Arquivo da categoria: Carlos Alberto Torres

Uma lenda chamada Santos

Leia o post original por Odir Cunha

Outro dia o novo presidente da Fifa, um tal de Gianni Infantino, soltou um documento dizendo que a Fifa só considera campeões mundiais oficiais os clubes que ganharam a competição organizada por ela a partir de 2000 (?). O homem perdeu uma grande oportunidade de prestar um importante serviço à história do futebol, pois com sua nota ele apenas admite que na época mais competitiva desse esporte, em que grandes esquadrões se espalhavam pela Europa e América do Sul, por incompetência ou falta de estrutura a Fifa não conseguiu produzir uma competição mundial entre os clubes, deixando esse encargo para a Uefa e Conmebol.

Seria bem mais digno a Fifa soltar uma nota tipo: “Como se sabe, não organizamos as disputas mundiais de clubes desde 1960, só o fazendo a partir de 40 anos depois. Entretanto, validamos as competições anteriores por julgarmos que elas atenderam ao objetivo de definir o melhor clube de cada ano.” Pronto, a federação, humildemente, reconheceria que não inventou o futebol e que se valeu dos esforços das entidades europeia e sul-americana para manter o interesse pelo esporte que ela tem a obrigação de cuidar.

Amigos me pediram para fazer um dossiê para oficializar os títulos mundiais desde 1960. Há vários motivos para isso. Um deles é que África, Ásia e Oceania nem tinham uma competição oficial para definir seu representante. Portanto, o duelo pelo título mundial teria de ser, mesmo, entre o campeão da Europa e o da América do Sul, como ocorreu.

Ocorre que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa foram criados pela mesma entidade que em 1971 criou também o Campeonato Nacional. No caso, revelou-se decisivo o testemunho de João Havelange, presidente da CBD e depois da CBF, o homem que lançou todas essas competições com o claro intuito de definir o campeão brasileiro. Mas com a Fifa é diferente. Ela pode alegar, como alega, que só pode oficializar as competições que realizou.

Já teve presidente da Fifa que considerou válidas todas as disputas mundiais de clubes, outros que ficaram em cima do muro e agora temos mais esse que, sem apresentar nenhum estudo ou justificativa, diz uma bobagem dessas. Qual a culpa que o futebol tem se uma entidade fundada em 1904, 56 anos depois ainda não conseguia organizar uma simples melhor de três entre o campeão europeu e o sul-americano, a ponto de abrir mão desse encargo para as bravas Uefa e Conmebol, que se incumbiram da tarefa com um sucesso absoluto? Agora, a história do futebol deve ser punida pela incompetência da entidade que deveria preservá-la?

Não creio que deva ser assim, mas admito que tudo é uma questão de caráter das pessoas que dirigem a Fifa. Burocraticamente podem, mesmo, reconhecer como oficiais apenas as competições que organizaram, legislando em benefício próprio e validando até um torneio mambembe, como o de 2000, no qual faltou o campeão sul-americano e ficou mais quatro anos sem ser realizado novamente. Sim, se quiser a Fifa pode fazer isso. Como eu disse, é uma questão de caráter.

Agora, como todos poderão ver no documentário acima, produzido pela tevê italiana, há um time que pairou acima de currículos e burocracias, até se tornar uma lenda. Assista e não se emocione se for capaz. Será difícil, pois o próprio locutor diz que “Santos era la squadra più emozionanti del pianeta”. Isso não é apenas deixar um nome na lista dos campeões da história, mas construir essa história de um jeito único. E eterno.

Agora ouçam um santista inteligente, corajoso e irreverente:

E você, o que você acha disso?

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Por Zagallo, Dunga, Ronaldo…

Leia o post original por Rica Perrone

É tanta gente, nem da pra listar.  No país do futebol o grande herói corria de carros, e morreu.  E se não estivesse morto fatalmente estaria sendo menosprezado de alguma maneira por um povo que tolera tudo, menos o sucesso. Capita faleceu nesta manhã e mais uma vez nos salta aos olhos o quanto esperamos …

Torres foi um dos melhores laterais do mundo

Leia o post original por Perrone

Quem jogou mais, Carlos Alberto Torres, morto nesta terça, Cafu ou Daniel Alves? Já ouvi de amigos mais jovens essa pergunta algumas vezes. E sempre respondo assim: “Torres, sem a mínima dúvida”.

A maioria dos torcedores que ainda não chegou aos 30, 35 anos provavelmente tem dificuldade para medir quanta bola jogou Carlos Alberto. Sem medo de errar, ele foi um dos melhores laterais que jogaram pela direita do mundo.

O capitão da seleção brasileira na Copa de 70 era um lateral capaz de apoiar o ataque numa época em que os pontas estavam lá para isso. Se jogasse hoje, não deveria nada aos laterais considerados modernos. Tinha habilidade, força física e bom entendimento tático.

Carlos Alberto não desafinava numa orquestra com artistas do porte de Pelé e Tostão. Basta (re)ver seu gol na final contra Itália no Mundial de 1970 em que assinou com classe uma das mais belas pinturas do futebol brasileiro.

Capita foi brilhante não só na seleção, mas também nos clubes que defendeu, como Botafogo, Santos, Fluminense e Cosmos (EUA).

Não venham querer discutir currículo com um santista

Leia o post original por Odir Cunha

Robinho
Robinho, o currículo mais valioso em campo (Ricardo Saibun/ Santos FC)

Não satisfeitos por poderem contar com a bajulação de toda a mídia, os torcedores do alvinegro de Itaquera invadem este blog sempre que noticiamos e comentamos sobre um jogo que, admito, é o de maior rivalidade para os santistas, o mais gostoso de jogar e ganhar.

Alguns comentários dos torcedores adversários são muito grosseiros para serem liberados, mas minha educação permite que um ou outro torcedor do time rival se expresse por aqui. O que acho engraçado é que santistas não costumam bagunçar o coreto em blogs de outros times, mas outros acham que aqui é a casa na Mãe Joana. Não é.

O difícil é engolir a empáfia dos rivais, que vivem um grande momento alicerçado por acordos extra-campo, e já se acham torcendo para uma equipe melhor que Real Madrid e Barcelona. Pois eu lhes digo que podem até discutir torcida, estádio, patrocínio, cota de tevê, mas, por favor, não venham discutir currículo com um santista.

Mesmo com essa proteção que dura décadas, a verdade é que o alvinegro da Capital está longe de ter uma história e um currículo similares aos do Glorioso Alvinegro Praiano. Abaixo comparo os títulos mais importantes conquistados por ambos. Nem conto torneios internacionais, pois a vantagem santista seria constrangedora. Não quero humilhar ninguém, só quero restabelecer a verdade hierárquica entre os dois alvinegros.

Comparação entre os títulos de Santos e Corinthians

Copa Libertadores da América
Santos: 3
Corinthians: 1

Campeonatos Mundiais
Santos: 2
Corinthians: 2
Obs.: O Santos tem ainda um título da Recopa Mundial, em 1968, conquistado ao vencer a Internazionale, em Milão, por 1 a 0.

Campeonatos Brasileiros
Santos: 8
Corinthians: 5

Torneio Rio-São Paulo
Santos: 5
Corinthians: 5

Copa do Brasil
Santos: 1
Corinthians: 3

Campeonato Paulista
Santos: 20
Corinthians: 19
Somando-se a fase amadora do futebol, antes de 1933, o Corinthians tem 27 títulos.

Jogadores de Expressão ao longo da história
Santos: PELÉ, Carlos Alberto Torres, Zito, Clodoaldo, Edu, Coutinho, Robinho, Neymar, Ramos Delgado, Gylmar, Rodolfo Rodrigues, Mauro Ramos de Oliveira.
Corinthians: Neco, Gylmar, Luisinho, Baltazar, Sócrates, Rivelino, Marcelinho Carioca, Tevez, Emerson Sheik, Paulinho, Neto, Guerrero.

Relembremos agora um jogo decisivo do Paulistão de 1964:

E aí, dá para comparar?


O futebol, como a vida, é sonho

Leia o post original por Odir Cunha

pepe-zito-pelé-e-pagão
Personagens vivos dos nossos melhores sonhos

Hoje assisti a um documentário sobre o poeta baiano Waly Salomão, guru da contracultura e do tropicalismo, falecido em maio de 2003, aos 59 anos. Chamou-me atenção um verso seu – curto, direto, mas incisivo – que exprime muito do sentimento do torcedor santista. Reproduzo-o no vídeo abaixo.

Torcer pelo Santos, reconheço, não é simples. Nosso time já foi o melhor do planeta, já ostentou os melhores jogadores e, entre eles, o Rei Pelé. Sentimo-nos, às vezes, como se tivéssemos perdido um grande amor – que se foi para longe, ou morreu, o que dá no mesmo.

Sentimo-nos viúvas não só de Pelé, mas do Santos que aprendemos a amar. O Santos com o líder dos líderes Zito, o guerreiro dos guerreiros Clodoaldo, o lateral dos laterais Carlos Alberto Torres, o centroavante dos centroavantes Coutinho, o zagueiro dos zagueiros Mauro Ramos de Oliveira, o goleiro dos goleiros Gylmar, o ponta artilheiro dos pontas artilheiros Pepe…

Sim, entendo a dor e a revolta de alguns santistas – que, na sua raiva, voltam-se até contra mim. E por que contra mim? Porque, malgrado toda a dificuldade do momento, toda a incerteza que cerca o futuro do Alvinegro Praiano, eu continuo sonhando. Continuo e sonharei até o último segundo de minha vida.

Pois, meus amigos, como exprimiu, e exprime o admirável Waly Salomão, o sonho jamais poderá morrer enquanto houver vida. Uma coisa está umbilicalmente ligada à outra.

Mas, este é o grande detalhe, não sonho o sonho estático, contemplativo, estritamente onírico. Sonho o sonho que se busca, que se constrói, que nos move pela vida afora. Este é o sonho vital que nos tira da cama todos os dias, o oxigênio que respiramos.

Neste sábado, o humílimo Chapecoense enfrentou aquele que o locutor Luiz Roberto chama de “time das estrelas” e, diante de 40 mil pessoas, no Morumbi, enfiou-lhe um estrondoso 1 a 0. Enquanto isso, em Minas Gerais, o não menos limitado Bahia arrancou um empate diante do Atlético Mineiro. O que isso significa?

Que o futebol vive tempos áridos, em que nomes famosos e jogadas vistosas pouco ou nada valem diante de equipes determinadas a usar seus músculos e fôlegos em busca de um melhor resultado. Assim como Costa Rica e Argélia mostraram na Copa, a aplicação tática e o espírito de luta podem produzir milagres.

É evidente que nossos sonhos de santistas são mais exigentes do que isso. Queremos ver essa mesma entrega que costarriquenhos e argelinos mostraram no Mundial, mas também queremos arte, beleza, refinamento. Por enquanto, assim como os outros torcedores brasileiros, não temos. Mas nada impede que continuemos a sonhar. Ao menos enquanto estamos vivos…

Feche os olhos e me diga qual é o Santos dos seus sonhos

Joel Camargo, João Saldanha e as versões da história do futebol

Leia o post original por Odir Cunha

Hoje é a festa na Padaria A Santista, a Padaria do Carlinhos

carlinhos, edmar, chacrinha
Da esquerda para a direita: Carlinhos, o visitante Edmar Junior e Chacrinha, na Padaria A Santista.

É hoje, sábado, 15 de fevereiro, que o Carlinhos organiza a sua festa. Passarei lá pela manhã, mas não poderei ficar devido a um compromisso familiar inadiável. Eternos craques santistas estarão presentes. Se você puder ir, não perca.

Serão vendidas camisetas da “Banda da Padaria A Santista”, com o tema “Deuses do Futebol, Carnaval 2014″, e dos cinco homens do ataque de ouro – Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Anote o endereço da Padaria A Santista: Rua Epitácio Pessoa, 312, canal 5.

Várias empresas estão apoiando a banda. São elas: Grupo Isis, Satel, Embraps, Nelcar Transportes, Terracom, Rede Santista de Postos e EFBS Seafrigo.

Deixarei 18 exemplares do Dossiê para que sejam vendidos e a renda revertida para o evento. Se você estiver por lá nesta manhã, já sai com uma dedicatória.

brasil com 8 do santos
Com oito titulares do Santos (o goleiro Cláudio perdeu a posição por grave contusão no joelho), a Seleção Brasileira dirigida pelo técnico João Saldanha inaugurou o Estádio Batistão, em Aracaju, na noite de 9 de julho de 1969, diante de 45.058 pessoas. Toninho Guerreiro marcou o primeiro gol do estádio e mais outro no transcorrer da partida. O primeiro sergipano a marcar, ironicamente, foi Clodoaldo, da Seleção Brasileira (Vevé fez o primeiro para a Seleção de Sergipe). O Brasil venceu por 8 a 2. A partida foi arbitrada por Armando Marques, considerado o melhor árbitro brasileiro na época. Na foto, a Seleção Brasileira que começou o jogo: Carlos Alberto (Santos), Felix (Fluminense), Djalma Dias (Santos), Clodoaldo (Santos), Joel Camargo (Santos) e Rildo (Santos). Agachados: Jairzinho (Botafogo), Gérson (Botafogo), Toninho Guerreiro (Santos), Pelé (Santos) e Edu (Santos).

Mais detalhes de Seleção Sergipana 2 x Seleção Brasileira 8:

O assunto que está entalado na garganta é Leandro Damião, mas estou engolindo em seco para dar mais tempo ao rapaz. Enquanto isso, gostaria de tocar novamente em um tema crucial para nós, santistas: as versões tendenciosas que a imprensa esportiva e mesmo livros e filmes criam para a história do futebol.

Bem, na verdade não há história sem alguma parcialidade, pois o narrador transmite a sua versão dos fatos. Digo isso só para reforçar o quanto é importante ter pessoas que se preocupam em pesquisar, checar e passar a limpo a rica história do Santos. Sem esses abnegados, teríamos de conviver com uma sistemática distorção dos acontecimentos.

Faço esse preâmbulo para o artigo que se segue, pois ele se refere ao Santos da segunda metade da década de 60, o time-base das “Feras do Saldanha”, um dos grandes esquadrões da história do futebol brasileiro, esquecido deliberadamente mesmo por quem, em livros ou filmes, se dispõe a retratar aquele período do nosso futebol.

Antes de entrar no post, permita-me lembrar só uma piadinha que se contava nos tempos da Guerra Fria, em que as imprensas de Estados Unidos e União Soviética distorciam a realidade para que ela se encaixasse na teoria de superioridade ideológica que pregavam: um norte-americano e um soviético fizeram uma corrida e o norte-americano venceu. Nos Estados Unidos os jornais estamparam: “Americano vence e soviético fica em último.” Na União Soviética, os títulos anunciaram: “Soviético termina em segundo, norte-americano fica em penúltimo.”

odir e joel
Com o grande Joel Camargo, um dos melhores zagueiros da história moderna do futebol (Foto: Aline Floriz)

Semana retrasada estive em Santos e tive a honra e o prazer de entrevistar, para o Museu Pelé, o enigmático Joel Camargo, o “Açucareiro”. 17 anos de futebol, 20 de estiva, e Joel, um dos mais clássicos quartos-zagueiros do futebol, pôde se aposentar em paz. Falamos do Santos e, é claro, das “Feras do Saldanha”, Seleção Brasileira que disputou as Eliminatórias para a Copa do México com seis santistas entre os titulares: Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Pelé e Edu. Lembramos fatos que ficam esquecidos na memória do futebol, a não ser quando alguém interessado lembra deles.

“No começo éramos nove; depois, com a mudança de técnico (de João Saldanha para Zagalo), restamos cinco. Quando anunciaram a entrada do Zagalo, eu já sabia que, com ele, eu não iria jogar”, disse-me Joel.

Ele se referia aos nove jogadores santistas chamados por João Saldanha na primeira convocação da Seleção Brasileira, em 6 de fevereiro de 1969. Nela estavam o goleiro Cláudio, os laterais Carlos Alberto Torres e Rildo; os zagueiros Djalma Dias e ele, Joel; o meio-campo Clodoaldo e os atacantes Pelé e Edu. Apenas Negreiros e Manuel Maria, dos titulares do Santos, não foram chamados (Manuel Maria depois figurou em uma lista maior, com 40 nomes).

“Não é segredo para ninguém que o Santos é o melhor time do Brasil”, disse Saldanha no dia em que anunciou os convocados. “E como não temos muito tempo para as Eliminatórias, vamos usar esse entrosamento do Santos para o bem da Seleção”.

E assim o Brasil fez os jogos de ida e volta contra Paraguai, Colômbia e Venezuela, utilizando-se de meia dúzia de santistas entre os titulares. E com esse Santos-Brasil venceu ao Paraguai por 1 a 0, em 31 de agosto de 1969, estabelecendo o recorde oficial de público do Maracanã, com 183.341 pagantes. O gol surgiu após jogada de Edu, que driblou seu marcador e chutou rasteiro, o goleiro rebateu e Pelé entrou de bico para estufar as redes e garantir a presença do Brasil na Copa do México.

“Você está no recorde oficial de público do Brasil”, disse a Joel, que, no entanto, se mostrava mais preocupado em falar de Toninho Guerreiro, a maior vítima da mudança de técnico na Seleção. Com a saída de João Saldanha, o presidente da República, Emilio Garrastazu Médici, finalmente realizou o seu sonho ao ver o subserviente Zagalo convocar o atacante Dario, o Dadá Maravilha, sacrificando Toninho Guerreiro, que assim perdeu sua única oportunidade de participar de uma Copa do Mundo.

No livro “João Saldanha, uma vida em jogo”, o autor, André Iki Siqueira, fala sobre o episódio entre o final da página 331 e o começo da 332, reproduzindo as impressões de Saldanha sobre a pressão para cortar Toninho Guerreiro e convocar Dario:

– Quiseram impor o Dario. Ele era de bom nível, mas os meus eram craques. Meu time era uma máquina. Não tinha lugar para ele, não.
E escalar Dario no lugar de quem?
Antonio do Passo e João Havelange, segundo o técnico, apelavam diariamente:
– Pelo amor de Deus, convoque o Dario.
Pois de um dia para o outro, na primeira quinzena de março, o dr. Lídio Toledo cortou da Seleção Toninho Guerreiro, alegando sinusite. Era um atacante que, alguns anos depois, encerraria a carreira com mais de 400 gols.
– Toninho era o trunfo do time, porque se o Pelé ou o Tostão não pudessem jogar, ele entrava que nem uma luva – argumentaria João, que considerava o corte suspeito. – Caramba, eu tenho sinusite desde criança, e nunca me atrapalhou para fazer esporte. E essa sinusite do Toninho é conhecida há dez anos. Mas cortaram o Toninho.

Toninho Guerreiro tinha 27 anos e estava no auge de sua forma quando a Copa de 1970 foi disputada. Meses depois do Mundial, em setembro de 1970, ele seria artilheiro do Campeonato Paulista e conquistaria seu quarto título consecutivo do Estadual (os três anteriores foram pelo Santos). Com mais um, em 1971, Toninho entraria para a história como o único pentacampeão da história do Campeonato Paulista.

Joel sabe que, se dependesse exclusivamente de Saldanha, não só Toninho iria para o México, como ele, Joel, seria o titular da quarta- zaga, ao lado de Brito. Provavelmente Djalma Dias, mais clássico, continuaria titular, em vez do truculento Brito. Joel me diz que se sentiria mais campeão se tivesse jogado. Compreendo sua queixa, mas lhe respondo que ao menos para nós, santistas, ele é tão campeão quanto Piazza, que Zagallo improvisou na quarta-zaga.

O livro e o filme sobre Saldanha: visões diferentes

Assisti, mas não vi no filme “João Saldanha”, documentário produzido a partir do livro escrito por André Ike Siqueira, o mesmo enfoque da vida do notável jornalista esportivo que se percebe nas páginas da obra. As menções a qualquer outro time são reduzidas a quase zero, como se Saldanha não fosse um homem do futebol, e sim exclusivamente do Botafogo. O nome “Santos” não aparece uma única vez, muito menos os de seus jogadores.

O filme se restringe ao Saldanha comunista, brigão-cascateiro e botafoguense. Óbvio que ele se tornou um ídolo da história do Botafogo, mas sua sinceridade o fez produzir uma das frases mais elogiosas ao Alvinegro Praiano, e esperei por ela, ou ao menos pelos conceitos que levaram Saldanha a incluir praticamente o Santos inteiro entre as suas “Feras”. Mas, em vão.

Estou cansado de saber que a história é uma só, mas jamais é contada de uma única maneira. Há sempre o maldito ângulo do observador. Sei que André Ike, o autor do livro “João Saldanha, uma vida em jogo”, é apaixonado pelo personagem João Saldanha, mas se mantém eqüidistante com relação ao Botafogo, pois seu time de coração é o Vasco. Entretanto, Beto Macedo, seu parceiro na direção do filme, é definido pelos amigos como “um grande botafoguense”, o que deve explicar o espaço desmedido dado ao time carioca.

A verdade é que por mais que Santos e Botafogo tenham se unido para dar ao Brasil a conquista definitiva da Jules Rimet, os times de Pelé e Garrincha foram grandes rivais daqueles tempos de ouro do nosso futebol. E torcedor dificilmente elogia o rival.

Por isso, é importante que surjam livros, filmes, exposições, matérias em jornais e revistas que contem a verdadeira história do futebol e do Santos. Este é um dos motivos pelos quais defendo que o marketing do Santos incentive e não penalize autores e editoras que se interessem por produzir obras sobre o clube. Que nessas obras não se invente ou aumente nada, obviamente, mas que não se deixe de lado informações e detalhes essenciais para se entender a real dimensão do Alvinegro Praiano.

Sempre que se fala de “As Feras do Saldanha” é obrigatório lembrar que a maioria delas veio da Vila Belmiro, que 54,5% do time titular do Brasil nas Eliminatórias era composto por jogadores do Santos e que certamente seria assim no México caso Saldanha não fosse substituído por Zagalo, para conforto do governo militar. Acho que não dá para contar a história do polêmico jornalista e do futebol brasileiro daqueles tempos sem lembrar desses… detalhes. Dá?

Cenas pesquisadas por Wesley Miranda de Brasil 1 x 0 Paraguai, o último jogo oficial das Feras do Saldanha, com seis santistas na Seleção. Jogo do recorde oficial de público do Maracanã:

Santos x União Soviética

Por Guilherme Nascimento

Desde as “mal contadas” por que não foram bem contadas até aquelas que “não podem ser bem contadas”…
Uma passagem pouco conhecida é o amistoso contra a URSS em plena guerra fria, em 1962. Reacionários e direitistas de plantão não queriam que o alvinegro enfrentasse a forte União Soviética em solo brasileiro (“não temos relações diplomáticas”, “propaganda comunista” e outras bobagens semelhantes). O amistoso era para ter ocorrido no Maracanã, mas Carlos Lacerda (Governador da GB e golpista de primeira hora em 1º de abril de 64) impediu a apresentação santista por questões evidentemente políticas. Em São Paulo, os dirigentes do chamado “trio de ferro” e em especial Wadih Helou (SCCP) e Laudo Natel (SPFC) faziam coro aos indignados que não admitiam a presença dos vermelhos em nossa pátria. A “lenga-lenga do “joga não joga” durou uns 10 dias, até que o Presidente da FPF (Mendonça Falcão), bateu o martelo: “Tem jogo, e no Pacaembu!”… Desta forma, enfrentando e superando o atraso daqueles que misturam futebol e política (e os direitistas e golpistas de 64), o Alvinegro bailou sobre os soviéticos vencendo por 2×1 e ainda faturou um troféu. Mostrou porque era o campeão Mundial, representou o futebol brasileiro com categoria e evidenciou que os soviéticos podiam ser bons no Bolshoi ou no Sputnik, mas que no futebol tinham muito o que aprender com Pelé e Cia.

10/12/1962 Santos FC 2×1 URSS – 1978
L: Pacaembu – São Paulo (SP)
D: 2ª feira
C: Amistoso
R: Cr$ 9.469.500,00
P: 27.839
A: João Etzel Filho
G: Coutinho 34′ e Pelé 78′ – Valery 12′
SFC: Laércio, Mauro e Zé Carlos; Dalmo, Calvet e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe (Tite)
Tecnico: Lula
Uniforme: Camisas brancas
URSS: Kotrikadze; Gnodi, Mexey e Danilov; Stanislaw e Vassily; Oleg, Vicot, Yuri (Kanievsky), Anatole (Sabo) e Valery.
Técnico: Solovjev

Minha coluna no Jornal Metro desta sexta-feira:

http://metrojornal.com.br/nacional/colunistas/mico-damiao-66104

Que outras histórias mal contadas sobre o Santos você conhece?

Santos merecia perder de mais. Cruzeiro ganhou sem fazer força

Leia o post original por Odir Cunha

ricardo saibun
Geuvânio entrou no final e acertou o único chute perigoso no gol do Cruzeiro (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

Mais organizado, com toque de bola mais preciso, defesa mais eficiente e ataque que criou mais chances para marcar, o Cruzeiro mereceu amplamente a vitória de 1 a 0 sobre o Santos, na Vila Belmiro, e já é o campeão virtual deste Brasileiro. O gol, muito bonito, foi de Everton Ribeiro, aos 9 minutos do segundo tempo, depois de driblar Mena e Alison. Como a maioria dos leitores deste blog previa, o ataque santista, com Everton Costa e Willian José, nada produziu. Ambos foram substituídos por Geuvânio e Victor Andrade, mas não houve grandes melhoras. Ao menos Geuvânio deu o único chute perigoso ao gol de Fábio. 9.460 pessoas pagaram para ver o jogo, proporcionando renda de R$ 278.156,00. Com a derrota o Santos permanece com 44 pontos e ainda precisa de no mínimo mais seis pontos para afastar qualquer possibilidade de rebaixamento. O próximo jogo será contra o desesperado Vasco, em São Januário.

Veja os melhores lances da partida:

Enquete para escolher o técnico de 2014 continua

O post muda, pois temos de falar do jogão deste domingo – o primeiro que, ao lado de meu irmão Marcos, assisti em um estádio, há 45 anos –, mas a enquete para escolher o técnico do Santos em 2014 continua. Se ainda não votou, ela está à sua direita. Vote lá!

montillo chuta
Montillo enfrenta seu ex-time tentando, mais uma vez, corresponder às expectativas dos santistas (Foto: Ricardo Saibun/ Divulgação Santos FC).

O Cruzeiro vai ser campeão, mas neste domingo tem de dar Santos

Ninguém tira o título do Cruzeiro este ano e a conquista é realmente justa. Em meio a um campeonato bagunçado e de baixo nível técnico, a Raposa sobrou em regularidade e competência. Mas neste domingo a motivação maior deve e precisa estar do lado do Santos, pois os três pontos são muito mais importantes para o Alvinegro Praiano, que precisa ganhar no mínimo cinco dos sete jogos que faltam para brigar por uma vaga na Copa Libertadores.

Com 12 pontos e quatro vitórias a mais do que os segundos colocados Botafogo e Grêmio, o Cruzeiro caminha tranqüilamente para o seu terceiro título brasileiro. A dianteira é tão grande, que mesmo com a derrota neste domingo, a partir das 17 horas, na Vila Belmiro, ainda assim sua conquista não correrá maiores perigos. Ao nosso Santos, porém, que tem 44 pontos e está em nono lugar, só a vitória interessa.

O técnico Claudinei Oliveira ao menos tem sido coerente. O time será o mesmo que vem sendo escalado nos últimos jogos, com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Gustavo Henrique e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa e Willian José.

Cicinho e Cícero estavam ligeiramente contundidos, mas treinaram normalmente na sexta-feira e devem jogar. Claudinei continua mantendo o contestado Everton Costa no ataque. A única dúvida do técnico era entre Willian José e Victor Andrade, mas como Willian treinou bem e marcou os três gols na vitória sobre os reservas por 3 a 0, será o escalado. Victor só entra se o Santos estiver perdendo e o estádio inteiro gritar seu nome.

O Cruzeiro, que desta vez não terá o atacante Willian, com estafa muscular, deverá ser escalado por Marcelo Oliveira com Fábio, Ceará, Dedé, Léo e Egídio; Nilton, Lucas Silva, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart;Dagoberto e Borges. A arbitragem será de Marcelo de Lima Henrique (RJ), auxiliado por Bruno Boschilia (PR) e Neuza Ines Back (SC).

O Santos costuma se dar bem contra o Cruzeiro e algo me diz que isso ocorrerá novamente neste domingo. Porém, será essencial que os laterais apóiem e que os meias Montillo e Cícero também se aproximem mais do ataque. Não dá para esperar que Willian José e Everton Costa resolvam as coisas sozinhos lá na frente.

Na minha primeira vez, Pelé versus Tostão

Eu tinha 16 anos e 26 dias quando fui ao estádio pela primeira vez, com meu irmão Marcos, três anos mais novo. E vimos, no ainda inacabado Morumbi, justamente o jogo que reunia as melhores equipes daquela era de ouro do futebol brasileiro: o Santos de Pelé e o Cruzeiro de Tostão.

Treinado pelo técnico Antoninho, o Santos tinha Cláudio, Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Marçal e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Douglas (depois Edu), Pelé e Abel.

O Cruzeiro, de Orlando Fantoni, tinha naquele domingo alguns jogadores de extrema categoria, como Tostão, Dirceu Lopes, Natal, Piazza, Procópio, Evaldo, Zé Carlos… Era um timaço, que dois anos antes tinha sido campeão brasileiro ao vencer o Santos na final da Taça Brasil por 6 a 2 e 3 a 2.

Perceba que o narrador, Fernando Solera, diz, antes do primeiro gol, que aqueles eram os dois melhores times do Brasil – justamente na era de ouro do futebol brasileiro, em que três Copas do Mundo foram conquistadas em 12 anos, de 1958 a 1970, com todos os jogadores em atividade no Brasil.

Perceba, ainda, que entre esses jogadores nada menos do que cinco seriam titulares da Seleção Brasileira na Copa de 1970: Carlos Alberto Torres, Piazza, Clodoaldo, Tostão e Pelé. Sem contar Edu, que também atuou no Mundial do México.

Eu e meu irmão Marcos estávamos atrás do gol do Cruzeiro no primeiro tempo, éramos dois dos 29.469 pagantes daquela partida. A geral é mostrada depois do gol de Pelé, aos quatro minutos de partida, após jogada magistral de Douglas, que passou por quatro jogadores adversários. De onde estávamos achamos o gol de Pelé muito fácil, pois ele só teve o trabalho de se esticar e chutar a bola, depois que Douglas limpou o lance com espantosa habilidade.

No segundo tempo, Toninho, aos 41 minutos, completou o marcador após boa jogada de Abel. Um pouco antes Procópio tinha saída de campo com o tendão rompido, depois de choque com Pelé. Enfim, recordações de 45 anos atrás que parecem brotar com frescor e clareza na memória. Quantos garotos têm a felicidade de, na sua primeira vez em um estádio, assistir a um jogo assim?

Bem, já escrevi demais, Reveja os gols de Santos 2, Cruzeiro 0, de 13 de outubro de 1968, válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata, competição que acabaria dando ao Santos o seu sexto título brasileiro:

E pra você, o Santos vencerá o Cruzeiro neste domingo? Como?

O que é eterno – e está nos livros – e o que é passageiro no futebol

Leia o post original por Odir Cunha

O Santos que goleou o Benfica no Estádio da Luz por 5 a 2, tornou-se campeão mundial e confirmou a supremacia do Brasil sobre a Europa na era de ouro do futebol.

Como em todo ano há e haverá campeões, qualquer que seja o nível técnico ou a relevância dos times, o torcedor muitas vezes fica em dúvida sobre o que é mais importante no futebol, sobre o que ficará para a história e o que passará, esquecido entre números e fatos similares. Bem, para se avaliar com propriedade um evento, é preciso notar o contexto histórico em que ele está inserido.

Se o Brasil, ainda hoje, mesmo sem ocupar as melhores posições no ranking de seleções, ou de times, da Fifa, ainda é respeitado como o país do futebol, é porque construiu essa imagem ao longo dos anos.

Costumo chamar o período de 1958 a 1970 a era de ouro do futebol-arte e, simultaneamente, a era de ouro do futebol brasileiro, porque foram naqueles 12 anos que o Brasil ganhou três das quatro Copas disputadas e revelou ao mundo um futebol vistoso, ofensivo, repleto de craques habilidosos, irreverentes, inesquecíveis, como Pelé, Garrincha, Didi, Coutinho, Pepe, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto Torres…

O bicampeonato de 1958 e 62 deu ao Escrete o status de melhor seleção do mundo. E o fato de o Santos se tornar o primeiro bicampeão mundial de clubes em 1962/63 confirmou que também entre os times o mais técnico futebol do planeta era praticado em terras brasileiras.

O Mundial de 1962, conquistado com duas vitórias sobre o Benfica, por 3 a 2, no Maracanã, e 5 a 2 no Estádio da Luz, em Lisboa, gerou frases de admiração e espanto dos mais respeitados especialistas do esporte. O francês Gabriel Hanot, editor do L’Équipe, ex-jogador e jornalista que criou a Liga dos Campeões, disse: “Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved”.

Honved era uma equipe húngara que fez furor na década de 1940. O depoimento de Gabriel Hanot, que nasceu no século XIX e viveu o surgimento e o crescimento do futebol na Europa, tinha uma importância fundamental ao designar o Santos como o melhor time de todos os tempos.

Em 1963, quando se sagrou o primeiro bicampeão do mundo mesmo sem Pelé, Calvet e Zito, e uniu técnica e garra para derrotar o Milan, promissor campeão europeu, o Santos ratificou sua supremacia, e a supremacia do futebol brasileiro. Enviado ao Rio para cobrir os jogos, o jornalista argentino Bernardo Neustadt escreveu: “Ainda que hoje envelhecido, o Santos é mais do que o Milan no aspecto técnico. Entendo que mesmo com problemas na última noite, ganhou bem. Que o título está nas mãos mais aptas”.

O craque Gianni Rivera, que se tornaria um dos grandes ídolos do futebol italiano, na época um atacante promissor do Milan de apenas 20 anos, concordou com o jornalista argentino: “O Santos é uma equipe madura, com jogadores veteranos, mas, tecnicamente, muito superior à nossa. A chuva nos freou e, então, morta a velocidade, sem a circunstância física, nos superaram”.

Assim, para as estatísticas do futebol, todo ano há campeões, números, porcentagens etc, mas, para a história, obviamente alguns campeões e algumas circunstâncias serão mais relevantes. As conquistas do Santos venceram as últimas resistências e consolidaram um domínio do futebol brasileiro que só foi rigorosamente questionado com o sucesso da Holanda e da Alemanha Ocidental na Copa de 1974.

Hoje, a supremacia da Europa – tanto em seleções, como em clubes – é inquestionável, e o máximo que uma vitória brasileira poderá conseguir no Mundial de Clubes é ser olhada como um gesto de resistência, como foram os títulos de Internacional e São Paulo, que nada mudaram no panorama global do esporte.

Continuamos vendo os europeus recebendo as maiores cotas de tevê para vender seus campeonatos; escolhendo os melhores jogadores do ano apenas entre os que jogam lá; elegendo suas equipes e competições como as mais bem organizadas do planeta e forçando a barra para que todos os jogadores de destaque se mudem para seus times. Ou seja: querem ser vistos como os únicos fornecedores do espetáculo futebol – e acabam conseguindo isso com a cumplicidade da própria crônica esportiva sul-americana, que deveria se apor a essa dominação.

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O que é relevante fica para a história, para os livros. Talvez por isso o Santos tenha tantos livros sobre ele. E para facilitar a difusão dessa rica história, neste Natal o Blog do Odir fará uma promoção geral que envolverá todos os títulos, incluindo o luxuoso Livro do Centenário. Aproveite! É só clicar no banner superior do blog e será direcionado aos livros, com preços beeeem promocionais!

Percebeu a diferença entre o eterno e o passageiro no futebol?

A grande dívida que a Seleção Brasileira tem com o Santos

Leia o post original por Odir Cunha

Ainda bem que Neymar, Paulo Henrique Ganso e Rafael foram dispensados da Seleção Brasileira para poderem atuar pelo Santos na segunda partida contra o Vélez Sarsfield, pelas quartas de final da Copa Libertadores. Qualquer outra medida seria tremendamente injusta com o Alvinegro Praiano, o time que mais se sacrificou pela Seleção Brasileira.

Quem acompanha a história do Santos sabe que, mesmo tendo direito adquirido, ele não disputou as edições da Libertadores de 1966, 67 e 69. A versão corrente é de que o time não se interessava pela competição, que era deficitária, pois a renda ficava para o clube mandante. Mas esta é apenas meia verdade.

Está certo que jogar fora do Brasil, com estádio lotado, e depois enfrentar essas mesmas equipes na Vila Belmiro, com um público pequeno, era prejuízo certo para o Santos. Até porque o clube poderia aproveitar as datas da Libertadores para ganhar uma fortuna com as excursões. Porém, os santistas também sabiam que o título sul-americano dava direito a disputar o título mundial e este sim era importante, pois aumentava ainda mais a bolsa pedida pelo Santos para os jogos amistosos – dinheirão que mantinha o Alvinegro Praiano com um dos melhores elencos do mundo.

CBD desestimulava a participação do Santos na Libertadores

Campeão da Taça Brasil de 1965, o Santos tinha direito de mais uma vez representar o Brasil na Libertadores, mas como o primeiro semestre de 1966 foi usado pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD) para selecionar os jogadores e preparar o time que representaria o Brasil na Copa da Inglaterra, no meio do ano, o Santos foi desestimulado pela CBD de participar da competição sul-americana (mais de meio time do Alvinegro Praiano foi inscrito no elenco final que disputou a Copa: Gylmar dos Santos Neves, Orlando Peçanha, Zito, Lima, Pelé e Edu).

A mesma história se repetiu em 1969, quando o primeiro semestre foi utilizado pela CBD para os jogos eliminatórios para a Copa de 1970, no México, e o técnico João Saldanha, depois de anunciar que o Santos seria a base da Seleção, convocou nove jogadores santistas: Cláudio, Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Clodoaldo, Pelé, Toninho Guerreiro e Edu (só não foram chamados os santistas Manoel Maria, que chegou a fazer parte da lista dos 40 finalistas, e o meia Negreiros).

Em todos os seis jogos das Eliminatórias a Seleção Brasileira teve seis titulares do Santos: Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel Camargo, Rildo, Pelé e Edu. O goleiro Cláudio só foi cortado porque se machucou em um jogo no Campeonato Paulista, e Toninho Guerreiro só foi cortado porque houve pressão do presidente Garrastazu Médici para convocar Dario Maravilha.

Portando, além das Libertadores que disputou, na maioria delas alcançando no mínimo a semifinal, o Santos deixou de jogar a competição em 1966, 1969 – e também em 1967, pois foi o vice da Taça Brasil de 1966, quando a Libertadores já aceitava também o vice-campeão de cada país.

Assim, permitir que o Santos jogue completo as partidas da Libertadores é o mínimo que a CBF, herdeira da CBD, pode fazer. O justo mesmo seria dar ao Santos o crédito de três participações na Libertadores, pois o clube jamais foi ressarcido pelas vezes em que, para ajudar a Seleção Brasileira, abdicou de lutar pelo título mais importante do continente.

Isso, sem contar 2005

Isso tudo sem contar 2005, em que o Santos foi tremendamente desfalcado pela Seleção antes do jogo de volta contra o Atlético Paranaense, na Vila Belmiro. Uma vitória de 1 a 0 ou 2 a 1, em casa, bastaria para levar o Alvinegro Praiano à semifinal, em que enfrentaria um Chivas Guadalajara só com reservas, pois o clube privilegiaria o Campeonato Mexicano. Porém, o técnico Carlos Alberto Parreira convocou Robinho e Léo para um amistoso chinfrin e tirou do Santos a possibilidade de disputar mais um título sul-americano (o que mais doeu é que Léo nem entrou em campo).

Entrevista para Wanderley Nogueira sobre a história do Santos

http://jovempan.uol.com.br/videos/odir-cunha-fala-dos-livros-que-escreveu-para-o-centenario-do-peixe-65663,1,0

Você não acha que a Seleção ainda está em débito com o Santos?