação de Neymar em partidas oficiais pelo Barcelona. A estreia está marcada para o início da tarde, na abertura do Campeonato Espanhol, contra o Levante, uma espécie de Bragantino local, com vocação de coadjuvante.

O moço desfilará ao lado de Xavi, Iniesta, Messi e outros figurões internacionais. Terá como missão provar que não foram inúteis os milhões de euros investidos na contratação e na briga com o Real Madrid para tirá-lo do Santos. Além disso, enfim poderá usufruir da oportunidade de evoluir em centro avançado do mundo da bola, como tantos desejavam. Só assim abreviará o caminho para chegar ao topo, de acordo com previsões otimistas.

Torço por Neymar, como por qualquer rapaz habilidoso, independentemente de nacionalidade. No caso dele, a simpatia é pouco maior, por se tratar de patrício nosso e o que de melhor produzimos nos últimos anos nos gramados. Tem boa cabeça, arte e inteligência de sobra. Quer dizer, características adequadas para impor-se e vencer num elenco competitivo e com enorme responsabilidade. Não se espera menos do Barça do que a conquista de títulos de vários matizes.

Não escondo, também, frustração e inconformismo por ver Neymar, tão novo, já fora do País. Pra ser sincero, a camisa do Barcelona não orna nele; o azul e grená o escondem, ao contrário do branco santista, que o ressaltava e o tornava mais leve. Agora até anemia arranjaram para justificar o brilho menor com uniforme tão famoso.

Está bem, é dor de cotovelo lascada. Não consigo aderir à onda dos que defendem a saída de craques para se tornarem celebridades globais. Gostaria que ficassem em casa o máximo possível, antes de baterem asas e alegrarem outras plateias. Torço para que um dia surjam cartolas peitudos e atrevidos o suficiente para barrarem o cerco dos gringos e segurarem as estrelas. Então, viveremos segunda independência.

Por isso, bateu frustração ao acompanhar, durante a semana, o processo de afastamento de Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro da presidência do Santos. O dirigente oficialmente pediu licença por um ano para tratar da saúde – o bem mais valioso que possuímos. Nos bastidores, porém, sussurra-se que a saída foi estratégia para evitar a derrubada por meio de impeachment.

A oposição na Vila se assanhou, sobretudo após os 8 a 0 diante do Barcelona, e tratou de apear do poder um grupo que veio com proposta nova, depois de anos de marasmo. Via no sucesso da empreitada de Luis Alvaro e colaboradores, ao reterem Neymar, a luz para a redenção dos clubes. Pelo visto, não passou de ilusão, varrida por euros e um vexame histórico.

Dessa forma, reforça-se a postura da corrente pragmática, que prefere ceder à persuasão do dinheiro em vez de botar a criatividade para funcionar. Não é à toa que o Atlético-MG nem piscou para mandar Bernard para o desterro de luxo no Shakhtar Donetsk. Resta-nos, portanto, o consolo de vibrar com os gols e dribles deles pela tevê. Somos Barcelona a partir de agora? Você, não sei; eu continuo a usar camisas só de times brasileiros. E tenho uma, só uma paixão clubística. Sei lá, sou de outro tempo nessa esfera.

Tricolor, muita calma. Amigo são-paulino, se puder almoce mais cedo, e não abuse da macarronada ou do churrasco. Fique com estômago leve para acompanhar o clássico com o Flamengo, no Mané Garrincha, pois continua a sensação de que será outro domingo de roer as unhas. Como a turma rubro-negra é instável, dá para ter esperança. Em todo caso, vai bem um chá de cidreira.

*(Minha crônica no Estado de hoje, domingo, dia 18/8/2013.)

Cristiano Ronaldo x Messi, um campeonato à parte

Leia o post original por Antero Greco

Que Real Madrid e Barcelona fazem uma disputa e os outros 18 concorrentes da Série A espanhola têm outra, todo mundo sabe. Não é de hoje que o torneio se limita à alternância dos dois gigantes no topo. O campeonato deste ano, porém, tem desafio ainda mais especial, na corrida pela artilharia entre Cristiano Ronaldo e Messi. Faltam cinco rodadas para o encerramento e ambos lideram, com 41 gols – marca pra lá de expressiva.

O português e o argentino se impulsionam mutuamente. A vontade de um superar o outro só tem feito bem para a dupla – e, claro, para os respectivos clubes. Cristiano faz um (como nos 3 a 1 deste sábado diante do Gijon) e passa à frente. Um pouco mais tarde, a resposta de Messi: dobradinha nos 2 a 1 de virada em cima do Levante e retoma a igualdade. Tem sido assim desde o início da temporada e nenhum deles dá sinal de diminuir o ritmo.

Os torcedores é que se divertem – os de Real, Barça e os demais. O português quase não folga; o argentino, idem. Cristiano raramente se machuca; Messi tampouco. O atacante do Real Madrid leva poucos cartões, toma cuidado para evitar suspensões; o genial camisa 10 do Barça não faz por menos. Por isso, os dois fominhas são presença constante. “Fominhas” em parte, pois se notabilizam também pelas assistências para os companheiros.

Cristiano Ronaldo e Messi correm velozmente para atingir o auge na carreira, com a vantagem de serem novos ainda. O português completou 27 anos em fevereiro e o argentino fará 25 em junho. Ou seja, têm ainda muito gramado para correr, muitas defesas para atormentar, muitos gols para comemorar, muitos troféus para conquistar. São fora de série; a desvantagem de Ronaldo é a de que Messi atua num time ainda mais extraordinário do que o Real.

A dupla mortífera tem encontro marcado para a noite do próximo sábado, no Camp Nou, para o clássico que pode definir a competição ou deixá-la aberta nas quatro rodadas que faltarão em seguida. O Real Madrid, 85 pontos (107 gols a favor 29 contra), visita o Barça, vice-líder com 81 (93 gols pró e 24 sofridos).

Vitória da turma de José Mourinho significa preparar o espumante para o título. Derrota para a moçada de Pep Guardiola, o que não é nada improvável, fará crescer ansiedade na arrancada. Campeonato bom esse, apesar de limitar-se a dois times. Os outros assistem de camarote e se limitam a aplaudir. Fazer o quê? É o que lhes resta.

 

 

O Real imaginou que fosse bater o Barça. Imaginou errado

Leia o post original por Antero Greco

Imagino como são complicados os dias que antecedem um jogo contra o Barcelona. Técnico e jogadores do time rival passam horas discutindo o sistema de jogo de Messi e sua turma, veem teipes, ensaiam jogadas, estudam armadilhas, repassam tudo o que foi combinado e vão para campo sabendo o que devem fazer. Até tentam, e em geral no final saem derrotados. Deve dar uma raiva…

Pois esse roteiro certamente foi seguido à risca, ao exagero até, pelo Real Madrid. O perfeccionista José Mourinho deve ter pilhas de anotações sobre o maior tormento de sua carreira. Tenho certeza de que analisou os mínimos detalhes, do sistema de jogo ao batimento cardíaco de Xavi e Iniesta. Traçou um roteiro infalível para a vitória no superclássico deste sábado no Santiago Bernabéu. E quebrou a cara, como todo mundo…

O Real teve o gostinho do sucesso com menos de 30 segundos, com o gol de Benzema, após reposição desastrada do goleiro Victor Valdez. Os 80 mil torcedores madridistas que lotaram o estádio devem ter pensado: “É hoje!” E o Real, a bem da verdade, segurou as pontas por 20 minutos, mais ou menos. Nesse tempo, o Barça estava grogue por causa do gol fora de roteiro.

Mas assim que passou o susto, o Barcelona retomou o curso normal das coisas e tratou de fazer o que mais sabe: enrolar o rival, com trocas de passes e deslocações. Não foram tão acintosas, como de costume, porque o Real fechava espaços, mas deram o ar da graça. E, quando Messi teve um mínimo momento de folga, enfiou bola para Alexis Sanchez empatar. E participou do lance do terceiro gol. Em compensação, Cristiano Ronaldo nem despenteou o topete.

A igualdade abalou o Real, que não se encontrou mais. Perdeu a confiança e o jogo. A virada veio na etapa final, com os gols de Xavi (chute de longe que desviou na defesa) e de Fábregas. O Barcelona poderia ter feito até mais, porém tirou um pouco o pé e ainda teve Casillas com defesas importantes.

Assim, lépidos e fagueiros, Messi, seus companheiros e Guardiola embarcam para o Japão. Vão para um Mundial de Clubes com a consciência de sua força e poder de destruir defesas. Tomara que, por esses mistérios que o futebol tem, tropecem no dia 18, de preferência com o Santos pela frente. Difícil, eu sei. Mas não impossível.