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Do contra

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1 – A resposta do Santos ao problema que o Corinthians apresenta como visitante ficou clara logo no início: reduzir espaços ao máximo e ser cuidadoso com a posse. O nível de eficiência exigido torna essa ideia insustentável por longo tempo, mas a possibilidade de um gol precoce a justifica.

2 – O que só não aconteceu aos sete minutos porque Cássio, quase com todo o corpo dentro do gol, conseguiu tocar na bola desviada por Ricardo Oliveira após o escanteio, alterando o desfecho de uma jogada que normalmente balança a rede.

3 – A iniciativa santista na Vila não apenas era esperada, como fazia parte da dinâmica que o Corinthians utiliza para surpreender. E ainda que não tenha sido competente como queria na criação, o Santos protegeu bem a bola. Em todo o primeiro tempo, só permitiu um contragolpe, quando Alison foi desarmado no campo de ataque.

4 – A articulação rápida do Santos também só foi vista uma vez: ótima combinação entre Zeca e Bruno Henrique, já aos quarenta e três minutos. A Cássio se poderia atribuir um milagre na defesa do chute de Ricardo Oliveira, mesmo que o atacante santista lamente a direção. Reflexo instantâneo do goleiro.

5 – O Corinthians ainda não sofreu gol no primeiro tempo, fora de casa, no campeonato. Neste domingo, a sequência se manteve unicamente por obra de Cássio.

6 – Santos em controle, entre outros motivos, porque o Corinthians não foi capaz de envolver Jô, seu jogador mais importante, em nenhum momento. Nem como finalizador e nem como preparador de jogadas para companheiros.

7 – Aparição decisiva de Vanderlei quando uma associação ofensiva do Corinthians deu certo sem querer. O chute de Romero poderia ser melhor colocado, mas teve força. O goleiro santista estava pronto.

8 – O Santos marcou em um momento de inversão do jogo: contra-ataque permitido por uma bola recuperada na defesa. Bruno Henrique, imparável, atravessou o campo pela lateral e tentou o passe para o centro da área. O desvio de Pablo ofereceu a bola para Lucas Lima finalizar: 1 x 0.

9 – Posição desconfortável para o líder, obrigado a construir diante de um adversário com letal capacidade de responder em velocidade. A permanência do placar tornaria o jogo cada vez mais ao feitio do Santos.

10 – No trecho final, a urgência do Corinthians para buscar o empate fez com que o time abandonasse sua tradicional compostura defensiva. Era tudo o que o Santos precisava para garantir a vitória. Não por acaso, o lance de mais um gol nasceu em um erro corintiano no ataque. Apenas dois passes entre Lucas Lima, Bruno Henrique e Ricardo Oliveira.

11 – Resultado merecido para o Santos, primeiro mandante a vencer o Corinthians neste campeonato, praticamente sem correr riscos em toda a tarde. Impiedoso ao penalizar o erro do oponente em uma jogada casual, tranquilo para aguardar a oportunidade decisiva após estar em vantagem. Excelentes atuações dos jogadores mais ofensivos, criadores do segundo gol.

12 – Para o Corinthians, o preço de uma derrota natural fica maior por causa das duas anteriores. Resta ao time de Carille se reagrupar e voltar a fazer bem o que o colocou nesta posição. Por circunstâncias, mesmo uma significativa queda de pontuação não foi suficiente para colocar a liderança sob risco imediato. Mas essa poupança, é claro, não durará eternamente.

IRRELEVANTE

Não deveria haver debate sobre a expulsão de Sadio Mané, na goleada de 5 x 0 do Manchester City sobre o Liverpool, sábado. A regra do jogo de futebol determina cartão vermelho para jogadores que, com os pés altos, colocam um oponente em risco. As marcas da chuteira de Mané estão visíveis no rosto do goleiro brasileiro Ederson, ainda que a ideia do ótimo atacante senegalês – que se desculpou com classe pelo acidente – fosse tocar na bola. Para a regra, a intenção é irrelevante, assim como opiniões que levem em conta o impacto da expulsão em um jogo equilibrado.

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Simuladores

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Além dos já programados encontros com seleções europeias do primeiro escalão, medida que falta para que o Brasil tenha uma noção mais definida de onde está em termos de competitividade, os jogos restantes das Eliminatórias têm um papel interessante na preparação para a Copa do Mundo. Como simuladores de problemas, os adversários sul-americanos podem apresentar situações que a Seleção encontrará no torneio na Rússia, colaborando para o manual de soluções que Tite terá à mão. A partida de amanhã contra a Colômbia e a do dia 10 de outubro, contra o Chile, se encaixam neste perfil, uma vez que ambos estão em um grupo de quatro times separados por dois pontos na zona de classificação.

Quanto maiores forem as semelhanças desses jogos com a vitória da semana passada sobre o Equador, no aspecto do nível de dificuldade, mais valiosos eles serão para a Seleção Brasileira. Em Porto Alegre, os equatorianos mostraram uma lição de casa feita com capricho, ao travar a saída da bola tanto pelos lados, com Daniel Alves e Marcelo, como também com Casemiro, vigiado com especial atenção. O jogo de associação curta que Tite implantou com notável sucesso depende da construção limpa desde o campo de defesa, o que não se deu com a fluidez necessária e comprometeu as melhores escolhas de passe ofensivo. A impressão de lentidão decorreu desse problema.

É lógico que oponentes mais capazes do que o Equador usarão expedientes defensivos semelhantes, por isso a mudança provocada pela entrada de Philippe Coutinho como meia centralizado estimula a comissão técnica. Especialmente diante de adversários que recuam para fazer marcação baixa, a opção com Coutinho entre William e Neymar começa a se reforçar como mecanismo de superação desse bloqueio. No movimento do segundo gol, o meia-atacante do Liverpool exibiu arranque, passe e finalização, virtudes que explicam sua cotação no mercado de futebolistas na Europa e nas anotações do técnico da Seleção. Jogadores que podem ser utilizados em papeis diferentes são um luxo.

E não é apenas a introdução de um elemento novo ou a alteração de sistema que ele representa. A possibilidade de ter William, Neymar, Philippe Coutinho e Gabriel Jesus, juntos, oferece uma assustadora quantidade de problemas para os times que terão de controlá-los. Um potencial ofensivo com o qual apenas argentinos e franceses poderiam discutir. A procura de variantes na montagem da equipe e na elaboração da forma de atuar é central neste momento em que já se pensa no Mundial. A definição do elenco definitivo também passará pelas opções de escalação que se mostrarem úteis nos próximos jogos.

Embora o discurso – “a Copa do Mundo já começou” – tenha o evidente objetivo de manter a intensidade e a ambição em níveis elevados, a classificação assegurada carrega uma tranquilidade natural. Não será necessário injetar espírito de competição na equipe quando o adversário for, por exemplo, a Alemanha em amistoso. Mas as Eliminatórias, em que até o primeiro lugar já é inalcançável para os demais participantes, adquiriram contornos de formalidade. Tite insistirá no estímulo em encontros como o desta terça-feira, fontes de caminhos que podem não parecer importantes agora, mas certamente serão quando o resultado não valer apenas para o adversário.

MAGNÍFICO ISCO

Quem teve a chance de ver Espanha x Itália, no sábado, pôde aplaudir uma atuação espetacular de Isco, na vitória dos espanhóis por 3 x 0. Dois gols (embora no primeiro, em cobrança de falta, a bola parecesse defensável para Buffon), um recital de passes e interações. Sem falar em uma caneta e um lençol em Verrati, no segundo tempo. Tão impressionante quanto a exibição de Isco foi o fato de a Itália utilizar uma escalação que não se importou em ceder o controle do meio de campo. Logo contra a Espanha? O resultado poderia ser mais dramático.

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Necessário

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A derrota para o Atlético Goianiense foi a primeira partida do Campeonato Brasileiro em que o Corinthians atuou sem Jô. Até esta altura, o líder tinha conseguido resolver de maneira satisfatória os problemas de escalação que afetam todos os times em um campeonato longo, ao compensar as ausências de figuras importantes com atuações de bom nível no aspecto coletivo. No sábado, em Itaquera, ficou evidente que o centroavante é o jogador imprescindível do elenco dirigido por Fábio Carille, aquele cuja substituição simplesmente não é possível.

Na formação ideal do Corinthians, a presença de seis jogadores é fundamental em termos de desempenho ofensivo: os dois laterais, os dois meias e os dois atacantes titulares. O fato de o time ter sofrido para controlar boa parte dos jogos contra o Cruzeiro (sem Fágner e Rodriguinho), Flamengo (sem Jadson e Romero) e Vitória (Arana se machucou e Jadson estava limitado), todos em casa, não é coincidência. Com a bola, o Corinthians depende das associações pelos lados e da movimentação de Jô e Romero (também ausente, assim como Arana, no encontro com o time goiano).

O artilheiro do Corinthians não faz apenas gols. Jô fixa um defensor adversário, é a referência que retém a bola no campo de ataque, que a distribui após o domínio ou com desvios pelo alto. Ele tem também um papel defensivo importante nas jogadas de bola parada do oponente. No gol do Atlético Goianiense, Gilvan cabeceou na primeira trave após a cobrança de escanteio do lado direito. Kazim, substituto de Jô, foi superado no lance. Essa não é a única razão da segunda derrota no campeonato, claro. Falhas de finalização, outra área em que o centroavante titular fez falta, impediram ao menos um empate.

Jô é desfalque mais sensível, mas os circuitos de jogo do Corinthians terão problemas maiores ou menores a cada vez que este grupo de seis jogadores estiver incompleto. As dificuldades são mais notáveis nas partidas em Itaquera, seja quando é preciso construir o resultado com posse no campo ofensivo, ou quando, já em vantagem, o Corinthians retrocede para atrair e surpreender. Como visitante, embora o time invista inicialmente em sua capacidade de se defender, os dois atacantes titulares são necessários para manter a ameaça e, principalmente, a eficiência ofensiva.

Não é razoável esperar que uma equipe sustente um alto nível de atuação durante todo o Campeonato Brasileiro. O aproveitamento anormal do Corinthians no primeiro turno tem dois resultados práticos: o conforto que lhe permite navegar por momentos como o atual com menos pressão, e a menor distância para a pontuação que deve significar o título. Mesmo assim, é a qualidade do desempenho do time, em relação ao que se propõe, que o manterá ou não como favorito ao troféu. O que colocou o Corinthians nesta posição foi o hábito de praticar bem o tipo de futebol que escolheu, tarefa afetada por desfalques em posições específicas.

DESCONTROLE

Números interessantes – exceto para o torcedor são-paulino, claro – levantados por Rodolfo Rodrigues, no portal UOL: em cinco das últimas seis rodadas do Campeonato Brasileiro, o São Paulo sofreu dois gols em intervalos curtos de tempo. Contra Botafogo (aos 18 e 25 minutos do primeiro tempo), Coritiba (11 e 22 do segundo tempo), Bahia (40 e 43 do primeiro), Cruzeiro (5 e 11 do segundo), e Palmeiras (35 e 38 do primeiro). O mesmo problema aconteceu em jogos do campeonato estadual.

PARABÉNS

A Seleção Brasileira se reúne em Porto Alegre, quase no aniversário de um ano do primeiro jogo (1 de setembro de 2016, 3 x 0 no Equador) sob a direção de Tite. De lá para cá: bom jogo, vitórias em sequência, classificação assegurada para a Copa do Mundo do ano que vem e uma completa transformação na relação com o público. É muito, ainda mais em tão pouco tempo. E pode ficar melhor até o mês decisivo na Rússia. 

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Escolhas

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Na história do futebol europeu, em apenas oito ocasiões um time conseguiu o chamado triplete – títulos de liga, copa e copa da Europa, em ambos os formatos, na mesma temporada. Metade se deu entre 1955 e 1999 (Celtic, Ajax, PSV e Manchester United), e metade desde 2009 (Barcelona duas vezes, Internazionale e Bayern). Mesmo num ambiente de futebol organizado, jogo bem compreendido e calendário consciente, um ano dominante tanto em âmbito doméstico quanto continental é um acontecimento raro.

Jamais houve um triplete nesses moldes (Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores) no Brasil, embora seja obrigatório considerar que, entre 2003 e 2012, os clubes que se classificaram para o torneio sul-americano não puderam disputar a copa nacional. Várias equipes já conquistaram três títulos no mesmo ano, mas a “tríplice coroa” que mais se aproxima do modelo europeu é o feito do Cruzeiro, em 2003. Dirigido por Vanderlei Luxemburgo e liderado por Alex, o time venceu o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.

É importante lembrar que a Copa do Brasil era disputada no primeiro semestre, na mesma porção do calendário ocupada pela Libertadores. Em 2003, o Cruzeiro disputou o estadual entre os fins de janeiro e março, a Copa do Brasil de fevereiro a junho, e o Brasileirão entre março e dezembro. Era o melhor time do país com evidente distância, e, após derrotar o Flamengo na decisão do torneio em mata-mata, em 11 de junho, pôde se dedicar a seis meses do campeonato nacional. Neste período, foram realizadas trinta e quatro das quarenta e seis rodadas da competição, vencida pelo Cruzeiro com duas datas de antecedência.

A programação atual ordenou as três principais disputas da temporada, simultaneamente, ao longo do ano. A Copa Libertadores, tratada como prioridade nos primeiros seis meses, passou a ser uma preferência de fevereiro a novembro. E mesmo a Copa do Brasil hoje é vista como uma possibilidade de troféu mais atraente do que o Campeonato Brasileiro, para os clubes que ficaram para trás na classificação e/ou seguem disputando também a Libertadores, casos de Botafogo e Grêmio. O problema não é as competições “concorrerem” entre si, mas a forma como se olha para cada uma delas.

Nenhum time europeu que tem capacidade para ser campeão nacional opta por sua copa local. Enquanto a Liga dos Campeões é tratada com a deferência que merece, os rodízios de escalações são entendidos como parte do planejamento da temporada, de modo a proteger jogadores e manter o nível de competitividade da equipe. E o que é primordial: num calendário em que se joga menos, técnicos podem utilizar seus principais futebolistas nos momentos mais importantes de cada competição. Por aqui, o iluminado vê Messi na televisão duas vezes por semana, nos últimos dois meses do ano, e acha que “futebol é quarta e domingo”.

Essa conduta é impossível no Brasil, onde se joga demais e um técnico como Juan Carlos Osório sofreu pressão para deixar de rodar o elenco do São Paulo, porque “não era necessário”. O resultado é a obrigatoriedade de fazer mais escolhas, mais vezes, para não perder jogadores machucados por longo tempo. Ou será que os profissionais que trabalham nas comissões técnicas dos melhores clubes brasileiros são tolos que não sabem o que estão fazendo? Uma parte fundamental do esporte de alto nível é composta de conhecimento científico, e é preciso respeitar quem o possui.

Atrasos e cuidados à parte, é possível que 2017 seja o início de um aprendizado. Nenhuma competição revela tanto sobre a qualidade de um time quanto o campeonato de pontos corridos. As copas, especialmente a Libertadores, podem desperdiçar meses de priorização em uma semana infeliz. A maior convivência com a realidade atual talvez mostre que o sentido do investimento deve ser para onde há mais controle, o que não diminui a urgência do ajuste do calendário.

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A diferença aumentou

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1 – Mesmo com Neymar na França e Cristiano Ronaldo no banco, Barcelona x Real Madrid permanece o principal jogo do futebol mundial. Se a ausência do craque brasileiro tem um impacto (além do óbvio) na atualização da rivalidade, é o de desequilibrar ainda mais um encontro que tem sofrido um processo de repaginação nos últimos dois anos.

2 – O time dos meio-campistas hoje é o Real Madrid, bicampeão europeu e campeão nacional, operado por Kroos, Modric (suspenso nesta partida de ida da Supercopa), Casemiro, Isco… O Barcelona deixou de sê-lo em nome de um tridente ofensivo que não existe mais, e se apresenta como uma interrogação de estilo que, neste momento, recorre a Messi como resposta para tudo.

3 – A Supercopa abriu a temporada espanhola com equipes ainda longe da forma de competição e um Madrid vestido de “verde-turquesa”. Condições diferentes das normais no clássico que acostumou o mundo a um confronto de maneiras de jogar futebol tão reconhecíveis quanto as cores que as representavam. Difícil diferenciar os jogadores no gramado do Camp Nou, assim como notar superioridades claras entre os rivais no início.

4 – O Real Madrid se mostrou mais à vontade em seu jogo, como é natural pela continuidade de futebolistas e comissão técnica, mesmo com o principal astro fora de campo. Deulofeu é o jogador que substitui Neymar entre os titulares do Barcelona, o que é muito diferente de ser o substituto do atacante brasileiro. Ernesto Valverde, novo técnico do clube catalão, terá de definir que tipo de futebol seu time praticará.

5 – O segundo tempo começou com o impensável para Piqué: um gol de seu próprio pé a favor do Real Madrid. Conteúdo de pesadelo para o mais vocal dos barcelonistas, que não conseguiu evitar o desvio fatal após o cruzamento de Marcelo. Alba salvou o que seria um gol de Carvajal, pouco antes de Zidane mandar Cristiano ao gramado para explorar o vasto espaço no Camp Nou.

6 – Mas foi o Barcelona quem subiu de nível na procura do empate, conservando a bola nas imediações da área adversária, mas sem a construir a jogada aguda para Suárez ou Messi. No único trecho do jogo em que se pôde perceber um time trabalhando com urgência, também ficou evidente a carência de soluções coletivas dos catalães.

7 – Messi empatou cobrando um pênalti que só é concebível na dramaturgia. Atuação teatral de Luis Suárez que convenceu o árbitro a tomar uma decisão – não seria a única, e, por mais incrível que possa parecer, também não seria a pior – com reflexo direto no placar. O Barcelona pressionava e era perigoso, mas nada justifica um pênalti fictício.

8 – Acionado por Isco em um contragolpe que o colocou em situação de vantagem contra Piqué, Cristiano Ronaldo assinou mais um de seus gols maravilhosos. Corte para o centro e chute no ângulo. Ele só não sabia quanto custaria o cartão amarelo por tirar a camisa na comemoração.

9 – Porque em jogada na área com Umtiti, Ronaldo foi ao chão em um desses lances que não são falta e nem simulação. Contato legal, perda de equilíbrio, tudo normal. Não havia razão para o cartão amarelo que determinou a expulsão do português, em mais um erro que os críticos do árbitro de vídeo devem digerir como ocorrência natural do jogo de futebol.

10 – Quando o Barcelona se animou pela vantagem numérica, o Real Madrid encerrou as dúvidas com outro golaço. Asensio, projeto de craque, também acertou o ângulo do gol de Ter Stegen: 1 x 3. Placar que representa o que foi o clássico, embora a arbitragem tenha se esforçado para contaminar o que os jogadores produziram em campo.

11 – A ida da Supercopa reforçou a impressão deixada ao final da temporada passada (quando Neymar ainda era jogador do Barcelona): o Real Madrid é superior em jogo e elenco. Ainda que a conta bancária do Barcelona apresente alta capacidade de investimento, a posição é delicada no que diz respeito à montagem de um time que jogue futebol coletivo.

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O paciente rubro-negro

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Na conversa com João Castelo Branco, que a ESPN Brasil exibiu em maio, Pep Guardiola disse o que pensa a respeito do tempo de trabalho concedido a treinadores de futebol. A questão é um dos mistérios do jogo e provavelmente não tem resposta, pois mesmo se houvesse um período determinado que oferecesse garantia de sucesso, sua aplicação a grupos de pessoas diferentes mostraria o que já se sabe: o futebol é incontrolável. O próprio Guardiola não acredita somente na continuidade como fórmula, pois “quem te garante que ficando cinco anos [no mesmo clube] você irá bem?”, pergunta.

O problema, claro, é que há trabalhos encerrados em cinco meses no futebol brasileiro, por exemplo, ambiente em que o técnico que completa uma temporada do início ao fim é considerado um sobrevivente. Para responder a pergunta sobre a forma correta de avaliar um treinador, Guardiola preferiu dar menos atenção ao tempo, e mais ao tipo de convívio no clube: “Eles [os dirigentes], quando contratam um treinador, pensam que ele irá bem. Então, neste processo, nos próximos meses, eles têm que ver o que ele diz, como trabalha, e o que seus jogadores dizem. Se a relação dos jogadores com o treinador é boa, têm que dar o tempo máximo. Se a relação é ruim, têm que mudar”.

Zé Ricardo era o técnico há mais tempo no cargo entre os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, assumiu o Flamengo em maio do ano passado. A segunda temporada no comando naturalmente aumentou a exigência e o expôs às subjetividades que compõem as observações distantes: as conclusões de que o elenco deveria mostrar um desempenho melhor e de que o clube está infestado por um nível de conformismo que o impede de avançar. Em termos de resultados, o ano vai tão mal que chegava a surpreender que os responsáveis pela tomada de decisões exibissem tamanha paciência.

Não fosse por qualquer outro motivo, só o fato de não ceder à esquizofrenia de torcedores com tempo livre para ofender Paolo Guerrero no aeroporto já valia um elogio à diretoria do Flamengo. Sim, é arriscado aplaudir dirigentes no futebol brasileiro, mas aqui se trata da postura, não da figura. No país em que a tolerância com treinadores é artigo raro, comete-se o exagero de criticar quem é “tolerante demais”. E como é preciso encontrar uma justiticativa para a crítica, decide-se que esse comportamento diferente só pode resultar de falta de conhecimento. De todos, mas jamais de quem opina.

A pressão sobre Zé Ricardo era tão forte que ele talvez tenha cometido o erro mais grave para quem comanda: negar aquilo em que sempre acreditou na procura por soluções momentâneas que lhe devolvessem um mínimo de tranquilidade. Ao notar o técnico questionar a si mesmo, jogadores claramente sem confiança tentaram acionar o modo invisível em campo e qualquer possibilidade de boa atuação coletiva se perdeu. E quem acha, por lavagem cerebral ou pura preguiça, que os problemas de um time de futebol só são resolvidos com a demissão do técnico se encheu de razão.

Voltando à opinião de Pep Guardiola sobre o assunto, eis o que disse Diego, vaiado após a derrota do Flamengo para o Vitória: “Nós gostaríamos de estar fazendo mais até pelo Zé, que é um cara de um caráter excelente. A verdade é que gostaríamos de estar conquistando a vitória para dar tranquilidade para o trabalho dele”. Quando jogadores expõem preocupação com o técnico que os dirige, existem duas possibilidades: 1) a demagogia de quem já sabe que a mudança acontecerá, e 2) o recado de quem quer evitá-la. Diego nunca foi um demagogo.

ATUALIZANDO

Com o primeiro turno completo, é hora de atualizar as chances de título do Corinthians. A média de pontuação do campeão no Brasileirão com vinte clubes é 76 (corrigida para cima). O líder tem 47 pontos, portanto faltariam 29 em 57 possíveis, ou seja, uma campanha de 50,8% no segundo turno. É o equivalente ao desempenho do Flamengo até agora.

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Sofrido

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1 – Uma das perguntas sobre o jogo foi respondida pela escalação e pela postura do Flamengo nos primeiros minutos. Com o talento habitual do meio de campo para a frente, o visitante em Itaquera mostrou que buscava sua melhor versão num encontro em que o controle seria fundamental.

2 – Isso era exatamente o que o Corinthians esperava, uma dinâmica que o líder está mais habituado a encontrar fora de casa, quando se defende e explora o posicionamento adiantado do adversário. O início da partida exibiu dois times à vontade em suas maneiras de atuar.

3 – Os conhecidos defeitos defensivos do Flamengo foram expostos na jogada em que Maycon foi lançado em projeção por Rodriguinho e fez o passe para Jô tocar para o gol. Todos os jogadores corintianos estavam habilitados, mas o gol foi anulado por um erro grosseiro da arbitragem.

4 – A vantagem do Corinthians não apareceu no placar da arena, mas, no gramado, o Flamengo claramente acusou o gol. Passou a atuar com receio, o que é grave para quem pretende construir e se impor com circulação.

5 – Em um passe interceptado por Balbuena, no campo de defesa, nasceu o gol de Jô que valeu. Ótima conexão entre zagueiro e atacante, em velocidade, com a zaga do Flamengo correndo de frente para a própria área. O chute cruzado de Jô deu a Diego Alves as boas vindas ao futebol brasileiro: 1 x 0.

6 – Em dezesseis rodadas do Campeonato Brasileiro, o Corinthians permitiu empates em quatro jogos (Chapecoense, São Paulo, Vasco e Atlético Paranaense), dos quais saiu vencedor em dois. Número de viradas: zero. No intervalo, perdendo em Itaquera, o Flamengo se viu diante de uma tarefa improvável.

7 – Em um escanteio cedido por falha de comunicação entre Cássio e os zagueiros (deve haver uma estatística da conversão desse tipo de lance em gols ou quase), Juan surgiu desmarcado para cabecear. A bola foi na direção do goleiro, mas, pela força, exigiu reflexo.

8 – Durante vinte minutos, só o Flamengo jogou. Domínio territorial e excesso de jogadas pelo alto que produziram pouco além da ocasião de Juan. Embora se deva considerar o recuo estratégico do Corinthians, Carille precisou injetar ameaça e colocou Pedrinho no jogo.

9 – Mas a insistência do Flamengo alcançou o empate em outro escanteio. Juan ajeitou de cabeça para o bonito voleio de Réver, habilitado no lance porque Pedro Henrique não se adiantou. Resultado condizente com o que o segundo tempo mostrava, com o líder, mais do que recuado, acuado em seu estádio.

10 – Diego desperdiçou a virada, ao final de uma ótima associação com Guerrero, Willian Arão e Berrío. Foi a única vez no jogo que o Flamengo envolveu a defesa do Corinthians trocando passes, o tipo de lance que a qualidade dos jogadores do time de Zé Ricardo sugere que deveria acontecer com mais frequência.

11 – A sorte também ajudou Cássio quando Pedro Henrique tentou cortar um cruzamento e mandou a bola no travessão.

12 – O Corinthians só teve um momento na segunda parte do jogo, período em que, além de não conseguir competir como de hábito, pareceu cansado e enfraquecido pela ausência de titulares: outro chute cruzado de Jô, já no final, desviado por Diego Alves para escanteio.

13 – O ponto somado talvez não ajude muito o Flamengo, mas o desempenho após o intervalo certamente mostrou um caminho. Em nenhuma outra partida deste campeonato o Corinthians foi tão pressionado, o que dá a medida da atuação coletiva do adversário.

SURPREENDENTE

Felipe Melo foi contratado para ser um líder, um símbolo, uma referência. A incompatibilidade com Cuca, o segundo técnico do Palmeiras na temporada, mostra como as narrativas do futebol são efêmeras. Seja qual for o motivo da ruptura, não se imaginava que o futebol de Felipe pudesse ser dispensado. Diante do tamanho do investimento e da forma como ele foi apresentado, é surpreendente que não se tenha encontrado uma forma de utilizá-lo.

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Frustrante

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1 – O Flamengo é o único time brasileiro que tem a intenção – e a capacidade – de controlar todas as partidas negando a bola ao adversário. Uma ideia que deve ser admirada e aplaudida como proposição de futebol, ao invés de ser avaliada impacientemente apenas conforme os resultados que alcança.

2 – A repressão resultadista age contra o crescimento de equipes que optam pelo caminho tortuoso da posse, independentemente do oponente e do local. Os participantes da tomada de decisões no futebol do Flamengo devem ser firmes na continuidade do modo de atuar que pautou os objetivos e a formação do elenco do clube.

3 – É essa maneira de jogar que faz com que o Cruzeiro, em casa, aguarde o Flamengo na linha do meio de campo nos minutos iniciais do jogo. Mas não só isso, é claro. Há também um componente estratégico do time mineiro, configurado para recuperar a bola numa situação em que a defesa adversária tenha boa porção de campo às costas.

4 – Nas ocasiões em que a primeira linha de marcação do Cruzeiro pressionou a origem da saída de bola, o Flamengo não teve nenhuma dificuldade para evoluir até o campo de ataque.

5 – Após duas chances cruzeirenses, uma com exibição dos recursos técnicos de Thiago Neves e outra com um cabeceio de Léo, uma tabela entre Everton e Guerrero ameaçou o gol defendido por Fábio. O que tem separado o Flamengo da validação de seu futebol é a conversão desse tipo de jogada.

6 – Ao final do primeiro tempo no Mineirão, o Cruzeiro foi competente para interromper a circulação do Flamengo nas proximidades da área. A contundência de movimentos ofensivos é crucial ao futebol de posse, algo muito mais complexo de fazer do que de dizer, embora haja quem pense que a capacidade de frequentemente trocar passes até o gol adversário seja uma questão simples.

7 – Essa confusão aparece porque só se enxerga a falta de profundidade e/ou infiltração. Ocorre que outro conceito fundamental do jogo elaborado é a ideia de “viajar junto”, ou seja, quando um time se move e move a bola como um bloco único. Há momentos na maioria das atuações do Flamengo em que a equipe se fragmenta, o que a impede de se impor numericamente e facilita o trabalho de marcação.

8 – Com 32% de posse e razoável presença no ataque, o Cruzeiro jogou como pretendia, pois se defendeu com eficiência e manteve a ameaça que deixou a defesa do Flamengo em alerta constante.

9 – Exemplo: grande passe de Romero para a finalização de Éber na área. Thiago impediu o gol cruzeirense no primeiro ataque da segunda metade, jogada que sugeriu um posicionamento mais avançado do time dirigido por Mano Menezes.

10 – Mas a jogada pelo lado voltou a dar frutos ao Flamengo. Acionado por Guerrero, Rodinei encontrou Everton na segunda trave. O cabeceio raspou no poste e entrou, colocando o Flamengo em vantagem e inaugurando um novo jogo no Mineirão.

11 – O placar durou seis minutos. Outro bom passe, de Diogo Barbosa, criou o empate para Sassá, que tinha acabado de substituir Élber. Com dois lances de infiltração pelo centro da defesa para o passe profundo, o Cruzeiro conseguiu produzir dois gols. Thiago evitou o primeiro.

12 – A chance da virada se materializou no contragolpe em que Sassá ignorou Sóbis, livre, e chutou muito mal. Foi a única oportunidade dessa natureza no trecho final, pois o Cruzeiro se manteve adiantado para tentar ganhar o jogo contra a defesa posicionada.

13 – Empate frustrante para ambos, porém coerente com o que o jogo mostrou. O Cruzeiro soube jogar de duas formas diferentes e ser competitivo com ambas. O Flamengo novamente alternou boas e más versões de seu plano, o que acionará as críticas a Zé Ricardo por parte de quem – às vezes, com claro preconceito por se tratar de um profissional iniciante – acha que a qualidade do elenco exige um técnico “de nome”. Bobagem.

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O manual do déspota

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O produto do fracasso de Roberto Dinamite como presidente do Vasco não é apenas o desencanto de quem gostaria de ver ex-jogadores envolvidos na administração de clubes de futebol. Tampouco é a comprovação de que não basta ter sido esportista para almejar uma carreira em gestão esportiva, algo tão evidente que não carece de ilustração. O verdadeiro perigo moral gerado por Dinamite é a ideia de que só um tipo específico de dirigente pode sobreviver no futebol brasileiro, o que, no Vasco da Gama, é o equivalente a pintar o rosto de Eurico Miranda nos muros de São Januário.

É irônico, ou mesmo trágico, que os defeitos do formidável ex-centroavante como administrador tenham permitido o retorno da figura que representa um passado do qual o Vasco – ou qualquer outro clube que tenha convivido com personalidades semelhantes – deveria querer se distanciar. Porque Eurico Miranda voltou como uma vingança, como um rei deposto determinado a recuperar seu trono e mostrar aos que ousaram enfrentá-lo o equívoco que cometeram. A imagem de seu rosto nos contornos do clube certamente agradaria a quem pretende ser a face, a voz, os neurônios e intestinos de uma entidade que não lhe pertence.

Esse é o grande problema do modelo estabelecido no país. A estrutura política dos clubes proporciona a aparição de mandatários que sequestram a coletividade e aplicam a ela os valores que bem entendem. A cada manifestação pública do atual presidente, nota-se um “eu sou o Vasco” repetido em respostas sobre os mais variados temas, como se fosse uma questão de honra não ser questionado em nenhuma decisão, nenhuma posição, nenhum desejo. Aí está outra faceta da tragédia, pois o Vasco não é uma pessoa, e, se fosse, certamente não gostaria de ser Eurico Miranda.

Ocorre que simplesmente não é possível comandar uma instituição por intermédio do silenciamento de opiniões. O que tem acontecido no estádio de São Januário é a debacle de um dirigente retrógrado que acha que o clube deve personificá-lo. Não é surpreendente que as práticas sejam as mais condenáveis, com o uso de baderneiros para sufocar críticas a qualquer custo, mesmo que seja necessário afugentar quem apenas quer torcer pelo Vasco, aterrorizar crianças e depredar o que é de todos. Diante disso, sustentar a narrativa de que tudo não passa de ações com motivação política é previsível. São páginas do manual do déspota.

Fechar São Januário para quem não pensa como ele sempre foi um recurso de Eurico Miranda. Vale para jogadores, técnicos, veículos de comunicação. A derrota para o Flamengo marca – não como o início, mas como o retrato principal – o momento em que a torcida do Vasco também passou a sofrer essa restrição. Menos mal que a inevitável interdição evitará, por algum tempo, que o estádio se converta em um lançador de morteiros sempre que o time não vencer, pois essa é a noção de mando de campo que prevalece entre partidários do presidente. A disseminação do ódio não se importa nem mesmo com a morte.

FORMAÇÃO

Levir Culpi, novo técnico santista, aparentemente caiu na armadilha de que qualquer pessoa pode dirigir craques. Em entrevista à Folha de S. Paulo deste domingo, Levir disse que “no Barcelona você fica com o Messi, o Iniesta e o Neymar trabalhando cinco anos juntos. Pode colocar um técnico da segunda divisão do Brasil que a chance de ganhar é grande”. A história recente do Barcelona, porém, mostra que não é verdade. Para conduzir craques ao sucesso, é necessário ter condições de treiná-los todos os dias, uma tarefa que obviamente não está ao alcance de alguém que não possua a devida capacitação. Não é por outro motivo que treinadores precisam se qualificar para poder trabalhar no futebol europeu de elite. 

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Jô és ley

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1 – De todos os problemas apresentados por visitantes a Itaquera, o Botafogo trouxe o pacote mais perigoso. A marcação baixa determinada por Jair Ventura comprimiu o campo de defesa e obrigou o Corinthians a trabalhar diante de um bloco de jogadores vestidos de preto. E cada passe interceptado era um contragolpe em potencial.

2 – Um teste duplo para o líder, instalado no campo oposto desde o primeiro minuto: desgastar a parede até perfurá-la, sustentando o posicionamento organizado que permite a recuperação rápida da bola e a proteção do passe longo.

3 – A exemplo do que o Corinthians faz quando atua fora de casa, o Botafogo se mostrou confortável ao se defender com todos os jogadores. Comportamento de equipe treinada mesmo com escalação diferente e – um traço evidente desde o início da temporada – disposta a jogar próxima ao limite de sua capacidade. Pura competição.

4 – Na altura da meia hora de jogo, o Corinthians teve a bola por 73% do tempo, mas nenhuma finalização certa na direção do gol de Gatito Fernández. Em encontros dessa natureza, a exigência de concentração é semelhante para os dois lados. Um time procura se ordenar com a bola; o outro, sem ela. Ninguém pode errar.

5 – O Botafogo ameaçou aos trinta e cinco minutos, com a aparição de Bruno Silva pelo lado direito. Bom passe para a conclusão de João Paulo para fora. No desenho de Jair Ventura, uma vitória do Botafogo em Itaquera passava pelo aproveitamento de jogadas como essa.

6 – No intervalo, eis o número de defesas de Cássio e Gatito:

7 – O Corinthians fez uma blitz inicial no segundo tempo, forçando o goleiro do Botafogo a interferir em três ocasiões. A primeira, em um chute de Rodriguinho que teve força, mas não a melhor direção.

8 – Um grave erro de arbitragem colocou o jogo sob risco de contaminação. Marcelo fez falta em Arana fora da área, mas Rodolpho Marques marcou pênalti. Para a sorte dele, Gatito defendeu a cobrança de Jô e protegeu o resultado da interferência do apito.

9 – Lembrete: a falta aconteceu, no mínimo, um passo fora da grande área. Os críticos do árbitro assistente de vídeo certamente consideram que esse tipo de falha “é coisa do jogo”.

10 – A entrada de Marquinhos Gabriel incrementou a circulação do Corinthians, que cercou a área botafoguense em uma pressão intensa. A bola ficou confinada não apenas ao campo, mas à intermediária do time carioca. Um exercício de ataque contra defesa, porém sem gol.

11 – A posição recuada da última linha do Botafogo era perigosa, mas dificultava a jogada pela lateral da área. Não é possível criar profundidade quando o movimento de ataque já está tão perto do limite do campo.

12 – A não ser no caso de uma jogada individual com a de Pedrinho, segundos após entrar no jogo: matada no peito, lençol em João Paulo, outra no peito, projeção contra o marcador e passe para trás. Gatito, enorme, defendeu dois chutes antes de Jô marcar um gol pelo qual o Corinthians teve de trabalhar muito.

13 – Pedrinho é privilegiado no aspecto técnico, mas fisicamente frágil para as demandas do futebol de alto nível. O Corinthians o imagina um jogador com capacidade para desequilibrar partidas. Este domingo serve como ilustração.

14 – Vitória merecida, especialmente considerando um segundo tempo em que só houve jogo em metade do gramado. O brilho particular de um jovem meia foi definitivo para que o Corinthians extraísse três pontos em sua casa.

TEMPO

O Flamengo cresce e caminha para o nível de desempenho coletivo que a qualidade de seus jogadores pressupõe. Nada acontece antes do tempo no futebol, como comprova a manutenção de Zé Ricardo no comando do time. Uma mudança de rumo no momento de crise teria sido um tremendo equívoco.

NO FUNDO

São Paulo no Z-4: resultado do desmantelamento do time pela política de negociação de jogadores do clube. E quem não tomou essas decisões terá de resolver o problema.

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