Arquivo da categoria: coluna da terça

Presente

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1 – O Grêmio de Luan e reservas era um convite à terceira vitória consecutiva do melhor Palmeiras que Alberto Valentim poderia montar. Encontro de cem pontos em Porto Alegre, valendo o segundo lugar na classificação e uma pressão de um dia no líder.

2 – Duas chegadas de Arroyo (a primeira, em impedimento), explorando o posicionamento defeituoso da defesa do Palmeiras. Na segunda, o equatoriano desperdiçou bom passe de Everton ao demorar para finalizar.

3 – É possível enxergar o trabalho de um técnico na terceira partida? Em comportamento, sim. Alguém escolheu jogadores, orientou e exercitou uma mudança no padrão de marcação, assim como um jogo mais curto na construção de movimentos. O Palmeiras não atua de maneira diferente por causa de um “fato novo”, mas por causa de um treinador novo.

4 – Há quem pense que o futebol é um jogo de extrema simplicidade, em que os técnicos transmitem ideias gerais e os jogadores fazem o que bem entendem. Até existem times assim, os que raramente chegam a algum lugar. Não é o caso de Grêmio e Palmeiras, claro.

5 – Mesmo assim, o encontro em Porto Alegre é sonolento. Nenhuma finalização certa na altura dos quarenta minutos, indício de movimentos interrompidos antes do estágio da emoção. O Grêmio tem a atenuante da escalação diferente. O Palmeiras, não.

6 – Um chute de Keno, na área, defendido por Paulo Victor aos quarenta e quatro minutos. Primeira conclusão no alvo da tarde.

7 – A volta do intervalo é o momento em que as intenções ficam mais claras, mas certos jogos só se alteram de fato quando um gol acontece. O Palmeiras foi o lado que comemorou logo aos três minutos, quando o chute de Dudu desviou em Marcelo Oliveira e entrou no canto que não era o procurado. A desvantagem em casa testaria o potencial do time B de Renato.

8 – Mas antes dos dez minutos, a posição palmeirense ficou ainda melhor com o gol de Moisés, no rebote de Paulo Victor. Detalhe para a presença de espírito de Keno, que passou pela bola e ficou dentro do gol para não interfererir na jogada. E ainda precisou se proteger do chute.

9 – 3 x 0 com Dudu, de novo, após a triangulação entre Keno, Tchê Tchê e Mayke pelo lado direito. Toques de primeira no espaço curto até o passe do lateral na linha de fundo, na direção da segunda trave. Os enamorados pela aleatoriedade do futebol creem que é casual.

10 – O lance começou com um lateral que poderia ser cobrado direto para a área…

11 – O terceiro gol saiu aos dezessete minutos, marcando o final da partida em relação à determinação do vencedor. Neste período, ficou evidente a distância técnica entre os times em campo, origem da impressão de que um deles “quis mais” o resultado. Sim, tudo começou com uma bola desviada, mas o que se deu depois disso foi apenas jogo.

12 – A defesa do Palmeiras não conseguiu tirar a bola da área, após a cobrança de falta de Luan, e Michel girou para marcar. Um gol que foi mais fruto de insistência do que de competência.

13 – O Palmeiras vence uma vez mais e se apresenta como principal perseguidor do Corinthians. Além de ser quem melhor joga neste momento, tem o confronto direto no dia 5 de novembro. O Grêmio se apega ainda mais à Copa Libertadores, torneio que determinará a nota final de sua temporada.

CONFISSÃO

Teve menos repercussão do que deveria a admissão de Marco Polo Del Nero de que a CBF se precipitou sobre a utilização do árbitro de vídeo em 2017. O cartola ainda se mostrou um curioso sobre o assunto, o que confirma que tudo não passou de uma reação intempestiva de quem não sabia do que falava. Ou uma “jogada” – sempre há iluminados que sugerem esse tipo de coisa – para desviar a atenção do gol que Jô marcou com o braço. De qualquer forma, é estarrecedor que a abordagem de Del Nero a um tema dessa importância seja tão descompromissada, a ponto de supor que o VAR é uma simples questão de investimento e vontade.

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Futilidade

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No encerramento da temporada passada, os três primeiros colocados no Campeonato Brasileiro pareciam bem posicionados para cumprir um 2017 produtivo, com a sequência do desenvolvimento de seus times e, provavelmente, conquistas. A principal questão no Palmeiras era como a comissão técnica, com Eduardo Baptista à frente, administraria um vestiário condecorado pelo título nacional durante a montagem de uma nova equipe. Santos e Flamengo se encontravam em situações semelhantes, em que a manutenção de Dorival Júnior e Zé Ricardo, respectivamente, possibilitaria um passo à frente no amadurecimento coletivo.

Baptista foi demitido em maio. Dorival, em junho. Zé Ricardo, em agosto. A dez rodadas do final do ano, Palmeiras, Santos e Flamengo estarão satisfeitos se conseguirem um lugar na próxima edição da Copa Libertadores da América. O atual campeão aguarda o Campeonato Brasileiro terminar, já pensando em 2018 e com um treinador interino. O vice-campeão alimenta os percentuais de uma perseguição improvável ao Corinthians. O terceiro colocado investe no troféu da Copa Sul-Americana, que, mesmo se conquistado, não impedirá que a temporada seja qualificada como decepcionante.

Antes da realização da vigésima-nona rodada do campeonato nacional, o Santos era o único desses três clubes a aparecer entre os quatro primeiros colocados. Palmeiras e Flamengo, por mais incrível que possa parecer, ostentavam pontuações mais próximas da região do rebaixamento do que da liderança. Em jogo, o Palmeiras não conseguiu solucionar a crise existencial provocada pelo retorno de Cuca e o Flamengo prossegue exibindo os mesmos defeitos de comportamento perceptíveis durante a direção de Zé Ricardo. O Santos se tornou momentaneamente mais competitivo com Levir Culpi, embora esteja de mãos vazias.

Nos três casos, as decisões de demitir treinadores não tiveram razões futebolísticas, mas foram frutos de pressões internas agravadas pela insatisfação da parte mais ruidosa da torcida. Especificamente na Vila Belmiro, o ambiente político do clube aumentou a possibilidade da geração do que cartolas chamam de “fato novo”. Por mais evidentes que sejam as conclusões sobre a futilidade das demissões, elas continuarão se repetindo enquanto clubes de futebol forem administrados com convicções que duram apenas até o próximo jogo. E enquanto a escolha de treinadores for feita pelos motivos errados.

São tantos equívocos que, hoje, apenas o Flamengo sabe quem será seu técnico no próximo ano. Parece claro que Reinaldo Rueda foi contratado para terminar 2017 da melhor forma possível e iniciar a nova temporada em uma posição favorável. Alberto Valentim usará um crachá temporário e, se tiver sucesso imediato, suscitará comparações com Fábio Carille, mas sua efetivação não será decidida antes da procura do Palmeiras por um treinador estabelecido. Levir Culpi dependerá de várias circunstâncias para permanecer no Santos, incluindo, é claro, sua própria decisão. E assim o carrossel continuará girando, impulsionado pelo vento, não por ideias.

LÍDER

Em posição de destaque neste campeonato de futilidade, o Atlético Mineiro não pode ser esquecido. Em 2016, um técnico demitido no primeiro semestre e outro no meio da decisão da Copa do Brasil. Em 2017, a coleção aumentou com mais três treinadores. É uma aula a cada temporada.

JOGO DE BOLA

Manchester City e Napoli se enfrentam amanhã, pela fase de grupos da Liga dos Campeões da Uefa. Encontro de dois times que se propõem a monopolizar a bola, construir movimentos desde a própria área, transformar passes em gols. Jogo não recomendado aos enamorados pelo futebol vulgar.

AGRADECIMENTO

Algo que faltou à coluna de quinta-feira passada, na seção Camisa 12 deste diário, sobre Lionel Messi: imagine a quantidade de material danoso à saúde que seria dita/escrita se Messi não marcasse os gols que levaram a Argentina à Copa do Mundo. 

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Valendo

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Tite declarou o “início” da Copa do Mundo de 2018 no dia da convocação para os jogos contra Equador e Colômbia, mas é apenas no encontro com o Chile, amanhã, que as Eliminatórias adquirirão o caráter de “jogo de Copa” para a Seleção Brasileira. Na data Fifa anterior, o momento de decisão ainda não estava presente. Nesta, além do contínuo processo de formação de grupo e equipe, a visita ao ar rarefeito boliviano em quase nada acrescentou à preparação para o objetivo final. Mas o jogo no Allianz Parque reúne muitas características de uma dessas partidas que encerram a fase de grupos de um Mundial, em que um dos times, já classificado, enfrenta um adversário que não pode deixar de vencer.

A propósito: Brasil e Chile já se encontraram quatro vezes em Copas, sempre em situações em que o resultado importava a ambos. Em 1962, pelas semifinais. Em 1998, 2010 e 2014, pelas oitavas. A Seleção prevaleceu sempre, com três vitórias no tempo normal e os pênaltis do Mineirão, após empate em 1 x 1. Na primeira rodada das Eliminatórias para a Rússia, os chilenos – sob a direção de Jorge Sampaoli – foram indiscutivelmente superiores ao time de Dunga em Santiago, quando venceram por 2 x 0, há dois anos. Desde então, cada time percorreu trajetórias inversas, ilustradas pela situação que se apresenta na conclusão do torneio. O técnico Juan Antonio Pizzi está em modo de sobrevivência, enquanto Tite pode usar um jogo de competição para avaliar ideias.

Ênfase no “pode”. A julgar pela escalação anunciada ontem, o técnico brasileiro trata o encontro como mais uma ocasião para dar prosseguimento ao desenvolvimento de seu time, evitando descaracterizá-lo em nome de experimentações. E faz sentido. Além de não haver outra partida oficial até a estreia no Mundial, é certo que o Chile terá um comportamento agressivo à procura do único desfecho que lhe interessa, o que permitirá a observação do Brasil em uma dinâmica de jogo que não costuma acontecer em casa. A obrigação de vitória dos chilenos pode simular enfrentamentos com equipes plenamente capazes de atacar e superar a Seleção Brasileira, condições em que o time de Tite ainda precisa ser avaliado.

A ideia de que o Brasil está pronto para a Copa é uma precipitação. Os excelentes resultados obtidos, com notável aprimoramento de jogo, desde que a comissão técnica atual assumiu um time em sexto lugar nas Eliminatórias não devem fazer supor que o tempo de trabalho é o adequado. Não é. Em pouco mais de um ano, Tite foi capaz de fazer muito, mas seu time não passou pelas experiências necessárias ao ciclo de preparação para um Mundial, como jogos contra seleções de elite, especialmente europeias. Os amistosos marcados para o próximo mês, contra Japão (idealmente seria a França, mas não foi possível) e Inglaterra não alcançam este nível, motivo pelo qual se tenta agendar um encontro com um grande adversário europeu antes do jogo já definido com a Alemanha, em março.

Brasil x Chile é “jogo de Copa” e assim deve ser tratado, sem que isso impeça Tite de fazer alterações circunstanciais conforme o andamento da noite. Ocasião, por exemplo, para fixar a variação com a linha de três meias e Coutinho jogando por dentro, que oferece novos problemas ao oponente pela reunião de quatro jogadores ofensivos. Ademais, é uma excelente oportunidade para a Seleção Brasileira voltar a vencer, o que não acontece desde os 2 x 0 sobre o Equador, quando fez um primeiro tempo defeituoso.

NA COPA

As classificações de Costa Rica e Egito para a Copa do Mundo, caracterizadas por cenas de absoluta loucura tanto nas cadeiras quanto nos gramados, mostram que jogar um Mundial é uma conquista que emociona muita gente. Essa emoção deveria ser tratada com mais respeito pelos donos do futebol.

QUASE NA COPA

A Islândia, com uma população que não chega a 350 mil pessoas, está às portas de uma vaga direta na Europa. Um feito gigantesco.

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Igual

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1 – Na teoria, as condições eram atraentes para o líder. Visitante, como se sente mais à vontade, diante de um adversário inebriado pelo título da Copa do Brasil e desgastado pelo jogo do meio da semana. Um panorama que deveria gerar confiança na conquista de pontos fora de casa, como foram tantos durante o primeiro turno do campeonato.

2 – Mas este não é o primeiro turno, e este claramente não é aquele Corinthians. Não só pela ausência de seu jogador mais importante, substituído por um companheiro que não o substitui, mas principalmente pelas deficiências que surgiram no lugar do que eram virtudes.

3 – A consistência defensiva, como as últimas rodadas evidenciaram, não é mais a mesma. Jadson falhou na recomposição do lado direito da defesa, expondo Fágner à jogada de Alison com Diogo Barbosa. Ótimo cruzamento para Rafinha (1,67m) se antecipar a Arana e vencer Cássio com um cabeceio forte. A exemplo do que se deu no Morumbi, domingo passado, o gol cruzeirense obrigou o Corinthians a fazer um jogo diferente do que pretendia.

4 – E um jogo que favorecia ao Cruzeiro, confortável para recuar alguns metros e convidar o líder a tentar a sorte no campo de ataque. Os índices de posse desenharam a dinâmica do primeiro tempo: o gol aos dezenove minutos contribuiu para que os mineiros tivessem a bola por apenas 41% do tempo em casa.

5 – A tarde de Jadson terminou no intervalo. Mais insinuante e útil à ideia de criar a própria jogada, Marquinhos Gabriel recebeu outra vez a missão de injetar ofensividade em um time em desvantagem e em claras dificuldades. O trabalho ficaria menos complicado se o gol de cabeça de Balbuena, habilitado no que se chama na arbitragem de “lance ajustado” (pelo nível de dificuldade), não fosse anulado por impedimento.

6 – Brilhante defesa de Fábio, esticando-se para a direita para negar o empate a Rodriguinho, na primeira jogada de parede feita por Kazim. O chute foi muito bem colocado, mas o goleiro do Cruzeiro foi melhor.

7 – Enquanto Mano esperava, Carille deu um passo adiante ao trocar um jogador de meio de campo (Gabriel) por um atacante (Clayson). O cenário no Mineirão ficou estabelecido antes dos vinte minutos: o Cruzeiro teria espaço para punir a iniciativa do líder.

8 – O volume ofensivo dos visitantes era mínimo quando Murilo cortou, com o braço, um cabeceio de Kazim na área, aos trinta e oito minutos. Marcação correta do árbitro Rodolpho Toski Marques, convertida por Clayson em um empate que o Corinthians buscou com muito mais empenho do que jogo.

9 – Quando Mano disse, no pré-jogo, que “faltaria alguma coisa” em seu time por causa da celebração do título da Copa do Brasil, ele provavelmente se referia à queda de intensidade notável na parte final. Tanto que Carille ordenou pressão nos últimos minutos, insatisfeito com o 1 x 1.

10 – O ponto somado deixou em oito a diferença para o Santos, e evitou que o técnico corintiano tivesse de administrar as repercussões de uma derrota durante o período das datas Fifa. Mas não escondeu os problemas do líder em sete rodadas do segundo turno. Se é fato que todos os times passam por oscilações neste campeonato, as do Corinthians parecem se prolongar para além do que é natural. Até o jogo contra o Coritiba, ao menos haverá tempo para recuperar Jô.

DIALOGAR…

As observações feitas por Reinaldo Rueda, em entrevista na sexta-feira passada, deveriam estimular a necessária conversa sobre como se analisa futebol no Brasil. Censurar o técnico do Flamengo com base em sua nacionalidade, como se este fosse um critério que o autorizasse ou não a expressar o que pensa, é o recurso de quem não compreende e não tem nada a acrescentar ao debate.

… É PRECISO

Impedir um repórter de trabalhar, como fez o Flamengo em represália à cobertura de um meio de comunicação, tampouco é um bom caminho. Felizmente o clube reconsiderou a decisão.

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A vida anda rápido

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1 – Um gol perdido foi também um sinal postivo. Na jogada que Romero iniciou após um erro de Madson, apareceu a associação dos dois meias, tão importantes para o bom funcionamento da maneira de jogar do Corinthians: Jadson para Rodriguinho, na área. O chute passou perto da trave e enganou muita gente ao tocar a rede por fora.

2 – O Corinthians tinha controle e boa circulação, embora sem o capricho para superar o bloqueio vascaíno diante de sua área. Também se defendia com solidez, permitindo ao Vasco apenas dois chutes de fora da área na primeira meia hora, ambos defendidos por Cássio com certa dificuldade.

3 – Na medida em que o time carioca passou a jogar um pouco mais adiantado, os espaços se tornaram generosos. Mas o plano de fazer a bola chegar por dentro a Jô não teve efeito. É uma jogada vital para o Corinthians, seja com o atacante como destino final ou viabilizador da aparição de companheiros. Tem sido silenciada por marcação competente, ainda que, neste domingo, Jô possa reclamar de um pênalti ignorado.

4 – Rodriguinho teve outra ocasião, de cabeça, dentro da pequena área. O álibi da surpresa – Jô não conseguiu alcançar a bola, que se ofereceu de repente – é válido, mas tocá-la por cima do travessão pareceu o mais difícil. O primeiro tempo começou e terminou com um gol que ele quase marcou.

5 – E o segundo tempo se abriu no mesmo tom: Jô cruzou do lado esquerdo e Rodriguinho concluiu à curtíssima distância de Martín Silva. A defesa no reflexo, com a mão direita, salvou o Vasco.

6 – O atual momento do líder do campeonato é marcado por claros defeitos de execução. O bonito lance de Rodriguinho com Fágner, tabelando pelo lado direito, propiciou um caso exemplar. Jadson aguardava a bola na marca do pênalti para finalizar a jogada treinada e tantas vezes bem sucedida, mas o chute saiu torto.

7 – Com Arana e Jadson, combinação parecida do lado esquerdo. Passe para trás, para a chegada de Maycon. Outro chute com a direção errada, outro gol que ficou no quase.

8 – Há passagens em que um time de futebol dá a impressão de que encontrará um jeito de vencer jogos, mesmo que esteja em um mau dia. Há outras em que, por mais que produza e tente, sugere que não terá sucesso.

9 – O lance do gol é uma ilustração das dificuldades momentâneas do Corinthians. Excelente avanço de Marquinhos Gabriel pelo lado esquerdo, cruzamento desviado que provavelmente tocaria na trave e entraria. Mas Jô, com o braço direito, criou um tento irregular cuja validação é uma lástima.

10 – Cabe um comentário sobre a inutilidade do árbitro que se posiciona ao lado da trave e não vê o toque de mão, ok. Mas, quantas vezes forem necessárias: em um jogo com árbitro de vídeo, um gol como esse jamais veria a luz do dia. Não há justificativas.

11 – Jô era o jogador envolvido no episódio de fair play de Rodrigo Caio, no Campeonato Paulista. A vida anda rápido.

12 – O Corinthians jogou mais do que o Vasco e teve diversas oportunidades para marcar. Terminou por vencer o encontro com um gol ilegal, o tipo de ocorrência que não tem mais lugar no futebol. Enquanto o resultado – somado aos demais, aumentando a vantagem na liderança do campeonato – será visto como prova de recuperação, a atuação voltou a exibir alguns problemas das rodadas recentes.

DIFERENTE

Paulinho se projetou pelo meio da defesa do Getafe, acelerou para pedir a bola a Lionel Messi, recebeu, dominou, travou um adversário no corpo e marcou o gol da vitória do Barcelona, o primeiro dele pelo clube. Um gol muito celebrado em campo, e que pode indicar de que forma o brasileiro será utilizado em um time que pretende voltar a jogar com posse. De todos os nove meiocampistas do elenco, Paulinho é o jogador cujas características mais se distanciam da ideia que o Barcelona tradicionalmente representa. Talvez por isso seja aquele que pode contribuir com um comportamento diferente, inesperado. O começo foi interessante.

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Do contra

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1 – A resposta do Santos ao problema que o Corinthians apresenta como visitante ficou clara logo no início: reduzir espaços ao máximo e ser cuidadoso com a posse. O nível de eficiência exigido torna essa ideia insustentável por longo tempo, mas a possibilidade de um gol precoce a justifica.

2 – O que só não aconteceu aos sete minutos porque Cássio, quase com todo o corpo dentro do gol, conseguiu tocar na bola desviada por Ricardo Oliveira após o escanteio, alterando o desfecho de uma jogada que normalmente balança a rede.

3 – A iniciativa santista na Vila não apenas era esperada, como fazia parte da dinâmica que o Corinthians utiliza para surpreender. E ainda que não tenha sido competente como queria na criação, o Santos protegeu bem a bola. Em todo o primeiro tempo, só permitiu um contragolpe, quando Alison foi desarmado no campo de ataque.

4 – A articulação rápida do Santos também só foi vista uma vez: ótima combinação entre Zeca e Bruno Henrique, já aos quarenta e três minutos. A Cássio se poderia atribuir um milagre na defesa do chute de Ricardo Oliveira, mesmo que o atacante santista lamente a direção. Reflexo instantâneo do goleiro.

5 – O Corinthians ainda não sofreu gol no primeiro tempo, fora de casa, no campeonato. Neste domingo, a sequência se manteve unicamente por obra de Cássio.

6 – Santos em controle, entre outros motivos, porque o Corinthians não foi capaz de envolver Jô, seu jogador mais importante, em nenhum momento. Nem como finalizador e nem como preparador de jogadas para companheiros.

7 – Aparição decisiva de Vanderlei quando uma associação ofensiva do Corinthians deu certo sem querer. O chute de Romero poderia ser melhor colocado, mas teve força. O goleiro santista estava pronto.

8 – O Santos marcou em um momento de inversão do jogo: contra-ataque permitido por uma bola recuperada na defesa. Bruno Henrique, imparável, atravessou o campo pela lateral e tentou o passe para o centro da área. O desvio de Pablo ofereceu a bola para Lucas Lima finalizar: 1 x 0.

9 – Posição desconfortável para o líder, obrigado a construir diante de um adversário com letal capacidade de responder em velocidade. A permanência do placar tornaria o jogo cada vez mais ao feitio do Santos.

10 – No trecho final, a urgência do Corinthians para buscar o empate fez com que o time abandonasse sua tradicional compostura defensiva. Era tudo o que o Santos precisava para garantir a vitória. Não por acaso, o lance de mais um gol nasceu em um erro corintiano no ataque. Apenas dois passes entre Lucas Lima, Bruno Henrique e Ricardo Oliveira.

11 – Resultado merecido para o Santos, primeiro mandante a vencer o Corinthians neste campeonato, praticamente sem correr riscos em toda a tarde. Impiedoso ao penalizar o erro do oponente em uma jogada casual, tranquilo para aguardar a oportunidade decisiva após estar em vantagem. Excelentes atuações dos jogadores mais ofensivos, criadores do segundo gol.

12 – Para o Corinthians, o preço de uma derrota natural fica maior por causa das duas anteriores. Resta ao time de Carille se reagrupar e voltar a fazer bem o que o colocou nesta posição. Por circunstâncias, mesmo uma significativa queda de pontuação não foi suficiente para colocar a liderança sob risco imediato. Mas essa poupança, é claro, não durará eternamente.

IRRELEVANTE

Não deveria haver debate sobre a expulsão de Sadio Mané, na goleada de 5 x 0 do Manchester City sobre o Liverpool, sábado. A regra do jogo de futebol determina cartão vermelho para jogadores que, com os pés altos, colocam um oponente em risco. As marcas da chuteira de Mané estão visíveis no rosto do goleiro brasileiro Ederson, ainda que a ideia do ótimo atacante senegalês – que se desculpou com classe pelo acidente – fosse tocar na bola. Para a regra, a intenção é irrelevante, assim como opiniões que levem em conta o impacto da expulsão em um jogo equilibrado.

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Simuladores

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Além dos já programados encontros com seleções europeias do primeiro escalão, medida que falta para que o Brasil tenha uma noção mais definida de onde está em termos de competitividade, os jogos restantes das Eliminatórias têm um papel interessante na preparação para a Copa do Mundo. Como simuladores de problemas, os adversários sul-americanos podem apresentar situações que a Seleção encontrará no torneio na Rússia, colaborando para o manual de soluções que Tite terá à mão. A partida de amanhã contra a Colômbia e a do dia 10 de outubro, contra o Chile, se encaixam neste perfil, uma vez que ambos estão em um grupo de quatro times separados por dois pontos na zona de classificação.

Quanto maiores forem as semelhanças desses jogos com a vitória da semana passada sobre o Equador, no aspecto do nível de dificuldade, mais valiosos eles serão para a Seleção Brasileira. Em Porto Alegre, os equatorianos mostraram uma lição de casa feita com capricho, ao travar a saída da bola tanto pelos lados, com Daniel Alves e Marcelo, como também com Casemiro, vigiado com especial atenção. O jogo de associação curta que Tite implantou com notável sucesso depende da construção limpa desde o campo de defesa, o que não se deu com a fluidez necessária e comprometeu as melhores escolhas de passe ofensivo. A impressão de lentidão decorreu desse problema.

É lógico que oponentes mais capazes do que o Equador usarão expedientes defensivos semelhantes, por isso a mudança provocada pela entrada de Philippe Coutinho como meia centralizado estimula a comissão técnica. Especialmente diante de adversários que recuam para fazer marcação baixa, a opção com Coutinho entre William e Neymar começa a se reforçar como mecanismo de superação desse bloqueio. No movimento do segundo gol, o meia-atacante do Liverpool exibiu arranque, passe e finalização, virtudes que explicam sua cotação no mercado de futebolistas na Europa e nas anotações do técnico da Seleção. Jogadores que podem ser utilizados em papeis diferentes são um luxo.

E não é apenas a introdução de um elemento novo ou a alteração de sistema que ele representa. A possibilidade de ter William, Neymar, Philippe Coutinho e Gabriel Jesus, juntos, oferece uma assustadora quantidade de problemas para os times que terão de controlá-los. Um potencial ofensivo com o qual apenas argentinos e franceses poderiam discutir. A procura de variantes na montagem da equipe e na elaboração da forma de atuar é central neste momento em que já se pensa no Mundial. A definição do elenco definitivo também passará pelas opções de escalação que se mostrarem úteis nos próximos jogos.

Embora o discurso – “a Copa do Mundo já começou” – tenha o evidente objetivo de manter a intensidade e a ambição em níveis elevados, a classificação assegurada carrega uma tranquilidade natural. Não será necessário injetar espírito de competição na equipe quando o adversário for, por exemplo, a Alemanha em amistoso. Mas as Eliminatórias, em que até o primeiro lugar já é inalcançável para os demais participantes, adquiriram contornos de formalidade. Tite insistirá no estímulo em encontros como o desta terça-feira, fontes de caminhos que podem não parecer importantes agora, mas certamente serão quando o resultado não valer apenas para o adversário.

MAGNÍFICO ISCO

Quem teve a chance de ver Espanha x Itália, no sábado, pôde aplaudir uma atuação espetacular de Isco, na vitória dos espanhóis por 3 x 0. Dois gols (embora no primeiro, em cobrança de falta, a bola parecesse defensável para Buffon), um recital de passes e interações. Sem falar em uma caneta e um lençol em Verrati, no segundo tempo. Tão impressionante quanto a exibição de Isco foi o fato de a Itália utilizar uma escalação que não se importou em ceder o controle do meio de campo. Logo contra a Espanha? O resultado poderia ser mais dramático.

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Necessário

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A derrota para o Atlético Goianiense foi a primeira partida do Campeonato Brasileiro em que o Corinthians atuou sem Jô. Até esta altura, o líder tinha conseguido resolver de maneira satisfatória os problemas de escalação que afetam todos os times em um campeonato longo, ao compensar as ausências de figuras importantes com atuações de bom nível no aspecto coletivo. No sábado, em Itaquera, ficou evidente que o centroavante é o jogador imprescindível do elenco dirigido por Fábio Carille, aquele cuja substituição simplesmente não é possível.

Na formação ideal do Corinthians, a presença de seis jogadores é fundamental em termos de desempenho ofensivo: os dois laterais, os dois meias e os dois atacantes titulares. O fato de o time ter sofrido para controlar boa parte dos jogos contra o Cruzeiro (sem Fágner e Rodriguinho), Flamengo (sem Jadson e Romero) e Vitória (Arana se machucou e Jadson estava limitado), todos em casa, não é coincidência. Com a bola, o Corinthians depende das associações pelos lados e da movimentação de Jô e Romero (também ausente, assim como Arana, no encontro com o time goiano).

O artilheiro do Corinthians não faz apenas gols. Jô fixa um defensor adversário, é a referência que retém a bola no campo de ataque, que a distribui após o domínio ou com desvios pelo alto. Ele tem também um papel defensivo importante nas jogadas de bola parada do oponente. No gol do Atlético Goianiense, Gilvan cabeceou na primeira trave após a cobrança de escanteio do lado direito. Kazim, substituto de Jô, foi superado no lance. Essa não é a única razão da segunda derrota no campeonato, claro. Falhas de finalização, outra área em que o centroavante titular fez falta, impediram ao menos um empate.

Jô é desfalque mais sensível, mas os circuitos de jogo do Corinthians terão problemas maiores ou menores a cada vez que este grupo de seis jogadores estiver incompleto. As dificuldades são mais notáveis nas partidas em Itaquera, seja quando é preciso construir o resultado com posse no campo ofensivo, ou quando, já em vantagem, o Corinthians retrocede para atrair e surpreender. Como visitante, embora o time invista inicialmente em sua capacidade de se defender, os dois atacantes titulares são necessários para manter a ameaça e, principalmente, a eficiência ofensiva.

Não é razoável esperar que uma equipe sustente um alto nível de atuação durante todo o Campeonato Brasileiro. O aproveitamento anormal do Corinthians no primeiro turno tem dois resultados práticos: o conforto que lhe permite navegar por momentos como o atual com menos pressão, e a menor distância para a pontuação que deve significar o título. Mesmo assim, é a qualidade do desempenho do time, em relação ao que se propõe, que o manterá ou não como favorito ao troféu. O que colocou o Corinthians nesta posição foi o hábito de praticar bem o tipo de futebol que escolheu, tarefa afetada por desfalques em posições específicas.

DESCONTROLE

Números interessantes – exceto para o torcedor são-paulino, claro – levantados por Rodolfo Rodrigues, no portal UOL: em cinco das últimas seis rodadas do Campeonato Brasileiro, o São Paulo sofreu dois gols em intervalos curtos de tempo. Contra Botafogo (aos 18 e 25 minutos do primeiro tempo), Coritiba (11 e 22 do segundo tempo), Bahia (40 e 43 do primeiro), Cruzeiro (5 e 11 do segundo), e Palmeiras (35 e 38 do primeiro). O mesmo problema aconteceu em jogos do campeonato estadual.

PARABÉNS

A Seleção Brasileira se reúne em Porto Alegre, quase no aniversário de um ano do primeiro jogo (1 de setembro de 2016, 3 x 0 no Equador) sob a direção de Tite. De lá para cá: bom jogo, vitórias em sequência, classificação assegurada para a Copa do Mundo do ano que vem e uma completa transformação na relação com o público. É muito, ainda mais em tão pouco tempo. E pode ficar melhor até o mês decisivo na Rússia. 

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Escolhas

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Na história do futebol europeu, em apenas oito ocasiões um time conseguiu o chamado triplete – títulos de liga, copa e copa da Europa, em ambos os formatos, na mesma temporada. Metade se deu entre 1955 e 1999 (Celtic, Ajax, PSV e Manchester United), e metade desde 2009 (Barcelona duas vezes, Internazionale e Bayern). Mesmo num ambiente de futebol organizado, jogo bem compreendido e calendário consciente, um ano dominante tanto em âmbito doméstico quanto continental é um acontecimento raro.

Jamais houve um triplete nesses moldes (Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores) no Brasil, embora seja obrigatório considerar que, entre 2003 e 2012, os clubes que se classificaram para o torneio sul-americano não puderam disputar a copa nacional. Várias equipes já conquistaram três títulos no mesmo ano, mas a “tríplice coroa” que mais se aproxima do modelo europeu é o feito do Cruzeiro, em 2003. Dirigido por Vanderlei Luxemburgo e liderado por Alex, o time venceu o Campeonato Mineiro, a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro.

É importante lembrar que a Copa do Brasil era disputada no primeiro semestre, na mesma porção do calendário ocupada pela Libertadores. Em 2003, o Cruzeiro disputou o estadual entre os fins de janeiro e março, a Copa do Brasil de fevereiro a junho, e o Brasileirão entre março e dezembro. Era o melhor time do país com evidente distância, e, após derrotar o Flamengo na decisão do torneio em mata-mata, em 11 de junho, pôde se dedicar a seis meses do campeonato nacional. Neste período, foram realizadas trinta e quatro das quarenta e seis rodadas da competição, vencida pelo Cruzeiro com duas datas de antecedência.

A programação atual ordenou as três principais disputas da temporada, simultaneamente, ao longo do ano. A Copa Libertadores, tratada como prioridade nos primeiros seis meses, passou a ser uma preferência de fevereiro a novembro. E mesmo a Copa do Brasil hoje é vista como uma possibilidade de troféu mais atraente do que o Campeonato Brasileiro, para os clubes que ficaram para trás na classificação e/ou seguem disputando também a Libertadores, casos de Botafogo e Grêmio. O problema não é as competições “concorrerem” entre si, mas a forma como se olha para cada uma delas.

Nenhum time europeu que tem capacidade para ser campeão nacional opta por sua copa local. Enquanto a Liga dos Campeões é tratada com a deferência que merece, os rodízios de escalações são entendidos como parte do planejamento da temporada, de modo a proteger jogadores e manter o nível de competitividade da equipe. E o que é primordial: num calendário em que se joga menos, técnicos podem utilizar seus principais futebolistas nos momentos mais importantes de cada competição. Por aqui, o iluminado vê Messi na televisão duas vezes por semana, nos últimos dois meses do ano, e acha que “futebol é quarta e domingo”.

Essa conduta é impossível no Brasil, onde se joga demais e um técnico como Juan Carlos Osório sofreu pressão para deixar de rodar o elenco do São Paulo, porque “não era necessário”. O resultado é a obrigatoriedade de fazer mais escolhas, mais vezes, para não perder jogadores machucados por longo tempo. Ou será que os profissionais que trabalham nas comissões técnicas dos melhores clubes brasileiros são tolos que não sabem o que estão fazendo? Uma parte fundamental do esporte de alto nível é composta de conhecimento científico, e é preciso respeitar quem o possui.

Atrasos e cuidados à parte, é possível que 2017 seja o início de um aprendizado. Nenhuma competição revela tanto sobre a qualidade de um time quanto o campeonato de pontos corridos. As copas, especialmente a Libertadores, podem desperdiçar meses de priorização em uma semana infeliz. A maior convivência com a realidade atual talvez mostre que o sentido do investimento deve ser para onde há mais controle, o que não diminui a urgência do ajuste do calendário.

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A diferença aumentou

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1 – Mesmo com Neymar na França e Cristiano Ronaldo no banco, Barcelona x Real Madrid permanece o principal jogo do futebol mundial. Se a ausência do craque brasileiro tem um impacto (além do óbvio) na atualização da rivalidade, é o de desequilibrar ainda mais um encontro que tem sofrido um processo de repaginação nos últimos dois anos.

2 – O time dos meio-campistas hoje é o Real Madrid, bicampeão europeu e campeão nacional, operado por Kroos, Modric (suspenso nesta partida de ida da Supercopa), Casemiro, Isco… O Barcelona deixou de sê-lo em nome de um tridente ofensivo que não existe mais, e se apresenta como uma interrogação de estilo que, neste momento, recorre a Messi como resposta para tudo.

3 – A Supercopa abriu a temporada espanhola com equipes ainda longe da forma de competição e um Madrid vestido de “verde-turquesa”. Condições diferentes das normais no clássico que acostumou o mundo a um confronto de maneiras de jogar futebol tão reconhecíveis quanto as cores que as representavam. Difícil diferenciar os jogadores no gramado do Camp Nou, assim como notar superioridades claras entre os rivais no início.

4 – O Real Madrid se mostrou mais à vontade em seu jogo, como é natural pela continuidade de futebolistas e comissão técnica, mesmo com o principal astro fora de campo. Deulofeu é o jogador que substitui Neymar entre os titulares do Barcelona, o que é muito diferente de ser o substituto do atacante brasileiro. Ernesto Valverde, novo técnico do clube catalão, terá de definir que tipo de futebol seu time praticará.

5 – O segundo tempo começou com o impensável para Piqué: um gol de seu próprio pé a favor do Real Madrid. Conteúdo de pesadelo para o mais vocal dos barcelonistas, que não conseguiu evitar o desvio fatal após o cruzamento de Marcelo. Alba salvou o que seria um gol de Carvajal, pouco antes de Zidane mandar Cristiano ao gramado para explorar o vasto espaço no Camp Nou.

6 – Mas foi o Barcelona quem subiu de nível na procura do empate, conservando a bola nas imediações da área adversária, mas sem a construir a jogada aguda para Suárez ou Messi. No único trecho do jogo em que se pôde perceber um time trabalhando com urgência, também ficou evidente a carência de soluções coletivas dos catalães.

7 – Messi empatou cobrando um pênalti que só é concebível na dramaturgia. Atuação teatral de Luis Suárez que convenceu o árbitro a tomar uma decisão – não seria a única, e, por mais incrível que possa parecer, também não seria a pior – com reflexo direto no placar. O Barcelona pressionava e era perigoso, mas nada justifica um pênalti fictício.

8 – Acionado por Isco em um contragolpe que o colocou em situação de vantagem contra Piqué, Cristiano Ronaldo assinou mais um de seus gols maravilhosos. Corte para o centro e chute no ângulo. Ele só não sabia quanto custaria o cartão amarelo por tirar a camisa na comemoração.

9 – Porque em jogada na área com Umtiti, Ronaldo foi ao chão em um desses lances que não são falta e nem simulação. Contato legal, perda de equilíbrio, tudo normal. Não havia razão para o cartão amarelo que determinou a expulsão do português, em mais um erro que os críticos do árbitro de vídeo devem digerir como ocorrência natural do jogo de futebol.

10 – Quando o Barcelona se animou pela vantagem numérica, o Real Madrid encerrou as dúvidas com outro golaço. Asensio, projeto de craque, também acertou o ângulo do gol de Ter Stegen: 1 x 3. Placar que representa o que foi o clássico, embora a arbitragem tenha se esforçado para contaminar o que os jogadores produziram em campo.

11 – A ida da Supercopa reforçou a impressão deixada ao final da temporada passada (quando Neymar ainda era jogador do Barcelona): o Real Madrid é superior em jogo e elenco. Ainda que a conta bancária do Barcelona apresente alta capacidade de investimento, a posição é delicada no que diz respeito à montagem de um time que jogue futebol coletivo.

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