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Nuzman sai de cena. Quando sairão outros?

Leia o post original por Antero Greco

Deu a lógica: Carlos Arthur Nuzman deixa o cargo de presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, depois de 22 anos de poder. O ex-cartola assinou documento de renúncia no presídio de Benfica, onde está detido desde a semana passada, sob suspeita de envolvimento em esquema de corrupção para a indicação do Brasil como sede dos Jogos de 2016.

Agora, pretende dedicar-se somente à sua defesa. O que é um direito dele, certamente. E, dessa maneira, também libera o COB de punições impostas pelo Comitê Olímpico Internacional. Ou seja, tira o time de campo porque não havia mesmo como contornar a situação. No lugar, assume o vice Paulo Wanderley, ex da Confederação Brasileira de Judô.

Muito bem. Com a saída de Nuzman, significa que o esporte nacional está limpo? Entrou nos eixos? Expurgou um “mau elemento”, a erva daninha, e vida que segue? O ex-presidente era a razão do desprestígio da instituição?

Não.

Nuzman ficou mais de duas décadas no cargo porque foi confirmado, reconfirmado, reeleito por aclamação seguidas vezes. E por quem? Pelos presidentes de Confederações, alguns deles há tanto tempo, ou mais, à frente das respectivas entidades do que o ex no COB.

Ou seja, os integrantes do Colégio Eleitoral têm responsabilidade no furacão que atinge o COB. Porque eles referendaram Nuzman e seus métodos, lhes eram aliados, ou no mínimo simpatizantes. Devem ser cobrados.

Não adianta sair Nuzman, se a estrutura do COB permanecer inalterada. Apenas saiu alguém que se queimou, diante da humilhação de ir para a prisão (mesmo que temporária). Para que se possa vislumbrar novos rumos, é preciso que ocorra reação em cadeia.

Seis questões que precisam ser explicadas no ‘caso Nuzman’

Leia o post original por Perrone

No documento em que pediu a prisão temporária de Carlos Arthur Nuzman e de Leonardo Gryner, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro aponta uma série de questões que precisam ser explicadas pelos acusados de compra de votos africanos para o Rio sediar os Jogos Olímpicos de 2016 entre outras irregularidades. O blog não conseguiu localizar os defensores dos dirigentes, que negam o ato de corrupção.

Abaixo, leia os principais pontos que precisam ser esclarecidos pelo agora presidente licenciado do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e mandatário do Comitê Organizador da Rio-2016 e pelo ex-diretor de operações do órgão responsável pela Olimpíada no Brasil.

1 – Por que Papa Diack, filho do presidente da Federação Internacional de Atletismo mandou e-mails para o COB cobrando depósito de US$ 450 mil?

Nuzman e Gryner não admitem o pagamento de propina para membros africanos do COI (Comitê Olímpico Internacional) rem no Rio como sede dos Jogos de 2016. Porém, e-mails obtidos pelo Ministério Público Federal mostram que Papa cobrou US$ 450 mil como complemento de um acordo entre as partes e cita “nosso comprometimento em Copenhague”, local da votação que escolheu a sede Olímpica. Em depoimento, Gryner afirmou que conversou com Papa sobre a realização de eventos da Federação Internacional de Atletismo, mas nenhum chegou a ser realizado. Só que a troca de e-mails dá a entender que parte do pagamento foi feita. Se não houve competição de atletismo em terras brasileiras, por que o dinheiro foi dado? Por que Papa cobrou o depósito em conta pessoal, mas não da Federação Internacional de Atletismo?

2 – Por que prestadora de serviços para o Comitê Organizador da Rio-2016  fez pagamentos para a entidade?

Planilha apreendida no COB mostram que diversos contratos foram firmados entre a empresa Massan Serviços Especializados e o Comitê Organizador dos Jogos no Rio. Eram trabalhos de hospitalidade, alimentação, limpeza, manutenção de predial, instalação de caixas em lanchonetes e de segurança em áreas específicas. Nas planilhas, há um espaço para a identificação do processo de escolha da contratada, mas todos estão em branco. Também chamou a atenção dos procuradores o fato de a Massan ter feito depósitos para o comitê. Foram pagos R$ 180,3 mil. “Ocorre que a contratada deveria receber valores não efetuar pagamentos”, diz o MPF em trecho do pedido de prisão temporária de Nuzman e Gryner. O documento diz ainda que é necessário aprofundar as investigações sobre esses pagamentos.

3 – Por que o Comitê Organizador da Rio-2016 aceitou receber de volta 30% a menos do que pagou por reservas em hotel que não foi construído?

A LSH Barra Empreendimentos Imobiliários recebeu do comitê cerca de R$ 3,8 milhões a título de reservas no Trump Hotel, que seria inaugurado a tempo de ser usado na Olimpíada. Porém, o hotel não ficou pronto e a entidade presidida por Nuzman aceitou dar um desconto de 30% na dívida, além de não cobrar nenhum uma multa da parceira. Documento sobre a devolução do dinheiro diz que o desconto tem o objetivo de acelerar o recebimento do montante. O argumento, no entanto, não convenceu os procuradores. A LSH tem como um de seus sócios Arthur Soares, que segundo o MPF lucrou irregularmente com obras no Rio tendo a ajuda do ex-governador Sérgio Cabral.

4 – Como Nuzman enriqueceu?

De acordo com relatório conseguido pelo Ministério Público Federal a partir da quebra de sigilo fiscal de Nuzman, o dirigente dobrou seu patrimônio em 2014. Naquele ano, houve aumento de aproximadamente R$ 4,2 milhões, sendo que R$ 3,8 milhões são referentes a ações de companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal. Segundo o documento, as declarações de renda do cartola não registram remuneração recebida por meio do COB ou do Comitê Organizador da Rio-2016. Os ganhos são justificados por Nuzman com recebimentos de pessoas físicas e do exterior, porém não há explicações sobre quem o remunerou, conforme dizem os procuradores.

5 – Por que barras de ouro só foram declaradas após operação da Polícia Federal?

O Ministério Público Federal afirma que Nuzman só retificou sua declaração de imposto de renda para informar possuir 16 barras de ouro de um quilo cada na Suíça depois de apreensão de documentos em sua casa que poderiam servir como mapa para encontrar o tesouro secreto. Para o MPF, a correção foi feita por que o cartola sabia que seus pertences apreendidos poderiam levar até ouro. Assim, tentou legalizar as valiosas barras. Mas os procuradores apontam que na retificação não foram registrados ganhos que justificassem a reluzente aquisição.

6 – Por que Nuzman paga parte considerável de suas contas em dinheiro?

Segundo o MPF, documentos apreendidos na casa do dirigente mostram que grande parte de suas contas é paga em espécie. Os procuradores classificam o hábito como um “engendro característico do sistema de lavagem de capitais”.

 

Falta de movimento para afastar Nuzman ajudou em pedido de prisão

Leia o post original por Perrone

A falta de reação do COB e das federações de esportes olímpicos às investigações em torno de Carlos Arthur Nuzman estão entre os motivos que fizeram com que o Ministério Público Federal do Rio pedisse a prisão temporária do dirigente. No entender dos procuradores, o não afastamento do cartola gerou o risco de que ele pudesse destruir provas. Além disso, foi contestado o fato de o dirigente ainda poder administrar verbas públicas repassadas pelo Ministério do Esporte ao COB.

“De mais a mais, ainda cumpre destacar que, a despeito de toda a investigação que já foi tornada pública, bem como as cautelares já cumpridas, não houve nenhuma movimentação no sentido de afastar Carlos Nuzman e Leonardo Gryner (diretor geral de operações da Rio-16) de suas funções junto ao Comitê Olímpico Brasileiro. Assim, ambos continuam gerindo contratos firmados pelo COB, mediante uso de dinheiro público, além de pleno acesso a documentos e informações probatórias”, diz trecho do pedido de prisão temporária.

Ao contrário do que se podia imaginar, a revelação das acusações contra Nuzman, também presidente do Comitê Organizador da Rio-16, antes de sua prisão, não geraram movimentos de dirigentes e atletas por seu afastamento. Ele seguiu normalmente nos cargos.

Apesar de usarem o fato de a dupla não ter sido afastada para pedir a prisão, os procuradores afirmam que o mero afastamento não serviria para garantir a ordem pública e a integridade das provas por causa da influência construída por eles no meio durante décadas.

Nuzman é acusado de participar da compra de votos africanos para o Rio sediar a Olimpíada de 2016, integrando organização criminosa que seria ligada ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral, também preso. O grupo vinculado ao político teria o interesse de lucrar com obras olímpicas. O presidente do COB também é acusado de tentar ocultar bens, como 16 barras de ouro de um quilo cada, guardadas na Suíça. De acordo com o Ministério Público, elas só foram declaradas após o avanço das investigações.

Brasil é top ten… em casos de doping

Leia o post original por Antero Greco

Quando assumiu o controle do Comitê Olímpico Brasileiro, muito tempo atrás, o atual presidente prometeu transformar o esporte nacional em “papa-fina”. Os atletas teriam todas as facilidades para se virarem grandes nomes do mundo das competições.

Quando o Brasil foi escolhido como sede dos Jogos Olímpicos, o atual presidente garantiu que todos os esportistas teriam condições de se preparar adequadamente para a maior festa do planeta.

O presidente do COB sabe como poucos se expressar e prometer.

Só não cumpre exatamente as promessas feitas aos atletas, que em várias modalidades nem têm onde treinar para a Olimpíada que se aproxima: como no caso do tiro esportivo e do ciclismo. Isso sem falar na turma do atletismo, que perdeu a pista do histórico Estádio Célio de Barros.

Outra promessa do presidente do COB: o Brasil será uma das dez potências do mundo esportivo. Uma verdadeira nação olímpica.

Quem sabe…

Mas de uma coisa o presidente pode estar certo: no assunto doping o Brasil já é top ten. Já atingiu a maioridade. Estamos entre os países que mais se utilizam de meios ilícitos na preparação dos atletas, segundo relatório divulgado esta semana pela Wada, a agência internacional de controle antidoping.

Triste constatação, mas que não surpreende quem conhece os bastidores do esporte. Pode-se alegar que os números cresceram porque há mais controle. Verdade. Mesmo assim, é de se lamentar que sejam tantos casos de gente que recorre a meios ilícitos para obter resultados em competições.

Só para lembrar, o atual presidente vai ser candidato novamente à reeleição do Comitê Olímpico Brasileiro. Pois tem convicção de que faz bem ao esporte nacional.

(Com participação de Roberto Salim.)

Transparência olímpica

Leia o post original por Antero Greco

Décadas atrás um presidente do Palmeiras, em dificuldades financeiras, desviou o dinheiro da venda de Luis Pereira e Leivinha para o futebol espanhol. Era o senhor Jordão Bruno Sacomani. O time alviverde pagou caro pela traição dentro do próprio corpo. E ele depois devolveu o dinheiro subtraído.

Hoje a Operação Lava Jato desembarca no Corinthians, detém o vice-presidente André Luiz Oliveira, investiga a construção da Arena de Itaquera, analisa doações a campanhas políticas de gente ligada ao Timão.

Caso fique provado tudo o caso do senhor Sacomani vira historinha infantil perto do escândalo atual. Aliás, o esporte nacional, mundial, é um grande e lucrativo negócio para muita gente.

Ficamos aqui imaginando se uma investigação semelhante (sem fins políticos ou desconfianças mesquinhas) se debruçasse sobre a organização dos Jogos Olímpicos do Rio.

Algo como um movimento para que os gastos ficassem aparentes, explícitos, sem dúvidas sobre os objetivos dos organizadores. Algo como um relatório que justificasse as obras, que as alternativas fossem discutidas e não impostas.

Não, não precisava ser uma operação do porte da Lava Jato. Um simples olhar e um relatorinho sobre o que aconteceu na pista do Estádio Célio de Barros, de atletismo, ali ao lado do Macaranã.

Uma pequena investigação sobre a construção do Centro Nacional de Tiro Esportivo; sobre as reformas no Maracanãzinho; sobre a construção do Engenhão; sobre a construção de um campo de golfe em uma área em litígio. Sobre a desocupação da Vila Autódromo.

Explicações sobre a derrubada do velódromo que custou R$ 14 milhões e a construção de um novo, apenas alguns anos depois, por R$ R$146 milhões. A propósito: o que sobrou da demolição do primeiro velódromo – construído para o Pan de 2007 – foi levado para a cidade de Pinhais, ao lado de Curitiba.

Que fosse uma operação sem fins eleitorais.

Explicações que o próprio Comitê Olímpico Brasileiro e a prefeitura do Rio se encarregassem de dar ao público, ao povo, aos esportistas, aos jornalistas…

Só para que todos soubessem que o dinheiro foi muitíssimo bem aplicado.

Se não conseguissem explicar que, pelo menos, o dinheiro fosse devolvido ao esporte. Só isso já cairia bem.

(Com participação de Roberto Salim.)

Olimpíada e destruição de uma comunidade

Leia o post original por Antero Greco

Crônica do jornalista Roberto Salim.

As obras olímpicas estão quase prontas. Segundo os órgãos oficiais e o Comitê Olímpico Brasileiro, 97 por cento. Isso é o que se conta hoje.

Mas, se um dia a história dos bastidores for contada, com detalhes, muita gente morreria de vergonha. Se é que essa palavra existe em seus dicionários.

Um dos casos inacreditáveis é o da destruição da pista do Estádio Célio de Barros. Virou estacionamento durante a Copa do Mundo, com a promessa de que seria reerguida para servir de pista de apoio durante os Jogos de 2016. Mentira deslavada.

O local onde Joaquim Cruz, Adhemar Ferreira, João do Pulo, Nelson Prudêncio, Nelsinho Santos, dona Aída dos Santos e tantos outros competiram virou terra de ninguém. E hoje se presta vez ou outra a “raves”. Esse e o caso do velódromo do Pan, que foi desmontado e enviado em carretas ao Paraná; são situações simbólicas do desmando esportivo e público do Rio.

Mas nada, nada mesmo se compara ao cerco à Vila Autódromo – comunidade de trabalhadores que foi sendo destruída com táticas de terror administrativo. Primeiro com ameaças, depois com atos hostis e agora tentando cortar a luz no local, onde cerca de 50 famílias ainda resistem.

“Isolaram duas casas dentro do Parque Olímpico e tentaram cortar a luz. Daí cortariam de toda a comunidade”, contou neste domingo cedo a jovem Natália, moradora do local. “Resistimos, buscamos nossos direitos junto à Defensoria Pública e conseguimos impedir”.

Lembro como se fosse hoje do dia 9 de junho do ano passado, quando encontrei Natália e sua mãe, dona Maria da Penha, chegando em casa. Dona Penha com o rosto inchado.

A líder dos resistentes pesa 47 quilos, mas tem uma tonelada de determinação. Enfrentou a tropa de choque, que queria desalojar moradores, apanhou e uma semana depois ainda fazia compressa no rosto. Ela, o marido e a filha continuam na luta. Inglória.

Até o início dos Jogos, quando 100 por cento das obras estiverem prontas e políticos e dirigentes estiverem dividindo os louros, Dona Penha estará bem longe de onde morou quase a vida toda. Mas estará como sempre de mãos limpas.

Da minha mente não sai uma das frases pintadas nas casas semidestruídas: “Nem todos têm preço”.

Demissão de Clarissa, vergonha no basquete

Leia o post original por Antero Greco

Clarissa é hoje a melhor jogadora do basquete brasileiro. No último jogo da seleção, contra a Austrália, mais uma vez foi o destaque: avançou, fez cestas, pegou rebotes. Mesmo assim, o Brasil perdeu das australianas, no evento-teste realizado no Rio.

A seleção perdeu. E Clarissa perdeu o emprego no time dela, o Corinthians-Americana. Por que foi mandada embora? Porque aceitou a convocação do técnico Antônio Carlos Barbosa e se apresentou à seleção.

Você não leu errado: foi isso mesmo. O pior é que o clube alegou abandono de emprego para justificar a demissão.

A questão é a seguinte: os clubes da elite do basquete estão brigando com a inoperante Confederação da modalidade. Por causa dos desentendimentos, houve boicote generalizado, troca de técnicos. Enfim, uma bagunça. Muitas jogadoras tiveram medo de represálias e não se apresentaram, quando saiu a convocação.

O basquete feminino é assim, e só sobrevive por aqui por conta das jogadoras, por causa de gente como Clarissa – atleta excepcional, que começou no atletismo e depois se bandeou para o basquete da Mangueira. Aliás, o basquete do Rio só existe porque Samuel Belarmino, o Sam, toca o barco com inacreditável competência na Vila Olímpica da Mangueira, que fica embaixo do viaduto Cartola. E também porque na capital olímpica existe um técnico chamado Guilherme Vos, que põe dinheiro do bolso para o sonho não virar pesadelo.

Enquanto gente dessa qualidade põe a vida na quadra, os dirigentes são de uma incompetência de doer. E o Comitê Olímpico Brasileiro constrói ginásios para sabe-se lá para quem…

Em um jogo do campeonato carioca de basquete do ano passado, as meninas se esforçavam na quadra da Mangueira. Quando lhe perguntaram se conheciam a arena belíssima, construída para os Pan, responderam que não. Nem jogaram lá. Nem viram qualquer jogo. O novo ginásio olímpico então…

É para isso que serve a Olimpíada? Para que apenas sejam erguidas construções imponentes? O esporte no Rio está à míngua.

E Clarissa está desempregada por uma briga que não é dela. Certamente por pouquíssimo tempo, pois uma jogadora como ela não se encontra em qualquer lugar.

Ela é um diamante negro, desperdiçado por briga política.

(Com Roberto Salim.)

Pés no traseiro

Leia o post original por Antero Greco

Você vai a uma festa, convidado por um amigo de infância e antes de cantar parabéns come um brigadeiro, não gosta e sai reclamando em voz alta: “O brigadeiro não ficou bom…”.

E, como menino malcriado, você ainda sugere que só dando um pé no traseiro da mãe do aniversariante vai resolver a situação.

Ou seja: a festa não é sua, mas você como menino prepotente se julga no direito de ser um grande sem educação.

Ah que bom que fosse só isso!

Que os grandes negociantes do esporte fossem apenas meninos malcriados à cata de brigadeiros em festas.

Os docinhos são milhões e milhões de dólares.

Dinheiro que rouba a emoção do povo que tanto ama a competição, que teria de ser saudável.

É por conta desses “empresários” que existe o doping, que existem os resultados arranjados, que existem histórias de árbitros, técnicos, goleiros e centroavante que se vendem.

Quando alguém vem e fala alguma verdade, como o dirigente cruzeirense Benecy Queiroz, a denúncia vira um “causo”. Logo se trata de botar panos quentes e sair com as mais variadas explicações e desmentidos. E afastamento para “tratamento médico”.

A investigação da Máfia do Apito da “Placar” – primoroso trabalho dos repórteres Sérgio Martins e Ronaldo Kotscho – ficou no tempo.

As denúncias mais recentes, aquelas de 2005, ficaram na conta de um só: o ex-árbitro Edilson Pereira de Carvalho.

Dinheiro desviado de Confederações, obras mal explicadas do Pan, da Copa e da Olimpíada, e assim vai. Todo mundo que está no Esporte é abnegado…

Enquanto isso os verdadeiros atletas brasileiros vão levando diariamente pés no traseiro.

Mas vai chegar o dia de certa cartolagem levar o pontapé definitivo.

O Jerome Valcke acabou de levar da Fifa – só falta agora ele vir morar no Brasil.

(Com Roberto Salim.)

Isenção de impostos para Olimpíada vale até para banquete e afeta universitários

Leia o post original por Perrone

Rio-16 e COB, comandados por Nuzman, terão benefícios

Em quatro páginas, a edição desta quinta do Diário Oficial da União traz a lei que trata de isenções tributárias para a Olimpíada de 2016, assinada na quarta pela presidente Dilma Rousseff. O documento é um raio x da generosidade do Congresso Nacional e do Governo Federal com a “família olímpica”.

As isenções afetam até leis criadas para ajudar universitários e para estimular a produção cinematográfica nacional.

Em determinados casos,  COI (Comitê Olímpico Internacional), Rio-16 (comitê organizador) e empresas vinculadas a eles estão dispensadas de contribuições para o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa, instituída por lei, e também para o CONDECINE (contribuição para o desenvolvimento da indústria cinematográfica), criada por Medida Provisória.

 A lista de isenções inclui em diversos casos Imposto de Renda, IPI, Cofins, Pis/Pasep e IOF, entre outros. A relação de beneficiários também é extensa. Além do COI e do Rio-16,  ela abraça o COB (Comitê Olímpico Brasileiro), patrocinadores, prestadores de serviços, voluntários, árbitros, atletas e empresas de mídia, desde que estejam credenciadas. Até banquetes relacionados à Olimpíada aparecem na lista.

Como contrapartida, todos os contratos beneficiados precisam ser publicados em sites. Essa tem cheiro de lei que não pega.

O Diário Oficial também apresenta três artigos vetados por Dilma. Um deles daria à “família olímpica” o direito de pedir revisão de tributos pagos em 2012, antes da publicação da lei.

Quem desdenha…

Leia o post original por JC

Dinamite falou, falou e falou e pouco disse. Explicou uma coisa aqui, outra ali (como o que teria acontecido com a grana das vendas do Diego Souza, Fagner e Romulo), mas basicamente não disse nada que limpasse um pouco a barra do presidente com a torcida. Pelo contrário: além do blá-blá-blá que todos meio que esperavam, Dinamite ainda fez mais promessas, como a do começo da construção do CT profissional no começo do ano que vem, a manutenção da sede do Calabouço (que poderia ser cedida à Prefeitura em troca do terreno para o CT) e a compra do CT da base em Itaguaí.

Seria apenas mais um motivo de irritação para a torcida, até porque ninguém esperava algo muito mais eloquente do mandatário vascaíno. Mas aí, apenas dois depois a nova bomba: a participação de São Januário como sede do rúgbi nas Olimpíadas 2016 foi cancelada. Isso depois de ser dada como certa desde que o Rio foi escolhido como sede dos jogos e do clube ter utilizado o prazo para a entrega do projeto na sua totalidade.

A diretoria teve quase sete meses para apresentar um projeto de viabilidade e conseguiu fazer um documento incompleto. Mesmo parecendo justa a ironia do Eduardo Machado, VP de Marketing do Vasco (realmente é estranho ver algo tão complexo sendo analisado em apenas um dia pelo COB, ainda mais quando sabemos que o Engenhão era a preferência do Carlos Arthur Nuzman), nada justifica a entrega de uma proposta com menos de 10 páginas, sem garantias financeiras ou o projeto para a reforma do estádio.

Pra piorar a história, o choro depois do leite derramado. De solução  para uma reforma completa da Colina, ser sede olímpica passou a não ser essa maravilha toda e as exigências do COI e da Federação de Rúgbi demandariam uma verba que o clube não teria. Se isso é verdade, por que nunca foi dito? Sempre que se falou no assunto, era com uma euforia total. Falar agora dos pontos negativos de ser uma sede olímpica faz parecer que a diretoria desdenha o que queria e não pode mais ter. É errar duas vezes, primeiro omitindo os contras e agora amplificando-os para tentar queimar menos o filme depois de perder o projeto.

E as declarações do Nelson Rocha, ex-VP de Finanças e um entre tantos cartolas que abandonaram a diretoria, precisam ser esclarecidas. Rocha, um dos homens a frente do projeto, alega que saiu do cargo deixando o clube com todas as informações e garantias de que o Vasco seria capaz de cumprir com  as exigências do COI.  Se isso está correto, ficamos sem saber se foi a diretoria que enviou um projeto errado, se o COB realmente teve má vontade com o clube ou se o próprio Nelson Rocha avaliou equivocadamente o que seriam “todas as informações e garantias” para o projeto.

Esteja onde estiver o erro, mais uma vez o maior prejudicado foi  o Vasco.

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E agora que a “reforma grátis” de São Januário – que no final das contas não seria tão de graça assim – é passado, começam as histórias sobre a construtora OAS estar envolvida numa possível ampliação do estádio. Ou seja, a diretoria já tinha engatilhado um plano B para lançar no momento oportuno (ou conveniente, como queiram).

Como não poderia deixar de ser, nesse primeiro momento a OAS é a solução de todos os nossos problemas e a construtora parece que mandou rezar uma novena em agradecimento pela oportunidade de gastar milhões na reforma de São Janu. Segundo o novo VP de Patrimônio, Manoel Santos, a OAS já teria feito um estudo de viabilidade e “está muito feliz com o empreendimento“.

A questão é que, ainda nas palavras de Santos, ”a construtora tem uma parte para fazer e o Vasco a dele. O Vasco tem que fazer a parte dele“. Se formos pensar que sob o comando da atual diretoria o clube não tem feito “a parte dele” em quase nenhuma área ou setor, como é que a torcida vai acreditar em mais essa história?

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Um dos maiores defeitos da gestão Dinamite foi o de ser tão fraca que fez um monte de gente ter saudades da gestão anterior. Muitos desses por sofrerem de amnésia seletiva e terem apagado da memória o período entre 2001 e 2008. Outros por serem fãs do presidente que em mais de sete anos só conquistou um carioca.

É para o segundo grupo que eu tenho uma ou duas perguntas: vocês, que desde que a atual gestão tomou posse sempre consideraram todos os que estavam juntos com Dinamite incompetentes, omissos ou desonestos (quando não os três ao mesmo tempo), acham o que sobre sua aproximação com o Eurico? Pra vocês o “diga-me com quem andas” vale de alguma coisa? Ou o Dinamite deixou de ter todos os defeitos que vocês apontavam continuamente nos últimos quatro anos?

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