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Campeões passam vergonha no Brasil

Leia o post original por Neto

Espanhóis se desesperam com eliminação na Copa

Espanhóis se desesperam com eliminação na Copa

A primeira fase da Copa do Mundo ainda não acabou. Mas na minha visão já estão definidos quais são os grandes vexames dessa edição. Quem passou mais vergonha pra mim foi a Espanha, que defendia o título e acabou eliminada no início. A tão temida Fúria tomou um vereio de bola da Holanda e perdeu para o Chile sem ver a cor da bola. Quem diria, hein? Decepção total. Outro time que não encaixou no Brasil foi a Itália. Apesar dos bons valores individuais e o tradicional talento para se organizar taticamente, essa turma do Cesare Prandelli não deu liga por aqui. Os fanáticos tetracampeões estão fora.

E a Inglaterra? Pelo amor de Deus! A verdade é que com exceção feita ao time campeão de 66, o restante acumula uma vergonha atrás da outra em Copas. Esse ano veio para o Brasil uma molecada que tem uma fama danada na Europa. Mas os caras mal conseguiram andar por aqui. O ‘English Team’ não conseguiu uma vitória sequer em três partidas. Ridículo! Se servir de consolo o tal de Wayne Rooney finalmente fez um gol em Copas (na derrota para o Uruguai). Mas assim como o restante da equipe passou vergonha. Aliás, se esses caras jogassem 10% da fama que eles tem no esporte, os ingleses seriam campeão disparados em todas as Copas.

Espanha, Inglaterra e Itália: seis títulos mundiais colocados em campo em vão. Será que as campanhas ruins nessa Copa aconteceram por causa da má preparação ou incompetência de jogadores e treinadores. Uma questão polêmica a se discutir.

Boas vindas a três gigantes na Copa

Leia o post original por Antero Greco

Itália, Holanda e Argentina garantiram classificação para o Mundial na rodada desta terça-feira nas Eliminatórias. A Azzurra e a Laranja Mecânica foram as duas primeiras equipes europeias a confirmarem presença, enquanto os vizinhos puxam a fila da América do Sul.

São três grandes que não poderiam faltar. A Copa, com 32 participantes, abriu espaço para seleções médias, ascendentes e de brilho esporádico terem seus momentos de glória. Mas tem charme de verdade quando equipes tradicionais desfilam categoria. Elas atraem público, por alinharem os principais astros do futebol internacional.

A Itália dispensa apresentações. Quatro títulos (34, 38, 82 e 2006), dois vices (70 e 94, ambos diante do Brasil) e muita história. Ficou fora apenas das edições de 1930 (a inaugural) e a de 1958 (uma eliminação surpreendente diante da Irlanda do Norte). Desta vez, sobrou no Grupo B, no qual superou Bulgária, Dinamarca, República Checa, Armênia e Malta, a figurante.

O carimbo no passaporte veio com 2 a 1, de virada, sobre os checos, em Turim. O técnico Cesare Prandelli trará para o Brasil jogadores da qualidade de Buffon, Pirlo, Balotelli, Chiellini. Um time que vai dar trabalhar, como sempre, embora não desponte como favorita.

A Holanda passeou no Grupo D, no qual acumulou até agora 22 pontos, os três mais recentes e decisivos com os 2 a 0 em cima de Andorra, eterna sparring europeia. Nessa chave, deixou para trás também Hungria, Romênia, Estônia e Turquia. Os holandeses desembarcarão por aqui com Robben, Van Persie, Snaijder e companhia. Os vice-campeões do mundo em 2010 são sempre garantia de bons espetáculos.

Pra incomodar, mesmo, é a Argentina, campeão em 78 e 86. A maior rival do Brasil está com uma geração preciosa, encabeçada por Messi. A seu lado há Di Maria, Palacio, Aguero, Lavezzi e outros tantos. Os argentinos arrasaram com o Paraguai, em Assunção (5 a 2), e foram a 29 pontos em 14 jogos na América do Sul. Podem até não terminar na liderança (a Colômbia tem 26 o Chile está com 24), mas o importante é que estarão presentes.

Fugir da cruz*

Leia o post original por Antero Greco

A sabedoria popular nos oferece uma frase certeira, quando pretende mostrar que alguém teme o perigo e dele busca distância a qualquer custo: “Foge mais do que o diabo da cruz”, já diziam camponeses portugueses desde os tempos de Dom Sebastião. E a ameaça no futebol, hoje em dia, vem dos vizinhos dos lusitanos, lá na Península Ibérica, atende pelo nome de Espanha e pela alcunha moderna de “Vermelha”, em vez de “Fúria”.

Dilema cruel invade a mente de brasileiros e italianos, na véspera do clássico de amanhã, em Salvador. É o confronto mais estrelado do futebol mundial, por reunir um time que conquistou o título máximo em cinco ocasiões e outro que venceu em quatro, além de dois vices para cada lado. Não é duelo de principiantes, muito menos de equipes da moda. São duas escolas com larga tradição.

Mesmo assim, a intenção é empurrar eventual encontro com a Espanha só para o momento em que for inevitável – na final do torneio, de preferência. Só lá, então, se parte para o sacrifício. Para não confrontar-se com o sofrimento já nas semifinais, basta empate para a turma da casa, pois tem seis pontos ganhos, como os italianos, mas saldo a favor de 5 gols a 2. A opção da Azzurra é apenas a de vitória, para garantir-se em primeiro lugar no grupo A e pegar o segundo colocado da chave B. No papel, menos árdua a tarefa nacional.

Felipão e Cesare Prandelli inflam o ego dos campeões do mundo e bi da Europa, e os colocam nas nuvens. Reverência justa – e forma de transferir para o bicho-papão a responsabilidade nas semifinais. A geração atual de astros espanhóis joga demais – e no tique-taque das infindáveis trocas de passes parece não mudar o ritmo, seja em treinos, em amistosos, em jogos eliminatórios, contra rivais de peso ou meros coadjuvantes, ou em final do campeonato.

Tem hora que dá raiva do autocontrole dos toureiros da bola, pela frieza com que se comportam. Em outras, pena dos rivais. Como aconteceu ontem com o Taiti. Os rapazes semi amadores vieram da Polinésia, no meio do Oceano Pacífico, pra levar lavada de 10 a 0, fora baile e pênalti desperdiçado. Pior, dos reservas do Del Bosque! Para a Espanha, não passou de coletivo, os jogadores nem suaram a camisa. O público do Maracanã alinhou-se ao lado dos sparrings taitianos por solidariedade.

Felipão não está a fim de virar presa para a Espanha. O discurso geral fica em torno do otimismo e da certeza de que não ocorrerá mudança de esquema para enfrentar a Itália. Mas a seleção ensaia estratégia cautelosa para usar, se perceber complicação na partida. Não é à toa, também, que o técnico cogita dar descanso para Paulinho e reforçar marcação no meio-campo. Arriscado ir para o principal teste até agora com atleta fora de condição física ideal.

No mais, a tendência é a de confirmar a escalação que, aos poucos, o torcedor aprende a recitar. A repetição é recurso de que se vale o treinador para acelerar o entrosamento e consolidar tática. Faltará chance para exercitar a trupe na Fonte Nova, para não prejudicar mais o gramado castigado por chuvas e vários jogos.

A Itália tem preocupação maior com o sistema defensivo. Os três gols sofridos para o Japão expuseram fragilidade, embora houvesse escalado batalhão de volantes e meias. A Azzurra oscila e há brechas claras na defesa, na armação e no ataque. Uma equipe em construção, imprevisível e sujeita a sustos e escorregões. Desta vez, não dará para apostar em Pirlo (poupado), De Rossi (suspenso) e talvez Balotelli (desgastado).

A conversa é pra constatar, ao menos na teoria, que não será fácil encarar o gigante de igual para igual. E já que comecei a crônica com frase feita, fecho com outra da terra de Camões: Brasil ou Itália, quem pegar a Espanha ficará “entre a cruz e a caldeirinha”. Espera aí: por que não ditado nosso, caseiro? Se toparem com a Vermelha, para italianos ou brasileiros vale o maroto “se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come”.

E se prevalecer “um dia da caça e outro do caçador?” Epa, será bom!

*(Minha crônica no Estado de hoje, sexta-feira, 21/6/2013.)

Cadeira vazia irrita a Fifa

Leia o post original por Quartarollo

mano

manoEstá programada coletiva dos técnicos participantes da Copa das Confederações-2013 para a próxima sexta-feira e também no sábado no Palácio das Convenções do Anhembi, aqui em São Paulo após o sorteio dos jogos. Há uma cadeira vazia na mesa. É … Continuar lendo

Heróis acidentais*

Leia o post original por Antero Greco

Treinador em geral exalta o espírito coletivo, pois futebol é conjunto, solidariedade, reciprocidade, camaradagem, etc e tal. Mas, no fundo, torce para que o talento individual resolva, sobretudo se a parada estiver dura. Por isso, com frequência faz apostas arriscadas, em substituições ou em convocações, na esperança de desatar nós. E se sente abençoado, quando a escolha dá certo.

Tite e Cesare Prandelli provaram nestes dias o gostinho da descoberta da pólvora. O brasileiro resolveu, em cima da hora, levar para Buenos Aires o novato Romarinho, autor dos gols da vitória do Corinthians no clássico de domingo com o Palmeiras. O moço ficou no banco, anteontem, em La Bombonera, à espera de oportunidade para enfrentar o temível Boca, o bicho-papão. Entrou minutos antes do encerramento, ignorou a mística do estádio, a pressão da torcida local e, na primeira bola que pegou, deu uma cavadinha e marcou o gol de empate. Gol que mantém a equipe na rota do título e iluminou Tite.

O técnico italiano foi tão peitudo quando o colega de cá, senão mais: tempos atrás, avisou que Cassano e Balotelli, dois doidos de pedra, imprevisíveis, temperamentais e encrenqueiros, teriam oportunidade de defender a Squadra Azzurra na Eurocopa. A escolha deixou torcedores e críticos com cabelos em pé. Ter um matusquela no elenco passa. Mas dois?! Era para internação.

Pois ambos estão na turma dos responsáveis, junto com Buffon e Pirlo, por levar a Itália à final da Eurocopa de 2012. Cassano se comportou taticamente muito bem, enquanto Balotelli tem feito os gols decisivos, como os dois de ontem diante da Alemanha. Há sempre o temor de que uma hora vão aprontar – até o momento têm alarmado os adversários com ousadia e autoconfiança.

O futebol vive desses heróis, das estrelas solitárias, por mais que se ressalte o caráter comunitário. A perfeição está na combinação do equilíbrio entre os setores que compõem um time e o talento. O sujeito que torna tudo diferente é imprescindível, mesmo em tempos de politicamente correto. O Santos dos anos 60 era gigante, mas se tornava monstruoso porque tinha Pelé. O mesmo ocorria com o Cruzeiro da época de Tostão, o Palmeiras de Ademir, o Flamengo de Zico e assim sucessivamente até o Barcelona atual, que tem Messi como a síntese da qualidade. O toque do gênio, mesmo que seja fugaz, fascina.

Não é por acaso que Romarinho tenha sido o jogador mais citado do Corinthians – como você pode comprovar abaixo, nesta página mesmo. Não será injusto que Balotelli esteja nas manchetes dos jornais italianos de hoje. O futebol cultua os protagonistas da hora, tão necessários quanto os atores principais no teatro ou no cinema, as primas donas na ópera, os solistas nas orquestras e nas bandas.

Tanto melhor se tiverem o respaldo dos colegas e de um sistema sólido, que lhes deem sustentação. Algo que Corinthians e Itália mostraram nos campeonatos de que são finalistas. O campeão brasileiro voltou da Argentina com a justificada esperança de proeza inédita. Ok, o ideal teria sido vencer, mas o 1 a 1 caiu bem. Só que terá de jogar mais, diante de seu público e não pode perder de vista a tradição e o currículo do adversário. A disputa permanece aberta.

Raciocínio semelhante se aplica à surpreendente Itália, que abandonou a retranca nos campos da Polônia e da Ucrânia, e com autoridade almeja o troféu. Trata-se de desafio e tanto furar o iceberg defensivo espanhol.

Ora, Romarinho e Balotelli neles!

*(Minha crônica no Estado de hoje, dia 29/6/2012.)

Pirlo, ou a arte de desestabilizar o rival

Leia o post original por Antero Greco

Futebol é jogo coletivo, e nele tática e conjunto contam. Isso a gente está cansado de saber. Mas o talento individual pesa, e como! A experiência, o estalo de genialidade, o atrevimento de um jogador podem definir uma partida, uma classificação, uma final.

O lampejo de arte quem teve neste domingo foi Andrea Pirlo, meio-campo da Itália. O veterano frequentador da Azzurra contribui para o sucesso de sua equipe na hora de cobrar o pênalti que lhe cabia na sequência decisiva contra a Inglaterra.

Pirlo era o terceiro batedor e a Itália estava em desvantagem de 2 a 1, pois Balottelli havia acertado e Montolivo tinha mandado para fora, enquanto Gerrard e Rooney não desperdiçaram as chances deles. Na maior cara de pau, Pirlo tocou de leve, de cavadinha, para desconcertar Hart. Gol de empate.

Mais do que isso, foi gol para desconcentrar os ingleses, para desmoralizar. A tevê mostrou o técnico Cesare Prandelli com cara de orgulho e susto. Pirlo voltou festejado por seus companheiros. Daí era a vez de Young bater e…. no travessão. A primeira parte da estratégia deu certo, o britânico acusou o golpe.

Então, Nocerino mandou ver o seu chute, marcou e a Itália saltou à frente: 3 a 2. Cole se aproximou com enorme responsabilidade, correu, chutou e Buffon defendeu. Pânico no English Team. Pânico que virou desolação, porque Diamanti cobrou o último e fez 4 a 2.

A Itália se classificou, depois de 120 minutos de 0 a 0, depois de jogar melhor do que a Inglaterra, de criar mais, de chutar muito mais a gol, e depois do susto do erro de Montolivo. Mas se garantiu porque tinha Pirlo como o divisor nos pênaltis. E porque tem história e camisa que pesam demais.

Agora, fará com a Alemanha o segundo maior clássico do futebol mundial. Como é?! O primeiro? Brasil x Argentina, sempre. Na sequência vêm Brasil x Itália, Argentina x Itália, Brasil x Alemanha e Argentina x Alemanha. Ou seja, são as quatro grandes escolas. No caso europeu, uma das duas vai para mais uma final.

A Azzurra acha rumo e avança, para azar dos rivais

Leia o post original por Antero Greco

Há jogadores dos quais não se deve duvidar. Eles podem passar um período ruim; mas, por serem bons de bola, de repente reencontram o rumo. Taí o Cristiano Ronaldo pra confirmar. Não foi bem nos dois primeiros jogos de Portugal na Euro-12, porém apareceu na hora decisiva e comandou o time na partida que garantiu a classificação para a fase seguinte, com os gols na virada por2 a1 sobre a Holanda.

Há seleções, também, para os quais não se deve torcer o nariz. Têm história, títulos e tradição – uma hora retomam o caminho certo, mesmo se a largada é duvidosa. Eis a Itália para comprovar essa tese. A Squadra Azzurra empatou com Espanha e Croácia, foi para a última rodada do Grupo C pressionada para vencer a Irlanda. E o que deu? Deu2 a0 para os tetracampeões mundiais, que assim se mantêm vivos no torneio.

A Itália contou com a qualidade de seus jogadores, melhores do que os esforçados irlandeses. E ainda teve a ajuda indireta de espanhóis e croatas, com comportamento correto e esportivo no outro confronto que fechou a chave. Se ambos tivessem empatado, de preferência por2 a2, seguiriam em frente, independentemente do que a Itália tivesse feito contra os irlandeses.

Não houve mamata, ignorou-se a possibilidade de ter “dois feridos e não só um morto”, como definiu há poucos dias o goleiro Buffon a respeito de arranjos de resultados no futebol italiano. Consequência dessa postura honesta foi a vitória da Espanha por1 a0 e a confirnação da liderança do grupo, com 7 pontos,2 amais do que a Itália. A Croácia volta para casa mais cedo, mas desta vez ganhou o futebol.

A Itália vai para as quartas (conhecerá hoje seu adversário), tende a crescer, como já ocorreu em muitas ocasiões, mas ainda tem de melhorar. O técnico Cesare Prandelli mudou o time para pegar os irlandeses, tentou fórmula mais ofensiva, optou pela pressão para encurralar os rivais e esperou para ver no que isso ia dar.

Quem livrou a cara de Prandelli e do calcio foram os dois malucos-beleza que levou para a Eurocopa: Cassano abriu o marcador, antes do intervalo, e Mario Balotelli, que entrou na segunda etapa e fechou a conta com um belíssimo gol.  Aí vem a Azzurra!

Três em um

Leia o post original por Gian Oddi

Peço, de novo, desculpas pelo sumiço. O tempo tem sido curto e por isso mesmo o blog deve ter novidades em breve. Eis as últimas colunas publicadas no Jornal Placar, respectivamente sobre a violência das organizadas no futebol italiano, os destaques (até aqui) do Campeonato 2010-11 e o prestígio de Cesar Prandelli, novo técnico da seleção italiana.  Comentários no mesmo link, per favore. 

O Brasil é ali
 
Faz algum tempo, o futebol italiano era exemplo de organização e sucesso para outros países. Já nas últimas semanas, além de não conseguir coibir a ação de vândalos sérvios que impossibilitaram a disputa de um jogo entre Itália e Sérvia pelas Eliminatórias da Eurocopa, o país assistiu à agressão de torcedores organizados do Napoli, armados com tacos de beisebol e facas, contra simpatizantes do Liverpool que foram à Itália para ver um jogo da Liga Europa.

Há tempos as autoridades italianas vêm tentando inibir as ações dos tais “organizados”. Leis como a que permite a prisão de torcedores em flagrante ou mesmo a carteira do torcedor, que facilita a identificação dos criminosos, foram aprovadas com muita dificuldade, tamanha a força dos grupos organizados conhecidos como Ultràs. “O problema da Itália são as torcidas organizadas. São elas que mandam no nosso futebol”, chegou a dizer o técnico Fabio Capello pouco antes de deixar o país para comandar a seleção inglesa.

Não à toa, portanto, o futebol italiano, antes invejado por todo o planeta, passou o contar com média de público inferior às de Alemanha, Inglaterra e Espanha, as outras três grandes praças do futebol europeu. Se no Brasil tínhamos a Itália como modelo, hoje os italianos têm a mesma sensação em relação a seus vizinhos europeus. Se eles conseguirem resolver seu problema, voltarão a ser o melhor exemplo para o Brasil. Porque, hoje, Itália e Brasil não são muito diferentes.

Os destaques

Foram apenas sete rodadas. Mas, posto que em cada um dos candidatos ao título italiano há um jogador que se sobressai, já é possível arriscar quais os nomes que devem brigar pelo título de destaque da competição daqui a alguns meses.

Na Inter, após uma temporada se sacrificando e atuando mais como meio-campista do que como atacante sob o comando de José Mourinho, Samuel Eto’o voltou a ser o artilheiro de outras temporadas, marcando belos e decisivos gols.

No Milan, Ibrahimovic tem justificado com gols e, pasmem, até assistências, o otimismo que tomou conta da torcida milanista depois de sua contratação; Pato, não fossem suas constantes lesões, até poderia até rivalizar com o sueco, mas hoje não o faz.

Na Juventus, o meio-campista sérvio Krasic, inicialmente comparado com Pavel Nedved por sua semelhança física com o tcheco, tem dado espetáculo; a continuar nesse ritmo, as comparações com o Bola de Ouro de 2003 farão sentido também pelos feitos em campo.

Na Capital, talvez seja exagero apontar um destaque da Roma, que decepciona com mais um início vacilante; se for o caso de fazê-lo, porém, as indicações devem apontar para o recém-contratado Borriello.

É obrigatório, por outro lado, apontar o principal nome da Lazio, a atual e surpreendente líder do torneio. E, neste caso, não há que não concorde: é o brasileiro Hernanes o melhor. Para boa parte da imprensa italiana, aliás, o melhor do campeonato.


Prandelli

A Itália teve seu primeiro tropeço nas Eliminatórias da Euro 2012 no sábado, quando empatou por 0 a 0 com a Irlanda do Norte. Nada grave, tanto que o time de Cesare Prandelli segue na liderança de sua chave, com 7 pontos em 9 disputados. Não só por isso, porém, a imprensa italiana já demonstrou que será generosa com o treinador, eleito duas vezes o melhor técnico do país com a Fiorentina.

Prandelli seduz não só a imprensa, mas os italianos em geral, também por outros motivos, menos profissionais. Porque é do tipo que em 2004, na então grande chance de sua carreira, abriu mão de um contrato milionário com a Roma para passar com sua mulher, então doente, os últimos meses de sua vida (isso deveria ser normal…). Porque é do tipo que tem a gratidão como virtude: quando pode, cita o nome do desconhecido Franco Ferrari, seu professor no curso de técnicos obrigatório do calcio, como responsável por seu sucesso. Porque é do tipo que, por sua honestidade, quase nunca se ouviu críticas nem de seus comandados (algo quase impossível nesse meio). O caráter também ajudou a colocá-lo, entre os técnicos, como um dos maiores ídolos da exigente torcida da Fiorentina (basta sua imagem aparecer no telão de estádio Artemio Franchi que todos se levantam para aplaudir).

Agora, Prandelli diz que sua missão será voltar a unir a Itália em torno da seleção. Ele mostrou ter condições de fazê-lo tecnicamente. Mas também porque os italianos (e a imprensa) o respeitam e adoram.

Três em um

Leia o post original por A Bola na Bota

Peço, de novo, desculpas pelo sumiço. O tempo tem sido curto e por isso mesmo o blog deve ter novidades em breve. Eis as últimas colunas publicadas no Jornal Placar, respectivamente sobre a violência das organizadas no futebol italiano, os destaques (até aqui) do Campeonato 2010-11 e o prestígio de Cesar Prandelli, novo técnico da seleção italiana.  Comentários no mesmo link, per favore. 

O Brasil é ali
 
Faz algum tempo, o futebol italiano era exemplo de organização e sucesso para outros países. Já nas últimas semanas, além de não conseguir coibir a ação de vândalos sérvios que impossibilitaram a disputa de um jogo entre Itália e Sérvia pelas Eliminatórias da Eurocopa, o país assistiu à agressão de torcedores organizados do Napoli, armados com tacos de beisebol e facas, contra simpatizantes do Liverpool que foram à Itália para ver um jogo da Liga Europa.

Há tempos as autoridades italianas vêm tentando inibir as ações dos tais “organizados”. Leis como a que permite a prisão de torcedores em flagrante ou mesmo a carteira do torcedor, que facilita a identificação dos criminosos, foram aprovadas com muita dificuldade, tamanha a força dos grupos organizados conhecidos como Ultràs. “O problema da Itália são as torcidas organizadas. São elas que mandam no nosso futebol”, chegou a dizer o técnico Fabio Capello pouco antes de deixar o país para comandar a seleção inglesa.

Não à toa, portanto, o futebol italiano, antes invejado por todo o planeta, passou o contar com média de público inferior às de Alemanha, Inglaterra e Espanha, as outras três grandes praças do futebol europeu. Se no Brasil tínhamos a Itália como modelo, hoje os italianos têm a mesma sensação em relação a seus vizinhos europeus. Se eles conseguirem resolver seu problema, voltarão a ser o melhor exemplo para o Brasil. Porque, hoje, Itália e Brasil não são muito diferentes.

Os destaques

Foram apenas sete rodadas. Mas, posto que em cada um dos candidatos ao título italiano há um jogador que se sobressai, já é possível arriscar quais os nomes que devem brigar pelo título de destaque da competição daqui a alguns meses.

Na Inter, após uma temporada se sacrificando e atuando mais como meio-campista do que como atacante sob o comando de José Mourinho, Samuel Eto’o voltou a ser o artilheiro de outras temporadas, marcando belos e decisivos gols.

No Milan, Ibrahimovic tem justificado com gols e, pasmem, até assistências, o otimismo que tomou conta da torcida milanista depois de sua contratação; Pato, não fossem suas constantes lesões, até poderia até rivalizar com o sueco, mas hoje não o faz.

Na Juventus, o meio-campista sérvio Krasic, inicialmente comparado com Pavel Nedved por sua semelhança física com o tcheco, tem dado espetáculo; a continuar nesse ritmo, as comparações com o Bola de Ouro de 2003 farão sentido também pelos feitos em campo.

Na Capital, talvez seja exagero apontar um destaque da Roma, que decepciona com mais um início vacilante; se for o caso de fazê-lo, porém, as indicações devem apontar para o recém-contratado Borriello.

É obrigatório, por outro lado, apontar o principal nome da Lazio, a atual e surpreendente líder do torneio. E, neste caso, não há que não concorde: é o brasileiro Hernanes o melhor. Para boa parte da imprensa italiana, aliás, o melhor do campeonato.


Prandelli

A Itália teve seu primeiro tropeço nas Eliminatórias da Euro 2012 no sábado, quando empatou por 0 a 0 com a Irlanda do Norte. Nada grave, tanto que o time de Cesare Prandelli segue na liderança de sua chave, com 7 pontos em 9 disputados. Não só por isso, porém, a imprensa italiana já demonstrou que será generosa com o treinador, eleito duas vezes o melhor técnico do país com a Fiorentina.

Prandelli seduz não só a imprensa, mas os italianos em geral, também por outros motivos, menos profissionais. Porque é do tipo que em 2004, na então grande chance de sua carreira, abriu mão de um contrato milionário com a Roma para passar com sua mulher, então doente, os últimos meses de sua vida (isso deveria ser normal…). Porque é do tipo que tem a gratidão como virtude: quando pode, cita o nome do desconhecido Franco Ferrari, seu professor no curso de técnicos obrigatório do calcio, como responsável por seu sucesso. Porque é do tipo que, por sua honestidade, quase nunca se ouviu críticas nem de seus comandados (algo quase impossível nesse meio). O caráter também ajudou a colocá-lo, entre os técnicos, como um dos maiores ídolos da exigente torcida da Fiorentina (basta sua imagem aparecer no telão de estádio Artemio Franchi que todos se levantam para aplaudir).

Agora, Prandelli diz que sua missão será voltar a unir a Itália em torno da seleção. Ele mostrou ter condições de fazê-lo tecnicamente. Mas também porque os italianos (e a imprensa) o respeitam e adoram.