Arquivo da categoria: coluna da terça

Formação

Leia o post original por André Kfouri

1 – Quatro vitórias consecutivas deram ao São Paulo a segurança necessária para abordar o clássico como uma oportunidade para se estabelecer. Ficou clara a iniciativa “de mandante” contra o Santos, com mais jogo e mais ofensividade no Morumbi.

2 – Além da ótica resultadista, mesmo no segundo mês da temporada, criou-se um critério para avaliar o time dirigido por Dorival Júnior em 2018: a viabilidade de Jucilei, Nenê, Diego Souza e Cueva atuarem juntos. Equipes que funcionam são feitas por jogadores que se complementam, algo que não é possível verificar em fevereiro.

3 – Com vinte minutos, ficou evidente que o jogo do São Paulo era o da construção, enquanto o do Santos era o da surpresa. Ambos cumpriam bem seus papeis. Circulação interessante do time de Dorival no campo de ataque, com Cueva como desequilíbrio. Postura recuada do time de Jair, começando pela ocupação de espaço dos três atacantes.

4 – Vanderlei mostrou velocidade de reação para travar o chute de Cueva, logo depois de evitar um toque por cobertura de Diego Souza. Foi a principal ameaça ao zero a zero em um primeiro tempo controlado pelo São Paulo, mas no qual faltou capricho na execução das ideias dos dois times.

5 – O Santos encontrou o que procurava no início da segunda parte, na primeira jogada pelo lado em que houve tranquilidade para fazer o passe consciente. Bom movimento de Gabriel, recuando para receber de Eduardo Sasha e acertar um chute cruzado e rasante.

6 – Pode-se fazer diversas críticas ao atacante santista, recém-chegado de uma aventura frustrada na Europa. Mas Gabriel sempre foi um finalizador talentoso, o tipo de jogador que não pode ter a liberdade concedida pela defesa são-paulina.

7 – O clássico entrou na fase das substituições, sem que a dinâmica fosse alterada. O que se notou foi uma providência de Jair Ventura para ter apenas dois jogadores avançados, fechando seu time ainda mais. Quando isso aconteceu, Cueva já tinha deixado o campo e o São Paulo ficou previsível diante da defesa posicionada.

8 – Na parte final, a queda física dos dois times levou a uma disputa tecnicamente fraca, facilitando a tarefa de quem estava em vantagem. A manutenção do resultado dependia da capacidade de suportar uma pressão desorganizada, o que o Santos conseguiu fazer sem sofrimento.

9 – Além de mais um gol de Gabriel (ele já fez mais neste retorno do que no período em que jogou na Europa), o que chamou a atenção na atuação do Santos foi a sintonia coletiva na aplicação de um plano. A ideia era conter o São Paulo sem deixar de ameaçar, expediente que não tem chance de sucesso sem a adesão de todos.

10 – É natural que equipes que escolhem a iniciativa tenham defeitos enquanto se formam, e que esses defeitos fiquem expostos em resultados ruins. O São Paulo não soube converter seu volume em gols, nem mesmo em um número de ocasiões satisfatório, e se abateu quando ficou em desvantagem. O maior problema é a formação ser prejudicada pelos resultados, um fenômeno frequente no futebol brasileiro.

ATRASADO

Por coincidência, Botafogo e Flamengo chegaram a um acordo para o uso do Estádio Nilton Santos no dia seguinte a uma entrevista primitiva de Carlos Augusto Montenegro. É salutar que a mentalidade retrógrada do ex-dirigente botafoguense, favorável ao rompimento entre os clubes por causa do episódio do “chororô”, esteja afastada do dia a dia e seja apenas uma influência do atraso na tomada de decisões. Para a sorte do futebol do Rio de Janeiro, executivos dos dois lados foram capazes de solucionar o problema.

AGORA…

Proliferam elogios – merecidos – a Zé Ricardo, que conduz o Vasco com as ideias de quem sabe o que quer e acredita no valor do trabalho. É uma pena que tais elogios não foram ouvidos ou lidos quando a pressão externa sobre sua posição no Flamengo se tornou insuportável e a diretoria sucumbiu. É o mesmo treinador, com os mesmos conceitos.

O post Formação apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

A regra impossível

Leia o post original por André Kfouri

Na semana passada, um lance em um jogo ocorrido no campeonato inglês exemplificou uma das grandes – se não a maior – incoerências do futebol atual. A jogada do primeiro pênalti marcado a favor do Tottenham, em visita ao Liverpool, causou uma compreensível interrupção do fluxo do jogo e, simultaneamente, uma constrangedora confusão sobre a correta leitura da regra do impedimento entre torcedores, jornalistas e até ex-árbitros que ocupam funções de analistas na mídia britânica. Por sorte, a decisão em campo foi acertada, embora o desfecho do episódio não tenha tido impacto no placar, pois Loris Karius defendeu a cobrança de Harry Kane.

A quem não viu/soube: um passe de Dele Alli encontrou Kane livre na área. Ao driblar Karius, o atacante do Tottenham foi derrubado. Kane estava em posição de impedimento, mas o último jogador a tocar na bola antes dele foi Dejan Lovren, defensor do Liverpool, que tentou cortar o passe e terminou por habilitar o adversário, criando um novo lance. De pedidos para que a jogada fosse paralisada por impedimento em sua origem a compreensões equivocadas do termo “deliberadamente” (crucial para o efeito da regra), a repercussão da marcação foi caracterizada por desconhecimento das leis do jogo ou do idioma. Em campo, a conferência entre árbitro e assistente levou cerca de três minutos, tempo mais do que suficiente para que os replays na tv mostrassem o claro desvio de Lovren.

Como se sabe, o texto da regra diz que “um jogador em posição de impedimento que receber a bola jogada deliberadamente por um adversário (exceto quando se tratar de uma defesa deliberada) não deve ser punido”. Por “deliberadamente”, entende-se a clara intenção de jogar, e não, como se leu na coluna de um analista de arbitragem na segunda-feira, a intenção de fazer o passe para o adversário (o que seria uma sabotagem…). Difícil classificar o que foi mais grave: a falha técnica de Lovren ou o erro semântico de muitos que se dispuseram a comentar a jogada e a marcação do pênalti na liga mais prestigiada do mundo.

É uma situação inviável para os assistentes, que devem determinar origem, destino, posições, autoria e intenção de possíveis desvios na trajetória da bola, em pouquíssimo tempo e sem ajuda externa. Não é problemático que haja diálogo para que a decisão final seja a mais esclarecida. A questão é que o vídeo soluciona esse tipo de ocorrência em segundos, como se viu neste caso. De todas as situações do jogo em que a arbitragem precisa desesperadamente de auxílio, a lei do impedimento é, com distância, a principal. Só a imagem congelada e os diferentes ângulos de câmeras podem esclarecer as circunstâncias necessárias para sua correta aplicação, especialmente após as alterações de interpretação que a tornaram mais complexa.

Não é verdade que a relutância do futebol em evoluir nas regras mantém o esporte, global, compreensível a todos. A cada ano, um anexo ao livro das leis traz mudanças e orientações que interferem na forma como o jogo é mediado. Se árbitros e assistentes têm a necessidade de interromper jogos para estar na mesma página quanto a um lance, não há explicação para que este momento não seja aproveitado para resolver a situação com a maior probabilidade de acerto. E isso só o vídeo oferece.

OUTRO PONTO

A propósito: o tema das concussões permanece sem solução, algo que também exige a evolução da regra das substituições. Como é hoje, o futebol não permite que um jogador seja corretamente avaliado após um trauma na cabeça. Todos – atleta, médico, árbitro – estão sob a mesma pressão para que o tempo gasto seja mínimo, o que obviamente não atende ao que de fato importa. É preciso alterar a lei para autorizar a substituição temporária de um jogador que sofrer esse tipo de choque, e sua reversão caso ele possa retornar ao jogo. A medida alivia pressões e garante a igualdade numérica entre as equipes.

O post A regra impossível apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Peso leve

Leia o post original por André Kfouri

1 – Embora comissões técnicas e jogadores ainda estejam em fase inicial de trabalho, o calendário que não leva em conta a qualidade do jogo determina que a temporada já começou. Um clássico como Palmeiras x Santos, no primeiro fim de semana de fevereiro, não deveria ser nada além de uma oportunidade para seguir treinando, só que vestindo uniformes de jogo e aos olhos do público.

2 – Mas o espetáculo precisa prosseguir, seja como for. E assim mentiras sinceras são criadas para dar à ocasião um caráter que lhe passa longe. “Um teste para o time de Roger Machado, contra um adversário mais exigente” é uma delas. “O sentimental reencontro de Lucas Lima com o ex-time” é outra. Pouco importa que sejam temas irrelevantes nos ambientes dos clubes envolvidos.

3 – Melhor seria se a tarde fosse vista como um encontro de pré-temporada, em que cobranças fazem pouco sentido e o resultado tem peso leve. Neste estágio, equipes precisam de minutos juntas para que funcionamentos comecem a ser compreendidos. Técnicos precisam observá-las à procura das correções para os diversos defeitos que, por esperados, não devem ser exagerados.

4 – Um gol aos dois minutos melhorou as condições para o Palmeiras, de elenco mais qualificado e horizonte mais promissor. Cobrança de escanteio de Dudu, cabeceio livre – David Braz não chegou – de Antônio Carlos. Na hipótese do contra-ataque ser a principal ideia de Jair Ventura, a desvantagem precoce não seria apenas uma questão de placar, mas de jogo.

5 – O segundo gol não saiu por centímetros, quando a cobrança de falta de Lucas Lima bateu na trave. O Palmeiras se apoderou dos primeiros movimentos, jogando no campo santista sem permitir ameaças, causando a impressão de que não teria problemas para se estabelecer. Durou pouco. Com a bola, o Santos foi capaz de equilibrar o clássico, chamando Jailson ao trabalho duas vezes.

6 – Entre a bola na trave e o chute de Borja, que passou ao lado do gol de Vanderlei, o Palmeiras ficou trinta e três minutos sem finalizar. Ao analisar o primeiro tempo de seu time, a queda de objetividade certamente restou evidente para Roger Machado. Do lado santista, um sinal positivo foi a forma como o time se posicionou, usando um meio de campo numeroso, após sofrer um gol tão cedo.

7 – O reinício foi muito semelhante. O Palmeiras não marcou aos dois minutos, mas aos quatro. Willian deixou a bola escapar durante um movimento da direita para o centro, e Borja aproveitou o que foi um passe involuntário. Nas anotações de Jair Ventura, os dois gols com poucos minutos de jogo ganharão destaque.

8 – A falha no primeiro tempo era remediável, mas o 0 x 2 deixou o jogo bem complicado para o Santos. Enquanto seguir com a mesma estratégia seria inócuo, elevar o nível de agressividade levaria a mais riscos. A vitória do Palmeiras dependia da manutenção da atenção defensiva.

9 – Deu-se o oposto. Não sequência de uma jogada em que a bola saiu pela linha de fundo (a marcação correta seria escanteio para o Santos), Daniel Guedes cruzou novamente e Renato desviou de cabeça. Com pelo menos meia hora por jogar no Allianz Parque, o resultado estava aberto.

10 – Além da estreia de Gustavo Scarpa pelo Palmeiras (no lugar de Lucas Lima, aos quarenta minutos), nada mais houve digno de registro.

ABSURDO

As pessoas que justificam, relativizam ou minimizam a agressão de “torcedores” organizados a uma equipe de reportagem da ESPN Brasil no Parque São Jorge são as mesmas que converteram o futebol em um ambiente perigoso. As que se calam se omitem. Não pode haver tolerância com a violência, sob pena de declará-la vencedora, como já se deu em outros países. Assim como não há razão para defender quem contamina o futebol e o preenche de ódio, disfarçado pela máscara da paixão por um clube. Solidariedade ao repórter Flávio Ortega e ao cinegrafista Marcelo D’Sants. Aos agressores, punição.

O post Peso leve apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Astrologia

Leia o post original por André Kfouri

Philippe Coutinho repetiu a viagem que Cristiano Ronaldo, Gareth Bale e Luis Suárez fizeram. Trocou a Inglaterra pela Espanha, a Premier League pela “liga das estrelas”. Deixando de lado conjecturas sobre os desafios do Liverpool sem o jogador brasileiro, e as possibilidades para o Barcelona com ele, o movimento é significativo para o jogo entre as duas ligas nacionais europeias que geram mais interesse. A decisão de Coutinho não enfraquece a posição do campeonato inglês como o principal produto de futebol que pode ser acompanhado semanalmente, mas reforça a imagem do campeonato espanhol como o lugar onde se encontram os melhores futebolistas do mundo.

Como negócio, não há liga tão bem sucedida quanto a inglesa. O planejamento dos organizadores espanhóis é se aproximar do patamar de receitas da Premier League em dez anos, sinal da distância comercial que os separa. Provavelmente demorará ainda mais tempo para alcançar o nível de reconhecimento que faz com que um jogo do campeonato inglês seja identificado, em poucos segundos, pela televisão. É a padronização da excelência do campeonato mais visto no mundo, que vende tradição, organização, futebol bem tratado e um ambiente característico que se converte em apelo para apreciadores do jogo, independentemente de relações sentimentais com clubes.

Deveria ser o Éden para jogadores. E talvez seja, até o celular tocar e a tela exibir os códigos internacionais das cidades de Barcelona ou Madri. Os dois gigantes espanhóis costumam dominar um campeonato prejudicado pela disparidade financeira, defeitos estruturais e falhas de organização que comovem cartolas sul-americanos, mas exercem um poder de sedução que as virtudes da Premier League – por enquanto – não conseguem combater. Jogar no Barcelona e no Real Madrid representa ascensão na prateleira das percepções, faz crescer o nome e a marca de um futebolista, além de abrir horizontes coletivos e individuais que os principais clubes ingleses – ainda – não permitem.

Coutinho se tornou a segunda contratação mais cara da história do futebol. Na lista das dez maiores transferências, apenas três (Pogba, Lukaku e van Dijk) foram feitas por clubes da Premier League, que desfrutam de invejável realidade orçamentária. Barcelona e Real Madrid foram os compradores em cinco dessas transações (as duas restantes são as de Neymar pelo PSG e Higuaín pela Juventus), colaborando para manter o status do campeonato espanhol. Enquanto nomes como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo funcionarem como chamarizes para jogadores que desejem ser seus parceiros e/ou sucessores, a tendência perdurará mesmo que a liga espanhola não se compare à inglesa como produto.

Embora o time encantador no momento seja inglês, o Manchester City, a Premier League, hoje, é a liga das estrelas apenas no âmbito dos técnicos. Esse fator pode interferir no processo de decisão de jogadores consagrados nos próximos anos e contribuir para o desenvolvimento dos que já estão lá. Por ora, a noção de que a transformação de um futebolista em astro mundial passa por vestir a camisa de um grande clube espanhol explica a rota de Philippe Coutinho, justificando o apelido do campeonato que ele disputará. As carreiras e os currículos dos que o precederam oferecem farto material comprobatório.

PAPÉIS

Tite certamente adoraria que um possível experimento de Coutinho no papel de Iniesta desse certo, pelo benefício que a Seleção Brasileira teria em termos de escalação e variação. Mas é obrigatório considerar as diferenças de atributos entre eles antes de imaginar o brasileiro em uma função que lhe exigirá adaptação. Coutinho pode jogar em um trio de meias ou de atacantes, o que ilustra o valor de sua capacidade e o impacto de sua contratação. Será interessante observar como ele se integrará ao modelo de seu novo time.

O post Astrologia apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Coleta

Leia o post original por André Kfouri

A diferença de investimento, tão gritante quanto a distância técnica entre o campeão da Europa e o campeão da América, é um argumento automático antes, durante e depois do momento em que se encontram. Antes, para justificar a postura de pequeno contra grande em campo. Durante, para encontrar satisfação em qualquer detalhe. Depois, para explicar o que se deu. A partida se converte em uma experiência na qual se pretende acreditar na fábula do futebol, em que sempre haverá uma chance para quem a perseguir com fé, embora tudo se resuma a como se joga este jogo.

No caso de Real Madrid e Grêmio, a fábula está na incompatibilidade entre o relatório de estatísticas e o trabalho dos dois times. A ficha sugere que não houve jogo: 20 x 1 em finalizações, 7 x 0 nas que foram no alvo. O que há para se estranhar é o fato desses números terem produzido apenas um gol, e em cobrança de falta que passou por uma fresta na barreira e decidiu o Mundial de Clubes da Fifa a favor do conjunto espanhol. Mas a bola em movimento sempre conta a verdade, e o que se viu foi uma disputa por controle. Do Real Madrid para com o Grêmio e do Grêmio para com a forma como seria visto quando tudo terminasse.

Seis anos atrás, o Barcelona ofereceu aos pretendentes sul-americanos o retrato do que deve ser evitado a qualquer custo. Uma “decisão” que não alcança meia hora, um choque de praticantes de modalidades diferentes exposto ao mundo como um espetáculo bizarro. Desde então, aquele jogo tem sido o parâmetro para uma calibragem sarcástica: olha-se para o encontro da vez com teses sobre a possibilidade de acontecer de novo. E por mais que os envolvidos lidem com aspectos totalmente distintos, essa percepção os acompanha durante todo o tempo. Um a zero, com um gol de bola parada, permite um sentimento de dignidade ao Grêmio e a qualquer time que estivesse nessa posição. Mesmo sem preencher a coluna das finalizações certas.

De fato, permite até a ousadia de pensar que se Lucas Barrios não tivesse se mexido, o zero a zero sobreviveria até os últimos minutos, quem sabe até o final da prorrogação, e o futebol puniria o Real Madrid com um desses gols em que a bola parece ter olhos para encontrar seu caminho. Não, não seria assim, mas a certeza do torcedor está sempre acima da discussão razoável, aquela em que se nota como Casemiro, Kroos e, especialmente, Modric, determinaram tudo. Neutralizar o Grêmio não exigiu uma atuação brilhante do bicampeão europeu, um time que ilustra perfeitamente o valor do talento.

Ao final, em um jogo com explicações preconcebidas, a indagação sobre a ausência de um plano para ganhar é respondida com o temor do que tal devaneio pode causar. E conduzir a noite até os limites do acaso passa a ser não só uma estratégia defensável, mas talvez a única maneira de sair desses encontros em pé, como Keylor Navas, que só encostou na grama para defender um cruzamento no segundo tempo. A cada ano, o Mundial de Clubes se afasta mais da disputa de um título. É um evento em que um dos times apenas aparece para coletar o troféu.

VOTO DE POBREZA

Enquanto o Manchester City segue exibindo um tipo de futebol jamais visto na Inglaterra e reduzindo adversários a rascunhos de equipes, o cômico argumento do “voto de pobreza” de Pep Guardiola ganha tração. Além de ser o único treinador do mundo de quem se exige a Liga dos Campeões todos os anos, pede-se que Guardiola dirija um clube de baixo orçamento para provar sua capacidade. É mais ou menos como querer que Lewis Hamilton seja campeão na Fórmula 1 guiando uma Sauber. Ou que Michael Phelps ganhe medalhas de ouro olímpicas nadando de calça de moletom e galochas. Em qualquer modalidade, os melhores trabalham com as melhores condições e em parâmetros semelhantes. A questão é o que, e como, cada um faz com o que tem.

O post Coleta apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Feliz Natal

Leia o post original por André Kfouri

Tite se encontrou com a comissão técnica do Manchester City, no sábado. “Muito bem recebidos pelo clube e por Txiki Begiristain (diretor de futebol), Manel Estiarte (assistente), Ferran Soriano (executivo chefe) e Guardiola”, disse o técnico da Seleção Brasileira, por mensagem, à coluna. “Tu sabe, quando começa o assunto futebol, mais café, não tem tempo para parar…”, acrescentou, sem ser específico em relação aos temas da conversa, em que esteve acompanhado pelo auxiliar Sylvinho e por Edu Gaspar, diretor de seleções da CBF. É lógico que Gabriel Jesus, Fernandinho e Ederson, os jogadores da Seleção que atuam no líder da Premier League, estiveram na pauta.

Ontem, Tite e seu grupo de trabalho estiveram no estádio Old Trafford para acompanhar o encontro dos dois primeiros colocados do Campeonato Inglês, um dos jogos do ano no futebol europeu. O treinador brasileiro sabia exatamente o que esperar do dérbi de Manchester: “Duas escolas de futebol diferentes na concepção e com dois técnicos muito representativos de cada uma”, escreveu. O jogo ilustrou essa ideia com riqueza de detalhes. Enquanto o Manchester City foi ao célebre “teatro dos sonhos” e levou o jogo a ser disputado na metade do gramado defendida pelo United, os anfitriões do clássico foram reduzidos ao expediente que gera muito pouco além de tentativas de precipitar o erro o oponente.

A bola longa para o domínio de Romelu Lukaku, à espera da chegada em velocidade de Anthony Martial e Marcus Rashford, era absolutamente previsível, e, como tal, uma tarefa menos complexa para a organização defensiva do City. E quanto mais precisa era a circulação dos visitantes no campo de ataque, menor a possibilidade de uma transição do United com gramado para correr. O controle foi tamanho que a primeira finalização ao gol de Ederson se deu nos acréscimos do primeiro tempo, quanto o City já vencia com um gol de David Silva, aproveitando a bola que ficou na pequena área após um escanteio. No lance anterior, Leroy Sane tinha obrigado De Gea a uma defesa mais difícil do que a imagem sugeriu.

O City poderia ter se adiantado no placar mais cedo, quando Gabriel Jesus, lançado por Fernandinho, deixou Marcos Rojo sentado na área e finalizou mal de pé esquerdo. A expressão no rosto do atacante brasileiro evidenciou a chance perdida, que muito provavelmente foi parar no caderninho de anotações de Tite como conteúdo para uma futura conversa. É certo que Fabian Delph ouvirá de Pep Guardiola a respeito da falha cometida no lance do gol de empate, quando o meiocampista convertido em lateral esquerdo não foi capaz de cortar um lançamento para a área, permitindo a Rashford uma conclusão cruzada em que Ederson nada pôde fazer.

A igualdade não durou dez minutos de segundo tempo, vítima de um gol do City muito semelhante ao primeiro. Bola aérea que não saiu da área – desta vez, Lukaku chutou nas nádegas de Smalling – e se apresentou para Otamendi. Caprichos do futebol: um dos times mais baixos da Premier League marcou duas vezes em segundas chances de jogadas aéreas contra a defesa do Manchester United. Embora inesperados no aspecto da construção, os gols produziram um placar fiel às atuações de cada time, mesmo com os índices de posse (que chegaram a 75% – 25% a favor do City) menos desequilibrados na segunda metade da partida.

Em todo o jogo, o United só foi capaz de criar uma jogada ofensiva, encerrada por duas fabulosas defesas de Ederson, uma delas com o rosto. A reprovação a uma proposta tão negativa, em contraste com a exuberância do jogo do rival (acompanhada por resultados: com a vitória, o City igualou o melhor início de temporada em 129 anos de história do Campeonato Inglês), levou uma torcida habituada a um estilo mais vistoso a pedir futebol de ataque em Old Trafford. José Mourinho preferiu reclamar um pênalti não marcado. A liga “mais competitiva do mundo” pode estar decidida antes do Natal.

O post Feliz Natal apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Sorteio de Natal

Leia o post original por André Kfouri

Deixando de lado, por um momento, a capacidade técnica dos adversários, o sorteio da fase de grupos da Copa do Mundo deu um presente de Natal adiantado à comissão técnica da Seleção Brasileira: a noção antecipada de como será a dinâmica de três – e possivelmente quatro – jogos do Mundial. Não é pouco. Utilizar o período até a estreia como prepararação do time para um tipo básico de oponente, em relação à ideia de jogo principal a ser enfrentada, é uma oportunidade que todos os técnicos que estarão da Rússia gostariam de ter. Permite que se olhe para a convocação final com menos dúvidas e que se trabalhe um plano de jogo, e suas variações, para ao menos toda a primeira fase do torneio.

A não ser que uma alteração drástica de última hora esteja a caminho, o que só poderia acontecer por cortesia da Sérvia, nenhum dos concorrentes da fase de grupos disputará a posse com o Brasil. Serão três adversários reativos, que convidarão o time de Tite a jogar em zonas preenchidas por marcadores, sem se importar com a proximidade da própria área. A linha de cinco defensores – não confundir com três zagueiros e mais dois jogadores fechando os lados sem a bola – da Costa Rica, vista no Brasil em 2014, chegará à Rússia mantida como um princípio de jogo. E o fato da Suíça ter futebolistas para ser perigosa atua para enfatizar o 4-4-2 hermético quando atacada.

Os sérvios são a única potencial interrogação, por causa da mudança de comissão técnica após a classificação em primeiro lugar de seu grupo nas Eliminatórias. Ao que tudo indica, o elenco que irá à Copa será renovado, o que sempre abre algumas possibilidades em termos de atuação. Será suficiente para alterar não só o sistema com três zagueiros, com uma linha de quatro à frente deles, mas também o caráter da equipe? O tempo disponível indica que provavelmente não. Diante da Seleção Brasileira, a Sérvia deve esperar e reagir como os outros dois membros do grupo E, mas sem medo ou respeito exagerado.

O bônus do sorteio é o cruzamento com o segundo colocado do grupo F, de Alemanha, México, Suécia e Coreia do Sul, assumindo que o Brasil se classificará em primeiro lugar. Um encontro com os suecos nas oitavas de final, cenário provável de acordo com o teórico balanço de forças da chave, produziria mais um jogo em que a Seleção teria a bola na maior parte do tempo e a obrigação de criar caminhos. Seria totalmente diferente contra o México, e, claro, em um choque precoce com os defensores do troféu. As bolinhas da Fifa podem ter determinado quatro partidas – de sete possíveis – em que o Brasil será submetido ao mesmo panorama de dificuldades, motivo pelo qual é correto afirmar que a escolha dos grupos foi, sim, favorável.

O amistoso contra a Inglaterra ganha ainda mais importância como referência para os ajustes finais de preparação. A capacidade de estender o campo de ataque para os lados, fundamental diante de adversários que congestionam o centro da defesa, certamente será um dos pontos mais trabalhados por Tite. Isso pode ser feito com laterais abertos, embora a Seleção os utilize no início dos movimentos para sair da defesa, ou com atacantes fixados em posições altas e próximas das linhas. Outro aspecto crucial é a atuação de Neymar. O jogador responsável pelo desequilíbrio deverá enxergar que o jogo precisa ser levado a ele, no lugar certo e nas condições apropriadas, para que seu futebol represente a diferença.

TRANSBORDOU

Reportagem publicada ontem por Martín Fernandez, no Globoesporte.com, apresenta as conexões entre Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero e o recebimento de propinas por direitos de competições, após a divulgação de documentos pelo governo dos EUA. Se Del Nero permanecer no comando da CBF, será com a conivência de clubes e federações. Não há mais como olhar para outro lado ou simular desconhecimento.

O post Sorteio de Natal apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

Cartolagens

Leia o post original por André Kfouri

O Corinthians errou com Pablo. E feio. O que não significa que o zagueiro campeão brasileiro em campo não tenha errado com o Corinthians. São questões que não se excluem. Mas a resposta do clube foi desproporcional, independentemente da conduta de Pablo e de seus representantes durante as negociações contratuais. Não é necessário entrar em pormenores e excessos que porventura tenham sido cometidos para afirmar que, independentemente do que ocorreu, privar um jogador de participar de uma ocasião à qual ele pertence, por mérito, é um abuso. De autoridade, de pequenez, de imaturidade até.

Especialmente porque a decisão de não aceitar as solicitações feitas pelo agente de Pablo, a julgar pelas informações que se tornaram públicas, é inatacável. O Corinthians pode providenciar um companheiro para Balbuena sem comprometer seu orçamento ou causar um desequilíbrio interno, e está em seu pleno direito ao encerrar as conversas, abrindo as portas para que o jogador siga sua carreira em outro lugar. Determinar sua ausência das rodadas finais do Campeonato Brasileiro pareceria excessivo, mas, ainda assim, é uma prerrogativa do clube. Excluir Pablo não só da partida de comemoração do título em Itaquera, como também da fotografia com o troféu, é um gesto autoritário típico de quem se considera proprietário do distintivo.

A “sorte” da direção do Corinthians é que houve companhia no departamento de cartolagens nos últimos dias. O Flamengo, quem sabe por solidariedade, ofereceu um episódio tragicômico por causa do treino do Sport no Ninho do Urubu. Consta que há risco de motim entre vice-presidentes, escandalizados com a presença de um “inimigo” de trinta anos nas dependências do clube. Além do comportamento de fanáticos de redes antissociais, o episódio revela que o tema do título brasileiro de 1987 é mal resolvido dentro do próprio Flamengo. Onde não deveria haver dúvida sobre a conquista, também não deveria haver ressentimentos com o clube pernambucano.

Mas essa é uma questão menor, que evidentemente está relacionada ao ambiente político do Flamengo e à proximidade das eleições. O que espanta é a facilidade com que se perde a oportunidade de ser cordial (embora o treino tenha se realizado no CT rubro-negro, por autorização do presidente Eduardo Bandeira de Mello). Parece utópico que clubes brasileiros um dia venham a se relacionar como sócios em todos os aspectos que ficam do lado de fora do campo. Essas instituições operam em um ambiente de mercado em que existem diversos interesses comuns. Para acessá-los de maneira coletiva, um espírito de relacionamento é o mínimo necessário, desde que as pessoas encarregadas de dirigir os clubes não se deixem corroer por tolices.

E é disso que se trata, nos dois casos. Tolices. Pablo foi barrado na festa do título que ajudou o Corinthians a conquistar. E um treino de um time que nem rival do Flamengo é – e, se fosse, não deveria fazer diferença – causou uma crise no clube. Obviamente não é difícil encontrar quem aplauda, e talvez o maior problema esteja aí.

SHOW

Otero deu um espetáculo no empate do Atlético Mineiro com o Corinthians. No primeiro tempo, um lindo gol em cobrança de falta. No segundo, logo antes de bater o escanteio que originou o gol de Fred, ele tentou um gol olímpico do lado direito, de pé trocado. Chute forte, rasante e com efeito, obrigando Cássio a intervir. Há um motivo pelo qual lances como esse são raros: a habilidade para bater assim na bola é igualmente rara.

HORROR

Nas cenas tristes do jogo que não terminou em Campinas, a imagem mais danosa ao futebol: crianças em pânico, aterrorizadas e quase que certamente arrependidas. A esperança de que nenhuma delas tenha se ferido fisicamente é a prova da tolerência que permite a repetição desses eventos. Acostumamo-nos ao alívio por escapar do pior, como se isso nos isentasse de alguma forma.

O post Cartolagens apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

No banco

Leia o post original por André Kfouri

O julgamento de três usurpadores do futebol sul-americano entra na segunda semana em um tribunal no bairro do Brooklyn, em Nova York, com dois brasileiros como figuras centrais. José Maria Marin, ex-presidente da CBF, senta-se no banco dos réus ao lado de Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana de futebol, e Juan Ángel Napout, ex-presidente da federação paraguaia e também da Conmebol. Marco Polo Del Nero, a maior autoridade do futebol brasileiro, enviou advogados aos Estados Unidos para acompanhar as deliberações. Acusado pelo FBI desde 2015, não é exagero afirmar que Del Nero está sendo julgado à distância pelas sessões supervisionadas pela juíza Pamela Chen.

Desde que Marin foi preso na operação da polícia suíça no hotel Baur au Lac, em Zurique, em maio de 2015, suas relações com Del Nero sofreram uma transformação radical. O atual presidente da CBF não escondeu seu esforço para se distanciar do antecessor durante o período de cinco meses em que Marin ficou encarcerado na Suíça, assim como desde sua extradição para prisão domiciliar nos Estados Unidos. Na semana passada, o depoimento de uma das principais testemunhas da acusação marcou não só o rompimento entre os cartolas brasileiros, mas uma declaração de guerra. A estratégia da defesa de Marin é estabelecê-lo como uma alegoria na cúpula da confederação, em que quem dava as cartas mesmo como vice-presidente era Del Nero.

As declarações de Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, desenharam as rotas do dinheiro nas negociações de direitos de transmissão de competições sul-americanas de futebol. Os detalhes dos pedidos pessoais de cartolas do continente revelam um ambiente de desconfiança e traição, até entre aliados aparentes como Marin e Del Nero. O empresário argentino os descreveu como “gêmeos siameses, viajavam sempre juntos, estavam sempre juntos, tinham sempre o mesmo tratamento”, uma imagem que confirma a impressão gerada pelas aparições públicas da dupla que comandou a CBF a partir da renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012.

Mas uma das histórias contadas durante o julgamento sugere que a percepção era muito diferente da realidade. Burzaco mencionou um encontro em um quarto do hotel Bourbon, em Assunção (Paraguai), no mês de outubro de 2014, no qual Del Nero pediu um aumento do suborno anual de 900 mil dólares que dividia com Marin. O valor solicitado era de 1 milhão e 200 mil dólares, mas Del Nero queria que o pagamento fosse feito somente em junho de 2015, quando já teria assumido a presidência da CBF e não precisaria repartir a propina. É importante ressaltar que Burzaco, que escapou da prisão no Baur au Lac porque não estava em seu quarto e colabora com as autoridades americanas desde junho de 2015, está sujeito a uma sentença de sessenta anos de prisão se mentir no tribunal.

O operador argentino calcula que distribuiu cerca de 160 milhões de dólares em propinas, dos quais 2 milhões e 700 mil ele diz ter pagado a José Maria Marin. Apresentar-se como um acessório de Del Nero é um expediente arriscado, uma vez que a assinatura de Marin aparece em contratos investigados e um depoente o conecta diretamente com pagamentos ilegais. Para um júri formado por pessoas que não têm o mínimo conhecimento sobre o ambiente em questão, as evidências expostas até agora podem ser mais do que suficientes. O julgamento prossegue hoje, em uma semana que será curta por causa do feriado de Ação de Graças (dia 23), com a possibilidade do testemunho de um brasileiro com tanta história para contar quanto Burzaco.

CARA A CARA

O Flamengo é o único time que não foi derrotado pelo Corinthians no Campeonato Brasileiro. Também é o único que superou o campeão (quatro pontos ganhos em seis disputados) no confronto direto. Bahia, Atlético Goianiense, Vitória, Botafogo, Ponte Preta e Santos somaram três pontos em dois jogos.

O post No banco apareceu primeiro em Blog André Kfouri.

No banco

Leia o post original por André Kfouri

O julgamento de três usurpadores do futebol sul-americano entra na segunda semana em um tribunal no bairro do Brooklyn, em Nova York, com dois brasileiros como figuras centrais. José Maria Marin, ex-presidente da CBF, senta-se no banco dos réus ao lado de Manuel Burga, ex-presidente da federação peruana de futebol, e Juan Ángel Napout, ex-presidente da federação paraguaia e também da Conmebol. Marco Polo Del Nero, a maior autoridade do futebol brasileiro, enviou advogados aos Estados Unidos para acompanhar as deliberações. Acusado pelo FBI desde 2015, não é exagero afirmar que Del Nero está sendo julgado à distância pelas sessões supervisionadas pela juíza Pamela Chen.

Desde que Marin foi preso na operação da polícia suíça no hotel Baur au Lac, em Zurique, em maio de 2015, suas relações com Del Nero sofreram uma transformação radical. O atual presidente da CBF não escondeu seu esforço para se distanciar do antecessor durante o período de cinco meses em que Marin ficou encarcerado na Suíça, assim como desde sua extradição para prisão domiciliar nos Estados Unidos. Na semana passada, o depoimento de uma das principais testemunhas da acusação marcou não só o rompimento entre os cartolas brasileiros, mas uma declaração de guerra. A estratégia da defesa de Marin é estabelecê-lo como uma alegoria na cúpula da confederação, em que quem dava as cartas mesmo como vice-presidente era Del Nero.

As declarações de Alejandro Burzaco, ex-executivo da empresa Torneos y Competencias, desenharam as rotas do dinheiro nas negociações de direitos de transmissão de competições sul-americanas de futebol. Os detalhes dos pedidos pessoais de cartolas do continente revelam um ambiente de desconfiança e traição, até entre aliados aparentes como Marin e Del Nero. O empresário argentino os descreveu como “gêmeos siameses, viajavam sempre juntos, estavam sempre juntos, tinham sempre o mesmo tratamento”, uma imagem que confirma a impressão gerada pelas aparições públicas da dupla que comandou a CBF a partir da renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012.

Mas uma das histórias contadas durante o julgamento sugere que a percepção era muito diferente da realidade. Burzaco mencionou um encontro em um quarto do hotel Bourbon, em Assunção (Paraguai), no mês de outubro de 2014, no qual Del Nero pediu um aumento do suborno anual de 900 mil dólares que dividia com Marin. O valor solicitado era de 1 milhão e 200 mil dólares, mas Del Nero queria que o pagamento fosse feito somente em junho de 2015, quando já teria assumido a presidência da CBF e não precisaria repartir a propina. É importante ressaltar que Burzaco, que escapou da prisão no Baur au Lac porque não estava em seu quarto e colabora com as autoridades americanas desde junho de 2015, está sujeito a uma sentença de sessenta anos de prisão se mentir no tribunal.

O operador argentino calcula que distribuiu cerca de 160 milhões de dólares em propinas, dos quais 2 milhões e 700 mil ele diz ter pagado a José Maria Marin. Apresentar-se como um acessório de Del Nero é um expediente arriscado, uma vez que a assinatura de Marin aparece em contratos investigados e um depoente o conecta diretamente com pagamentos ilegais. Para um júri formado por pessoas que não têm o mínimo conhecimento sobre o ambiente em questão, as evidências expostas até agora podem ser mais do que suficientes. O julgamento prossegue hoje, em uma semana que será curta por causa do feriado de Ação de Graças (dia 23), com a possibilidade do testemunho de um brasileiro com tanta história para contar quanto Burzaco.

CARA A CARA

O Flamengo é o único time que não foi derrotado pelo Corinthians no Campeonato Brasileiro. Também é o único que superou o campeão (quatro pontos ganhos em seis disputados) no confronto direto. Bahia, Atlético Goianiense, Vitória, Botafogo, Ponte Preta e Santos somaram três pontos em dois jogos.

O post No banco apareceu primeiro em Blog André Kfouri.