Arquivo da categoria: coluna da terça

No banco

Leia o post original por André Kfouri

O julgamento de três usurpadores do futebol sul-americano entra na segunda semana em um tribunal no bairro do Brooklyn, em Nova York, com dois brasileiros como figuras centrais. José Maria Marin, ex-presidente da CBF, senta-se no banco dos réus ao lado de Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana de futebol, e Juan Ángel Napout, ex-presidente da federação paraguaia e também da Conmebol. Marco Polo Del Nero, a maior autoridade do futebol brasileiro, enviou advogados aos Estados Unidos para acompanhar as deliberações. Acusado pelo FBI desde 2015, não é exagero afirmar que Del Nero está sendo julgado à distância pelas sessões supervisionadas pela juíza Pamela Chen.

Desde que Marin foi preso na operação da polícia suíça no hotel Baur au Lac, em Zurique, em maio de 2015, suas relações com Del Nero sofreram uma transformação radical. O atual presidente da CBF não escondeu seu esforço para se distanciar do antecessor durante o período de cinco meses em que Marin ficou encarcerado na Suíça, assim como desde sua extradição para prisão domiciliar nos Estados Unidos. Na semana passada, o depoimento de uma das principais testemunhas da acusação marcou não só o rompimento entre os cartolas brasileiros, mas uma declaração de guerra. A estratégia da defesa de Marin é estabelecê-lo como uma alegoria na cúpula da confederação, em que quem dava as cartas mesmo como vice-presidente era Del Nero.

As declarações de Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, desenharam as rotas do dinheiro nas negociações de direitos de transmissão de competições sul-americanas de futebol. Os detalhes dos pedidos pessoais de cartolas do continente revelam um ambiente de desconfiança e traição, até entre aliados aparentes como Marin e Del Nero. O empresário argentino os descreveu como “gêmeos siameses, viajavam sempre juntos, estavam sempre juntos, tinham sempre o mesmo tratamento”, uma imagem que confirma a impressão gerada pelas aparições públicas da dupla que comandou a CBF a partir da renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012.

Mas uma das histórias contadas durante o julgamento sugere que a percepção era muito diferente da realidade. Burzaco mencionou um encontro em um quarto do hotel Bourbon, em Assunção (Paraguai), no mês de outubro de 2014, no qual Del Nero pediu um aumento do suborno anual de 900 mil dólares que dividia com Marin. O valor solicitado era de 1 milhão e 200 mil dólares, mas Del Nero queria que o pagamento fosse feito somente em junho de 2015, quando já teria assumido a presidência da CBF e não precisaria repartir a propina. É importante ressaltar que Burzaco, que escapou da prisão no Baur au Lac porque não estava em seu quarto e colabora com as autoridades americanas desde junho de 2015, está sujeito a uma sentença de sessenta anos de prisão se mentir no tribunal.

O operador argentino calcula que distribuiu cerca de 160 milhões de dólares em propinas, dos quais 2 milhões e 700 mil ele diz ter pagado a José Maria Marin. Apresentar-se como um acessório de Del Nero é um expediente arriscado, uma vez que a assinatura de Marin aparece em contratos investigados e um depoente o conecta diretamente com pagamentos ilegais. Para um júri formado por pessoas que não têm o mínimo conhecimento sobre o ambiente em questão, as evidências expostas até agora podem ser mais do que suficientes. O julgamento prossegue hoje, em uma semana que será curta por causa do feriado de Ação de Graças (dia 23), com a possibilidade do testemunho de um brasileiro com tanta história para contar quanto Burzaco.

CARA A CARA

O Flamengo é o único time que não foi derrotado pelo Corinthians no Campeonato Brasileiro. Também é o único que superou o campeão (quatro pontos ganhos em seis disputados) no confronto direto. Bahia, Atlético Goianiense, Vitória, Botafogo, Ponte Preta e Santos somaram três pontos em dois jogos.

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No banco

Leia o post original por André Kfouri

O julgamento de três usurpadores do futebol sul-americano entra na segunda semana em um tribunal no bairro do Brooklyn, em Nova York, com dois brasileiros como figuras centrais. José Maria Marin, ex-presidente da CBF, senta-se no banco dos réus ao lado de Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana de futebol, e Juan Ángel Napout, ex-presidente da federação paraguaia e também da Conmebol. Marco Polo Del Nero, a maior autoridade do futebol brasileiro, enviou advogados aos Estados Unidos para acompanhar as deliberações. Acusado pelo FBI desde 2015, não é exagero afirmar que Del Nero está sendo julgado à distância pelas sessões supervisionadas pela juíza Pamela Chen.

Desde que Marin foi preso na operação da polícia suíça no hotel Baur au Lac, em Zurique, em maio de 2015, suas relações com Del Nero sofreram uma transformação radical. O atual presidente da CBF não escondeu seu esforço para se distanciar do antecessor durante o período de cinco meses em que Marin ficou encarcerado na Suíça, assim como desde sua extradição para prisão domiciliar nos Estados Unidos. Na semana passada, o depoimento de uma das principais testemunhas da acusação marcou não só o rompimento entre os cartolas brasileiros, mas uma declaração de guerra. A estratégia da defesa de Marin é estabelecê-lo como uma alegoria na cúpula da confederação, em que quem dava as cartas mesmo como vice-presidente era Del Nero.

As declarações de Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, desenharam as rotas do dinheiro nas negociações de direitos de transmissão de competições sul-americanas de futebol. Os detalhes dos pedidos pessoais de cartolas do continente revelam um ambiente de desconfiança e traição, até entre aliados aparentes como Marin e Del Nero. O empresário argentino os descreveu como “gêmeos siameses, viajavam sempre juntos, estavam sempre juntos, tinham sempre o mesmo tratamento”, uma imagem que confirma a impressão gerada pelas aparições públicas da dupla que comandou a CBF a partir da renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012.

Mas uma das histórias contadas durante o julgamento sugere que a percepção era muito diferente da realidade. Burzaco mencionou um encontro em um quarto do hotel Bourbon, em Assunção (Paraguai), no mês de outubro de 2014, no qual Del Nero pediu um aumento do suborno anual de 900 mil dólares que dividia com Marin. O valor solicitado era de 1 milhão e 200 mil dólares, mas Del Nero queria que o pagamento fosse feito somente em junho de 2015, quando já teria assumido a presidência da CBF e não precisaria repartir a propina. É importante ressaltar que Burzaco, que escapou da prisão no Baur au Lac porque não estava em seu quarto e colabora com as autoridades americanas desde junho de 2015, está sujeito a uma sentença de sessenta anos de prisão se mentir no tribunal.

O operador argentino calcula que distribuiu cerca de 160 milhões de dólares em propinas, dos quais 2 milhões e 700 mil ele diz ter pagado a José Maria Marin. Apresentar-se como um acessório de Del Nero é um expediente arriscado, uma vez que a assinatura de Marin aparece em contratos investigados e um depoente o conecta diretamente com pagamentos ilegais. Para um júri formado por pessoas que não têm o mínimo conhecimento sobre o ambiente em questão, as evidências expostas até agora podem ser mais do que suficientes. O julgamento prossegue hoje, em uma semana que será curta por causa do feriado de Ação de Graças (dia 23), com a possibilidade do testemunho de um brasileiro com tanta história para contar quanto Burzaco.

CARA A CARA

O Flamengo é o único time que não foi derrotado pelo Corinthians no Campeonato Brasileiro. Também é o único que superou o campeão (quatro pontos ganhos em seis disputados) no confronto direto. Bahia, Atlético Goianiense, Vitória, Botafogo, Ponte Preta e Santos somaram três pontos em dois jogos.

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Domingo discreto

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1 – O encontro de Palmeiras e Flamengo deveria ser um jogo decisivo para ambos e para o campeonato. Ao menos essa era a projeção para a partida entre o campeão e o terceiro colocado em 2016, já no trecho final de 2017. Favoritos no início, fizeram uma temporada repleta de equívocos e chegaram ao encerramento sentindo o gosto da frustração.

2 – A arquibancada organizada palmeirense, a mesma que clamava por Cuca durante o Campeonato Paulista e é cúmplice da diretoria, responsabiliza os jogadores. O ônibus foi alvejado na saída da Academia para o Allianz Parque, em uma cena que misturou ignorância e injustiça.

3 – Após um ano em que o time foi dirigido por três técnicos, é possível que jogadores “culpados” pelo fracasso sejam dispensados. Mas as pessoas que converteram a temporada em um manual de como não fazer futebol seguirão tomando decisões e se escondendo da responsabilidade.

4 – A trajetória do Flamengo é similar em sabor, mas distinta nos detalhes. A pressão externa minou Zé Ricardo e certos jogadores, sob o “argumento” de que não estavam à altura dos objetivos do clube. Mas o time insiste nos mesmos defeitos, algo difícil de explicar sem recorrer a subjetividades que beiram a comédia.

5 – O Flamengo exibia fragilidade defensiva quando Moisés criou o gol de Deyverson com um ótimo lançamento, aos treze minutos. Lance permitido pela oferta de tempo na origem e espaço no desfecho. O atacante nem precisou finalizar como queria para vencer Diego Alves.

6 – Sem esforço, o Palmeiras chegou ao segundo gol em um lance que os defensores rubro-negros podem descrever bem. Entre pedidos de impedimento e erros de posicionamento, eles apenas observaram o chute com efeito de Keno bater na trave e Deyverson cabecear para a rede.

7 – Rafael Vaz foi escolhido o rosto de um primeiro tempo em que o Flamengo não se aproximou do que se poderia entender como um plano. Apontar o dedo para um indivíduo em um jogo de equipes é o caminho mais curto para encerrar a questão sem saber por quê.

8 – A entrada de Vinicius Júnior no lugar de Cuéllar aumentou a exposição, mas ao menos deu ao Flamengo um senso de direção. Só que Diego Alves continuou representando a última linha de uma defesa que parecia não ter outras. Majestosa intervenção para impedir um gol de Thiago Santos.

9 – À meia hora da segunda parte, o número de ocasiões de gol do Flamengo era:

10 – Inexistência do oponente à parte, o Palmeiras fez uma atuação bem superior às duas rodadas anteriores no aspecto da execução de ideias. Foi evidente o ritmo (virtude fundamental para times que querem ser bem sucedidos) ditado principalmente por Moisés e Dudu, mesmo depois que a vantagem de 2 x 0 estava estabelecida.

11 – Um lugar na próxima edição da Copa Libertadores, espécie de salvamento da temporada, vai se solidificando para o Palmeiras nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. O Flamengo não pode pensar assim, embora tenha também uma rota via Copa Sul-Americana. Foi um domingo discreto para os dois, o que simboliza tudo o que 2017 deveria ter sido.

O CARA

Na comemoração do 1 x 0 do Corinthians sobre o Avaí, no sábado, a imagem da televisão mostrou um rapaz vestindo uma camisa com listras horizontais brancas e pretas, apontando para Kazim e dizendo: “você é o cara!’. O gol é de fato um momento transformador.

SEGUE…

Uma vaga na Copa do Mundo do ano que vem ficou com a Suíça, após um confronto em que o único gol foi produto de um pênalti inexistente. Essa é a típica situação que os críticos do árbitro de vídeo (dispensado pela Uefa para a ocasião) preferem não comentar.

BANHO DE SOL

José Maria Marin foi visto saindo para o passeio autorizado pela Justiça americana, ontem, em Manhattan (Nova York). Rápida caminhada para o almoço em um restaurante bem avaliado da cidade, e retorno dentro do horário permitido. Sempre acompanhado por um agente federal. O julgamento recomeça hoje.

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Resposta de líder 

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1 – O dérbi começou com um chute defeituoso de cada centrovante e posicionamentos de marcação semelhantes. Corinthians e Palmeiras compartilharam a iniciativa de dificultar a saída do rival com pressão dos jogadores mais avançados. O que os diferenciava era a maneira como procuravam vencer esse primeiro bloqueio: o time de Carille, com passes longos; o de Valentim, com o jogo curto que o caracteriza desde a troca de comando.

2 – A ideia corintiana se mostrou mais produtiva nos momentos iniciais. Uma bola roubada no lado esquerdo da defesa do Palmeiras se transformou em trama para o chute de Rodriguinho, desviado por Fernando Prass para escanteio. Boa defesa, mas, como de hábito nas rodadas recentes, o meia do Corinthians finalizou mal perto do gol.

3 – Um erro de Arana no campo de ataque acionou o contragolpe e a arrancada de Borja, em jogada pessoal. Chute na rede, por fora. Amostra de que o Palmeiras, hoje uma equipe associada, também tem velocidade para aproveitar o espaço em transição.

4 – O Corinthians era claramente superior quando marcou, aos vinte e sete minutos, com Romero. Mais volume e mais organização ofensiva. A bola que atravessou a área e chegou ao aracante paraguaio, na segunda trave, pareceu ter sido batida para o gol por Rodriguinho. A imagem – que não auxilia a arbitragem no Brasil, apesar de tantos exemplos a cada rodada – mostrou Romero adiantado em um lance de alta dificuldade para o assistente.

5 – Em vantagem, o líder seguiu melhor. Prass evitou o segundo gol saindo aos pés de Jô, servido por um ótimo passe de Rodriguinho. Na cobrança de escanteio, a falha defensiva do Palmeiras permitiu que a bola batesse na barriga de Balbuena e entrasse. Uma vantagem de dois gols antes da primeira meia hora, algo que não se imagina em enfrentamentos como esse, estava estabelecida em Itaquera. E era plenamente compatível com o desempenho dos dois times no clássico.

6 – Mas não teve longa vida. Mina manteve a sequência de jogos em que o Corinthians sofreu gol(s) pelo alto. O zagueiro colombiano esbanjou estatura e impulsão em um duelo cruel com Rodriguinho na área: 2 x 1. Punição a um defeito frequente.

7 – Não houve um momento sequer de calmaria durante o primeiro tempo. Dois minutos após o gol palmeirense, Edu Dracena fez falta em Jô dentro da área. O mesmo Jô pediu a bola e a depositou no canto esquerdo do gol defendido por Prass, que caiu para o outro lado. Vantagem reconstruída em uma atuação muito elogiável do líder do campeonato em seu estádio.

8 – A segunda parte não alterou o rumo da tarde dos laterais palmeirenses. Mayke e Egídio foram constantemente expostos por Clayson e Romero. Uma tendência verificada desde o início do jogo.

9 – O Corinthians controlava o encontro sem sinais de sofrimento até ceder um escanteio do lado direito, aos vinte e um minutos. A jogada gerou mais um gol (o quarto nas últimas três rodadas), mas por um caminho diferente do habitual. Pablo desviou a bola para trás, habilitando Moisés, em posição adiantada. O volante palmeirense acertou um formidável sem-pulo e devolveu seu time ao jogo.

10 – Óbvia dinâmica do trecho final: a posse do Palmeiras levou o jogo às proximidades da área de Cássio, enquanto o Corinthians se posicionou para explorar a metragem de gramado disponível. Com Deyverson e Borja em campo, a bola aérea passou a ser a primeira opção, até mesmo com uma estratégia usada por Cuca: o lateral direto para a frente do gol.

11 – O Palmeiras teve uma coleção de escanteios, mas a ocasião em que esteve mais próximo do empate veio nos acréscimos, quando Romero infantilmente se desfez da bola e uma cobrança de lateral criou um lance de perigo com Roger Guedes na área.

12 – Resposta maiúscula do líder – que venceu os três “dérbis do centenário” – sob máxima pressão. Carille soube mobilizar o time em uma semana crucial.

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Mergulho

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1 – No período mais difícil desde que assumiu o Corinthians, Fábio Carille voltou ao local em que sua primeira grande alegria como técnico nasceu: a vitória por 3 x 0 sobre a Ponte Preta, no jogo de ida da final do Campeonato Paulista, que encaminhou a conquista do título estadual.

2 – Naquela tarde, em abril, o estádio Moisés Lucarelli viu um visitante que errava pouco e não permitia que o adversário falhasse. Era o prenúncio da campanha do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, embora ninguém se atrevesse a fazer tal previsão. Com escalação inicial idêntica à daquele domingo, Carille imaginava uma atuação semelhante.

3 – Mas os efeitos do tempo são evidentes neste choque entre o desejo pelo troféu e a esperança pela permanência na Série A. A Ponte Preta tirou Cássio do chão em um chute insinuante de Danilo e um cabeceio em que Rodrigo estava posição irregular. O travessão impediu um gol de Gabriel, que se jogou no gramado para conseguir finalizar.

4 – O Corinthians de hoje é o inverso do time que construiu a liderança na classificação. Perdeu eficiência ofensiva e se tornou vulnerável, especialmente em jogadas aéreas. O lance bem trabalhado pelo lado esquerdo do ataque da Ponte criou o gol de Lucca, o nono de cabeça que o líder permitiu no campeonato.

5 – No intervalo, a perspectiva da diminuição da vantagem para três pontos (em caso de vitória do Palmeiras nesta segunda-feira) tinha um significado claro: a liderança do Campeonato Brasileiro, propriedade corintiana por tanto tempo, estava ameaçada. A reação imediata de Carille foi a substituição de Gabriel por Clayson, mandando o time ao ataque no momento de maior pressão.

6 – O empate só não aconteceu aos quatro minutos porque Aranha defendeu, com o pé, um chute rasteiro de Rodriguinho. O autor de dois gols na decisão estadual deve se penitenciar por ter finalizado mal, a um passo da pequena área.

7 – A Ponte estava naturalmente à espera, certa de que haveria ocasiões para atacar com vantagem. Na primeira delas, Emerson Sheik, sem marcação, desviou o cruzamento de Lucca para a linha de fundo. Com o jogo encaixado nesta dinâmica, a manutenção do placar obrigaria o Corinthians a arriscar em Campinas.

8 – Pedrinho (no lugar de Romero) aos vinte e nove minutos; Kazim (no lugar de Maicon) aos trinta e seis. Medidas de emergência na busca de ao menos um ponto, o que, antes da rodada, não poderia se considerar um resultado satisfatório.

9 – Com o Corinthians instalado no campo de ataque e enviando a bola à área de Aranha, o goleiro da Ponte Preta se responsabilizou por proteger a vitória que remove seu time da zona do rebaixamento. Duas defesas, em cabeceios de Pablo e Jô, mantiveram o 1 x 0.

10 – O produto da queda vertiginosa do líder: o Corinthians não é mais o único time que depende dos próprios resultados para ser campeão. Esfregando as mãos, o Palmeiras pode tomar o primeiro lugar com vitórias nesta segunda-feira e no próximo domingo. O jogo de futebol é um professor incansável.

NÃO É POSSÍVEL

A atual diretoria do Santos provavelmente estabeleceu o recorde de nonsense em gestão de futebol. A segunda demissão de Levir Culpi, nove dias depois da primeira, foi o resultado de uma derrota para um time dirigido pelo técnico que Levir substituiu em junho. Existem clubes dirigidos por amadores. Existem clubes dirigidos por amadores em ano de eleição. E existe o Santos de Modesto Roma Júnior.

É POSSÍVEL

Números do Manchester City, na vitória de sábado em visita ao West Bromwich, por 3 x 2: 78,2% de posse de bola, 930 passes, 15 finalizações, 3 gols, 7 faltas. Sim, em um jogo do Campeonato Inglês, que, dizem, “não aceita” um certo tipo de futebol. A segunda temporada de Pep Guardiola toma um rumo inicial semelhante à primeira, mas com um jogo muito mais enfático e jogadores mais capazes. Para quem admira futebol, cada partida é um compromisso.

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Presente

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1 – O Grêmio de Luan e reservas era um convite à terceira vitória consecutiva do melhor Palmeiras que Alberto Valentim poderia montar. Encontro de cem pontos em Porto Alegre, valendo o segundo lugar na classificação e uma pressão de um dia no líder.

2 – Duas chegadas de Arroyo (a primeira, em impedimento), explorando o posicionamento defeituoso da defesa do Palmeiras. Na segunda, o equatoriano desperdiçou bom passe de Everton ao demorar para finalizar.

3 – É possível enxergar o trabalho de um técnico na terceira partida? Em comportamento, sim. Alguém escolheu jogadores, orientou e exercitou uma mudança no padrão de marcação, assim como um jogo mais curto na construção de movimentos. O Palmeiras não atua de maneira diferente por causa de um “fato novo”, mas por causa de um treinador novo.

4 – Há quem pense que o futebol é um jogo de extrema simplicidade, em que os técnicos transmitem ideias gerais e os jogadores fazem o que bem entendem. Até existem times assim, os que raramente chegam a algum lugar. Não é o caso de Grêmio e Palmeiras, claro.

5 – Mesmo assim, o encontro em Porto Alegre é sonolento. Nenhuma finalização certa na altura dos quarenta minutos, indício de movimentos interrompidos antes do estágio da emoção. O Grêmio tem a atenuante da escalação diferente. O Palmeiras, não.

6 – Um chute de Keno, na área, defendido por Paulo Victor aos quarenta e quatro minutos. Primeira conclusão no alvo da tarde.

7 – A volta do intervalo é o momento em que as intenções ficam mais claras, mas certos jogos só se alteram de fato quando um gol acontece. O Palmeiras foi o lado que comemorou logo aos três minutos, quando o chute de Dudu desviou em Marcelo Oliveira e entrou no canto que não era o procurado. A desvantagem em casa testaria o potencial do time B de Renato.

8 – Mas antes dos dez minutos, a posição palmeirense ficou ainda melhor com o gol de Moisés, no rebote de Paulo Victor. Detalhe para a presença de espírito de Keno, que passou pela bola e ficou dentro do gol para não interfererir na jogada. E ainda precisou se proteger do chute.

9 – 3 x 0 com Dudu, de novo, após a triangulação entre Keno, Tchê Tchê e Mayke pelo lado direito. Toques de primeira no espaço curto até o passe do lateral na linha de fundo, na direção da segunda trave. Os enamorados pela aleatoriedade do futebol creem que é casual.

10 – O lance começou com um lateral que poderia ser cobrado direto para a área…

11 – O terceiro gol saiu aos dezessete minutos, marcando o final da partida em relação à determinação do vencedor. Neste período, ficou evidente a distância técnica entre os times em campo, origem da impressão de que um deles “quis mais” o resultado. Sim, tudo começou com uma bola desviada, mas o que se deu depois disso foi apenas jogo.

12 – A defesa do Palmeiras não conseguiu tirar a bola da área, após a cobrança de falta de Luan, e Michel girou para marcar. Um gol que foi mais fruto de insistência do que de competência.

13 – O Palmeiras vence uma vez mais e se apresenta como principal perseguidor do Corinthians. Além de ser quem melhor joga neste momento, tem o confronto direto no dia 5 de novembro. O Grêmio se apega ainda mais à Copa Libertadores, torneio que determinará a nota final de sua temporada.

CONFISSÃO

Teve menos repercussão do que deveria a admissão de Marco Polo Del Nero de que a CBF se precipitou sobre a utilização do árbitro de vídeo em 2017. O cartola ainda se mostrou um curioso sobre o assunto, o que confirma que tudo não passou de uma reação intempestiva de quem não sabia do que falava. Ou uma “jogada” – sempre há iluminados que sugerem esse tipo de coisa – para desviar a atenção do gol que Jô marcou com o braço. De qualquer forma, é estarrecedor que a abordagem de Del Nero a um tema dessa importância seja tão descompromissada, a ponto de supor que o VAR é uma simples questão de investimento e vontade.

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Futilidade

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No encerramento da temporada passada, os três primeiros colocados no Campeonato Brasileiro pareciam bem posicionados para cumprir um 2017 produtivo, com a sequência do desenvolvimento de seus times e, provavelmente, conquistas. A principal questão no Palmeiras era como a comissão técnica, com Eduardo Baptista à frente, administraria um vestiário condecorado pelo título nacional durante a montagem de uma nova equipe. Santos e Flamengo se encontravam em situações semelhantes, em que a manutenção de Dorival Júnior e Zé Ricardo, respectivamente, possibilitaria um passo à frente no amadurecimento coletivo.

Baptista foi demitido em maio. Dorival, em junho. Zé Ricardo, em agosto. A dez rodadas do final do ano, Palmeiras, Santos e Flamengo estarão satisfeitos se conseguirem um lugar na próxima edição da Copa Libertadores da América. O atual campeão aguarda o Campeonato Brasileiro terminar, já pensando em 2018 e com um treinador interino. O vice-campeão alimenta os percentuais de uma perseguição improvável ao Corinthians. O terceiro colocado investe no troféu da Copa Sul-Americana, que, mesmo se conquistado, não impedirá que a temporada seja qualificada como decepcionante.

Antes da realização da vigésima-nona rodada do campeonato nacional, o Santos era o único desses três clubes a aparecer entre os quatro primeiros colocados. Palmeiras e Flamengo, por mais incrível que possa parecer, ostentavam pontuações mais próximas da região do rebaixamento do que da liderança. Em jogo, o Palmeiras não conseguiu solucionar a crise existencial provocada pelo retorno de Cuca e o Flamengo prossegue exibindo os mesmos defeitos de comportamento perceptíveis durante a direção de Zé Ricardo. O Santos se tornou momentaneamente mais competitivo com Levir Culpi, embora esteja de mãos vazias.

Nos três casos, as decisões de demitir treinadores não tiveram razões futebolísticas, mas foram frutos de pressões internas agravadas pela insatisfação da parte mais ruidosa da torcida. Especificamente na Vila Belmiro, o ambiente político do clube aumentou a possibilidade da geração do que cartolas chamam de “fato novo”. Por mais evidentes que sejam as conclusões sobre a futilidade das demissões, elas continuarão se repetindo enquanto clubes de futebol forem administrados com convicções que duram apenas até o próximo jogo. E enquanto a escolha de treinadores for feita pelos motivos errados.

São tantos equívocos que, hoje, apenas o Flamengo sabe quem será seu técnico no próximo ano. Parece claro que Reinaldo Rueda foi contratado para terminar 2017 da melhor forma possível e iniciar a nova temporada em uma posição favorável. Alberto Valentim usará um crachá temporário e, se tiver sucesso imediato, suscitará comparações com Fábio Carille, mas sua efetivação não será decidida antes da procura do Palmeiras por um treinador estabelecido. Levir Culpi dependerá de várias circunstâncias para permanecer no Santos, incluindo, é claro, sua própria decisão. E assim o carrossel continuará girando, impulsionado pelo vento, não por ideias.

LÍDER

Em posição de destaque neste campeonato de futilidade, o Atlético Mineiro não pode ser esquecido. Em 2016, um técnico demitido no primeiro semestre e outro no meio da decisão da Copa do Brasil. Em 2017, a coleção aumentou com mais três treinadores. É uma aula a cada temporada.

JOGO DE BOLA

Manchester City e Napoli se enfrentam amanhã, pela fase de grupos da Liga dos Campeões da Uefa. Encontro de dois times que se propõem a monopolizar a bola, construir movimentos desde a própria área, transformar passes em gols. Jogo não recomendado aos enamorados pelo futebol vulgar.

AGRADECIMENTO

Algo que faltou à coluna de quinta-feira passada, na seção Camisa 12 deste diário, sobre Lionel Messi: imagine a quantidade de material danoso à saúde que seria dita/escrita se Messi não marcasse os gols que levaram a Argentina à Copa do Mundo. 

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Valendo

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Tite declarou o “início” da Copa do Mundo de 2018 no dia da convocação para os jogos contra Equador e Colômbia, mas é apenas no encontro com o Chile, amanhã, que as Eliminatórias adquirirão o caráter de “jogo de Copa” para a Seleção Brasileira. Na data Fifa anterior, o momento de decisão ainda não estava presente. Nesta, além do contínuo processo de formação de grupo e equipe, a visita ao ar rarefeito boliviano em quase nada acrescentou à preparação para o objetivo final. Mas o jogo no Allianz Parque reúne muitas características de uma dessas partidas que encerram a fase de grupos de um Mundial, em que um dos times, já classificado, enfrenta um adversário que não pode deixar de vencer.

A propósito: Brasil e Chile já se encontraram quatro vezes em Copas, sempre em situações em que o resultado importava a ambos. Em 1962, pelas semifinais. Em 1998, 2010 e 2014, pelas oitavas. A Seleção prevaleceu sempre, com três vitórias no tempo normal e os pênaltis do Mineirão, após empate em 1 x 1. Na primeira rodada das Eliminatórias para a Rússia, os chilenos – sob a direção de Jorge Sampaoli – foram indiscutivelmente superiores ao time de Dunga em Santiago, quando venceram por 2 x 0, há dois anos. Desde então, cada time percorreu trajetórias inversas, ilustradas pela situação que se apresenta na conclusão do torneio. O técnico Juan Antonio Pizzi está em modo de sobrevivência, enquanto Tite pode usar um jogo de competição para avaliar ideias.

Ênfase no “pode”. A julgar pela escalação anunciada ontem, o técnico brasileiro trata o encontro como mais uma ocasião para dar prosseguimento ao desenvolvimento de seu time, evitando descaracterizá-lo em nome de experimentações. E faz sentido. Além de não haver outra partida oficial até a estreia no Mundial, é certo que o Chile terá um comportamento agressivo à procura do único desfecho que lhe interessa, o que permitirá a observação do Brasil em uma dinâmica de jogo que não costuma acontecer em casa. A obrigação de vitória dos chilenos pode simular enfrentamentos com equipes plenamente capazes de atacar e superar a Seleção Brasileira, condições em que o time de Tite ainda precisa ser avaliado.

A ideia de que o Brasil está pronto para a Copa é uma precipitação. Os excelentes resultados obtidos, com notável aprimoramento de jogo, desde que a comissão técnica atual assumiu um time em sexto lugar nas Eliminatórias não devem fazer supor que o tempo de trabalho é o adequado. Não é. Em pouco mais de um ano, Tite foi capaz de fazer muito, mas seu time não passou pelas experiências necessárias ao ciclo de preparação para um Mundial, como jogos contra seleções de elite, especialmente europeias. Os amistosos marcados para o próximo mês, contra Japão (idealmente seria a França, mas não foi possível) e Inglaterra não alcançam este nível, motivo pelo qual se tenta agendar um encontro com um grande adversário europeu antes do jogo já definido com a Alemanha, em março.

Brasil x Chile é “jogo de Copa” e assim deve ser tratado, sem que isso impeça Tite de fazer alterações circunstanciais conforme o andamento da noite. Ocasião, por exemplo, para fixar a variação com a linha de três meias e Coutinho jogando por dentro, que oferece novos problemas ao oponente pela reunião de quatro jogadores ofensivos. Ademais, é uma excelente oportunidade para a Seleção Brasileira voltar a vencer, o que não acontece desde os 2 x 0 sobre o Equador, quando fez um primeiro tempo defeituoso.

NA COPA

As classificações de Costa Rica e Egito para a Copa do Mundo, caracterizadas por cenas de absoluta loucura tanto nas cadeiras quanto nos gramados, mostram que jogar um Mundial é uma conquista que emociona muita gente. Essa emoção deveria ser tratada com mais respeito pelos donos do futebol.

QUASE NA COPA

A Islândia, com uma população que não chega a 350 mil pessoas, está às portas de uma vaga direta na Europa. Um feito gigantesco.

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Igual

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1 – Na teoria, as condições eram atraentes para o líder. Visitante, como se sente mais à vontade, diante de um adversário inebriado pelo título da Copa do Brasil e desgastado pelo jogo do meio da semana. Um panorama que deveria gerar confiança na conquista de pontos fora de casa, como foram tantos durante o primeiro turno do campeonato.

2 – Mas este não é o primeiro turno, e este claramente não é aquele Corinthians. Não só pela ausência de seu jogador mais importante, substituído por um companheiro que não o substitui, mas principalmente pelas deficiências que surgiram no lugar do que eram virtudes.

3 – A consistência defensiva, como as últimas rodadas evidenciaram, não é mais a mesma. Jadson falhou na recomposição do lado direito da defesa, expondo Fágner à jogada de Alison com Diogo Barbosa. Ótimo cruzamento para Rafinha (1,67m) se antecipar a Arana e vencer Cássio com um cabeceio forte. A exemplo do que se deu no Morumbi, domingo passado, o gol cruzeirense obrigou o Corinthians a fazer um jogo diferente do que pretendia.

4 – E um jogo que favorecia ao Cruzeiro, confortável para recuar alguns metros e convidar o líder a tentar a sorte no campo de ataque. Os índices de posse desenharam a dinâmica do primeiro tempo: o gol aos dezenove minutos contribuiu para que os mineiros tivessem a bola por apenas 41% do tempo em casa.

5 – A tarde de Jadson terminou no intervalo. Mais insinuante e útil à ideia de criar a própria jogada, Marquinhos Gabriel recebeu outra vez a missão de injetar ofensividade em um time em desvantagem e em claras dificuldades. O trabalho ficaria menos complicado se o gol de cabeça de Balbuena, habilitado no que se chama na arbitragem de “lance ajustado” (pelo nível de dificuldade), não fosse anulado por impedimento.

6 – Brilhante defesa de Fábio, esticando-se para a direita para negar o empate a Rodriguinho, na primeira jogada de parede feita por Kazim. O chute foi muito bem colocado, mas o goleiro do Cruzeiro foi melhor.

7 – Enquanto Mano esperava, Carille deu um passo adiante ao trocar um jogador de meio de campo (Gabriel) por um atacante (Clayson). O cenário no Mineirão ficou estabelecido antes dos vinte minutos: o Cruzeiro teria espaço para punir a iniciativa do líder.

8 – O volume ofensivo dos visitantes era mínimo quando Murilo cortou, com o braço, um cabeceio de Kazim na área, aos trinta e oito minutos. Marcação correta do árbitro Rodolpho Toski Marques, convertida por Clayson em um empate que o Corinthians buscou com muito mais empenho do que jogo.

9 – Quando Mano disse, no pré-jogo, que “faltaria alguma coisa” em seu time por causa da celebração do título da Copa do Brasil, ele provavelmente se referia à queda de intensidade notável na parte final. Tanto que Carille ordenou pressão nos últimos minutos, insatisfeito com o 1 x 1.

10 – O ponto somado deixou em oito a diferença para o Santos, e evitou que o técnico corintiano tivesse de administrar as repercussões de uma derrota durante o período das datas Fifa. Mas não escondeu os problemas do líder em sete rodadas do segundo turno. Se é fato que todos os times passam por oscilações neste campeonato, as do Corinthians parecem se prolongar para além do que é natural. Até o jogo contra o Coritiba, ao menos haverá tempo para recuperar Jô.

DIALOGAR…

As observações feitas por Reinaldo Rueda, em entrevista na sexta-feira passada, deveriam estimular a necessária conversa sobre como se analisa futebol no Brasil. Censurar o técnico do Flamengo com base em sua nacionalidade, como se este fosse um critério que o autorizasse ou não a expressar o que pensa, é o recurso de quem não compreende e não tem nada a acrescentar ao debate.

… É PRECISO

Impedir um repórter de trabalhar, como fez o Flamengo em represália à cobertura de um meio de comunicação, tampouco é um bom caminho. Felizmente o clube reconsiderou a decisão.

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A vida anda rápido

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1 – Um gol perdido foi também um sinal postivo. Na jogada que Romero iniciou após um erro de Madson, apareceu a associação dos dois meias, tão importantes para o bom funcionamento da maneira de jogar do Corinthians: Jadson para Rodriguinho, na área. O chute passou perto da trave e enganou muita gente ao tocar a rede por fora.

2 – O Corinthians tinha controle e boa circulação, embora sem o capricho para superar o bloqueio vascaíno diante de sua área. Também se defendia com solidez, permitindo ao Vasco apenas dois chutes de fora da área na primeira meia hora, ambos defendidos por Cássio com certa dificuldade.

3 – Na medida em que o time carioca passou a jogar um pouco mais adiantado, os espaços se tornaram generosos. Mas o plano de fazer a bola chegar por dentro a Jô não teve efeito. É uma jogada vital para o Corinthians, seja com o atacante como destino final ou viabilizador da aparição de companheiros. Tem sido silenciada por marcação competente, ainda que, neste domingo, Jô possa reclamar de um pênalti ignorado.

4 – Rodriguinho teve outra ocasião, de cabeça, dentro da pequena área. O álibi da surpresa – Jô não conseguiu alcançar a bola, que se ofereceu de repente – é válido, mas tocá-la por cima do travessão pareceu o mais difícil. O primeiro tempo começou e terminou com um gol que ele quase marcou.

5 – E o segundo tempo se abriu no mesmo tom: Jô cruzou do lado esquerdo e Rodriguinho concluiu à curtíssima distância de Martín Silva. A defesa no reflexo, com a mão direita, salvou o Vasco.

6 – O atual momento do líder do campeonato é marcado por claros defeitos de execução. O bonito lance de Rodriguinho com Fágner, tabelando pelo lado direito, propiciou um caso exemplar. Jadson aguardava a bola na marca do pênalti para finalizar a jogada treinada e tantas vezes bem sucedida, mas o chute saiu torto.

7 – Com Arana e Jadson, combinação parecida do lado esquerdo. Passe para trás, para a chegada de Maycon. Outro chute com a direção errada, outro gol que ficou no quase.

8 – Há passagens em que um time de futebol dá a impressão de que encontrará um jeito de vencer jogos, mesmo que esteja em um mau dia. Há outras em que, por mais que produza e tente, sugere que não terá sucesso.

9 – O lance do gol é uma ilustração das dificuldades momentâneas do Corinthians. Excelente avanço de Marquinhos Gabriel pelo lado esquerdo, cruzamento desviado que provavelmente tocaria na trave e entraria. Mas Jô, com o braço direito, criou um tento irregular cuja validação é uma lástima.

10 – Cabe um comentário sobre a inutilidade do árbitro que se posiciona ao lado da trave e não vê o toque de mão, ok. Mas, quantas vezes forem necessárias: em um jogo com árbitro de vídeo, um gol como esse jamais veria a luz do dia. Não há justificativas.

11 – Jô era o jogador envolvido no episódio de fair play de Rodrigo Caio, no Campeonato Paulista. A vida anda rápido.

12 – O Corinthians jogou mais do que o Vasco e teve diversas oportunidades para marcar. Terminou por vencer o encontro com um gol ilegal, o tipo de ocorrência que não tem mais lugar no futebol. Enquanto o resultado – somado aos demais, aumentando a vantagem na liderança do campeonato – será visto como prova de recuperação, a atuação voltou a exibir alguns problemas das rodadas recentes.

DIFERENTE

Paulinho se projetou pelo meio da defesa do Getafe, acelerou para pedir a bola a Lionel Messi, recebeu, dominou, travou um adversário no corpo e marcou o gol da vitória do Barcelona, o primeiro dele pelo clube. Um gol muito celebrado em campo, e que pode indicar de que forma o brasileiro será utilizado em um time que pretende voltar a jogar com posse. De todos os nove meiocampistas do elenco, Paulinho é o jogador cujas características mais se distanciam da ideia que o Barcelona tradicionalmente representa. Talvez por isso seja aquele que pode contribuir com um comportamento diferente, inesperado. O começo foi interessante.

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